Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Mosquito de olhos no títulos

Paulo Caculo - 18 de Abril, 2012

Presidente do Recreativo da Caála aborda desafios da equipa no campeonato nacional

Fotografia: Jornal dos Desportos

Horácio Mosquito aborda com grande optimismo os objectivos do Recreativo da Caála no Girabola’2012. O presidente do clube do Huambo confessou ontem, em entrevista ao Jornal dos Desportos, acreditar no êxito da equipa esta época.Na sua opinião, a Caála está a construir uma equipa para o futuro e a moldar um treinador que começa a introduzir, aos poucos, a filosofia de trabalho e a atitude que deve caracterizar o grupo. A melhoria do quarto lugar alcançado na época passada é a meta traçada pela sua direcção e a estabilidade da equipa a principal exigência feita ao técnico Luís Aires, a quem reitera confiança para continuar à frente dos destinos do plantel.

Horácio Mosquito anuncia a construção do estádio do clube, com capacidade para 15 mil espectadores, e deixa claro que, apesar do Caála não apostar na conquista do título, isso não significa que não tenha potencial e qualidade para o fazer. De resto, o presidente do Recreativo da Caála acredita estar a liderar um projecto ambicioso, cujo principal desafio é pôr a equipa nas competições africanas.

Jornal dos Desportos – Quais os objectivos do Recreativo da Caála neste Girabola?
Horácio Mosquito - O Caála parte para esta época com objectivos claros: melhorar a classificação do ano passado. Mas acho que também somos livres de sonhar com o titulo nacional, porque acreditamos que nos falta muito pouco, em termos organizativos, para termos estabilidade.

JD - O que falta ao clube para atingir a satisfação em termos organizativos?
HM - Ainda não temos o nosso campo e faltam-nos algumas infra-estruturas indispensáveis para a recuperação dos jogadores que se lesionam, o que torna impossível estar sempre a cem por cento. Mas o grande objectivo, este ano, é lutar por estar entre os três primeiros lugares do campeonato. Hoje, ainda sonhamos chegar ao primeiro lugar, mas a ambição é melhorar o quarto lugar alcançado na época passada. E posso assegurar que temos capacidade para ganhar a qualquer equipa do Girabola. Ora, quando assim é, isso significa que temos também potencial para ganhar o campeonato.

JD - Os investimentos feitos no plantel permitem-lhe encarar o Girabola com tranquilidade?
HM - Este ano saíram dez jogadores, entraram 12 e mantiveram-se 16. Ou seja, a espinha dorsal da Caála manteve-se, apesar de ter havido algum alarido com a saída de Osório, Celson e Dário. O Osório, que hoje é titular absoluto no Petro, não o era na Caála no ano passado devido a problemas físicos e a lesões.

JD - Foi melhor deixar sair esses jogadores?
HM - Acredito que não tivemos o Osório de há dois anos na época passada na Caála. Quanto ao Celson, é um jogador que tinha vincado a sua posição no centro do terreno e o Dário era um jogador que fazia a diferença, porque fazia golos e fez-nos mesmo ganhar alguns jogos. Mas acredito que os reforços que adquirimos nos dão garantias de termos um plantel mais coeso este ano.

JD – Qual é a principal preocupação da direcção?
HM - Falta a equipa ter nos jogos a mesma intensidade que tem nos treinos, porque estamos a treinar bem, mas ainda não estamos a fluir aquele futebol em todos os sectores. Mas acredito que é melhor assim agora, para a gente chegar à décima jornada, que é a nossa pretensão, nos primeiros quatro lugares do campeonato.

JD - A equipa recebeu muitos reforços?
HM - Há alguns jogadores que foram contratados este ano, particularmente para as alas, casos do Cigarro, Garcia, Edson, que foi júnior do Benfica e estava no Siona de Itália, e tem apenas 19 anos. Há jogadores antigos, como é o Paizinho, que não estão a fazer golos.Não estamos a marcar através dos ponta-de-lança, nenhum deles está a despontar, mas ainda não é caso para preocupação, porque só sofremos um golo e de pénalti. O técnico ainda não manifestou qualquer inquietação. Estamos atentos e acreditamos que estamos no bom caminho. Confiamos no plantel que temos e precisamos de estar sincronizados em todos os sectores.

