Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Mascote" filho do Andebol

Silva Cacuti - 26 de Maio, 2018

Sua ligao ao andebol to ntima que a compara de pai e filho

Fotografia: Edies Novembro

Jornal dos Desportos - Como se inseres no mundo do andebol?
António Ferreira - \"Eu sou filho do andebol. Faço o andebol com muita paixão. Parece mentira, mas é um vício para mim\".

JD - E, como começou a paixão?
AF - \"Fui ao Ferrovia para jogar hóquei em patins, posto lá, vi os meus primos a jogar o andebol,  tive a ideia de que era mais fácil que o hóquei e fiquei, foi influência familiar.  Como atleta do Ferrovia de iniciados, ainda representei a selecção de Luanda, estive num acampamento da OPA, na Huíla, depois fui representar a Educação de Benguela, com a qual cheguei a ser vice-campeão nacional no primeiro campeonato nacional de cadetes.

JD - Começou nos treinos de andebol muito cedo!
AF - \"Os meus treinadores, quer o Pina de Almeida ou o Cardoso de Lima, eram jovens e faziam de treinadores e jogadores, inclusive da selecção. O Cardoso, mesmo com as funções de secretário-geral da Federação, era jogador da selecção e também era treinador. Não havia muitos treinadores. Era normal indicar alguns atletas para exercerem outras tarefas. Eles davam os conteúdos e nós executávamos. Apareço desta maneira\".

JD - Tem lembranças do seu primeiro jogo como treinador?
AF - \"Sim. Comecei na Feira de Luanda, havia lá um campo e uma organização do Governo de Luanda ia jogar com a equipa do Neves Bendinha, como eles não compareceram, dividi o grupo que trazia em duas equipas e orientei o meu primeiro jogo. O governador de Luanda era o mais velho Mendes de Carvalho e esteve presente. Pouco tempo depois fui à Benguela para estudar.

ESCOLA COM
NORBERTO BAPTISTA


JD - Em Benguela teve novos desafios?
AF - \"Quando chego à Benguela, estavam a ser preparados os primeiros campeonatos nacionais de cadetes masculino, no Namibe e feminino, no Huambo. Apareço na equipa da Educação como atleta que tinha passagem pelo Ferrovia, pela selecção de Luanda e já orientava treinos. Lembro-me, de que no segundo treino que fiz, auxiliei o treinador Norberto Baptista. Aí, comecei a ser um dos colaboradores mais directos do treinador, mesmo como atleta. E, uma coisa puxou outra, começo por fazer parte da primeira delegação provincial dos Desportos de Benguela\".

JD - E, nunca mais parou. Sei que esteve envolvido na massificação do andebol em Benguela!

AF \"Sim. A massificação em Benguela esteve na mão de cinco pessoas. O Norberto Baptista, Inácio, Jorge Calado, Hélder Lima \"Dery\" e eu. Depois, eu trabalhava na agricultura e o Norberto vai buscar-me,  e com o Cardoso e a Marisa, fundamos a primeira equipa de andebol do 1º de Maio, sempre sob a coordenação do Norberto Baptista. Ela surgiu da fusão do núcleo Jovens da Liberdade, criado por mim e o núcleo da Aliança do \"Dery\". Depois, de algum tempo, surge a equipa feminina\".

JD -  Volta para Luanda, sempre a trabalhar no andebol?
AF \"Eu era funcionário da secretaria de Estado do Desportos, sou transferido para Luanda e sou enviado para o Enama, de Viana, no âmbito das antigas áreas de participação. Fico lá pouco tempo e volto para a área de participação do Ferroviário, daí, vou para o Téxtil e crio a área de participação que é hoje o Maculusso. De onde saíram Gerónimo Neto, Prazeres, Panchita, Alice Simões e outros atletas, mesmo como treinador do Textil vou para os Dínamos onde participo na criação da equipa e dos Dínamos de Luanda, com a colaboração de um pupilo no Textil participei na criação dos Dínamos do Bengo. Tive passagens pela Bolama e mais para cá, trabalhei no Progresso do Sambizanga\".

JD - A partir de certa altura passa  para o 1º de Agosto. Qual foi a missão nesse clube?

AF \"Tive a missão de descobrir atletas, formar e entregar. Por isso, andei pelos bairros para descobrir núcleos, e isto, beneficiava não só o 1º de Agosto, mas também outros clubes, porque o 1º de Agosto não tinha capacidade de acolher todos os atletas que vinham daí. Algumas  atletas que andam nas nossas selecções são frutos destes núcleos. Falo da Liliana Venâncio, da Teresa Leite, da Cissola, da Gilda Paulo, da Eliane e outras\".

JD - Andar pelos bairros a criar e coordenar núcleos, qual é a geografia do andebol em Luanda. Onde é que se faz o andebol?

AF \"Em todo lado de Luanda faz-se andebol. Depois  do futebol, é o andebol o mais praticado, e não está apenas no casco urbano. Estamos a coordenar 22 núcleos por toda a Luanda. Todos os municípios têm núcleos, e agora, alguns núcleos já estão a dar passos para transformarem-se em equipas\".


Assembleia- geral
ssociados conhecem
a nova sede

A assembleia-geral da Federação Angolana de Andebol (Faand) está marcada para hoje, a partir das 9h30, vai ser o primeiro contacto dos distintos associados com a nova sede federativa, inaugurada recentemente, no âmbito dos festejos do 20 de Maio, dia consagrado à modalidade. A reunião realiza-se no auditório Paulo Bunze, espaço que marca a homenagem àquele antigo praticante dentro das instalações da Faand.
Victor Araújo, presidente da mesa da Assembleia-geral, convocou a reunião magna, cuja agenda consta de dois pontos.
No primeiro, os associados vão debruçar-se  sobre a Apresentação e Aprovação do relatório de actividades de 2017. Noutro ponto da agenda, os associados vão analisar e aprovar o relatório de contas de 2017.