Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Mocho Lopes conhece Angola"

22 de Março, 2015

Miguel Lutonda apregoa que a experincia do espanhol

Fotografia: Jornal dos Desportos

A Federação Angolana de Basquetebol, pela segunda vez, contratou um técnico que nunca treinou no país para orientar a selecção nacional. Que comentários se lhe oferece fazer?
Ao contrário de Michel Gomez, francês que orientou Angola no Madagáscar, Mocho Lopez conhece o basquetebol angolano. Já o defrontei como técnico do FC Porto, troca experiências com treinadores angolanos e tem dois adjuntos que dominam o basquetebol nacional (Manuel Trovoada e Manuel Silva "Gi".

Considera suficiente?
Acho que sim. Trovoada, além de Angola, já deu cartas no continente,  classificou-se na terceira posição de um Afrobasket, como técnico de Cabo Verde. O Gi é campeão africano nas camadas jovens. Juntando a sua experiência e o conhecimento dos adjuntos, pode fazer uma boa campanha.

E os técnicos angolanos não são capazes?

Claro que são e já provaram isso, várias vezes. Mas os critérios de contratação e demissão de técnicos na Selecção Nacional são muito complexos e até hoje não consigo entender o que se passa. Todos os treinadores que vencem, saem. Victorino Cunha conquistou títulos consecutivos, saiu. O mesmo aconteceu com Mário Palma, Luís Magalhães, Ginguba e agora Paulo Macedo. A maioria dos técnicos que passaram pela selecção conquistaram títulos, mas foram despedidos ou não renovaram os seus contratos. O que querem, afinal?

ESTRANGEIROS
SÃO MAIS-VALIA

Nos últimos anos, o número de estrangeiros no basquetebol angolano cresce, tanto ao nível de técnicos como jogadores...
Desde que sejam mais-valias, são sempre bem-vindos. Os jogadores e técnicos estrangeiros têm de trazer algo de novo para nós, porque se estiverem ao mesmo nível ou  abaixo, ficamos com os nossos e ganhamos com isso. Assim dá-se mais oportunidades aos nacionais.
Como jogador, prefiro falar também de jogadores. Exemplos do Reggie Moore, que inclusive faz parte agora da Selecção de Angola, Cedric Ison e Shannon Crooks, só para citar estes, trouxeram algo de novo ao nosso basquetebol.

Qual o jogador que mais trabalho deu tanto a marcar como a defender?
O norte-americano Shannon Crooks. Aprendi muito com ele, foi sem dúvidas uma mais-valia para o nosso campeonato. Sempre que tivéssemos de defrontar o Petro de Luanda, já sabia que ia ter muito trabalho para defender o Shannon; era muito difícil.

LEMBRANÇAS
"Afrobasket 2001 foi especial para mim"


A conquista do primeiro troféu marcou a vida do antigo base da Selecção Nacional. Miguel Lutonda disse que o troféu de Melhor Jogador (MVP) no Afrobasket de 2001 foi o reconhecimento da importância que atribuiu à selecção nacional.

Que lembranças o marcou durante a carreira?
Tenho uma, que ficou marcado pela negativa, mas que abordo de forma humorística. Durante a preparação para o Afrobasket'2009 parti um dente ao Benjamim Avó. Queria deixar a minha marca na selecção nacional e treinava com muita garra. Ao fazer um movimento com os braços, acabei por partir um dente do “kota” e até hoje usa uma prótese. Mas actualmente somos bons amigos.

Qual o momento mais alto da sua carreira?
A conquista do Afrobasket'2001. Essa sim foi especial, porque fui eleito o melhor jogador do torneio. Finalmente, senti-me importante na selecção e conquistei o meu primeiro prémio de MVP.

E o pior momento?
Quando empurrei um árbitro e estava prestes a ser irradiado do desporto.

O que aconteceu de facto?
O árbitro assinalou passos numa situação em que eu estava a driblar. Não achei correcta a sua  decisão e na "quentura" do jogo exaltei-me e empurrei-o. O gesto gerou muita polémica, algumas pessoas achavam que eu devia ser irradiado, e outras, devia apenas ser suspenso.

Como conseguiu  livrar-se da irradiação?

Inicialmente, o árbitro colocou no relatório que sofreu um empurrão, mas verbalmente disse que foi agressão. De acordo com o meu advogado, agressão dá irradiação, mas empurrão não. Portanto, o clube contactou o árbitro e chegaram a um acordo quanto à definição do sucedido. Ficou por um empurrão e fiquei cerca de dois meses suspenso.

PERFIL
Nome:
Miguel Timóteo Pontes Lutonda
Naturalidade: Luanda
Data de nascimento: 24 de Dezembro de 1971
Comida Preferida: Banana pão com frango estufado e funge com carne seca
Bebida preferida: Sumo de múcua
Música preferida: Rap
Tempos livres: Ir à praia e passear com a família
Troféus: Campeonatos nacionais seniores (11), Taça de Angola (7), Supertaça (8), Taça dos
Clubes Campeões de África (7), Torneio RTP (2), Supertaça Compal (1), Afrobasket (5), Panafricanos (1), Nacional de júnior (2), Nacional de juvenis (2), título africano em sub-16, como treinador (1).
Troféus individuais: Concurso de smash (2), concurso de triplos (3), melhor marcador do Campeonato Nacional: (3), MVP de África (2)
Outras participações: Campeonatos do Mundo (3), Jogos Olímpicos (2), Mundial de sub-22 (1), Mundial de júnior (1) e Mundial de sub-18 como treinador.

NBA
Spurs vence
Boston Celtics


O San Antonio Spurs fez as pazes com a vitória, ao superar o Boston Celtics por 101- 89, na noite inspirada do poste brasileiro Tiago Splitter. Além de conseguir seis ressaltos e dar três assistências, Splitter marcou 18 pontos e foi o segundo cestinha do jogo, atrás do seu companheiro Kawhi Leonard, com 22 pontos.
Com a vitória, os Spurs mantêm o terceiro posto da Divisão Sudoeste com 43 vitórias e 25 derrotas e sobem para a sexta posição da Conferência Oeste e abrem a caminhada para os play- off.

Já os Celtics somaram duas derrotas seguidas, mas permanecem na oitava posição da Conferência Leste, embora cada vez mais ameaçados pelo Indiana Pacers.
A jornada também foi especial, para LeBron James, que marcou 29 pontos, além de alcançar sete ressaltos e cinco assistências, no triunfo do Cleveland Cavaliers por 95- 92 justamente sobre os Pacers.

Comandado por George Hill, autor de 24 pontos, a equipa de Indiana esteve a vencer por 92- 91 à dois minutos do fim, mas os Cavs chegaram à vitória nos instantes derradeiros, com pontos anotados por LeBron e J.R. Smith em dois lances livres.
A equipa de Cleveland soma agora dois triunfos consecutivos e mantém-se na liderança da Divisão Central e na segunda colocação na Conferência Leste com 45 vitórias e 26 derrotas.

A actuação de LeBron só foi eclipsada pelo melhor desempenho individual do base Russell Westbrook, que conduziu o Oklahoma City Thunder no triunfo por 123- 115 sobre o Atlanta Hawks. Russel alcançou um triple-double de 36 pontos, dez ressaltos e 14 assistências.