Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Maguete lamenta arbitragens

Augusto Panzo - 02 de Maio, 2016

Maguette diz estar bem e pode trocar de equipa caso surja boa proposta no decorrer da presente temporada

Fotografia: Jornal dos Desportos

O senegalês El Adj Maguette que foi contratado pela direcção do Atlético Sport Aviação (ASA) ao Sporting de Praia, de Cabo Verde, na reabertura de inscrições em Junho do ano passado, almeja representar um dos "grandes clubes" do país. Desconhecido até meados do ano passado, as boas exibições como titular  durante a segunda volta do Girabola de 2015 tornaram-no um dos mais referenciados, incluindo este com o cunho da operadora televisiva ZAP. O jogador aviador, em entrevista ao Jornal dos Desportos, lamentou o facto dos aviadores estarem a ser prejudicados pelos árbitros. Maguette disse que o grupo continua forte e que a equipa vai sair da crise de resultados (sete derrotas) no campeonato onde ocupa a 14ª posição da tabela de classificação com nove pontos, fruto de três vitórias.

-  O Maguette está na segunda época no ASA e este ano como guarda-redes titular, apesar dos maus resultados que a equipa está a produzir nas últimas jornadas do Girabola Zap. Qual é sua principal ambição desde que chegou a Angola?
- A minha ambição é jogar num dos grandes clubes de Angola. Aqui no ASA sinto-me bem, estou em vias de trabalhar arduamente com o treinador de guarda-redes, o Man Dioguito. No fim da época, vamos ver os resultados. Se possível, a partir daquele momento posso procurar um outro clube.

- Quer com isso dizer que estaria disposto a mudar de clube, tão logo surgisse uma oportunidade?

- É uma situação um pouco complicada para mim, porque sinto-me bem no ASA, que é o primeiro clube que me acolheu em Angola. Sinto-me bem, mas tal como qualquer outro jogador também tenho as minhas ambições de evoluir num grande clube que tenha mais e melhores condições. Se eu conseguir um desses clubes, isso será muito bom para mim.

- E onde põe o ASA?
- É uma questão que se apresenta pertinente. Como ainda tenho um contrato que me liga ao ASA, penso ser um pouco difícil um outro clube procurar-me.

- E durante o tempo em que se encontra em Angola recebeu alguma proposta de outros clubes do Girabola Zap?
- Sim. Desde o ano passado recebi várias propostas de contrato de outros clubes que por questões de segurança não posso infelizmente revelar. Mas tal como já o disse antes, o ASA foi a equipa que me revelou aqui em Angola, sentia-me bem lá, porque inclusive fiz uma boa meia época lá. Este ano, a direcção do ASA voltou a apostar em mim e aceitei, razão pela qual continuo no ASA. Então, para mim esta época é o da confirmação daquilo que fiz no ano passado. Eis, mais uma vez a razão da minha continuidade no ASA.

- Mas sente-se mesmo à vontade no ASA, ou  tem algo que tem  criado alguma dor de cabeça nesse clube?

- Bem, é de certa forma uma situação complicada, porque há falta de algumas condições como toda a gente sabe, porque a nossa direcção não tem escondido e tem falado publicamente. Mas isso, não se passa apenas no ASA. Sei que há muitos clubes angolanos a passarem pela mesma situação. O ASA está em crise financeira e é necessário que cheguem as condições, com o propósito destas fazerem a diferença. Mas como eu amo o futebol, tenho estado a compreender a situação do ASA, e com as nossas poucas condições disponíveis, vamos desenrascando assim.

- As propostas que recebeu são ligadas às equipas de Luanda ou do interior?

- Felizmente, são propostas das equipas de Luanda. Vamos ver se na segunda volta posso ou não analisá-las, e quiçá aceitar uma delas. Vou ver quem  melhores condições me oferece. Ainda assim, a minha preferência de momento continua a ser o ASA, que apesar de todas as vicissitudes que atravessa, continuo a dizer que sinto-me muito bem. É uma equipa onde o bom ambiente reina, com uma boa simbiose entre a experiência de jogadores como Minguito, David e Milex funciona em pleno, com a juventude dos outros.

