Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Macedo desvenda segredos

Melo Clemente - 29 de Maio, 2013

Contrato para resgatar o ttulo perdido na poca 2011/2012 a favor do Recreativo do Libolo

Fotografia: Kindala Manuel

Contratado para resgatar o ttulo perdido na poca desportiva 2011/212 a favor do Recreativo do Libolo, o tcnico angolano Paulo Macedo no defraudou as expectativas da direco do 1 de Agosto e no seu primeiro ano, o ex-internacional conquistou nada mais, nada menos do que cinco trofus, dos seis possveis, uma colheita a todos os nveis positiva.

Em entrevista ao Jornal dos Desportos, o tcnico que teve a misso de rejuvenescer a equipa militar, assegurou que o processo de renovao vai continuar, porque quer formar uma equipa que seja capaz de lutar de igual para igual com as demais formaes nas prximas seis sete temporadas.

Jornal dos Desportos - Que avaliao que nos pode fazer da recm terminada poca desportiva?
Paulo Macedo Olha para ns 1 de Agosto a poca desportiva 2012/2013 foi de todo positiva. No incio da temporada definimos os nossos objectivos que passavam por conquistar todas as provas em que estivssemos engajados e, dos seis trofus em disputa s no conseguimos ganhar a Taa de Angola porque infelizmente fomos eliminados nas meias-finais pelo Recreativo do Libolo, e o Campeonato Provincial. Como v a safra foi boa.

E em termos competitivo como que foi a 35 edio do BAI Basket?

Honestamente falando, acredito que tivemos um Campeonato Nacional mais competitivo dos ltimos tempos, e ateno que esta competitividade no se verificou apenas durante a Final Four. Na fase regular tivemos jogos extremamente equilibrados, gostei por exemplo, de ver jogar a Universidade Lusada, Progresso Associao do Sambizanga, ASA, Futebol Clube Vila Clotilde, formaes que no tendo grandes valores individuais conseguiram com a sua juventude equilibrar jogos com as chamadas equipas grandes, o que demonstra o quo foi disputado o Campeonato Nacional.
Mas esta competitividade tambm se verificou na temporada passada onde o Recreativo do Libolo se sagrou campeo nacional pela primeira vez na sua histria?

verdade mas, se na poca passada por exemplo apareceram cinco equipas que desde o incio da competio davam sinais de serem verdadeiros candidatos conquista do ttulo, este ano apareceram como disse equipas como a Universidade Lusada, Progresso Associao do Sambizanga, s para citar estas, que apesar de os seus jogadores serem bastante jovens e inexperientes praticaram um bom basquetebol, dificultando inclusive os grandes. Outro aspecto que me impressionou pela positiva claro, prende-se com o facto das equipas de uma maneira global, o excelente trabalho que se fez no captulo defensivo, foi extraordinrio.

Ests a admitir que se conseguiu resgatar a mstica do basquetebol angolano que de algum tempo a esta parte havamos perdido?

Exactamente. Como sabe, o basquetebol angolano sempre se diferenciou dos demais, fundamentalmente, a nvel do nosso continente, no apenas pela qualidade tcnica dos nossos jogadores mas, sobretudo, pelo trabalho que se fazia no captulo defensivo. Infelizmente, no sei por que carga de gua, as equipas no seu todo passaram a descurar os aspectos defensivos. A poca que findou os tcnicos conseguiram inverter este quadro, ou seja, as nossas equipas voltaram a defender tal como acontecia em tempos no muito distante.

Realisticamente falando, acreditavas no sucesso da sua equipa, depois do rejuvenescimento que sofreu no incio da temporada?

Ns acreditamos sempre no nosso trabalho, naquilo que fizemos. Voltamos esta poca s origens, voltamos a trabalhar como antes, quando comeamos a ganhar os ttulos africanos a nvel dos seniores, com trabalhos fora de campo que nos permitissem estar fisicamente bem dotados. Estvamos conscientes de que tinhamos uma equipa bastante jovem e tnhamos que dar tempo ao tempo, acreditando como bvio naquilo que traamos como objectivo, os atletas acreditaram no projecto que montamos para esta temporada e as coisas comearam a parecer mais fceis porque eles estavam imbudos naquilo que tnhamos traados.