JD - Há muitos estrangeiro?
HM - Essa é uma das nossas grandes preocupações. O facto do nosso guarda-redes, o Lokua, ser estrangeiro, e o central Nuno, que agarrou de estaca a titularidade, obriga a sérias dores de cabeça ao treinador, na altura de pôr os jogadores em campo, porque há um número máximo de estrangeiros que devem estar na equipa inicial.


NO GIRABOLA

“Queremos honrar o nome da província”

JD - A equipa goza de condições mínimas de trabalho?
HM - Nós temos um orçamento organizado, o estádio é arrendado, mas está lá à nossa disposição, e os jogadores estão bem alojados, cuidamos da alimentação deles quando estão sob a nossa tutela e seguimos através do nutricionista o que estão a comer, pesamos os jogadores regularmente e, portanto, acreditamos que temos todos os factores ligados. Agora, um factor importante, sem qualquer desprimor para o público do Huambo, é que estamos a jogar na Caála.

JD - O grupo não sente o apoio dos adeptos da província?
HM - Sentimos o apoio, mas não é a mesma coisa. Isso é como, por exemplo, se o Kabuscorp amanhã tiver um estádio no Palanca e quando joga noutro local, embora seja gente de Luanda, não são dos palanquinos. Portanto, por vezes, estas pessoas não acreditam tanto, porque há um amor pelo Benfica e pelo Petro do Huambo, que são equipas mais chegadas.

JD - A equipa goza de pouco carinho do público do Huambo?
HM - Também falta esse factor de carinho e o público é muito exigente, mas por vezes desacreditam muito depressa daquilo que é a nossa filosofia, e querer despedir um treinador logo à segunda ou terceira jornada, quando estamos a construir um projecto, acaba por ser arriscado. O que queria pedir é que o Huambo como um todo acreditasse em nós. Mas acredito que isso já é um problema histórico, que vem de há alguns anos. Este ano tudo faremos para honrar a província como um todo, mas acredito que a mística real vai voltar quando voltarmos a jogar na Caála.

 JD – Em que posição gostava de terminar o Girabola este ano?

HM - No primeiro lugar, claro. A posição que melhor me satisfaz é a liderança. Aliás, tenho espírito de vencedor e penso que, como fui criado de outra maneira.

ORÇAMENTO DO CLUBE
Equipa de futebol“come” a maior fatia


JD - Quanto gasta anualmente a direcção do Caála?

HM - Cerca de quatro a cinco milhões de dólares. Com as dívidas acumuladas de anos anteriores, acabamos por ter um orçamento à volta destes números.

JD - O futebol acaba por comer a maior fatia deste “bolo” orçamental, certo?
HM - Sim, o futebol acaba por ficar com a maior fatia. Acreditamos que deste orçamento o futebol come a maior parte, mas também as outras modalidades não gastam tanto. Não são tão intensas a nível financeiro.

JD - De onde vêm os apoios do clube?
HM - De alguns patrocinadores. Nesse aspecto, temos de louvar não só o apoio do Grupo António Mosquito, mas também, este ano, os apoios do governo provincial do Huambo e do Ferrovía como instituição, que nos cede o campo para realizarmos os nossos jogos.Acredito que enquanto não tivermos a Lei do Mecenato a funcionar, vão sempre surgir necessidades para todos. O Caála não está longe de atravessar essas dificuldades também, porque temos orçamentos mensais. Não temos os cinco milhões dados de uma só vez, temos uma base mensal, que vamos gerindo.

JD - As receitas da venda de entradas nos jogos chegam para alguma coisa?
HM - As receitas de jogo, que hoje já chegam aos 12 a 13 mil dólares na província, chegam apenas para gerir as despesas com as deslocações a Luanda, por exemplo, que são cerca de um milhão de kwanzas ou dois, mas não dormindo depois do jogo. A gente acaba o jogo e regressa no mesmo dia, de autocarro, para evitar fazer mais gastos com o jantar e alojamento.


NO COMANDO DA EQUIPA

Luís Aires tem de se afirmar como o treinador principal



JD - Quando é que o Caála vai pôr o título do Girabola como o grande objectivo?

HM - Temos potencial para ganhar a qualquer equipa do Girabola, tanto em casa como fora dela. Nas duas primeiras jornadas, verificou-se um fenómeno de atitude, porque é a primeira vez que o técnico Luís Aires começa um campeonato, até aqui tinha acabado dois na condição de interino.

