Jornal dos Desportos

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Entrevistas

No cometi crime algum

03 de Setembro, 2017

O presidente da Federao Angolana de Judo, Paulo Andr Nzinga

Fotografia: Jornal dos Desportos

Queixa-se de uma interdição que o impossibilita de sair do país. Que explicações tem a dar sobre isso?
A pouco tempo, procurava ausentar-me do país em serviço, fui impedido no aeroporto internacional de Luanda sob uma alegada interdição. Tinha de estar em França para um encontro com um homólogo, para tratarmos de assuntos de bolsas para os atletas angolanos. Os funcionários da emigração disseram-me que devia dirigir-me ao Tribunal, para saber de mais pormenores. Contactado o Tribunal, não encontrámos nada a meu respeito. Portanto, não entendo como isso é possível. Não cometi crime algum, nem sequer recebi qualquer notificação.

Não tem ideia de quem possa colocar a interdição do seu nome?

Essas pessoas estão devidamente identificadas. Não vou citá-las, porque tenho de averiguar. Sei de antemão que isso é uma perseguição de algumas pessoas, que pretendem ofuscar e prejudicar o meu trabalho. Por exemplo, no aeroporto disseram-me que a Federação tem uma dívida, e por isso, estamos sancionados. As pessoas não podem jogar ou brincar com a vida de outras, como e quando lhes apetece, quando há lei. Podia ser interditado, se cometesse um crime contra o Estado. Felizmente, não tenho qualquer problema. Fora disso, não podem sancionar-me ao ponto de impedir de sair do país. A lei não prevê isso.

Em que altura começou a sentir o seu trabalho boicotado na direcção da Federação de Judo?
Desde que ascendi à presidência da Federação Angolana de Judo, muitas pessoas inclusive as que perderam as eleições, naquela altura, mas queriam manter-se na direcção, ficaram inconformadas. Perante a frustração, começaram a mover influências no sentido de sabotar o nosso trabalho. Enquanto Federação, temos feito os possíveis e o impossível para manter o judo em alta. Muitas vezes, realizámos as provas com os nossos dinheiros para o desenvolvimento do judo. Contudo, nunca fomos recompensados por isso.

Que diligências está a fazer para ver esclarecida a interdição?

Desejo saber quem foi a pessoa que intentou a acção contra mim, a fim de viver com a interdição. Por outro lado, gostava de saber quais as motivações. Essa situação impossibilita-me de resolver os assuntos da Federação, não podemos ficar sem esclarecimentos.

Quem colocou esse impasse no aeroporto internacional deve manifestar-se, deve vir a público dizer os motivos, e o crime para merecer punição. Não infringi a lei. Pertenço ao Ministério da Interior, não tenho problemas no meu trabalho. Só desejo que essas pessoas dêem a cara. Temos de desmantelar essa máfia. Esta acção é crime, é perseguição. Estamos ser prejudicados. Falhei o Congresso da União Africana e o Congresso Internacional realizado na Hungria.

Diz que a interdição existe antes dos meses que precederam à realização dos Jogos Olímpicos do Rio\'2016. Como conseguiu viajar para Brasil, para testemunhar a participação da Faia, naquela competição?

É uma pergunta que também procuro resposta. Não sei como. Pelos vistos, a pessoa que colocou a interdição foi ao aeroporto e retirou a queixa, apenas para me permitir sair e assistir aos Jogos Olímpicos. Depois, voltou a intentar a acção contra mim. São coisas que me admiram. É uma autêntica brincadeira, totalmente descabida e não se pode aceitar. É alguém que chega e faz tudo à sua vontade, pelo simples facto de ter padrinhos na cozinha. Aonde vamos parar com estas irregularidades?

A acção dos seus detractores limitam-se ao impedimento de sair do país?
Tenho impasses em todos os lados. Por exemplo, quando pensávamos realizar o torneio internacional de judo no país, este ano, simplesmente fomos negados sem qualquer explicação convencível. Não exigimos nada das instituições, além da autorização para albergar o evento que ia beneficiar o país. A competição já estava paga. Ficámos com uma má imagem junto dos países convidados. Tinham tudo pronto para a vinda a Angola.

Tem como provar a perseguição e boicote ao seu trabalho?

Sim. Tenho muitos trabalhos sabotados, abundantes calúnias contra mim sem causa, e posso provar tudo isso com documentos se for preciso. Existe um grupo de pessoas que desejam não só o mal do judo, como do desporto nacional. Com tudo isso, pergunto: onde está o fair - play? Pessoalmente, estou farto dessas pessoas. Só por que têm costas largas, pensam que podem fazer o que lhes apetece, e ninguém diz nada. Não vou ficar sujo de graça.

A questão das bolsas para atletas em França ficou abortada, depois de ver frustrada a viagem?

Infelizmente, já não conseguimos as bolsas. Sei que existem judocas nacionais naquele país que foram para estágios, mas que não pediram a autorização à Federação. Esses judocas pertencem ao 1º de Agosto. Não sei como saíram sem a assinatura da Federação, mas o certo é que já lá estão.

Apesar das circunstâncias, o Apoló mantém-se firme na direcção do judo. O que lhe ajuda a suportar a pressão?

Não estou no dirigismo porque quero beneficiar-me de algo. Pelo contrário, muitas vezes gasto o meu dinheiro com actividades do judo. Estou aqui, por amor à camisola, sempre lutei para ver o judo no auge. Por exemplo, quando competimos nos Jogos da CPLP e nos Jogos Africanos, a Federação Angolana usou valores próprios. Até hoje, não somos recompensados. Sempre procurei manter a minha vida limpa. Sou um homem de família e procuro ser exemplo.