Mas o nmero de trofus conquistados (cinco) esta temporada acabou de alguma forma por ser surpreendente.

Em parte. Se eu dissesse que quando iniciamos a poca tnhamos a previso de conquistar cinco trofus, estaria a faltar com a verdade. Agora, sabe que o 1 de Agosto pela sua grandeza uma equipa talhado a ganhar ttulos, e neste sentido, definimos estar presentes em todas as finais e a partir da lutar para vence-los, felizmente, conseguimos ganhar cinco ttulos, nomeadamente, Campeonato Nacional, Taa Victorino Cunha, Supertaa, Taa dos Clubes Campees Africanos e o Zonal VI.

constatao
Jogadores jovens
foram formidveis

A prestao dos jogadores mais jovens durante a poca desportiva ora finda no surpreendeu Paulo Macedo, dado que na sua maioria foram treinados pelo tcnico nos escales de formao do Clube Central das Foras Armadas Angolanas, designadamente, Islando Manuel e Hermenegildo Santos.

PM conseguimos colocar cinco jogadores jovens a jogar, e graas a Deus, eles corresponderam s nossas expectativas, fruto da experincia que temos de balnerio, porque foi fundamental, os jogadores mais antigos do plantel conseguiram passaram a experincia aos mais jovens e isso, fez com que os mais novos na hora da verdade dessem o seu contributo sem grandes sobressaltos a equipa. Portanto, s temos que estar satisfeitos e esperar que mantenham esta determinao ao longo dos prximos anos.

JD O facto de ter trabalhado durante vrios anos nas camadas jovens do clube militar fez-te acreditar ainda mais nestes jovens jogadores?
evidente. Hermenegildo Santos e Islando Manuel foram meus atletas, o Agostinho Coelho acompanhei a sua formao durante trs anos no Petro de Luanda, depois foi para a Universidade Lusada. Portanto, eu conhecia as potencialidades de cada um deles. O Hermenegildo Santos tardou em sobressair na equipa principal porque tnhamos um atleta da dimenso do Miguel Lutonda e era extremamente difcil o Hermenegildo Santos assumir um lugar s para citar este caso.

Mas em funo das qualidades que se referiu, no achas que foram lanados tardiamente, refiro-me a Hermenegildo Santos e Islando Manuel.....
Mas isto tem uma explicao. Os anteriores treinadores que por aqui passaram eram contratados para ganhar ttulos e sentido talvez esta presso preferiam apostar nos jogadores j feitos e com alguma experincia e deixavam os jovens atletas que tinham uma margem de progresso muito grande.

No foi o teu caso?
Felizmente no, isto porque, a direco decidiu rejuvenescer o plantel mantendo sempre o esprito ganhador.

Criaram-me boas condies

As condies de trabalho que a direco da equipa militar colocou disposio do corpo tcnico foram determinantes no sucesso que a conjunto rubro e negro alcanou na temporada 2012/2013, no s a nvel domstico, como a nvel do continente africano, de acordo com Paulo Macedo.

JD Trabalhou com Mrio Palma e Lus Magalhes. Sente que a direco lhe proporcionou as melhores condies de trabalho tal como fez com os treinadores estrangeiros?
PM No tenho razes de queixa quanto s condies de trabalho. Trabalhei com estes dois grandes treinadores e reafirmo aqui que no houve tratamento diferenciado e mesmo a nvel dos atletas. Repito que no nos podemos queixar disso. Este ano em termos de remunerao a todos os membros da equipa, o clube foi sensacional, no tivemos sequer um nico atraso, e os atletas conseguiram dar uma boa resposta ao longo da poca.

Ainda esto a viver momentos de euforia, em face da grande poca desportiva que tiveram. J comeou a perspectivar a temporada 2013/2014?
Certo, o momento agora de festa, mas o 1 de Agosto j comeou a preparar de um tempo a esta parte a nova poca desportiva 2013/2014. Com o encerramento da temporada vou ficar pelo menos mais 15 dias a trabalhar porque pretendemos o mais rapidamente possvel fechar o plantel.

