Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Massificao do hquei

01 de Julho, 2015

O hquei em patins na nova Angola comeou a dar os primeiros passos logo aps a proclamao da Independncia Nacional

Fotografia: Jornal dos Desportos

O Grupo Dinamizador do Hóquei em Patins Angolano, face ao primeiro mês de 1975 que o país estava a viver, após à proclamação da Independência Nacional, garantiu na altura, criar um grupo totalmente engajado e activo no processo revolucionário do desporto.Com esse objectivo os camaradas, Rui Sampaio e Faria promoveram uma reunião juntamente como Director Geral da Juventude e Desportos, Pedro Augusto, que se mostrou receptivo à dinamização da modalidade no nosso país.

A  nova etapa que o desporto angolano despontava, no que toca ao hóquei em patins, mereceu uma atenção especial, e foi marcada para uma reunião com o camarada Pedro Augusto, preconizada pelo Grupo Dinamizador e demais interessados para a renovação do hóquei.Durante a tão esperada reunião, por sugestão do Director Geral ficou decidido     que o hóquei ia colaborar na Jornada de Solidariedade Anti - Imperialista, integrada nas comemorações do 4 de Fevereiro”.

Tendo em conta  a responsabilidade da actividade desportiva, no que toca às comemorações da data do início da “Luta Armada” e o pouco tempo que restava para o acto, o Grupo Dinamizador convocou todos os praticantes que se encontravam em Luanda para uma reunião na “Casa do Desportista”, na Ilha do Cabo, com o propósito de se organizarem as equipas e iniciarem os treinos de forma imediata.

Ficou  acordado de que as equipas a serem criadas, iam participar de uma preparação em Luanda com o propósito de ajudar a Selecção de Moçambique a preparar-se para participar  no Campeonato do Mundo.Curiosamente, o Grupo Dinamizador do Hóquei em Patins Angolano revelou que no Bairro Popular já se trabalhava activamente no hóquei, encontrando-se um grupo de jovens a receber lições de patinagem dadas por um praticante, oriundo do município do Lobito que se encontra em Luanda.

CONFERÊNDIA DESPORTIVA
Angola toma assento em Libreville


Pela primeira vez na história do nosso país, Angola participou numa Conferência Desportiva, o evento  realizou-se  de 26 a 28 de Julho em Libreville, com a participação de representantes da República Popular do Congo, Gabão, Ruanda, Burundi, República Centro -Africana, Zaire, Tchad e São Tomé e Príncipe.

A delegação angolana foi encabeçada pelo director geral da Juventude e Desportos, Pedro Augusto, que numa análise a esta conferência de Libreville, disse a determinada altura, que “o Povo Angolano tem em África e no Mundo uma responsabilidade histórica, adquirida na luta tenaz contra a ocupação colonial e contra a agressão imperialista.

Nós, os desportistas, não devemos descurar desta realidade e avançar hoje mais do que nunca, na condição de condições objectivas para o cumprimento cabal do nosso papel”.Para o director geral da Juventude e Desportos, a"A Educação Física inclui como meios ou actividades instrumentais a Ginástica, os Jogos, os Desportos, as Actividades Rítmicas e a Recreação. Ela não se limita só à missão de assegurar o desenvolvimento psicológico normal das gerações jovens, mas também serve para conservar um alto nível de adaptabilidade e utilidade social da população, ou melhor, do povo produtivo".

figura
Antigo futebolista


A conquista em definitivo da Taça Salazar, em Futebol, no escalão de sénior, isso antes da proclamação da nossa independência, (1975) pelo Clube Ferroviário de Angola, faz de “Minguito dos Comandos” um vencedor por excelência da modalidade considerada das multidões. Essa conquista contribuiu para catapultar, a soma dos 500 troféus, na galeria do histórico clube, que no passado 13 de Junho completou 100 anos de existência, por isso, “Minguito dos Comandos”, hoje com 68 anos de idade, descreve com nostalgia a época em que era desportista profissional ao lado de Carlos Alberto “Calabeto”, Amaral e Almeida ambos falecidos e de outros jogadores .Com passagem pelo Futebol Clube do Ara da Gabela, na província do Cuanza - Sul, este “versátil” jogador, também foi militar, deu a sua contribuição para libertar o norte do país. Natural do Bairro Operário, é a ilustre figura convidada para a presente edição do “Angola 40 Anos” .

Já era desportista antes de 1975?

Comecei a praticar o desporto, concretamente o futebol pelo Clube Ferroviário de Angola ainda na década de 1960,  já jogava no escalão juniores. Recordo-me, que nessa altura tinha a idade entre, os 14 e 15 anos, até chegar aos seniores com as cores desse grande clube de onde ganhamos em definitivo a Taça Salazar, juntamente com o Carlos Alberto “Calabeto”, Amaral e Almeida  já falecidos e outros jogadores dessa altura, cujos nomes não me vêm
à mente porque já se passaram muitos anos..

Com a independência sentiu-se realizada enquanto desportista?
Como angolano senti - me realizado, era o despertar de uma nova era para todos nós. Nessa altura já era campeão em atletismo de “salto em altura” e “salto à vara”, tenho também a dizer que representei o Ara da Gabela, ainda em 1966, dois anos antes de cumprir o serviço militar. 

Mas prevaleceu a paixão pelo desporto?
Continuei ligado ao futebol e directamente ao Ferroviário, pois foi esse o clube que sempre me dignificou enquanto atleta. Tudo isso, devo a oportunidade que tive na minha carreira desportiva e que hoje, infelizmente, a realidade é outra. Já não temos mais aquela equipa aguerrida de futebol como outrora.

É tempo considerável, como é visto nessa modalidade?
Sempre fui bem visto nesta modalidade, tanto no Clube do Ferroviário como no Ara da Gabela, confesso que tive a honra de ser sempre considerado como jogador de primeira água, tudo porque na minha trajectória atlética sempre procurei ser versátil, desde ponta de lança a guarda-redes. Era assim que aprendíamos no futebol, ser um excelente avançado, médio trinco, lateral em ambos os lados ou mesmo guarda-redes, isso é, um atleta completo.

O que mais o marcou ao longo destes anos de independência nacional?

Ao longo  destes anos de independência, o que mais me marcou foi fazer parte de um  grupo de militares para libertarmos o norte do país. Tenho também a dizer que guardo na memória a felicidade de pertencer aos “Corvos ao Embondeiros”, uma companhia militar especializada, porque enquanto tropa, tive a honra de ser treinado para ser comando.

O futebol tem um momento especial na sua actividade?
Continuo a ser um homem do futebol, apesar de hoje não ter a mesma paixão que nutria  noutros tempos, em que assistíamos uma verdadeira partida futebolística entre o Clube Ferroviário de Angola com o Atlético. Um espectáculo de futebol no verdadeiro sentido da palavra,  mas contudo, acreditamos que  isso deveu-se ao tempo.
“Minguito dos Comandos”