JD - Qual é a situação hoje?
HM - Hoje é diferente, porque fez o estágio com a equipa e como já foi secretário técnico, treinador adjunto e observador de atletas, acreditamos que vai ter êxito com o grupo. É um técnico que a Caála está a moldar, conhece perfeitamente o grupo, mas agora é preciso ele afirmar-se como técnico principal. A sua personalidade tem agora de ser moldada a um líder e estamos a ajudá-lo nesse sentido.

JD - Acha que falta mais atitude ao grupo?
HM - A questão da atitude é muito importante. Fomos jogar ao Namibe e a Caála foi jogou num 4X5X1, com o meio-campo reforçado, quando essa não era a nossa filosofia real de estar em campo. Sabendo que há um adversário do outro lado, não vou pôr a cabeça de fora com a arma em baixo, à espera de conversar primeiro. Não. Tenho de vir com a arma em punho, apontar para o meu adversário e estar pronto a disparar. Mas nós entrámos para o jogo à espera de ver o que o adversário ia fazer.

JD - Com o Kabuscorp foi a mesma coisa?
HM - Sim. No jogo com o Kabuscorp tivemos exactamente a mesma atitude. Tínhamos quatro centrais em campo, facto que não permitiu à equipa entrar com a atitude que tentámos transmitir. Isso foi corrigido e fomos para o jogo com o 1º de Agosto com uma boa atitude, não fosse aquele lapso do pénalti, que depois de ver o lance na televisão cheguei à conclusão que a bola bate na barriga do jogador e não na mão, como quis deixar perceber o árbitro. Portanto, esta atitude está instituída, mas falta a dita fluidez dos sectores.

JD - O que é que a sua direcção exigiu ao técnico Luís Aires?
HM - Este ano, o que a gente pediu ao Luís foi estabilidade. Teve o privilégio que muitos técnicos não tiveram, que é a entrada de 12 reforços indicados por ele mesmo. Podiam não ser todos os jogadores que ele indicou, mas jogadores com as características que pediu, mas não, e inclusive logo no princípio do campeonato.


OBRAS CONCLUIDAS EM DEZEMBRO

Caála constrói estádio de 15 mil espectadores



Jornal dos Desportos - Quando é que o Recreativo da Caála tem o seu próprio estádio?
Horácio Mosquito - O nosso estádio está em construção. A nossa presidente da Mesa da Assembleia, aquando da tomada de posse, falou com os empreiteiros e exigiu que o Estádio estivesse pronto em Setembro, porque é possível. Estamos a trabalhar dia e noite, mas deve estar concluído apenas em Dezembro, e, neste momento, encontramo-nos adiantados em cerca de um mês e meio, em relação aos prazos. Desde que não faltem os pagamentos acreditamos que podemos receber o Estádio na data prevista.

JD - As obras incidem apenas na construção do estádio ou há outras infra-estruturas suplementares?
HM - Na verdade, a obra é um centro de estágio e de treino, só que o Estádio deve ficar pronto primeiro, para podermos começar a utilizar em Agosto. Além do estádio principal, também vai haver um campo adjacente para treinos, uma piscina e alojamento para os jogadores, que passam a ter uma pequena vila adjacente ao Estádio. Estamos a esticar o orçamento ao máximo para termos uma obra com várias infra-estruturas.

JD - Em quanto está orçada a construção do estádio?
HM - O orçamento é confidencial. Queremos primeiro fazer a obra, e deixar o resto para depois. Na altura certa os custos da obra vão ser revelados. Mas é uma obra interessante. Vamos ter mais de 15 mil lugares, bancadas de um lado e de outro, uma piscina com e mais de 25 metros, um campo adjacente para treinos com bancadas. Digamos que é um orçamento jeitoso, mas preferia não tocar em números, porque podem pensar que o presidente está com estes valores todos em sua posse, o que não é verdade.

