Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Norberto Alves apostou e venceu

Melo Clemente - 30 de Maio, 2014

Tcnico promete uma equipa altamente competitiva na prxima poca para a qual j esto definidos os objectivos

Fotografia: Jos Cola

Na sua primeira aventura pelo continente africano, quis o destino que Angola fosse o país de eleição. Com um plantel recheado de estrelas, como Olímpio Cipriano, Carlos Morais e Eduardo Mingassó, só para alguns, Norberto Alves conseguiu montar uma equipa altamente competitiva, que foi capaz de conquistar o campeonato, depois de ter ficado com a medalha de bronze na fase final da Taça dos Clubes Campeões Africanos.

O técnico atribuiu o mérito da vitória aos jogadores, em primeiro ligar, que considera autênticos heróis, e em segundo, à direcção do clube, liderada por Rui Campos.  Aos 45 anos, Norberto Alves deve, nos próximos, dias renovar o seu vínculo contratual com a formação do Recreativo do Libolo, por mais um ano.

Depois da conquista da 36ª edição do BAI Basket, o técnico libolense aponta agora as baterias para a fase final da Taça dos Clubes Campeões Africanos e já anunciou a necessidade de se reforçar o actual plantel para os desafios futuros.

Jornal dos Desportos - O Libolo sagrou-se campeão nacional de basquetebol em seniores masculino. O que sente?


Norberto Alves – Como é óbvio, nesta altura o que sinto é uma enorme alegria, porque apesar da consagração ter acontecido a três jornadas do fim do Campeonato Nacional, foi extremamente difícil. No fundo, é a recompensa de um ano de muito trabalho de uma equipa que soube estar sempre junta, soube pôr os interesses da equipa sempre em primeiro lugar e, sobretudo, porque soube reagir a todas vicissitudes ao longo da época.

Qual é o segredo desta conquista?
Não tenho dúvidas de que o grande segredo da conquista do título nacional foi o grande trabalho que nós desenvolvemos durante a época desportiva recém-terminada e, claro está, o acreditar sempre.

A adaptação à equipa foi difícil?
Felizmente não tive grandes problemas em me adaptar ao basquetebol angolano e prova disso é que começámos logo a temporada desportiva 2013-2014 a ganhar de forma brilhante o torneio Victorino Cunha.


Depois do fracasso na fase final da Taça dos Clubes Campeões Africanos acreditava que a equipa podia ser campeã nacional?

Creio que a nossa participação na fase final da Taça dos Clubes Campeões Africanos não foi um fracasso, de maneira alguma. Pela primeira vez na história o clube conquistou um terceiro lugar.

Falei em fracasso porque o objectivo da direcção do clube passava pela conquista do título africano.

 Independentemente do objectivo ser a conquista do título africano, a nossa campanha não pode ser considerada um fracasso. Tínhamos um grupo praticamente novo e, obviamente, isso requeria tempo, e depois de alguns meses de trabalho o Recreativo do Libolo tornou-se a equipa que é hoje, compacta e, sobretudo, bastante competitiva.


A partir de que altura começou a perceber que a conquista do título podia ser um facto?
Penso que foi a partir do momento em que fomos vencer à equipa do 1º de Agosto em pleno Pavilhão do Victorino Cunha. Até então, as coisas continuavam indefinidas, mas o triunfo sobre os militares deixou-nos, sem sombras de dúvidas, mais a vontade, facto que veio a confirmar-se com a conquista do título de forma antecipada.

Depois foi só confirmar a conquista do segundo anel para o clube ter o seu primeiro titulo?

Sim. Mais deixe-me dizer-lhe que, por incrível que pareça, percebi que podia chegar ao título com esta equipa logo no primeiro jogo da “Final Four”, frente ao 1º de Agosto, que vencemos por 88-85, no Dream Space. Jogámos sem Carlos Morais e o Olímpio Cipriano actuou apenas dois minutos. E vi outros jogadores a dar um passo em frente para ganharmos o campeonato e, por mais espantoso que possa parecer, apesar de ser o primeiro jogo dos 12 da fase derradeira, senti que esta equipa, realmente, ia ter sucesso.

É um título com um significado especial, não é?

