Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Mawete Jnior quer ajudar FC Cabinda a melhorar prestao

Joaquim Suami, em Cabinda - 15 de Julho, 2010

Regressar Seleco de Angola a meta

Fotografia: Antnio Soares

Como avalia a participação do Futebol Clube de Cabinda no Girabola-2010?O Futebol Clube de Cabinda possui futebolistas jovens, com valor, mas alguma ingenuidade e inexperiência. Para muitos, este é o primeiro Girabola, assim como o é para mim, pelo que o considero difícil, totalmente diferente do que estava habituado no exterior. É um futebol de muita força. Na minha equipa há jovens com muito potencial e se trabalharem bem, poderemos fazer um bom campeonato. A equipa está nos últimos lugares da tabela classificativa. Acredita em melhorias agora que estamos na segunda volta?Acredito num melhor lugar para a equipa dado o trabalho que estamos a fazer, que garante a manutenção no Girabola.Temos um grupo que trabalha bem e sabe que a posição não é boa. É um grupo que, se olharem bem, pelos jogos que fez até agora, os clubes reconhecem o seu empenho e valor. Vencemos o 1º de Agosto e empatámos com o Petro de Luanda e com o ASA. Ou seja, é uma equipa jovem que em grandes jogos mostra o seu potencial. Por isso, acredito que vamos mudar de posição na tabela classificativa. A actual pontuação não põe em risco a vossa continuidade no próximo Girabola?Não acredito que estejamos em risco.As equipas acima de nós não estão muito distantes, o que demonstra que o Girabola está muito competitivo, sendo que uma vitória ou derrota pode alterar a classificação. 11 pontos para muitos é um "bicho-de-sete-cabeças", mas para mim não, na medida em que ainda temos a segunda volta e muita coisa pode acontecer. Penso que o Cabinda vai sair do lugar em que se encontra. Sabemos que o principal objectivo da direcção é colocar a equipa nos cinco primeiros lugares da prova. Acredita ainda ser possível? Pensar em ficar nos cinco primeiros lugares é sonhar alto.Temos de ser realistas e pormos os pés no chão. Possuímos uma equipa com valores que podem despontar no futuro, mas, dada a sua inexperiência, ingenuidade e com muito trabalho que ainda têm pela frente, o quinto lugar é difícil. É claro que sonhar não é proibido. Tem alguma explicação para os maus resultados na primeira volta?Deveram-se à inexperiência dos jovens que não estão habituados com o futebol da Primeira Divisão. Por isso, no início, foi difícil adaptarem-se. Aos poucos as coisas vão melhorando, o que mostra que o grupo está unido e com vontade de mudar o rumo dos acontecimentos. Está satisfeito com o plantel?Sim. É um grupo amigo, unido e com vontade de trabalhar. Estou aqui para transmitir a experiência que tenho. Com 29 anos já vivi muita coisa no futebol e tenho de ensinar aos meus colegas, desde que queiram aprender. Acredito que, durante o tempo que aqui estiver, poderei ajudar o futebol clube local a alcançar os seus objectivos. Como considera o seu empenho?É bom. Uma equipa inexperiente e com jovens a competirem pela primeira vez no Girabola, deveria sofrer derrotas pesadas, de quatro ou cinco golos, mas isto não acontece, devido ao bom trabalho e empenho do grupo. Sente que a sua experiência está a ser uma mais-valia para o grupo...Sim, porquanto, normalmente, eles me ouvem. Se digo façam isso e aquilo os colegas cumprem, pois sabem que vim aqui para ajudar e não para destruir ninguém.Não vim aqui para tirar lugar de ninguém. Simplesmente estou em Cabinda para ajudar o grupo. Por isso, espero que eles me oiçam e continuem a cumprir. Clubes que representou Mawete Júnior iniciou a carreira futebolística em 1989, na formação de Lastortas da Itália. Depois segue para Portugal, afim de estudar, e ingressa no Recreativo de Massamá, actual Real Sport Clube. Em 1992 transfere-se para o Benfica de Lisboa, clube em que passou pelos escalões de iniciados, juvenis, juniores e seniores. Em Portugal representou ainda o Sporting de Braga. Jogou ainda pelo All Soul da Inglaterra, pelo Guil da Bélgica, pelo Alcamaras do Chipre e, antes de voltar a Angola, actuou pelo  Almurrundi de Malta. Girabola competitivo e bonito Depois de muito tempo a jogar no exterior, como avalia o Girabola? O Campeonato Nacional da Primeira Divisão está diferente. Está mais competitivo, a julgar pela forma como está a