O processo de rejuvenescimento vai continuar?
evidente que sim. Ns vamos continuar a apostar no rejuvenescimento da equipa porque como disse anteriormente, pretendemos construir uma equipa que consiga trazer mais ttulos nos prximos seis, sete anos. Gostava de agradecer a todos os atletas pelo empenho que tiveram ao longo da poca, assim como massa associativa pelo carinho que nos brindaram no s nas vitrias como tambm nas derrotas.

Pode aqui adiantar nomes dos possveis reforos para a prxima poca?
Naturalmente que no. Como deve compreender, estamos em fase de negociaes e s quando tivermos tudo acertado que vamos divulgar comunicao social e nossa massa associativa. Nesta altura, por uma questo de respeito no s dos prprios atletas mas tambm dos clubes a que pertencem no divulgamos nomes nem provenincia.

Mas em que zona pretende reforar a equipa?
Precisamos de reforar urgentemente na rea de extremos, porque nas outras reas penso que estamos bem servidos.

Temos conhecimento que o jovem Edson Ndoniema est em negociaes com o 1 de Agosto.
Sinceramente, sobre isso no lhe posso dizer absolutamente nada. A nica coisa que lhe posso confirmar que estamos em contacto com alguns jogadores jovens e com qualidade porque aqui na equipa militar s entram atletas com uma margem de progresso muito grande e assim que o nosso director para o basquetebol chegar ao pas temos tudo acertado.

Esperam repetir na prxima poca o brilharete que tiveram?
Esta temporada, dos seis trofus que disputmos, ganhmos quatro. Portanto, no faz sentido na prxima poca ns baixarmos a nossa produtividade. Diz-se que ganhar fcil, manter as conquistas que difcil. A campanha que tivemos vai obrigar-nos a que na prxima temporada dupliquemos o nosso trabalho para superarmos os nmeros da recm-terminada poca.
MC

molde de disputa
Tcnico prope alterao no BAI Basket


O actual modelo de disputa do Campeonato Nacional de basquetebol em seniores masculinos foi bastante criticado pelos tcnicos e jogadores, porque no entender dos intervenientes directos e indirectos, o sistema bastante desgastante. Paulo Macedo defende, por isso, o anterior modelo, ou seja, play off, porque considera mais emotivo, interessante e menos desgastante.

JD Treinadores e atletas na ponta final do campeonato queixaram-se muito do actual sistema de disputa. Qual o seu ponto de vista sobre esta questo?
PM Sinceramente, eu preferia os play off em detrimento da Final Four. Entendo que os play off chegam a ser mais emotivos e interessantes e sobretudo menos desgastantes, mas tambm compreendo a posio da Federao Angolana de Basquetebol, que est preocupada em dar maior nmero de jogos a todos os atletas intervenientes no BAI Basket. Ainda assim, preciso saber quem so estes atletas a quem se deve dar maior nmero de jogos. Por exemplo, terminou recentemente o Campeonato Nacional e os atletas que mais precisam vo ficar at Agosto sem jogar. Penso que nesta altura podia-se arranjar torneios para colmatar esta falta de jogos. Por outro lado, acho que nos anos em que temos de disputar o Afrobasket, a FAB deve elaborar um calendrio para que a prova termine mais cedo para dar tempo aos atletas repousarem e entrarem para o Campeonato Africano em grande forma.

Este modelo foi definido por vocs clubes no princpio da poca?

Sabe que em democracia a maioria sobrepe-se s minorias...

Vamos ganhar
o ttulo africano


Questionado sobre as possibilidades de Angola reconquistar o ttulo africano, na Costa do Marfim, o tcnico Paulo Macedo no tem dvidas de que o trofu vem para Angola.
Ns temos os melhores jogadores de frica em termos de conjunto. Hoje fala-se da Tunsia que tem um jogador com mais de 2,15 metros, mas s um jogador; da Nigria, enfim, mas globalmente ns somos os melhores e no tenho dvidas de que vamos reconquistar o Afrobasket.

