Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Marcar golos é o meu forte

Hermínio Fontes - 20 de Novembro, 2012

Ponta de lança diz que foi importante para a equipa na segunda volta

Fotografia: Jornal dos Desportos

“Por razões pessoais, não joguei a primeira volta, mas na etapa seguinte mostrei o que sei fazer em campo. Apontei quatro golos. Ficou difícil estar entre os melhores marcadores do campeonato, mas, mesmo assim, centralizei as minhas atenções a cada oportunidade que me foi dada para chutar à baliza adversária. Marquei golos decisivos”, disse o avançado, em entrevista ao Jornal dos Desportos.

Esse número de golos dá-lhe motivação para um melhor desemenho golos em 2013?

Acredito que sim, porque cada golo que marquei foi bastante decisivo. Mostrei que apenas preciso de confiança e oportunidade. Por essa razão, creio que a direcção da minha equipa vai renovar a minha contratação antes de Dezembro.

Quais os seus planos para a época 2013?
A grande meta imediata é ser melhor marcador do Girabola embora entenda que nesta corrida, a cada época, aparecem jogadores com potencial, mas tenho o meu também.

Os seus admiradores podem acreditar nessa possibilidade na temporada de 2013?

Marcar golos é o meu forte, ainda sonho, repito, chegar ao título de melhor marcador do campeonato. Desde que ganhei gosto pela bola que jogo como ponta-de-lança. É nessa posição que estou mais à vontade. Recordo que, quando assinei pelo Sporting de Cabinda, há uns anos, fui colocado a treinar e jogar a médio esquerdo ou direito. Foi até uma experiência interessante. O futuro reserva-nos muitas surpresas.Careca chegou ao Caála vindo do Santos, clube em que diz não ter continuado porque as promessas não foram cumpridas. Mas reserva desse clube a lembrança de ter trabalhado com Romeu Filemon, que também foi seu técnico na selecção de sub-17.Tive uma formação futebolística com vários treinadores que, para mim, foram verdadeiros professores, e dentre eles faço aqui referência particular a Romeu Filemon, angolano, e aos portugueses Pedroto e Vítor Manuel”, disse. De todos eles, o jogador destaca Filemon. “Soube valorizar o meu talento e me lançar no futebol profissional. Com ele, passei pela Selecção Sub-17 e depois no plantel do Santos FC, quando ainda era dirigido por si”.Da sua passagem pelos santistas, reserva o aprendizado. “O Santos FC foi uma equipa onde aprendi muito como atleta durante uma época. Infelizmente, no Santos não continuei porque as promessas que foram feitas não estavam a acontecer”.O seu primeiro meio ano no Caála é-lhe também de gatas recordações. “Consegui demonstrar isto ao marcar golos que, de alguma forma, nos ajudaram a ficar em segundo lugar.”

FUTURO
Sonho de um dia jogar na Europa


Pensa jogar um dia no estrangeiro?
Um jogador é um homem e todo homem tem um sonho. Também tenho os meus e, de facto, espero um dia ter a sorte de jogar numa equipa estrangeira, em particular da Europa. Jogar na Europa é um sonho de muito tempo.

E como lá chegar?
O mais importante é continuar a trabalhar. Sou um atleta no activo, a minha idade é promissora, ainda tenho muito para dar ao nosso futebol.

Algum colega ou treinador já lhe terá apontado essa possibilidade?
Em concreto não, mas sei que trabalhar em conjunto com os colegas ajuda a abrir portas e, por isso, vou procurar, sempre que poder, fazer golos com a ajuda deles para convencer clubes nacionais e estrangeiros.

HISTÓRIA DO FUTEBOL NACIONAL
Jesus e Ndunguidi
“só ouvir falar”


Conhece a história do futebol angolano?
 Mesmo só de ler e ouvir é salutar. É uma forma de nos enquadrarmos na vivência de um determinado povo e, como não deixa de ser, o nosso futebol que tem marcas sagradas, tem muita tradição e tem crescido de geração em geração.

Quem é para si o jogador de referência de todos os tempos?
Já ouvi falar de nomes de elevada grandeza do futebol nacional, como Joaquim Diniz, Osvaldo Saturnino de Oliveira “Jesus”,” Ndunguidi Daniel, Abel Campos e outros, que foram grandes mestres a jogar à bola. Conheço-os apenas de ouvir falar, tendo em conta a minha idade. Falo mais de factos vividos e, pelo que vi, reconheço que Fabrie Alcebiade Maieco “Akwá” é o melhor jogador angolano de todos os tempos, por tudo aquilo que fez nos relvados.

