Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Nos anos 60 o hquei j era a primeira modalidade em Angola"

Joo Francisco - 21 de Setembro, 2013

O antigo hoquista Victor Manuel Almeida, 66 anos, que vai estar nas vestes de comentarista da Rdio Cinco

Fotografia: Jornal dos Desportos

A motivação do “cota” Victor Almeida, que nunca passou despercebido quer nos rinques, quer no 1.º de Agosto como consultor para a modalidade, começou em Luanda, em 1962, altura em que a arte dos sticks era a primeira modalidade na então província portuguesa de Angola.

“Naquela altura, em 1962, no Sport Luanda e Benfica, o hóquei em patins era a primeira modalidade, assim como em toda a Angola. Naquele tempo não havia salário para ninguém que praticasse hóquei em patins, “era puro amor à modalidade e à camisola”, recordou Victor Almeida.

Victor de Almeida ainda treinou e jogou no Campo do “Imbondeiro” junto ao antigo Rádio Clube de Angola, tendo inaugurado o campo do Petro, no “eixo viário”.

”Foi no “eixo viário” que, ao entrar no campo repleto de adeptos de ambas as equipas (Sport Luanda e Benfica x Ferroviário de Angola), com 15 anos de idade, tive um calafrio assustador. Na minha longa carreira fui jogador, treinador, dirigente associativo e jornalista desportivo”, revelou.
Passagem pelos EUA e regresso a Angola independente

 O comentarista desportivo que a partir de ontem faz dupla com Maninho Cabral na equipa da Rádio Cinco, que vai acompanhar os Grupos B e D, recorda-se com nostalgia das suas primeiras missões jornalísticas para a cobertura do mundial de hóquei em patins, bem como os contactos com os dirigentes angolanos.
“Em Julho de 1975 saí de Angola para a cidade de S. José da Califórnia nos Estados Unidos da América para desempenhar as funções de responsável do gabinete de imprensa do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins.

“Em 2005 fui abordado pela actual direcção da FAP, na pessoa do seu presidente, Carlos Alberto Jaime “Calabeto”, que me perguntou da minha disponibilidade para o apoiar no ano seguinte, ou seja, em 2006, para, juntamente com o presidente Deslandes Rafael, na altura vice-presidente, assegurar o gabinete de imprensa do 1.º mundial de clubes, em Luanda, convite que aceitei de imediato, pois era a oportunidade de voltar ao país 31 anos depois”, acrescentou.

Para Victor de Almeida, voltar agora a Angola, que o viu crescer, ser homem, profissional e pessoa e onde adquiriu a sua personalidade, educação e carácter, foi o que melhor aconteceu na sua vida.

“A partir de 2006 até data tenho vindo todos os anos a Angola, que não é o meu pais, pois sou português e não renego, mas sim “é a minha terra”, que considero o meu segundo, ou porque não primeiro, país”, confessou.


RECONHECIMENTO
“Actual Presidente da FAP
na origem do meu regresso”

Victor de Almeida agradece a Carlos Alberto Jaime “Calabeto” por lhe ter dado a oportunidade de, em 2006, voltar a pisar solo angolano, agora independente.

Com idas constantes ao estrangeiro e vindas a Angola, Victor de Almeida voltou a marcar presença nos eventos desportivos mais importantes realizados no país em 2010, sempre pela mão de Calabeto, para mais uma edição do Torneio Internacional Eng.º José Eduardo dos Santos, trazendo na bagagem um projecto de iniciação à patinagem e à organização de uma secção de hóquei em patins num clube.

