Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Mrio Calado queria Justino Fernandes at ao fim do mandato

Armando Sapalo, no Dundo - 26 de Abril, 2011

Mrio Calado defende que a FAF no deve olhar apenas para a Seleco.

Fotografia: Jornal dos Desportos

Na nossa edição de ontem publicámos, por economia de espaço, uma parte da entrevista concedida pelo categorizado técnico Mário Calado, do Sagrada Esperança. Hoje, para conclusão, damos à estampa, o trecho em que aquele homem do futebol debita a sua opinião a respeito das eleições na Federação Angolana de Futebol e dos candidatos da sua preferência.

JD: O momento actual do futebol angolano é marcado pelas eleições na FAF. Em quem votaria entre os candidatos Pedro Neto, Artur de Almeida e Silva, Santos Bikuku e Luís Pinto de Andrade?
MC: Nós, mais ligados ao mundo de futebol, esquecemos muito e com facilidade as coisas positivas que os outros já fizeram. Devíamos dar uma oportunidade para a continuidade daquela pessoa que, de uma forma ou de outra, fez algo para o bem do nosso futebol. Refiro-me a Justino Fernandes que, na minha opinião, devia terminar o seu mandato e cumprir as suas obrigações.

JD: O que espera de mais esta experiência eleitoral?
MC: O futebol foi um dos elementos que começou com o processo democrático a nível do nosso país. Vamos torcer para que venham grandes projectos que se consubstanciem na expansão do futebol a todo o país, sobretudo o futebol de formação.

JD: Que tipo de projectos espera dos candidatos?
MC: Os projectos não devem estar única e exclusivamente virados para a Selecção Nacional. É preciso haver fiscalização dos projectos que se pretendem em todas as províncias do país. O que nós temos estado a verificar é que as atenções andam simplesmente viradas para a Selecção Nacional de honras e não devia ser assim.

JD: Tem um candidato preferido entre os que já manifestaram vontade de concorrer?
MC: Temos muitas responsabilidades e é preciso ter-se isso em conta para o desenvolvimento da modalidade. Não vou muito pelos nomes, mas sim pelos projectos que podem trazer algo de novo e possam desenvolver o futebol angolano, principalmente nos municípios.

JD: Que postura espera das associações que vão votar no dia 20 de Maio?
MC: Não devem apenas preocupar-se com quem entra, quem sai, mas fazer alguma coisa junto dos seus governos provinciais, para que possam ajudar os clubes, com os seus parcos meios, para relançarem o futebol. Repare, por exemplo, que na Lunda-Norte já não existem equipas onde o Sagrada possa ir buscar jogadores e realizar jogos de controlo. Os governos provinciais devem fazer alguma coisa, isto é, criar infra-estruturas desportivas para que a juventude possa praticar e estimular o ressurgimento dos clubes. Portanto, quem tiver projectos globais para o bem do futebol angolano, vai ter o meu apoio total. Não vou pelos nomes.