JD - Conhece perfeitamente as equipas que concorrem pelos lugares cimeiros do campeonato e os adversários directos. Quais são as possibilidades do Caála?
HM - Acompanhei as informações sobre a preparação das equipas e o estágio de início de campeonato e os ditos grandes começaram quase todos bem o Girabola, como é caso do 1º de Agosto e do Petro de Luanda, que estão a cumprir os seus objectivos. Mas, há um factor importante, a maior parte destas equipas ainda não saiu de Luanda, estão todas a jogar aqui próximo, embora o Petro já tenha ido a Benguela. Esta estabilidade de estar a jogar próximo de Luanda está a surtir efeitos positivos, mas podia não ser assim. Por aquilo que tenho acompanhado do campeonato, acredito que nós demonstrámos capacidade para poder discutir mano a mano os lugares cimeiros com os candidatos ao título.

JD - Conquistar pontos em casa é fundamental?
HM - A grande diferença que faz com que o Caála esteja na linha da frente é não desperdiçar pontos em casa e pontuar fora dela, porque já perdemos alguns jogos fora, mas acredito que podemos marcar um novo nas próximas jornadas e marcar uma posição concreta de que Caála temos. Acho que vai começar aqui. Já sinto os pulmões a respirarem saúde e sectores alinhados. A altura é esta, embora a equipa sempre nos tenha habituado a estar melhor na segunda volta do campeonato. Mas não vamos guardar tudo para o fim, estamos atentos à equipa técnica, tem a nossa confiança, mas também a nossa atenção clínica, para não deixar os problemas acumularem-se. À segunda e terça-feira fazemos uma análise crítica de tudo que esteve bem e de tudo o que precisa de ser melhorado.

JD - Há espaço para mais reforços no plantel?
HM - Neste momento estamos satisfeitos com a equipa que temos, mas o que vai ditar a nossa sorte no campeonato é a fluidez que se pretende na forma de jogar da equipa, a recuperação total do Stélvio e, digamos, a confirmação dos nossos homens-golo. Penso que isso é fundamental na decisão da nossa estratégia para a segunda volta da equipa no Girabola. Temos alguns jogadores debaixo de olho, já neste campeonato, principalmente para as alas, indicados pelo treinador, pois estamos abertos a cooperar com outros clubes na troca de serviços ou empréstimo de jogadores. A Caála neste momento tem 28 jogadores.


JOVENS TALENTOS DO CLUBE

“Tenho grande paixão pelos escalões de formação”



JD - Como está o Caála em termos de formação de novos futebolistas? Há algum jogador proveniente dos escalões inferiores a actuar na equipa principal?

HM - Neste momento temos na equipa principal um atleta, que é o Campos, que já foi chamado à Selecção de sub-20 pelo Miller Gomes no ano passado. Tem 21 anos e, inclusive, estou em negociações com um clube estrangeiro, através de um treinador que o conhece, que o pretende levar para fora de Angola. Acreditamos que ele tem potencial para representar a selecção principal, porque tem características de um central de garra, precisa de um pouco mais de orientação.

JD - O Campos é o único jogador formado internamente?
HM - Tínhamos o Pablo, que foi emprestado ao FC Cabinda no ano passado e este anon devido a problemas de inscrições, não está em Cabinda nem no Caála, mas estamos a envidar contactos com o Petro de Luanda para o integrar e a outros jogadores. Temos mais 90 miúdos a treinar neste momento no Caála. É pena que não haja competição contínua. Por isso destaco a importância do estádio, porque na Caála é tudo mais perto. Hoje treinamos no Ferrovía, mas temos de tirar um miúdo da escola no Huambo, vir de táxi para a Caála, é inviável. Mas a camada jovem é uma das minhas grandes paixões, e acredito que tão logo tenhamos o nosso estádio tudo vai ser mais fácil. 

JD - Existem projectos para os escalões de formação?
HM - Estava para fazer uma viagem a Portugal, para fazer um acordo com um clube português, no sentido de erguermos uma Academia de Futebol no Huambo. Vou fazê-lo provavelmente no final do mês ou princípio de Maio, para fecharmos acordos, e para ver se esse clube vem cá inaugurar o nosso Estádio e ao mesmo tempo abrir a Academia e, daí, termos acordos de atletas com potencial em todos escalões, juvenis, juniores e seniores.
  
