Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Não admitimos ataques pessoais

Gaudêncio Hamelay, no Lubango - 25 de Julho, 2010

José Dias quer novo dinamismo na Federação

Fotografia: Gaudêncio Hamelay

Quais os motivos da sua vinda a província da Huíla?Manter um primeiro contacto com o Director Provincial da Juventude e Desportos local para informar da decisão saída do tribunal e também do Ministro da Juventude e Desportos sobre a modalidade do ténis de campo. Foi um processo dramático em que houve um pleito eleitoral. Não queremos tecer o percurso desse processo, mas temos de dizer que a lista “B” fez um recurso ao tribunal, cuja sentença decidiu a favor da lista vencedora, no caso a “A” e a Sua Excelência o Ministro da Juventude e Desportos, através de um despacho, confirmou o veredicto. A decisão tomada foi o consolo dos aficionados do ténis?Antes da decisão do tribunal e também do despacho do Ministro da Juventude e Desportos, estávamos preocupados com o estado em que se encontrava o ténis. Naturalmente não havia uma direcção. E fomos falar com o Ministro da Juventude e Desportos sugerindo que se elegesse uma Comissão de Gestão neutra em que não integrasse nenhum elemento das listas concorrentes. O Ministro teve eco a essa questão. O que preocupa neste momento o novo elenco federativo?Estamos preocupados com o actual estado em que se encontra a Federação Angolana de Ténis, porque, no fundo, queremos que todos os praticantes da modalidade, quer jovens e adultos, sejam integrados. Também os árbitros e treinadores. Daí a nossa preocupação do estabelecimento de uma base de dados em que pudessem integrar os praticantes, os treinadores e os árbitros. Também queremos fazer um levantamento das estruturas técnicas existentes em todo o país, nomeadamente, campos. Queremos tê-los todos cadastrados para fazermos o balanço, porque temos responsabilidades quer nacionais quer internacionais. Qual é a imagem de Angola no exterior?A nossa imagem no exterior não é muito boa. E havemos de fazer um trabalho de tentar granjear prestígio internacional. Angola, como sabemos, é um país que se encontra no contexto das Nações, naturalmente, tem prestígio noutras modalidades e, no ténis de campo, pretendemos recuperá-lo. Não pretendemosexcluir ninguém Falou em base de dados. Como será feita?Deverá integrar, para além do estado actual dos praticantes, como estão a evoluir, onde estamos e para onde pretendemos ir. A nova direcção da Federação não quer excluir ninguém. Queremos reunir numa única família todos os praticantes, mesmo aqueles que fizeram parte da lista B. Não pretendemos excluir, uma vez que, achamos serem praticantes. Actualmente, há regras específicas que devem ser requeridas e ali pensamos cadastrar todos os treinadores. Como pensam fazer o cadastramento?Os treinadores deverão estar credenciados de maneira que as pessoas saibam que exercem actividade de treinador. Todos passámos por uma escola e a formação não basta apresentar um papel. Portanto, o que importa é a superação constante, porque o saber e o conhecimento são dinâmicos. E temos de estar a par disso, no sentido de actualizarmo-nos permanentemente. Temos um compromisso com o conhecimento e o saber através do ensino e por intermédio da modalidade. Também vamos fazer o registo das competições nacionais, internacionais e regionais. Tudo isso deverá estar inserido numa base de dados através de um portal, em que qualquer um dos membros, a nível nacional, pode ter acesso ao mesmo. E quanto às associações?Temos de integrar todo o universo de Cabinda ao Cunene, porque isso não pode ser só ao pessoal de Luanda. É para criarmos incentivo à prática da modalidade noutras camadas. Os mais velhos podem servir de exemplo na prática desportiva na sociedade. É isto que a nova direcção quer implementar em linhas gerais. "Pratico ténishá dez anos"Está preocupado com os pronunciamentos efectuados nos últimos dias por Matias de Castro, segundo o qual, José Dias não é homem do ténis bem como de algumas associações que reclamam pela sua saída? Temos de respeitar as instituições do Estado. Há decisão do tribunal e há também o despacho do Ministro da Juventude e Desportos. Isto de dizer que José Dias não é homem de ténis, para informação pública, pratico a modalidade há dez anos. Aliás, perguntem quer aos elementos da lista concorrente quer ao João Nogueira e ao Tito que foram os meus professores de ténis. Conheço a modalidade, porque também a pratico; jogamos, todos os dias, das 5 às 7 horas da manhã. Ninguém pode dizer que não sou homem do ténis. Não estou preocupado com aquilo que outras pessoas dizem. Estou acima disso. O que não podemos admitir são os ataques pessoais. Que se façam ataques à lista “A”. Para o efeito, isso não nos preocupa, porque sabemos que somos superiores a tudo isso. O que queremos é a paz. Há apoios para implementação do plano de massificação a curto prazo?Primeiro, vamos fazer visitas de levantamento integral de tudo que existe em todas as províncias. Para a nova direcção, o viveiro do ténis deverá ser o mini-ténis. Vamos começar por fazer o levantamento de todas as instituições escolares do ensino primário, secundário, do