Jornal dos Desportos

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Entrevistas

No Andebol mais dificl defender

Augusto Fernandes - 22 de Agosto, 2012

Desde pequena, Vilma Nenganga apaixonou-se pelo andebol, mas foi aos nove anos de idade que teve contacto efectivo com a modalidade, a convite de um religioso.

Fotografia: Augusto Fernandes

Desde pequena, Vilma Nenganga apaixonou-se pelo andebol, mas foi aos nove anos de idade que teve contacto efectivo com a modalidade, a convite de um religioso. “Depois do culto, ele perguntou a um grupo de meninas quem estava interessada em jogar no Petro de Luanda. Não vacilei e fui para as ‘infantis’ do Petro em 2007”. Quando chegou ao clube do “Eixo Viário”, Vilma encontrou a Lourença, Ana Caluyambo, Alice Sarapanzo, Rufina dos Santos e outras, na altura treinadas pela professora Lídia e o Mister Ju.

Vilma Nenganga garante: “Não tive muitas dificuldades em adaptar-me, porque mesmo sem treinar oficialmente eu já sabia bater bem a bola e fazer alguns movimentos básicos. O meu grande problema era a finta e no jogo um para um.” Para Vilma Nenganga, o mais dificil no andebol é defender. “Quando a equipa está a defender tudo pode acontecer, desde levar com uma bola na cara, nos seios ou em outra parte frágil do corpo ou levar uma cotovelada, empurrões fortes ou coisas parecidas. Mas tudo deve ser feito para que o adversário não viole a nossa baliza”, disse Vilma Nenganga.

A jogar desde 2009 nas classes de juvenis, Vilma Nenganga, que também está a disputar o campeonato provincial da categoria, ganhou dois torneios: um organizado pela Casa da Juventude de Viana e outro denominado Cila Silvestre em Benguela, em homenagem a uma praticante que deu o seu contributo ao desenvolvimento do andebol na província. A atleta marca em média seis golos por jogo e tem a possibilidade de treinar com as seniores.
Riscos a ter em conta

Vilma Nenganga sofreu algumas lesões. “Levei uma bolada nos seios. O remate foi tão violento que tive de receber assistência médica em campo. Mas não desisti. Acabei o jogo, pois quem corre por gosto não se cansa, nem mesmo levando boladas em sítios frágeis como nos seios”, reconheceu. 
A atleta tem como fonte de inspiração a andebolista da selecção nacional Nair Almeida, por sinal também oriunda de Benguela. “Gosto muito de ver a Nair jogar e procuro imitá-la ao mássimo”, reconheceu.

“Além de Nair Almeida, também admiro a Aznaida Carlos e a Luísa Kiala. Tudo farei para atingir a selecção nacional”, acrescentou. Vilma Nenganga é de opinião que no andebol as individualidades não decidem jogos, mas sim o colectivo. A atleta gosta de jogar com a central Pivó, de quem guarda boas recordações dos anos anteriores no Petro de Luanda e admite que se sente muito bem na equipa e conta com o apoio de todos, incluindo os treinadores.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Jornal dos Desportos: Considera salutar a sua relação com o treinador?
Vilma Nenganga: Sim. É muito salutar, pois ele trata-nos como filhas.
JD: Qual é a sua maior ambição como andebolista?
VN: É atingir a selecção nacional e jogar num clube da Europa.
JD: Gosta de futebol?
VN: Não. Mas vejo os jogos do Petro.
JD: Além de desportista é estudante. O que quer ser quando terminar os estudos?
VN: Gostaria de ser aeromoça

A PALAVRA DO TREINADOR

“É uma menina
com futuro brilhante”

Luís Chaves, treinador das juvenis do Petro de Luanda, considera que “a Vilma é uma menina com um futuro brilhante em termos de andebol”.
“É disciplinada, estudiosa e religiosa. Isto pode ajudar para que no futuro venha a ser uma boa atleta. Ela tem tudo para singrar. Tudo dependerá de como ela se comportar em relação ao treino que recebe. Mas de uma coisa estou certo: A Vilma é um diamante que só precisa ser bem lapidado para brilhar no futuro”, acrescentou.

POR DENTRO
Nome completo: Vilma Pegado Nenganga
Filiação: Raúl Manuel Junior e Branca Pedro António
Data de nascimento: 12 de Setembro de 1996
Naturalidade: Luanda
Estado civil: Solteira
Irmãos: 5
Calçado: 40
Quantos filhos pensa ter: 3
Filmes: Acção e comédia
Prato preferido: Feijoada
Bebida: Sumos
Sabe cozinhar bem: Afirmativo
Habilitações literárias: 11ª classe no IMEL
Colega preferida: Gosto de todas
Lesbianismo: Sou contra
Já foi assediada: Nunca
País de sonho: Estados Unidos da América
Cidade angolana preferida: Lubango
Acredita em Deus: Sim, acredito, porque ele é o fiador e tem-me ajudado muito.
Religião: Tocoísta