JD - O quadro técnico é “prata da casa”?
HM - O coordenador das camadas jovens é o Hélder, foi guarda-redes do Mambroa do Huambo, foi também treinador do Domant, é formado em Inglaterra. Depois temos o apoio de outros técnicos que são “prata da casa”, pessoas que nunca jogaram futebol, mas que têm uma paixão muito grande pela modalidade. Neste momento, está a haver uma luta saudável no clube, entre quem traz a ciência e quem conhece os miúdos. É a luta pela mudança em termos de metodologia.

JD - É objectivo da direcção do Caála ter um número maior de jogadores na equipa principal formados no clube?
HM - Sim, porque temos condições perfeitas a nível de clima, altitude e alimentação na província. Inclusive está para ser construído o Centro de Alto rendimento no Huambo, por algum motivo vai ser lá. Acredito que com a instalação de condições de treino, vamos ter também um reforço a nível da área técnica e começamos já a passar para os mais jovens a filosofia que é aplicada na equipa sénior. O futebol obriga a alguma inteligência e o que distingue o jogador angolano do africano e do europeu é o seu raciocínio. Não está em ser inteligente ou menos inteligente, mas na capacidade de pensar mais rápido.


CLUBES PAGAM ARBITRAGEM

FAF deve rever modelo de pagamento dos árbitro
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JD - Que avaliação faz da relação entre a FAF e os clubes?
HM - No ano passado participámos numa reunião com a FAF, na qual fizemos um acordo em que todos os clubes iam depositar dinheiro, jornada após jornada, para a deslocação dos árbitros, de forma a evitar toda a promiscuidade que existe, mas a verdade é que continua tudo na mesma. Os clubes continuam a apanhar os comissários no aeroporto e quando se chega dois minutos atrasado é-se ameaçado. Isso é um pouco complicado, porque esta prática de receber os árbitros pode motivar sempre um jogo de influências.

JD - Tem receio que essa promiscuidade possa agravar esta época?
HM - Nós somos seres humanos e a promiscuidade vai existir sempre, nem que seja só na nossa cabeça. E uma forma de o evitar ou eliminar passa necessariamente por mecanismos de controlo. Nós, como agentes do futebol, precisamos destes mecanismos para tornar tudo ainda mais uniforme. Qualquer um é tentado a fazer alguma coisa irregular, porque participo no jogo e, à partida, sou defensor de que deve existir uma linha naquilo que se planeia a nível da FAF e mesmo da Comissão de Arbitragem, de forma a encontrarem-se mecanismos para se tornarem independentes. A gente paga a passagem do árbitro, a estadia e a alimentação e quem nos paga a nós? Acredito que aquilo que foi falado ainda não está a ser incrementado por algum motivo.

JD - Acha que a Federação devia rever o modelo de pagamento dos árbitros?
HM - Com certeza. Outro problema está nos comunicados. Acho que já é altura, até porque a Internet existe em todo o lado, dos comunicados serem difundidos via Internet. A FAF tem um site e deve utilizá-lo para fazer passar esses comunicados e publicar os seus intentos. Embora por ética não se comuniquem os castigos dos árbitros, há aqueles erros flagrantes que eles próprios admitem. Devia haver algum tipo de consequência interna. Como um jogador que dá um pontapé sem querer ao adversário é punido e internamente leva uma multa, com os árbitros devia ser o mesmo. Pode não vir a público, mas a gente ficava a saber que há uma sanção interna para esses casos de arbitragem.

JOGO DE PREPARAÇÃO
Caála vence amadores antes de ir a Calulo


O Recreativo da Caála venceu ontem, por 5-0, uma equipa amadora constituída por futebolistas que actuam no torneio amador de futebol Girabairro, em jogo inserido na sua preparação do desafio de sábado em Calulo, diante do Recreativo do Libolo, actual campeão em título, referente à 8ª jornada do Girabola.Os golos do encontro, disputado no estádio dos Kurikutelas, foram marcados por Soki, Tusevo (2), Femi e Vidigal. Na primeira parte os caalaenses venciam por 3-0.

O técnico do Recreativo da Caála, Luís Aires, aproveitou o encontro para rodar os jogadores menos utilizados.O conjunto desloca-se na sexta-feira, por terra, à vila do Calulo. Antes da viagem realizam-se mais três sessões de treino.O Petro de Luanda lidera o Girabola com 17 pontos, mais um que o Recreativo do Libolo. O Recreativo da Caála é nono colocado da classificação, com dez pontos.