decorrer, com as equipas muito próximas umas das outras. Esta competitividade é fruto do regresso de muitos jogadores que actuavam no exterior e faz com que a prova se torne diferente e mais bonita. Nos clubes onde passou, principalmente no Benfica de Portugal, era tido como um jogador talentoso.Espera repetir a performance no país...Claro que sim. Como se diz, "quem sabe não esquece".Quem tem o dom, em qualquer lugar quer deixar a marca. Graças a Deus, em todos os países onde passei, não deixei má imagem. Espero fazer o mesmo no Girabola, pois foi sempre meu desejo jogar aqui, deixar a minha marca, imagem e mostrar que ainda tenho qualidade. Compare o futebol profissional e o nosso?Passei por vários sítios, com diferentes tipos de futebol. Joguei no Benfica (de Portugal) e, pela grandeza que tem o seu futebol, é um clube que joga sem medo e para fazer tremer os adversários. Depois passei por outros clubes de menos expressão, onde o futebol é de contra-ataque, diferente, como é o inglês.O futebol belga é feito na base da bola no chão e do passe. É bonito e gostei de lá estar. Pena é que o clube que representei foi à falência. Em Malta e no Chipre, o futebol está em fase de evolução com a contratação de jogadores de outras paragens. Como vai a adaptação ao futebol daqui? Tento adaptar-me, porquanto não é um futebol fácil. É diferente do estilo a que estava habituado. O futebol angolano é muito duro e físico. Está-se agora a torná-lo mais técnico, graças à vinda de técnicos estrangeiros que estão à frente das nossas equipas. Ainda assim faço tudo para me adaptar, o mais rápido possível, pois já deu para conhecer as equipas adversárias e a forma de jogar dos jogadores. Aos pouco sinto-me mais capaz; cada dia sinto-me mais forte e com vontade de trabalhar. As condições de trabalho do clube são aceitáveis?São as mesmas de outros clubes que actuam no Girabola. Não são de "cinco estrelas” nem as piores. São suficientes para um jogador trabalhar normalmente. Fale do técnico André Binda...Já fui treinado por muitos técnicos, até pelo melhor do mundo, José Mourinho.O professor André Binda não é diferente dos outros treinadores angolanos.Trabalha bem e gosta do empenho dos jogadores. "Quero voltar à Selecção Nacional" Em que outra equipa jogaria no Girabola, caso fosse convidado?Desde pequenino sou adepto do Petro de Luanda. Claro que, como adepto, diria que desejava representar os “petrolíferos” da capital, mas ser fanático não significa que obrigatoriamente devo jogar pelo clube. Podem surgir outros convites e eu aceitar, mas Deus é quem sabe que futuro tem para mim. Antes de assinar pelo Cabinda recebeu convite de outros clubes?Antes jogava em Malta e tive também convites para evoluir na China e na Roménia.Tive de pensar muito, devido a experiência que tive como emigrante. Aliás, como jogadores, chamam-nos de mercenários porque temos que vaguear o mundo à procura de uma vida melhor. Um bom "mercenário" deve saber que, às vezes, ter muito não significa estar bem. Por isso ponderei a situação e, também, pesou o facto de ter a família aqui. Estou orgulhoso por jogar em Cabinda. Sente-se satisfeito em jogar em Angola...Sim. Estou a rever antigos, colegas da selecção nacional, família, pessoas que já não via há muitos anos, por viver na Europa.Estou a gostar, pois estou no meu país. Ainda sonha jogar com a Selecção Nacional de Honras?Claro! É o sonho de qualquer atleta, enquanto estiver a trabalhar. Sonho representar os Palancas Negras nas competições que se seguem. O que diz sobre a selecção na era Hervé Renard?É uma selecção em transformação, sobretudo na área técnicas. Pelo que vejo, a selecção nacional está bem; os jogadores integram-se nas novas ideias que o seleccionador implanta.Desejo sucessos aos atletas, à equipa técnica e a todos os membros da Federação Angolana de Futebol. Auguro que façam um bom trabalho, capaz de orgulhar à população angolana de Cabinda ao Cunene. Acredita no sucesso dos Palancas Negras no CHAN’2011 e na fase de apuramento para o CAN’2012?Claro! Como angolano tenho de desejar isso. Como jogador desejo participar no CHAN e fazer parte do grupo para a fase de apuramento ao CAN’2012.Por isso, desejo que a Selecção de Angola vá o mais longe que poder. Darei o máximo de mim para ser convocado pelo técnico Hervé Renard.