Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Nandinho crente no CHAN2011

Manuel Neto - 01 de Junho, 2010

Nandinho quer continuar a merecer a confiana de Herv Renard

Fotografia: M. Machangongo

Nandinho, jogador do Recreativo do Libolo e da Selecção de Angola, promete lutar para atingir altos patamares, ou seja, jogar na Europa. Forjado nos escalões de formação do Flaminguinhos FC, almeja ser campeão nacional pela equipa do Kwanza-Sul e continuar a merecer a confiança do seleccionador Hervé Renard. Acredita na qualificação de Angola ao CHAN do Sudão, no jogo da segunda-mão frente ao Malawi, válido para a última eliminatória de acesso à prova, apesar de reconhecer não ser fácil jogar em terreno alheio.Angola empatou a um golo com o Malawi, na primeira-mão da última eliminatória de acesso ao CHAN do Sudão. Acredita na reviravolta do resultado e na consequente qualificação?Acredito que ainda não perdemos a esperança da qualificação. Empatámos em casa como podemos ganhar fora. Resta-nos trabalhar, com muita dedicação, para o resultado ser ao nosso favor. Conhecemos o adversário e está ao nosso alcance.Como o grupo digeriu o empate?Temos conversado sobre o primeiro e o próximo jogo. Estamos cada vez mais unidos e o moral do grupo é bastante alto. O empate surpreendeu pela negativa, mas não matou o sonho da qualificação. Aguardamos o dia do jogo da segunda-mão com muita ansiedade e vontade de ganhar, pois o povo angolano merece.O que sentiu quando foi chamado pela primeira vez à selecção de honras?Foi com muito agrado que recebi a chamada à selecção. Foi na era do professor Oliveira Gonçalves, para uma das eliminatórias da Taça Cosafa, mas fiquei no banco. Este ano voltei a merecer a confiança dos técnicos e sinto-me muito feliz. Penso empenhar-me a fundo para continuar a agradar os técnicos e merecer a confiança deles.Como avalia a qualidade dos jogadores angolanos, hoje?Acho que o jogador angolano está a evoluir, o que é bom para o futebol angolano. Faço uma alerta às pessoas de direito, para além do Girabola e a Taça de Angola haver mais competição interna, porquanto são essas competições que melhoram a qualidade competitiva do atleta e, consequentemente, das selecções.Também é da opinião que o futebol angolano está no bom caminho?Penso que sim. Já esteve a decair, mas, nos últimos anos, noto o empenho dos dirigentes desportivos e atletas. Em suma, a sociedade angolana, no geral, te-se empenhado muito para que a modalidade cresça. Um exemplo disso é a competitividade que o presente Girabola tem. "Os árbitros não são perfeitos"Fale sobre a arbitragem angolana?Ninguém é perfeito. O ser humano está sujeito a errar, mas é triste quando um árbitro, injustamente, prejudica a nossa equipa.Alguma vez se sentiu prejudicado pela equipa de árbitros? Qual foi a sua reacção?Já aconteceu comigo e fiquei muito nervoso, mas tive de me controlar. Há pessoas que quando se sentem prejudicadas até tentam agredir o árbitro. São coisas que acontecem, as ditas reacção do momento, pois são noventa minutos de jogo em que o atleta está sob stress e muitos não conseguem se controlar. É bom evitar isso.Que avaliação faz do dirigismo desportivo em Angola?Felizmente nunca tive nenhum problema com eles. São pessoas que acreditam no futebol, mas isso não retira alguns comportamentos menos bons que alguns dirigentes têm, conforme ouço de muitos atletas da nossa praça. Gostaria de apelar aos dirigentes desportivos no sentido de valorizarem mais os atletas, na medida que estes levam uma vida muito difícil, sofrendo fora e dentro das quatro linhas. Caso o atleta não tenha o colo de um dirigente, fica ainda mais difícil fazer uma carreira desportiva promissora. Os dirigentes devem acreditar mais nos atletas, prestando-lhesmaior apoio."A qualidade dos futebolistas evoluiu muito"Que avaliação faz do presente Girabola? É o Girabola que mais me surpreende pela positiva. A meu ver, a maior parte das equipas está bem reforçada e julgo que a mentalidade dos jogadores também evoluiu muito. Está a ser um campeonato bem disputado. A continuar nesta senda, até ao término, ainda teremos muitas surpresas agradáveis.Interclube, Bravos do Maquis e Kabuscorp surpreendem pela positiva, ocupando os lugares cimeiros do campeonato. O que diz?Prefiro falar do Bravos do Maquis, por ser a equipa onde joguei e pela qual tenho um carinho enorme. Elogio o investimento feito e a grande postura dos seus dirigentes, com particular realce para o senhor Docas. Acredito que poderão continuar nos lugares cimeiros.Fale do seu contrato?É um contrato normal, que satisfez ambas as partes. Não vou revelar os valores envolvidos, mas de momento me sinto bem aqui. Resta-me cumprir com aquilo que foi acordado.Encontra alguma dificuldade?São de vária ordem, sobretudo a distância em que vivemos dos nossos familiares, pessoas que a gente muito ama. As outras são as que encontramos em campo, diante dos nossos adversários. Ou seja, encontramos adversários que também lutam pelos seus objectivos e, por vezes, dificultam os nossos, mas a vida desportiva é feita de dificuldades e só nos resta lutar para atingirmos os objectivos que traçásmos.Apesar da distância conta com o apoio familiar?Tem sido muito importante para a minha carreira profissional, pois sempre me deram muita força, sobretudo os meus pais, os melhores do Mundo. Hoje sou que sou graças a eles. Dos Flaminguinhos