Sem dúvida. Apesar de eu ter sido muito bem recebido, tanto pela direcção, como pelos jogadores, facto que nos permitiu criar uma grande família, em momento algum senti a falta da minha mulher e, como é evidente, dos meus filhos. Por isso, gostava de dedicar esta conquista a todos os jogadores, à direcção do clube, equipa técnica e, clara está, à minha família.


Revelação
Atitude dos atletas
impressiona técnico


Apesar de ter conquistado a 36ª edição do BAI Basket nem tudo foi um mar de rosas para a formação do Recreativo do Libolo, particularmente a “febre” de lesões que afectou o grupo, na fase crucial da competição.

Para Norberto Alves, a determinação dos atletas foi fundamental para a consagração do título nacional, que estava em posse do Clube Central das Forças Armadas Angolanas.

“Os meus jogadores foram autênticos heróis na recém-terminada época desportiva. Infelizmente, durante a época fomos confrontados com várias lesões e, principalmente, na fase crucial da prova. Jogadores como Carlos Morais e Olímpio Cipriano, só para referir estes, estavam mais às ordem do departamento médico do que da equipa técnica. Quer o Olímpio Cipriano, quer o Carlos Morais, mesmo lesionados, fizeram um grande esforça para ajudar a equipa a atingir a meta na presente temporada. Portanto, enquanto estiveram limitados, o Eduardo Mingas e os seus companheiros conseguiram levar o barco a bom porto, por isso, considero os meus atletas autênticos heróis”, desabafou Norberto Alves.

Com Olímpio Cipriano muito limitado e Carlos Morais afastado da equipa nas primeiras partidas da "Final Four” foi fácil manter os níveis de confiança em alta?

 A minha equipa vale por um todo, mas não há dúvidas de que Olímpio Cipriano e Carlos Morais são jogadores excepcionais e qualquer treinador sentiria a falta de qualquer um deles. Felizmente para nós, enquanto eles estiveram impossibilitados de dar os respectivos contributos a nossa equipa não abanou.

Quando foi contratado encontrou o plantel praticamente fechado. Até que ponto esta situação dificultou o seu trabalho?

 A partir do momento em que me foi solicitado vir treinar a equipa do Recreativo do Libolo pedi imediatamente os vídeos da equipa e comecei a estudar os jogadores, de forma que quando cheguei não tive grandes problemas. Acho que foi fundamental estudar, porque quem vai para um lugar sem ter o mínimo de conhecimento dificilmente alcança o sucesso.


Equipa procura ceptro africano

Depois de ter arrebatado a medalha de bronze na última edição da Taça dos Clubes Campeões Africanos da “bola ao cesto”, competição vencida pelo 1º de Agosto, Norberto Alves tem agora as baterias apontadas para a fase Taça dos Clubes Campeões Africanos de 2014.

O técnico da formação do Recreativo do Libolo considera que o actual plantel é curto demais, por isso pretende reforçar o grupo, tendo em vista a temporada desportiva 2014/2015.

“No ano passado ficámos em terceiro lugar na fase final da Taça dos Clubes Campeões Africanos. Depois da conquista do BAI Basket, as nossas atenções vão estar voltadas para a Taça dos Clubes Campeões Africanos, uma competição que pretendemos arrebatar este ano e tudo vamos fazer para que o nosso sonho se torne realidade.”

O actual plantel lhe dá garantias para a Taça dos Clubes Campeões Africanos?
Tenho um grupo extremamente maravilhoso, bastante competitivo, unido mas, infelizmente, é muito curto. Só para se ter uma ideia, durante a disputa do Campeonato Nacional tivemos muitos problemas, porque o nosso grupo é bastante curto, comparativamente a equipas como o 1º de Agosto, Atlético Petróleos de Luanda e do próprio Grupo Desportivo Interclube. E se queremos abordar a próxima época com muito sucesso, temos de reforçar o nosso plantel.

Quais são as áreas de jogo que pensa reforçar?
Penso que estamos num período de festa e creio que ainda é muito cedo para estar a falar da próxima época. Na devida altura a comunicação social vai ficar a saber quais as pretensões do Recreativo do Libolo para a próxima temporada.

