Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

No sensato lutar j para o Girabola

Avelino Umba - 15 de Dezembro, 2011

ARA da Gabela quer ter primeiro condies para depois pensar no Girabola

Fotografia: Jos Soares

O vosso engajamento foi notório no campeonato. O que faltou para subirem ao Girabola?
As dificuldades foram várias, sobretudo a falta de um campo relvado. Mas, seja como for, não é sensato lutar já para o Girabola. Não é nem era esse o grande objectivo do clube. Vamos trabalhar ainda muito, ter juvenis e juniores preparados e daí começar a pensar na primeira divisão.
 
Não é ainda um desafio da direcção elevar o ARA a níveis mais altos no futebol nacional?
Deixa-me antes esclarecer que, logo que termina um campeonato, alguns atletas são dispensados e outros ficam sob a cobiça de determinados clubes. É claro que o nosso clube não está indiferente a essa situação. Por isso, vamos recompor primeiro o plantel nos sectores que acharmos necessário para a próxima época. Temos vindo a apostar nos nossos juniores e juvenis e acredito que só daqui a três anos poderemos vir a ter jogadores saídos destes escalões para nos afirmarmos ainda mais na arena futebolística nacional.

Em concreto, o que já existe para a próxima época?
Não sei ainda o que será de nós. Primeiro, vamos solicitar apoio às entidades locais, mormente ao governo da província para ver a possibilidade de nos ajudarem nos assuntos que vamos projectar ainda.

Que lições de gestão tirou do campeonato?
Apesar de não ser fácil gerir um clube, sobretudo quando se trata de futebol, quem trabalha aprende todos os dias. Tivemos os nossos erros e com eles fomos aprendendo ao longo do tempo.

Que relação existe entre as equipas que estiveram na vossa série?
Encho-me de orgulho pelo comportamento das equipas que participaram na segunda divisão. Foram muito solidárias, caso não o fossem, não seria possível o ritmo competitivo que tivemos. Em alguns casos, as equipas com quem fomos jogar ofereceram algumas condições de estadia e alimentação. Estou a falar das equipas do Huambo, Namibe e Benguela. Também acontecia o inverso. Eram bem recebidos na Gabela, com as mesmas condições.

Além do que disse, que projectos mais têm para a próxima época?
O ARA possui três escalões de futebol e, para mantê-los activos, a colocação da relva no campo está na lista das prioridades. Pretendemos relva sintética. Sozinhos não estaremos em condições de materializar isso, esperamos por outros apoios.

Dois mil dólares
e apoio moral


Que apoios o ARA recebeu das instituições locais?
Do que deu a administração local, além de dois mil dólares, só tivemos apoio moral. Para o próximo ano, vamos esboçar uma carta dirigida ao governo da província, assim como ao Ministério da Juventude e Desportos, no sentido de nos apoiarem na reabilitação por completo do campo Comissário Nico. Não tem relva e é o único no município.

Como conseguiram fazer para terminar o campeonato nacional da II Divisão num campo com condições impróprias para se jogar à bola?
Não foi fácil. O existente não pertence ao ARA, mas sim à administração local. Assim sendo, uma vez que o ARA estava a participar no campeonato da II Divisão, a administração e o governo da província deviam fazer mais alguma coisa no campo. Estariam, assim, a ajudar a equipa e ao município.
    
O estádio do municipal Comandante Hoji ya Henda, na cidade de Sumbe, não seria alternativa?

De facto seria, mas este, apesar de estar relvado, não foi aprovado para a prática de futebol no campeonato nacional. A província tem apenas dois campos relvados, sendo um do Libolo e outro do Hoji ya Henda. O primeiro fica muito distante da Gabela e o outro, como disse, não foi aprovado.

O ARA está em condições de colocar relva no campo Comissário Nico?
Claro, mas com algum apoio. A ainda há pouco tempo, o Ministério da Juventude e Desportos mandou reabilitar por completo o campo do Mambrôa, na província do Huambo. Custou cinco milhões de dólares. Nesse sentido, acho que o Estado devia dar prioridade também a equipas como o ARA

Não acha que os clubes, nesse sentido, devem andar pelas suas próprias pernas?

Não sou contra isso, mas muitos de nós passamos por muitas dificuldades nas competições. Para as ultrapassarmos, temos de estar todos unidos em todos os ângulos, mas também ter outros suportes, estatais ou privados.

Confirma que o Kabuscorp do Palanca é um forte patrocinador do ARA da Gabela?
Na verdade, o Kabuscorp, na pessoa do seu presidente Bento Kangamba, tem sido uma grande valia para o nosso clube. Tivemos muitos apoios daquela agremiação o que, desde já, aproveito para agradecer. 

Pode revelar-nos os números dos encargos financeiros do ano que finda?
Durante o ano, tivemos muitas dificuldades financeiras para cobrir a nossa actividade futebolística, pois, os atletas do ARA, uma boa parte, vivem em Luanda, razão pela qual tivemos de arrendar um apartamento para hospedá-los. A alimentação e transporte também estavam adicionados no orçamento. Assim sendo, para colmatar algumas dificuldades, tivemos de recorrer a algumas empresas e mesmo a outros clubes, com destaque para o Kabuscorp do Palanca, que, na pessoa do seu presidente Bento Kangamba, nos ofereceu um mini-autocarro, bolas, equipamento e outro material desportivo. A Sistec patrocinou a reabilitação da sala de cinema, de forma a rentabilizar o clube e suportar algumas despesas com o futebol.

Não se fala
da Gabela sem o ARA”


Qual é o estado actual do ARA da Gabela?
O ARA tem vindo a conhecer uma nova fase da sua história com a tentativa de reabilitação das suas infra-estruturas, sobretudo da sede social, desde o ano passado. Participámos no Campeonato Provincial de futebol e no Nacional da II Divisão em que, apesar de algumas dificuldades que tivemos, conseguimos terminar.
 
Depois de alguns anos ausente, o que levou o clube a ingressar no Campeonato Nacional da II Divisão?
Eu fui jogador de futebol sénior do ARA por muito tempo. O futebol foi a modalidade que muito me marcou, mas, depois, deixei o município. Hoje, qualquer um de nós tem vontade de fazer algo onde nasceu. No meu caso, optei pelo futebol. Graças a esses esforços, chegámos à II Divisão.
 
Valeu a pena a aposta?
Apesar de algumas dificuldades que temos vindo a enfrentar, a aposta mantém-se firme e acreditamos vir ainda a registar-se melhorias nos sectores do clube que estiveram mal servidos no passado. Vamos continuar a apelar a todos quantos estão ligados ao município da Gabela para juntos caminharem com o ARA, pois não se fala da Gabela sem se falar do ARA.
   
Quais são as infra-estruturas que o clube tem para servir o futebol?
A sede, como disse antes, tem 70 por cento da sua reabilitação pronta. No nosso programa de reabilitação, para lazer, consta ainda um salão de jogos, uma sala de cinema, um ginásio, um restaurante, assim como uma área para hospedagem dos jogadores. A renovação do muro do campo Comissário Nico, embora não seja do ARA, também está inserida na lista de prioridades.

>> perfil

Nome: Jorge de Sousa Sardinha

Data de Nascimento: 2.11.1966

Naturalidade: Gabela/Kuanza Sul

Nacionalidade: Angola

Estado civil: Casado

Filhos: 10

Altura: 1,80 cm

Peso: 93 kgs

Tabaco: Não faço uso

Bebida: Aguas e sumos, uma vez a outra um Wiski

Prato preferido: Funji de jinguinga