Jornal dos Desportos

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Entrevistas

No existe condies para prtica de Taekwon-d

Ado de Sousa - 03 de Agosto, 2010

Chegar ao campeonato do Mundo o objectivo da Sandra Solange

Fotografia: Domingos Cadncia

Como caracteriza o estado do Taekwon-dó em Angola?A modalidade está a evoluir positivamente. Desde 2003 ou 2004 já tivemos várias participações nacionais e internacionais, apesar da fraca adesão das mulheres à prática desse desporto. Sou a única mulher que o pratico com regularidade. As outras não aparecem aos treinos e, quando aparecem, não treinam. No período de exames para graduação também não se fazem presentes; ninguém aparece; Há fraca participação da classe feminina. Em Angola, sou a única mulher com cinturão negro.O que se deve fazer para que haja mais participação das mulheres a praticar Taekwon-do?Deve haver muita informação de maneira que seja bem interpretada, porque a modalidade não é tão agressiva quanto aparenta ou como muitos dizem ou fazem crer. O que trabalha é a mente e o corpo para facilitar todos os movimentos necessário no momento do jogo. Que apelo faz à juventude para a prática do Taekwon-dó em especial à classe feminina?A classe feminina tem muitas probabilidades de se destacar nos desportos. O Taekwon-dó é uma boa modalidade; é uma escola de arte marcial que também busca harmonia no corpo e na mente. Há poucas mulheres em Angola a praticá-la e quanto mais houver, teremos mais oportunidade de chegarmos aos Jogos Olímpicos, a montra do desporto mundial.Existem condições técnicas para treinar os atletas?Não existem condições. Os dirigentes estão preocupados em organizar algumas condições, visto que a modalidade tende a evoluir. Agora, não posso afirmar que existam condições, às vezes, temos algo que não é permanente. A Federação Angolana de Taekwon-dó está preocupada com a situação actual e pretende melhorar as condições de treino dos atletas. Em suma, as condições ainda não são as melhores.O que está em falta? O que gostaria de ver na modalidade?Estamos junto da Escola Anangola e não há condições para o taekwondo. Para melhorar o rendimento dos atletas,  necessitamos de um espaço bem situado e equipado com tudo o que o taekwon-dó necessita, desde uniformes, transporte e auxílio alimentar (energéticos, águas e outros).Que apoio recebem da Federação Angolana de Taekwn-dó?A Federação dá todo o apoio possível. O Ministério da Juventude e Desportos dá apoio no quadro das disponibilidades financeiras. Aproveito o ensejo para apelar aos responsáveis e dirigentes da entidade reitora do desporto no país para que haja mais investimento nas modalidades individuais, porque só são visíveis apostas nas modalidades colectivas. As individuais não obtêm muitos lucros no mundo ou em África, em particular, por não haver esse investimento.Que mensagem gostaria transmitir aos agentes desportivos?Que investissem mais nas modalidades individuais em especial para o taekwon-dó, pois temos lutado com forças próprias e temos conseguido subir. Com o pouco que temos, os resultados são positivos. Se tivéssemos mais apoio, estaríamos sempre presentes nas competições mais alta. Os empresários devem patrocinar e os dirigentes desportivos devem publicitá-lo com mais frequência.«//Campeonato do Mundo é o sonho//»Como consegue conciliar o trabalho, estudos e a carreira desportiva?Já estou habituada. De princípio, era muito difícil conciliá-los, porque o considerava muito difícil, mas já estou acostumada; passou a ser uma rotina do dia-a-dia que se tornou hábito.Sente-se uma mulher realizada?Falta-me ainda ganhar muitos campeonatos internacionais e estou a preparar-me. A nível nacional, desportivamente, sinto-me uma mulher realizada.Qual é a sua maior ambição?Enquanto for competidora o maior sonho é participar no Campeonato do Mundo. Quando deixar as quadras, quero ter uma escola de formação de atletas de todos os escalões; quero partilhar a minha experiência com a nova geração.Quem a influenciou a praticar Taekwon-dó?Pratico essa modalidade por iniciativa do meu pai, quando tinha 13 anos de idade. Antes praticava o karaté, na Banca, desde os meus cinco anos de idade. Por questão de mudança de residência, a Banca ficou distante. O meu pai sugeriu levar-me a FIDEM para a prática de Taekwon-dó. É uma modalidade semelhante e não notei muita diferença. Inicialmente, não gostei muito da ideia, porque não me chamou a atenção, razão pela qual fiz alguma resistência e não quis desistir do karaté. À medida que os dias se passavam, passei a gostar e adaptei-me com facilidade. Hoje, não penso voltar a treinar o karaté.