 Mas tem consciência de que a conquista do BAI Basket implica exigências maiores na próxima época, não apenas na Taça dos Clubes Campeões Africanos mais também a nível das competições nacionais?

Claro que tenho essa consciência. Aliás, toda a estrutura do clube tem essa consciência. A única coisa que lhe posso dizer nesta altura é que vamos trabalhar com a mesma disciplina e organização no sentido de somarmos mais sucessos em todas as competições.


Futuro
“As exigências
vão ser maiores”


Com a conquista do título nacional, o técnico português reconhece a pressão natural que vai ter da massa associativa, a partir da próxima época. Norberto Alves diz-se preparado para encarar a nova temporada.

“Naturalmente, as exigências para o próximo ano vão ser maiores. Quem não muda nada arrisca-se a ficar no mesmo sítio e para o ano vão exigir-nos mais. Penso que alguns dos nossos adversários foram surpreendidos, principalmente com as lesões de Carlos Morais e Olímpio Cipriano não esperavam que nós vencêssemos o Campeonato Nacional. Creio que na próxima época vão estar mais atentos. Portanto, temos de mudar, acrescentar mais qualquer coisa para entrarmos em todas as competições com o único propósito de vencer.”

Interrogado sobre a possibilidade da equipa começar já a efectuar os seus jogos na vila de Calulo a partir de 2015, Norberto Alves  afirmou “que seria de facto uma boa nova para a sua colectividade. Penso que a direcção do clube tem feito um tremendo esforço no sentido de nos próximos tempos a nossa equipa se instalar em Calulo”.


Continuidade
Alves renova por mais um ano


O técnico principal do Recreativo do Libolo, Norberto Alves, vai, nos próximos dias, prorrogar o seu vínculo laboral com a formação da vila de Calulo por mais um ano. Em face do trabalho desenvolvido na recém-terminada época desportiva, que culminou com a conquista da 36ª edição do Campeonato Nacional, o treinador mostra-se confiante na renovação do seu contrato.

Segundo Norberto Alves, faz parte da sua forma de ser e estar celebrar contratos de apenas um ano, porque, em seu entender, essa postura permite que a entidade empregadora avalie no final de cada época o seu trabalho e, caso não esteja satisfeita, tem todo direito de cessar a sua colaboração.

“Assino sempre por uma época. Se as pessoas no final da temporada olharem para o meu trabalho e não gostarem dele estão à vontade para dizer 'ok, não correu bem e queremos outro'. Acho que é um questão de honestidade para com os clubes e para com os seus dirigentes, e é evidente que as coisas correram bem e temos conversado, mas vai ser o senhor presidente Rui Campos quem vai anunciar todas estas questões no início da próxima época desportiva.”

 Existe vontade do técnico em continuar de corpo e alma no Recreativo do Libolo?

Todos nós gostamos de continuar num lugar onde nos sentimos bem, onde nos sentimos apoiados. Mas há outros factos que podem condicionar a minha permanência. Falei, por exemplo, da questão da estar aqui sem a família, mas não há nada que se resolva sem bom censo.


Aventura
Técnico justifica mudança


Depois de ter feito a sua carreira de treinador em Portugal, em 2013, Norberto Alves decidiu começar uma aventura longe do seu país e quis o destino que fosse Angola fosse o país eleito.

Assim que recebeu o convite do Recreativo do Libolo, depois de ter falhado a primeira tentativa de vinda ao país, através do Clube Central das Forças Armadas Angolanas, o técnico português procurou conhecer mais a realidade do basquetebol angolano através de vídeos.

Para Norberto Alves, o convite surgiu em boa altura, porque em Portugal, onde treinava a Académica, estava condenado a ser o eterno vice-campeão, já que a formação do Sport Lisboa e Benfica tem, nesta altura, um orçamento anual 14 vez superior ao da Académica, sua ex-equipa.

O técnico considerou o basquetebol angolano como o mais rápido em relação ao que é praticado na Europa e se lhe for incutido uma disciplina táctica, os jogadores angolanos podem dar um grande salto qualitativo.

Nofinal, Norberto Alves destacou a competitividade existente no BAI Basket, fundamentalmente o quarteto formado pelo Recreativo do Libolo, 1º de Agosto, Atlético Petróleos de Luanda e Grupo Desportivo Interclube.