Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Nenhum rbitro est isento de errar

Sardinha Teixeira - 16 de Julho, 2011

Clsio Francisco Ramos trabalha motivadopara terminar a carreira nesta rea

Fotografia: Santos Pedro

Distinguido como o melhor homem do apito, no último campeonato nacional, realizado na primeira semana deste mês, em Luanda, há quatro anos que Clésio Ramos trabalha com o desporto para pessoas portadoras de deficiência. Um certo dia de 2005, foi convidado para arbitrar uma partida de basquetebol em cadeira de rodas. A partir daí, jamais parou.

Mas o que leva esta pessoa a dedicar-se a esta área? O que o motiva, quais os seus objectivos pessoais e até onde ambiciona chegar? Tentámos encontrar a resposta para estas e outras questões e traçar-lhe o perfil, através das suas próprias palavras.

Como foi viver a distinção de melhor árbitro do campeonato nacional?
É difícil traduzir a sensação de representatividade: um misto de surpresa, satisfação e sentimento de ajuda. Perante o olhar de dezenas de crianças e de adultos ansiosos, vi-me envolvido num clima de fraternidade, amor e carinho.

O que lhe chamou mais a atenção nessa experiência?
O olhar sincero, afectivo e agradecido dos portadores de deficiência que, com as suas dificuldades, mesmo assim, demonstram um espírito de fraternidade e carinho dentro da quadra de jogo. Quanto a mim, um sentimento de dever cumprido. Serviu como factor de fortalecimento espiritual e profissional.

As regras do basquetebol são diferentes?
O basquetebol em cadeira de rodas é um desporto praticado por indivíduos portadores de deficiências. É baseado no basquetebol, mas com algumas adaptações para reflectir a presença da cadeira de rodas e para harmonizar os diferentes níveis de deficiência dos jogadores.

Que opinião tem sobre a arbitragem?
A técnica de arbitragem existe para nos facilitar a tarefa. Conhecendo-a e aplicando-a é bem mais fácil decidir correctamente. Neste momento, estou a fazer uma acção de formação com um especialista sul-africano, que orienta um seminário para os homens do apito que trabalham com portadores de deficiência. 

Qual foi, até hoje, o momento mais feliz da sua carreira?
Até pode haver um momento, mas o que mais feliz me deixa é a conquista, ao longo destes quatro anos, da minha integridade e a dignidade.

Qual foi o jogo mais difícil que apitou?
O jogo da final entre o Misto de Cabinda e o Centro Desportivo da Cidadela. Muitas e diversas dificuldades apareceram ao longo do jogo. Felizmente estive muito bem acompanhado. Aprendi muito nesse jogo.

Como se sente um árbitro perante uma situação de dúvida?
Nesse caso procura-se esquecer, isto é, não continuar o jogo a pensar no erro cometido, para que não haja desconcentrações nem a tendência de compensar ou remediar um erro com outro erro. Ficar a pensar que errámos não ajuda nada a arbitragem. É importante é conseguirmos reter o suficiente para que o mesmo erro não volte a ser cometido.

Alguma vez sentiu que errou, logo após ter apitado?
Ninguém gosta de errar, pese embora o ditado que diz que errar é humano, e também nós, árbitros, que vamos para dentro de um campo tomar inúmeras decisões em cada jogo que arbitramos, erramos. Não há nenhum árbitro que não erre.

Alguém o influenciou a enfrentar este desafio da arbitragem?
Embora fosse uma opção pessoal houve uma “mãozinha” do Iraselmo Pinto (já falecido).

Alguma vez pensou em desistir?
É preciso ter a força de vontade necessária, espírito de sacrifício e um forte carácter e personalidade para encarar as dificuldades que encontramos ao longo da carreira e não desistir logo ao virar da primeira esquina. A superação das dificuldades motiva em nós bem-estar e sentimo-nos determinados para encarar outras bem mais complexas e complicadas, e isso é fascinante.

Quais são os objectivos para esta “profissão” a longo prazo?
Estou a trabalhar e motivado para terminar a carreira nesta área. Se tal acontecer, ficarei muito contente.

>> Por dentro

Nome:
Clésio Francisco Ramos
Data de nascimento: 12/2/78
Natural: Luanda
Estado civil: Casado
Filhos: 4
Nacionalidade: Angolana
Peso: 70Kg
Altura: 1,71 m
Função: Árbitro internacional
Signo: Caranguejo
Habilitações: 10 ª  Classe
Prato preferido: Feijoada
Fuma: Não
Bebida: Cerveja
Filmes: Terror
Música: Semba
Droga: Contra
Melhor país: Inglaterra
Melhor cidade: Londres
Casa própria: Sim
Carro: Não
Esplanada ou discoteca:
Esplanada
Campo/Praia: Praia
Cor: Azul
Religião: Católica
Tempos livres: Jogar futebol
Maior sonho: Ser um juiz