CONSTATAÇÃO
“Presidente do clube é uma pessoa presente”


- A equipa do ASA passa por uma crise profunda. Que orientações tem recebido do presidente do clube em função disso?
- O presidente é uma pessoa que está sempre ao nosso lado durante toda a caminhada. Ajuda-nos e encoraja-nos sempre antes e depois dos jogos. É uma pessoa sempre presente. É verdade que o ASA vive um momento difícil actualmente, porque cinco ou seis derrotas são muitas para uma equipa que tem ambições. Mas penso que nada ainda está perdido. Vamos trabalhar, realizar os nossos treinos e jogar para mantermos os nossos objectivos fundamentais, que passam pela manutenção no Girabola ou melhorar a nossa classificação. Vamos lutar e fazer tudo para que possamos conseguir isso.

- Mas com esses resultados?
- Sim. É um pouco complicado tal como já o disse, mas acredito que vamos fazer tudo que estiver ao nosso alcance, para que possamos sair desta fase que é um pouco crítica  e lograr o êxito desejado. No futebol é assim. Há momentos altos e baixos. Vamos rever isso e tentar manter o clube no Girabola.

- O que significa uma equipa fazer quatro jogos e sofrer quatro derrotas de forma consecutiva?

- É sempre complicado, mas tal como já disse antes, isso é futebol. No futebol há altos e baixos. Estamos esperançados em ultrapassar esse pior momento, tal como o fizemos na época passada, em que estávamos mergulhados numa fase como esta na primeira volta, mas  contornamos na segunda volta do Girabola. Felizmente, fizemos os resultados que possibilitaram colocar o ASA entre as oito classificadas.

- Já agora, como classifica o Girabola?
- É um grande campeonato com as suas dificuldades e complicações. Sem dúvidas que é um bom campeonato. Talvez, nestes últimos anos em que há um pouco de crise, o que afectou igualmente o rendimento dos jogadores e concomitantemente o nível competitivo. Mas ainda assim, há equipas como o Libolo, o 1º de Agosto, o Kabuscorp, o Petro de Luanda, Benfica de Luanda que são equipas que  jogam mesmo muito bem, tal como acontece nos campeonatos dos outros países, apesar da crise financeira que assola Angola.

GIRABOLA ZAP 2016
“Temos sido vítima dos árbitros”


- Os treinadores e atletas do ASA têm-se queixado muito do trabalho dos árbitros. Também é de opinião que as arbitragens têm prejudicado a vossa equipa? 
- Com absoluta certeza. Este ano temos sido uma boa vítima dos árbitros em alguns jogos. Estou lembrado daquilo que foi a arbitragem no jogo com o Kabuscorp do Palanca, onde o juiz ignorou faltas para castigos máximos a nosso favor, mas fê-lo a favor do adversário. Aconteceu também em Benguela contra o 1º de Maio local. Foi-nos anulado um golo limpo de Guelor, num momento em que se não fosse a arbitragem tendenciosa, teríamos saído vitoriosos, ou pelo menos com um empate. Em Benguela por exemplo, eu chorei por causa da atitude da arbitragem, porque é complicado as pessoas trabalharem arduamente em busca do bom resultado, mas depois aparecer alguém que estraga esse trabalho.

- Acha que já está tudo perdido para o ASA?

- Não. Nada ainda está perdido, porque estamos ainda na décima jornada. Vamos tentar lutar de igual para igual com as outras equipas e promover um encontro entre nós, no sentido de encontrarmos soluções para a saída dessa crise e possamos encontrar um caminho que nos conduza à recuperação dos pontos até aqui perdidos.

- Voltando à questão da arbitragem. Está há duas épocas no Girabola Zap. Qual é o seu ponto de vista sobre a arbitragem angolana?
- Não é meu domínio criticar as arbitragens, mas como pessoa que trabalha nessa sociedade, e que directa ou indirectamente tem sido vítima disso tenho a dizer que tem havido muitas falhas por parte destes. Tive a oportunidade de assistir em directo o jogo entre o 1º de Agosto e o Porcelana FC, onde essa situação ficou bem evidenciada. Da mesma forma como ocorreu no jogo entre o Kabuscorp do Palanca e o ASA e o 1º de Maio e ASA.  No programa treinador de bancada também foram tecidas críticas aos árbitros. Então penso que se torna necessário procurar soluções para isso, com intuito de evitar essas situações que considero anómalas, pois que, os árbitros fazem parte dos jogos. Sem árbitros, tal como sem jogadores, não existem jogos.