O diz em relao ao Grupo de Angola?
Acredito que estamos num grupo acessvel, entre aspas. Temos que entrar para a competio extremamente determinados em todos os jogos. A seleco de Cabo Verde vai aparecer com um jogador que actua em Espanha, com 2,25 metros de altura. Temos que lutar para estar na final e se conseguirmos isso, no tenho a mnima dvida de que vamos ganhar este Campeonato Africano a disputar-se na Costa do Marfim.

Mas a poca desgastante que tivemos pode influenciar no desempenho dos nossos atletas?

Por isso que defendo a reformulao do nosso Campeonato no ano em que vamos disputar o Afrobasket, terminando a prova mais cedo, por exemplo. Eu acredito na equipa tcnica e no tenho dvidas de que quando chegar a competio os nossos atletas esto em perfeitas condies fsicas.

E o que diz em relao ao processo de nacionalizao de Reggie Moore?
So mais-valias e tudo que mais-valia e d garantias de conquistarmos o ttulo africano deve merecer esta oportunidade. A Reggie Moore e Cedrick Ison, por aquilo que tm feito no nosso basquetebol, deve ser-lhes concedida a nacionalizao. Ns no podemos estar fechados. Temos seleces no mundo, como a Alemanha, Rssia, s para citar estas, hoje por hoje, que nacionalizaram atletas.

arbitragem
Esteve muito mal


JD Que avaliao faz da prestao dos homens do apito?
PM Penso que a arbitragem este ano no foi seguramente das melhores mas, ainda assim, acabaram por no ter influncia na classificao final do BAI Basket. Infelizmente, os critrios na arbitragem no so uniformes e notmos isso. Ns temos que definir se o nosso bsquete de contacto ou no porque sinto que s vezes alguns rbitros permitem muito contacto e outros no.

Est a querer dizer que os homens do apito no esto a acompanhar a dinmica da modalidade?
Correcto. Infelizmente, a qualidade da arbitragem vai decaindo ano aps ano. Se no se fizer um trabalho rduo na arbitragem corremos o risco de sermos ultrapassados por pases que nem sequer tm tradio a nvel da bola ao cesto.

estrangeiros
Boa prestao


JD que avaliao faz da prestao dos atletas estrangeiros no BAI Basket?

PM Essa uma boa pergunta, porque eu j ouvi muita gente dizer e mesmo os comentaristas afirmarem que h estrangeiros a mais no nosso basquetebol. As pessoas esquecem que em cada 15 atletas que constituem um plantel pode-se ter dois estrangeiros. Os atletas estrangeiros no so culpados e felizmente, nos ltimos quatro anos, s tm aparecido jogadores estrangeiros, sobretudo americanos, com grandes qualidades e com a globalizao no nos podemos fechar a este fenmeno. Eu s fico preocupado se vierem atletas com qualidades elevadas tirarem o lugar de um angolano com as mesmas qualidades, mas no isso que tem acontecido no nosso basquetebol.

Os que esto em Angola actualmente so de grande valia para o basquetebol angolano?

Disso no tenho dvidas. Cedrick Ison, Reggie Moore, Roderick Nealy e o camarons do Petro so atletas com qualidades elevadas e os nossos jogadores s tm a ganhar com a presena deles. So atletas que causam dificuldades aos seus adversrios. Portanto, tudo o que vier para melhorar o nosso basquetebol bem vindo.

O mesmo se pode colocar em relao aos treinadores?
Exactamente. Felicito publicamente a direco do Petro de Luanda por ter contratado o tcnico Lazare Adingono e no devemos ter receio de dizer isto. O tcnico do Petro, dentro das dificuldades que encontrou no plantel, porque no meu entender, das quatro equipas que disputaram a Final Four, o Petro a mais desnivelada, ainda assim, conseguiu realizar um bom trabalho e mais, ele trouxe aquilo que j se fazia em Angola, a aposta nos aspectos defensivos. Ele obrigou-nos a trabalhar muito neste sentido.