 E o melhor da actualidade?

 O avançado Yano, do Progresso do Sambizanga é o melhor da actualidade. Conquistou o título de melhor marcador deste ano com mérito.

O que ele faz em campo também serve-lhe de influência?
 Sim, gosto de o ver jogar. Sabe corresponder tecnicamente às tácticas do treinador David Dias. Sinceramente, aprendi muito com ele, embora de forma indirecta. O futebol tem esta realidade.

DUAS FRENTES
“Podemos brilhar no CAN
e ir ao Mundial do Brasil”


A que lugar pode aspirar a Selecção Nacional no CAN da África do Sul?
Primeiro, os quartos-de-final, a seguir as meias finais e depois, quem sabe, chegar até à final. Somos uma selecção jovem, determinada e mundialista. Estes requisitos favorecem-nos de algum modo. Para que tudo aconteça a nosso favor, precisamos de entender que deve haver trabalho e dedicação de todos e, sobretudo, da federação.

O nível dos adversários intimida os Palancas Negras?

É bem verdade que a selecção está num grupo difícil no CAN, mas se a equipa nacional se dedicar com afinco pode surpreender pela positiva os seus adversários que são a África do Sul, Marrocos e Cabo-Verde.

Angola pode ir ao Mundial do Brasil em 2014?

Se já nos qualificamos uma vez para o Mundial da Alemanha, em 2006, também podemos ter esta proeza para o Mundial do Brasil. Estou convicto de que estamos mais crescidos e experientes. Podemos sim brilhar no CAN e estar no Mundial do Brasil.

ENTREVISTA- Nanizawo Jacque “Careca”
Procuro convencer o técnico
para estar entre os Palancas”


O sonho de jogar pela selecção pode um dia ser real?
Estou convicto de que, no próximo ano, farei parte da Selecção Nacional. Procuro convencer o seleccionador para estar entre os Palancas Negras

Quais os caminhos a trilhar até esse fim?
Reforçar o meu potencial em campo. Sei que o técnico Gustavo Ferrín continua a observar jogadores para reforçar os Palancas Negras. 

A concorrência de ourtos craques não preocupa?

 Só os melhores é que chegam à Selecção Nacional. Espero que o meu trabalho seja reconhecido ao ponto de vencer esta concorrência e fazer parte do número de atletas que dignificam o país nas competições internacionais.

Acha que Gustavo Ferrín ainda o pode convocar já para o CAN DE 2013?
 Para o CAN de 2013, reconheço ser já difícil constar do grupo de atletas a convocar, tendo em conta que, nesta altura, o seleccionador Gustavo Ferrín efectua já preparação específica para a fase final.

Estar no Recreativo da Caála é até agora o ponto mais alto da sua carreira?

 O ponto mais alto foi na equipa principal do Petro de Luanda, tendo em conta a dimensão que esta formação granjeia a nível nacional e internacional, mas, também, a minha nova equipa é, sem dúvida, um ponto significante para a minha carreira, tenho aprendido muito nela, é uma experiência benéfica e aproveito o máximo.

Para si qual é a melhor equipa do momento em termos de valores individuais?

O ASA é para a melhor equipa do momento. É pena o que se o que passou lá. Tem bons jogadores e perdeu um excelente treinador. As saídas é podem desfalcar à formação aviadora.
 
Como avaliou o nível competitivo e os prémios dos grandes do Girabola?
 Não sou indicado para avaliar o nível ou prémio do campeonato principal. Estou preocupado comigo, para um dia merecer alguma distinção, algum galardão.

Perfil

Nome: Nanizawo Jacque
“Careca”
Idade: 23
Estado Civil: solteiro
Filhos: Uma
Altura: 1,73m
Posição: Avançado
Equipa: Recreativo da Caála
Sonho: Jogar na Europa
Prato preferido: Funji de carne seca com feijão de óleo de palma
Bebidas: Água e sumo
Cidade: Luanda
País para passar férias: Brasil – Rio de Janeiro
Cor: De preferência viva
Perfume: Axel
Vício:
Jogar à bola e falar
de futebol