«//Centro de Estágio é o maior projecto//»Como reagiu a morte do presidente da Federação, NZunzi Ndolumingo?Foi um choque muito grande para todos do taekwon-do, principalmente, para mim. Foi um dirigente que era apegado a mim por ser a única menina da Selecção Nacional; não esperávamos que partisse tão cedo. Aquando da sua ida a África do Sul, não tinha indícios de quem haveria de morrer, porque a intenção era de voltar bem de saúde. Aconteceu o que aconteceu e todos estamos sentidos com o seu desaparecimento prematuro. É um presidente com muitos projectos que não chegou a expandi-los ou mesmo informar a opinião pública; tinha consigo bem guardados e sabíamos que eram bons projectos.Falou em projectos que não foram concretizados. Que projectos são esses?O principal projecto em carteira e não realizado foi o da criação de um espaço único e exclusivo para o taekwon-dó, isto é para a prática da modalidade e investir nos atletas. Uns dos quais era criar um clube para treino da selecção nacional, portanto, um Centro de Estágio, visando expandi-lo através da massificação e realizar mais campeonatos nacionais. Os atletas vão dar o seu apoio à Federação Angola de Taekwon-dó para que consigamos concretizá-los. Os outros projectos seriam a expansão nas demais províncias através da massificação.«//Medalha de bronzena estreia continental //»Quantas participações, ostenta nos Campeonatos Africanos?Desde 2002, participo nos campeonatos nacionais. Tenho guardado na minha galeria 18 títulos de campeã nacional, oito de campeã provincial, quatro, inter-provincial, quatro ou três títulos nos jogos amistosos, uma medalha de bronze no Campeonato Africano que me deu mais força de vontade para continuar a praticar o taekwon-dó.Como avalia a vossa prestação no Campeonato Africano?Foi uma excelente prestação, apesar de ser a primeira vez que participei num evento desportivo dessa magnitude e consegui a medalha de bronze que corresponde ao terceiro lugar. Pretendo melhorar a minha classificação nos próximos campeonatos a serem realizados no continente. Não tínhamos possibilidades de aparecer nessa posição, mas conseguimos aperfeiçoar a nossa prestação e atingimos o lugar previsto.Onde se realizou o campeonato africano e em que ano?Realizou-se em Madagáscar, no mês de Setembro, no ano de 2005.Para além da sua medalha, quais foram as outras medalhas ganhas por Angola?Angola obteve um total de seis medalhas de bronze, uma de prata conquistadas pelos atletas Elizeu Sawandi, Valentim Belchior e Domingos Gonçalves, enquanto a de prata foi conquistada por Malamba. Não me recordo de outros medalhistas.O que mais lhe marcou nesse evento desportivo?O que mais me marcou foi, o país que realizou o primeiro Campeonato Africano, em que Angola participou pela primeira vez, no Madagáscar, depois da constituição da Federação Angolana de Taekwon-dó. A organização da competição não foi boa, não teve o nível de uma competição africana; houve embaraços que marcaram negativamente a prova, porque também foi o primeiro evento desportivo a ser realizado no continente. Tivemos uma recepção excelente, mas depois houve dificuldades financeiras que conseguiram contrapô-lo a posterior e tudo voltou à normalidade.Falou de embaraços na realização de evento. Quais são?Houve vários embaraços por parte da organização e também da nossa selecção. A falta de apoio material aos atletas, principalmente a falta de verbas diárias para as necessidades dos atletas.  Por parte da organização do evento, houve indisponibilidade de hotéis com preços desportivos para as selecções; a falta de guias para acompanhamento das selecções.No momento dos jogos nunca temeu as opositoras?Não nunca senti medo nenhum, porque sempre entrei confiante, ainda que soubesse o historial do meu adversário. Isso nunca foi importante. O que interessa nessa modalidade é entrar confiante, não temer nada, apesar do nervosismo tomar conta de nós. Tão logo começa o primeiro toque de luta, passa e ganho concentração para a batalha. Se o jogador entra com medo psicologicamente está derrotado e em campo não faz absolutamente nada. O medo apodera-se de si e acaba por perder.//Perfil//Nome: Sandra Solange dos Santos AntónioIdade: 21Nacionalidade: AngolanaNaturalidade: LuandaEstado Civil: SolteiraFilho: não temPeso: 67Altura: 1,73Prato preferido: FungeBebidas: Coca-colaPerfume: Hugo BossTabaco: Não fumaCor: PretaPoligamia: Não gostaSegue Moda: NãoReligião: CatólicaCidade: LondresFilme: AcçãoProvíncia: HuílaÍdolo: Densel Washington Príncipe encantado: Minha mãeMúsica: Kizomba e Semba.