“Assim surgiu o segundo momento marcante na minha trajectória, pois por solicitação do tenente-general Eugénio Quaresma “General Geny”, na altura elemento do departamento de hóquei em patins do 1.ºAgosto e antigo praticante “apaixonado” da modalidade acabei por conseguir, o que desde 2006 almejava: permanência em Angola com contrato que termina em Dezembro deste ano”, frisou.                 
JF


GERAÇÃO DE OURO
Portugueses começaram
a emergir nos anos  40

Victor de Almeida diz não ter sido por acaso que nasceu no ano de 1947, início “dos anos de ouro do hóquei em patins em Portugal”, e como tal, considera-se também da geração de ouro de hoquistas portugueses onde pontificaram nomes com Jesus Correia, Correia dos Santos, Sidónio e Olivério Serpa, Cipriano Santos, Fernando Cruzeiro e outros tantos daquela era, e a seguir outra geração como Moreira, Fernando Adrião, Amadeu Bouçós, Francisco Velasco e José Vaz Guedes, António Livramento, Jorge Vicente, José Casimiro, Garrancho e outros tantos.

“Os meus colegas de Angola iam solicitar a minha cabeça se não fossem referidos nomes como Rui Aires (jogador e mais tarde treinador), Rui Sampaio, Carlos Chalupa, Rui Manjericão, Álvaro Jardim “Chamenga”, Vítor Santos, Magalhães, Eça, Zeca, Necas Ferreira, Catarro, Valadão, Ambrósio, “Cota” Trindade, Raimundo “China”, Correia Mendes, Pépé e Tótó (irmãos gémeos Van Ronson, cassulas do Van Ronson “Cota”, “miúdo” Fragata… etc.

Em termos de formação, Victor de Almeida tem o Certificado de Treinador Desportivo Nível II em Hóquei em Patins e Jornalismo Desportivo (Cartão do CNID e AIPS).

“Dar e-ou transmitir aos outros o que o desporto me deu a mim, ou seja, saúde, educação, formação, carácter, espírito colectivo e fundamentalmente ser homem com H grande, pois é isto o ser desportista em todas as vertentes e o que mais me motiva como dirigente e jornalista desportivo”, frisou.   
JF


MUNDIAL DE HOQUEI 

Angola vai realizar o 41.º Campeonato Mundial de Hóquei em Patins entre 20 e 28 de Setembro. Qual vai ser o seu contributo?

Como comentador da Rádio 5.

Qual é para si  a importância deste evento para Angola?
É muito importante, não só para a modalidade como para o país, pois as 15 delegações de países que vão pisar solo angolano vão transmitir o que viram e não aquilo que lhes dizem, o que é muito bom.

Acha que Angola pode vencer o 41.º Campeonato Mundial de Hóquei em Patins?
Não me peça para ser utópico, seguramente vamos ter uma classificação inédita.

Realisticamente quais são as possibilidades de Angola neste Mundial?
Seguramente o 5.º lugar, mas, como o “quimbandeiro” previu, talvez um pódio.

Acha que o país está a altura de responder positivamente à organização do Campeonato Mundial, em termos de infra-estruturas desportivas de alojamento dos participantes?

Não tenho a menor duvida. Não nos podemos esquecer de que já demos provas no 1.º Mundial de Clubes de Hóquei Patins em 2006, Afrobasket em 2007 e CAN em 2010, se tivermos como exemplo estes não temos a menor dúvida do êxito deste Mundial em todos os itens.

Quais vão ser os verdadeiros ganhos para o país com a realização do Campeonato Mundial de Hóquei em Patins?

Muito e a todos os níveis.


DADOS PESSOAIS

Nome completo:
Victor Manuel Lourenço Galvão de Almeida
Filiação: Manuel Lopes de Almeida e Maria Lídia Lourenço Galvão
Data e local de Nascimento: 28 de Março de 1947 em Leira, Portugal
Estado Civil: Casado
Filhos: Uma filha
Peso: 56 quilos
Altura: 1.59m
Prato Preferido: Funge de Bombó e Cozido à Portuguesa
Bebida: Cuca, ou se não tiverem, bebo água
O que faz nos tempos livres: Como tenho poucos, os que tenho prefiro não dizer
Número de Calçado: Como sou cambuta é 38
Clube Preferido: Como sou bom chefe de família, SLB, em Angola sou do PRI.
Cidade: Alcobaça
País: Portuga
Perfume: Desde que cheire bem, não tenho marca preferida
Religião: Católica
Ídolo: António Livramento
Alguma vez mentiu: Tantas, mas sem prejudicar ninguém