Primeiro e Segundo Ciclos, bem como institutos médios para incentivarmos a prática. Vamos falar com os directores escolares, directores provinciais da Educação, no sentido de implementar os projectos de massificação do ténis de campo junto dos alunos e estudantes dessas instituições. Acreditamos que nos próximos dez anos, Angola vai ser um país muito forte no ténis de campo. A nossa proposta será integrar toda a juventude a partir dos 5 até aos 70 anos a praticar o ténis de campo. Isso vai contribuir para que possamos contrariar qualquer doença cardiovascular. Já tem meios para fazer esse plano de massificação?Vamos contar com a ajuda dos países que fazem massificação deste desporto. Porém, vamos ter uma base de dados de empresas que são amigas do ténis. Há muitos patrocinadores. Então, pensamos que há muita gente interessada na prática do ténis de campo. Pessoalmente, frequento o Clube de Ténis de Luanda, vejo a moldura humana a aderir ao ténis todos os dias naquele recinto. Aos sábados, o movimento vai desde manhã até à noite. Podemos aproveitar essas boas vontades para levar avante a prática do ténis e, concomitantemente, o Ministério da Juventude e Desportos e o país a atingir patamares no concerto das nações. "A Huíla há-de aparecer"O presidente de direcção da Associação do Ténis de Campo da Huila, Carlos Manuel, afirmou estar satisfeito com a conversa mantida com a nova direcção da Federação Angolana de Ténis de Campo, mas a alegria estará mais completa após o órgão reitor da modalidade no país entrar em pleno funcionamento. Está satisfeito com aquilo que ouviu do presidente da Federação?Sim. Estamos satisfeitos entre aspas. A nossa satisfação será completa após a Federação entrar em funcionamento em pleno ou a cem por cento. Entretanto, mais do que satisfeito com as palavras do presidente eleito, são os documentos que traz consigo. Nós, associação, respeitamos as instituições do Estado independentemente de todas as desavenças que possam surgir: Esse respeito deverá prevalecer. Vamos fazer cumprimento de uma ordem da qual dependemos, que é do Ministro da Juventude e Desportos. Que tipo de apoios pediu à Federação para o desenvolvimento do ténis na Huíla?O ténis de campo é uma modalidade um tanto quanto dispendiosa. Refiro-me ao material e nem sempre os praticantes têm essa possibilidade. O presidente diz que haverá muitos patrocinadores e acredito que a Federação vai contar com o apoio desses patrocinadores para o incremento da modalidade. Depois de ganhar o gosto, creio que, individualmente, cada um vai adquirir o seu material. Como caracteriza o actual estado da modalidade na Huíla?Temos muito boa gente a praticar ténis. Uns por hobby e outros por vontade competitiva. O ténis de campo esteve esmorecido e agora vão surgir novos atletas. A Huíla há-de aparecer. O que pretende de imediato em termos de apoio por parte da Federação? Material ou formação de quadros?A Huíla já conta com três clubes e com muitos atletas. Temos a sorte de termos localmente um professor de Educação Física (Juca Fernandes) que se dedica muito ao ensinamento do ABC do ténis. Então, a formação é um facto. Agora, o que falta é o credenciamento. Porém, acredito que a Federação vai encontrar formas de reciclar os nossos treinadores para que tenhamos mais atletas. "Só há Federação se houver Associações"Qual é a situação de Angola junto da Federação Internacional de Ténis (ITF)?Vamos fazer uma informação junto a ITF, porque existem algumas dívidas que não foram saldadas. A nova direcção vai ter de assumir isso, apesar de fazer parte da antiga gestão. Quando se toma uma gestão, não se recuperam apenas os activos, mas também os passivos. Vamos ter de fazer um trabalho quer ao nível da ITF quer da Confederação Africana de Ténis. Do encontro mantido com a Associação Provincial de Ténis de Campo da Huíla que garantias recebeu? Só há Federação se houver Associações. E só há associações se houver clubes. Portanto, todo esse universo é parte integrante da Federação. Estamos aqui para ajudar o desenvolvimento da modalidade na Huíla, uma vez que esta prática é feita por muita gente. Durante a nossa estada na Huíla, visitámos alguns campos e vimos que há prática do mini-ténis na província. Visitámos também outro campo situado no complexo turístico da Nª Sr.ª do Monte e pensamos haver um vector com o duplo sentido para que haja essa colaboração entre a Federação e a Associação da Huíla. Não queremos excluir ninguém; apenas queremos cumprir a nossa missão de comparticipar de maneira que o desporto de Angola atinja altos patamares além fronteira.  Depois da província da Huila, onde será a próxima etapa? Vamos visitar todas as províncias de Cabinda ao Cunene. Visitaremos onde existe e onde não se faz sentir o ténis de campo. Vamos também tentar incentivar a massificação. Quando começa a incrementar o vosso projecto?Primeiro, vamos reunir a direcção para delinear o cronograma de actividades para que a prática seja feita. O Estatuto da Federação também está um tanto quanto desajustado com o actual momento. Vamos igualmente buscar experiências noutros países, bem como criar um Estatuto que se adeqúe com a real situação de Angola.