ao GirabolaFale sobre a sua passagem pela Escola dos Flaminguinhos...Recordo, com grande satisfação, da minha passagem pelos Flaminguinhos, porquanto foi lá onde comecei a dar os primeiros passos na bola. Tinha na altura 11 anos de idade e ingressei naquela escola a convite do meu primo Laurindo. Durante o tempo em que fiquei lá, aprendi muita coisa boa e fiz amizades. Recordo-me do Laucha (do ASA), do Quinzinho (do Libolo) e outros atletas que estavam no escalão superior ao meu como o Sotto Maior, o David, o Chara, o Kumaca, o Manucho Gonçalves, entre outros.Como apareces no Girabola?Apesar de ganhar alguma experiência nos Flaminguinhos, não foi fácil ingressar numa equipa do Girabola. Tentei no ASA e no Sagrada Esperança, mas sempre mal sucedido. Não obstante a isso, não desarmei. Fui à luta e, num belo dia, fui convidado pelo ex-técnico dos Bravos do Maquis, Kito Ribeiro. Dei tudo de mim e agradei o técnico que, de imediato, me enquadrou na equipa. Fiquei lá durante três anos e, posteriormente, fui transferido para o Recreativo do Libolo, onde me encontro até ao momento.O Libolo é uma equipa com bons jogadores. Não é fácil conseguir a titularidade...Não tem sido difícil, graças a Deus. Tenho colegas maravilhosos que me dão muita força, puxando constantemente por mim e, até ao momento, tudo corre bem. Tudo farei para continuar nesta senda, uma vez que sou muito jovem e pretendo atingir patamares altos.Que patamares?Sei que é uma boa equipa, mas o meu sonho é atingir patamares mais altos. Significa que caso surja oportunidade de jogar em outras equipas, como 1º de Agosto, seria bom, porquanto talvez seria o caminho para a realização de um dos meus sonhos que é jogar no AC Milan, clube que gosto desde pequeno. Aliás, sonhar não é proibido, mas, de momento, só penso no Libolo.Que metas pretende atingir enquanto estiver no Libolo?Quero ganhar a Taça de Angola e o Girabola.Acha  que a sua equipa tem plantel para isto?O Libolo tem um rico plantel, onde pontificam bons atletas, provenientes de várias equipas, e com bastante experiência. Por isso, vamos continuar a lutar para alcançar os nossos objectivos e acredito que este dia vai chegar."Antes havia mais atenção pelos escalões de formação" Compare as escolas de formação do seu tempo e as dos dias que correm...Apesar de que na altura havia poucas escolas dava-se uma grande atenção às camadas de formação, o que não acontece hoje. Pensava que com o tempo apareceriam mais escolas no país, mas não aconteceu. Pelo contrário, as poucas que existiam foram-se extinguindo, pintando um cenário muito triste para o desenvolvimento do nosso futebol.O que se deve fazer para mudar o quadro?As pessoas de direito deviam repensar o futuro do futebol angolano, a começar pelas escolas de formação, por ser o alicerce dos seniores. Repare que hoje é frequente cobrar qualidade a selecção e esquecem-se que esta vem da base. Por isso, imploro mais uma vez às pessoas a olharem para a formação, com urgência, pois há muitos jovens que pretendem singrar no futebol angolano e não só.Há infra-estruturas desportivas para a demanda?O país é extenso e tem grande potencial humano, com vontade de praticar desporto. É lógico que este potencial deve ser acompanhado pelo crescimento de infra-estruturas. O país está em vias de desenvolvimento e, com a realização do CAN-2010, construíram-se alguns estádios, muito importantes para o nosso desporto. Acredito que muitos ainda poderão surgir.O sonho de ser Engenheiro de Construção Civil.O futebol é uma carreira curta. Que ambição tem para o futuro?Graças a Deus, tenho um tio atencioso que se responsabiliza da minha vida fora do desporto. Sei que o futebol é uma carreira muito curta e procuro aplicar o que ganho na modalidade da melhor maneira.Enquanto garoto gostava de estudar. E agora? Consegue conciliar os estudos e o desporto?É verdade que estudar foi sempre o meu sonho. Recordo-me que ainda criança, nos Flaminguinhos, fomos a um torneio, em Espanha, e, quando voltei, troquei o estudo pelo desporto. A minha mãe disse: "entre a bola e a escola tens de optar". Ela acabou por me tirar do futebol durante três anos. Parece mentira, mas é verdade que aqui no Kwanza-Sul, concretamente no Libolo, onde me encontro, é muito difícil estudar, pois não existem escolas do ensino secundário ou universidades.Que formação pensa fazer futuramente?Gosto muito de desenho. Por isso, gostaria de me formar em Engenharia de Construção Civil, a especialidade do meu pai. Aliás, tenho o exemplo de muitas pessoas que foram atletas, não se esqueceram da formação e hoje são bem sucedidos na vida. Alguns deles até ajudam no desenvolvimento desportivo, o que enche de orgulho, sobretudo, aos atletas. É uma forma de evitarmos ficar futuramente na rua da amargura.Conhece casos do género?Sim. São vários casos que por vezes nos dão muita força para trabalhar e gerir da melhor forma o que ganhamos para não cometermos os mesmos erros que as pessoas que assim se encontram. Dentro deste quadro vou trabalhar cada vez mais, superando todos os entraves que encontrar pelo caminho.Por dentroPrato preferido - Funge de carne secaReligião - Igreja Universal do Reino de DeusBebida - ÁguaFilme - AcçãoMúsica - SembaCidade mais bonita - LuandaÍdolo - Guarda-redes ÂngeloCalçado - 42Volante ou boleia - VolanteHoby - Estar com a famíliaPrincesa encantada - A mãeEquipa predilecta - AC Milan