Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

No h jogos fceis para o DAgosto

Augusto Fernandes - 21 de Agosto, 2012

Filipe Nzanza, foi um mdio volante

Fotografia: Augusto Fernandes

Filipe Nzanza, ou simplesmente Filipe, como é conhecido no mundo do futebol, foi um médio volante que se notabilizou no 1º de Agosto e na Selecção Nacional. Inteligente, com grande visão de jogo, passes certeiros, organizador do jogo ofensivo, foi um autêntico carregador de piano, jogando e fazendo jogar a sua equipa.

Com Mwanza Teka e Mateus Fuidimau, formou um dos melhores trios no meio campo dos militares. Foi duas vezes campeão nacional e tem quatro supertaças conquistadas. É contemporâneo de Serginho, Ndongala, Yoba, Neto, Stopirra, Akwa, Gilberto, Frank, Sena, Paulito e outros.

Filipe, que como a maioria das crianças, começou a dar os primeiros toques na bola ainda na com os amigos, ingressou aos 15 anos no AC Turbo de Kinshasa, uma equipa de bairro, mas nunca chegou a ser federado. Em 1990, aos 21 anos, Filipe regressa a Angola e em 1992 ingressa no Desportivo da EKA do Dondo, na altura treinado por Manico, antigo jogador do 1º de Agosto. No clube daquela empresa cervejeira, encontrou o Serginho, Ndongala (não o que jogou no 1º de Agosto) Yoba, Luyeye e outros, e jogou por cinco épocas.

No segundo ano com as cores do EKA, foram terceiros classificados, a melhor posição no Girabola do EKA, com João Machado no comando técnico. Em 1994, foi convocado por Carlos Alinho para a fazer parte da pré-selecção nacional que havia de disputar o apuramento do CAN de 1996, na Africa do Sul, mas “não permaneci nos 23 escolhidos porque houve problemas burocráticos. Assim, perdi a grande oportunidade de jogar o meu primeiro CAN”, lamentou Filipe.

Em 1997, Filipe, foi jogar para o Sagrada Esperança da Lunda-Norte, que tinha como treinador o João Machado. Nesse mesmo ano, os Lundas saíram em segundo lugar, atrás do Petro de Luanda. Nessa época, os diamantíferos contavam com jogadores como o Sena, Frank, Rock, Paulito, Mampassa e Pedro Jorge. Filipe fez um grande campeonato e despertou o interesse de Pedro Neto, então presidente do 1º de Agosto . 


ASCENÇÃO NO GRÉMIO
RUBRO-NEGRO E NA SELEcÇÃO NACIONAL

Tempos áureos no clube militar

Em 1998, Filipe vai para o 1º de Agosto, onde encontrou o Ndunguidi como treinador e jogou com Ntomas, Goliath, Neto, Kissy Nsilulo, Mateus Fuidimau, Julião, Vicente, Moisés I e II, Ecobolo. O momento mais alto com as cores do 1º de Agosto, segundo Filipe, “foi quando atingimos a final da Taça das Taças contra o Espérance de Tunis. Tínhamos tudo para ganhar aquela final. Mas no futebol só se ganha quando se marcam golos. Em pleno estádio da Cidadela, numa altura em que ganhávamos por uma bola a zero, tivemos uma grande penalidade para fazer dois a zero”.

“Infelizmente, um dos nossos melhores marcadores de penáltis falhou. Como quem não marca sofre, o adversário empatou o jogo e foi o nosso fim”, disse Filipe. Ainda em 1998, Filipe Nzanza foi convocado pela segunda vez pelo técnico Mário Calado para representar os Palancas Negras. Desta vez, o homem ficou por três anos a representar as cores de Angola. “O meu primeiro jogo com a camisola dos Palancas Negras foi em Burquina Fasso e perdemos por uma bola a zero. Mas antes o árbitro invalidou um golo limpo do Gilberto”, recorda.

Para o jogador, o outro momento marcante na sua vida futebolística “foi quando empatámos a duas bolas com a Nigéria, em casa deles. Nós precisávamos de ganhar o jogo para irmos ao CAN de 2002”. “Na primeira parte, vencíamos por duas bolas a zero. Mas na segunda parte, com a ajuda do árbitro, a Nigéria empatou o jogo para nossa desilusão. Foi um momento muito triste para mim. Muitos de nós choraram no fim do jogo”, relembra ainda.

Em termos de Girabola, Filipe recorda-se com alegria da vitória de 4-1 sobre o Petro de Luanda, para a Supertaça, e outra de uma boa a zero, na Cidadela. O estádio estava muito cheio e foi a partir daí que se proibiu o uso do segundo anel da Cidadela porque as bancadas estremeceram. Filipe terminou a carreira em 2005, aos 36 anos. Actualmente, é treinador do Juvenis do 1º de Agosto.
*Com João Francisco


PERGUNTAS E RESPOSTAS


Jornal dos Desportos: Sente-se bem mo 1º de Agosto?
Filipe: Sinto-me bastante bem aqui no 1º de Agosto. Sou muito acarinhado pelos dirigentes, colegas e adeptos do clube. Aliás, sinto-me com um filho em casa dos pais.

JD: Acha que o D’Agosto ainda pode chegar ao título?

F: Diz-se que no futebol tudo é possível. Mas será muito difícil para o nosso clube. Mesmo que o Libolo perca alguns pontos, é provável que nós também percamos, porque não há jogos fáceis para o 1º de Agosto. Todas as equipas, quando jogam contra o 1º de Agosto, vêm muito motivadas. Até jogadores que estão em fim de carreira, contra o D’Agosto agigantam-se. Posso mesmo dizer que chega a ser menos preocupante jogar contra o Petro de Luanda do que com as chamadas equipas pequenas.

JD: O que tem a dizer sobre o investimento feito pela direcção do clube nas camadas de formação?

F: Tem-se dito antes tarde do que nunca. Agora, temos quase tudo para formar grandes jogadores. Acredito que a direcção fará ainda mais investimentos em termos de alimentação, que é um dos factores primordiais para se formar bons jogadores.

POR DENTRO:
Nome completo: Filipe Nzanza
Filiação: Sebastião Bulani e de Mara Dipinda Graça
Naturalidade e data de nascimento: Uíge, aos 17 de Maio de 1969
Estado Civil: Casado com Teresa Kebo
Filhos: três meninas
Prato preferido: Fungi com Calulú
Bebida: Sumo
Filmes: Acção
Habitualmente jogava com a camisola nº 22
Calçado: 43
Altura: 1,88m
Peso: 80 kg
Cor preferida: Azul
É ciumento? “Às vezes.”
Qual é o seu maior defeito: “Os outros que o digam.”
Virtudes: “Gosto de unir as pessoas, fazer boas amizades.”
Acredita em Deus: “Sim, porque ele ó criador do universo.”
Religião: Protestante
Clube do coração: 1º de Agosto
Sonho: “Ser treinador principal de uma equipa da 1ª Divisão.”