Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Norberto Alves quer dar título africano ao Libolo

05 de Maio, 2014

Equipa do Rio Seco em busca da quarta vitória sobre os libolenses na presente época

Fotografia: José Soares

O técnico da equipa principal de basquetebol do Clube Recreativo do Libolo, Norberto Alves, está satisfeito por abraçar o projecto do grémio do Cuanza Sul, onde chegou este ano, e está a realizar um trabalho que já impressiona a família da bola ao cesto a nível do  país. O técnico pode fazer história nesta modalidade, dados os métodos de trabalho que trouxe e a humildade, tendo assegurado em entrevista ao site oficial do clube de Calulo, que o Recreativo do Libolo tem condições e «um dia passa da ambição a campeão africano de basquetebol». O bom trabalho que realiza a frente do plantel que lidera o Bai Basket 2014, resulta como disse, do facto de ter sido bem recebido pela direcção do clube, o que facilitou a sua adaptação à equipa e ao país.

«Tudo tem corrido bem. O clube recebeu-me muito bem, o que facilitou a adaptação. É de facto uma nova realidade viver em Angola e na cidade de Luanda que é muito diferente de Coimbra. Luanda não tem a tranquilidade de Coimbra, nomeadamente no que diz respeito ao trânsito. Quanto ao clube, o Libolo tem uma dinâmica muito parecida com a Académica de Coimbra de onde vim, e que treinei muitos anos».

Norberto Alves realça também na entrevista um aspecto que faz do clube de Calulo uma grande agremiação desportiva: a organização. «O Libolo é um clube muito organizado e muito familiar. E esse contexto foi importante para mim. Claro que estar longe da família e amigos é difícil. A melhor forma de nos adaptarmos é fazer aqui novos amigos. É o que tenho feito e que tem sido fácil face à simpatia das pessoas com quem convivo no dia-a-dia. Penso que a minha personalidade também tem ajudado a essa adaptação».

Norberto Alves foi contratado pelo Libolo para corrigir a trajectória da equipa que tinha feito uma época aquém das expectativas. Está satisfeito com o desempenho da equipa, apesar de ter perdido dois objectivos: A Liga dos Campeões e a Taça de Angola?
Cheguei a Angola e comecei a treinar a equipa apenas em Outubro. Ganhámos poucos dias depois a Taça Victorino Cunha, pela primeira vez na história do clube, e passado pouco tempo estávamos na Tunísia para disputar a Champions. Ficámos em terceiro que foi a melhor prestação de sempre da história do Libolo.Queremos sempre ganhar, mas sabemos que não é com um estalar de dedos que isso acontece. Para ganhar a este nível, é preciso um percurso extremamente bem delineado e com persistência, e o Libolo tem-no feito. Mas ficámos a saber que se reforçar um pouco o plantel e com mais tempo de treino, isso é possível. Sei que o Libolo um dia vai ser campeão africano. Quem sabe se para o ano...

E em relação a segunda maior competição da bola refiro-me a Taça de Angola?
Quanto à Taça de Angola, tivemos um dia mau em casa, completamente inesperado face ao que estava a ser a prestação da equipa, e a vitória três dias antes em casa do nosso adversário o 1º de Agosto. Ficámos muito desiludidos e tristes com a perda desse objectivo. Lamentamos pelos adeptos e principalmente pela direcção do clube, que tem sido fantástica no apoio à equipa.

Com um bom desempenho na primeira fase do Bai Basket, só com vitórias, na segunda fase, as coisas não correram tão bem. A que se deveu  essa baixa de rendimento e porque é que a equipa parece ter voltado ao seu máximo nesta altura. Foi programado assim?
Penso que a surpresa para todos foi o facto de a equipa vencer tantos jogos quando se enfrentam adversários muito fortes e com excelentes plantéis.Para nós, que trabalhamos diariamente foi o resultado de trabalho sério. Na segunda fase, baixámos um pouco a solicitação das cargas de treino, visto que não havia o ponto de bonificação para o vencedor, ao contrário das épocas anteriores, e não fazia sentido esgotar a equipa.Pensámos nessa periodização do treino e na respectiva dinâmica das cargas para podermos estar na fase final o melhor possível. Mesmo assim, ficámos apenas a um ponto de vencer essa segunda fase também.

DISPOSIÇÃO
Alves promete luta até à exaustão


Depois de muitos jogos e um longo trajecto, finalmente chegou à «Final-Four»  ao fim da primeira volta, a equipa conseguiu três vitórias em igual número de jogos, a jogar a maior parte do tempo sem dois dos seus melhores jogadores, o Carlos Morais e o Olímpio. O que isto significa?
Quer dizer que somos uma equipa. Uma equipa que sabe sofrer dentro de campo em que todos estão a dar 100 por cento. Pelo Libolo estes jogadores estão dispostos a lutar até à exaustão para vencer. Por causa de lesões estamos a jogar sem o Carlos Morais e com o Olímpio muito limitado. O Olímpio tem feito um esforço impressionante e um sacrifício enorme para poder ajudar a equipa nos minutos que está em campo. Tentamos resguardá-lo fazer com que saia do banco e não lide com o impacto dos minutos iniciais dos jogos.

O que fazer para manter a liderança desta fase?

Há uma coisa que eu posso garantir aos nossos adeptos: não vai ser por falta de força mental e concentração que nos vão vencer. Os nossos adversários têm plantéis fortíssimos em qualidade e experiência. Nós vamos com as nossas armas de sempre: humildade e respeito pelo nosso trabalho e muita ambição. Nós vamos ter sempre a consciência tranquila, porque sabemos que deixamos sempre a última gota de suor no campo, para defender a nossa camisola.

Pelo que observou durante as fases preliminares, qual acha que deve ser o adversário mais forte e o maior candidato a ganhar o Bai Basket?

Pelo que conheço e conheço bem as equipas, o 1º de Agosto e o Petro são muito difíceis de vencer. Possivelmente o 1º de Agosto seja a equipa mais forte, visto que jogam juntos há muitos anos. A equipa militar tem a maior parte da selecção nacional e o Petro tem um plantel muito extenso e sem pontos fracos nas diversas posições de campo. O Inter é muito bem orientado e pode ainda, ter coisas a dizer.

RECONHECIMENTO
“Olímpio joga
com sacrifício”


 O Carlos Morais e o  Olímpio têm problemas de lesões. Oxalá venham a estar a 100% e capazes de ajudar a equipa a conquistar os objectivos nesta fase decisiva?
 Infelizmente, e sabemos que tudo se decide neste mês, ainda não podemos contar com o Carlos Morais nesta fase final e o Olímpio tem jogado com muito sacrifício. O nosso departamento médico está a fazer o melhor possível para ambos se recuperarem. Eles marcavam quase metade dos pontos da equipa e as suas lesões foram um duro golpe para nós, mas a equipa tem dado uma resposta de entrega fantástica para compensar a falta. Uma palavra de grande apreço para o Olímpio que joga mesmo assim com dificuldades e para o Carlos. Sei que está a sofrer muito por não poder ajudar a equipa dentro de campo. Mas o mais importante, é que continuemos a acreditar em nós, no nosso trabalho e entrega dentro do campo. Nada é impossível se continuarmos juntos e continuarmos a ser... uma equipa!

 E o que dizer aos adeptos do clube?
 Obrigado aos nossos adeptos pelo apoio incondicional à equipa e por me terem recebido tão bem. Eu e a minha família, que vibra em Portugal pelas nossas vitórias, vamos estar eternamente agradecidos.