Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Ns no subimos para voltar a descer de diviso

MANUEL DE SOUSA, no Namibe - 07 de Dezembro, 2011

Horcio Jeu fala da necessidade de apoios para a equipa

Fotografia: Afonso Costa

Jornal dos Desportos – O que se pode esperar do Atlético do Namibe no próximo Girabola?
Horácio Jeu –  Se o tempo nos permitir, de acordo com as expectativas e com o que programámos, pensamos que podemos ter um Atlético muito competitivo tal como sonhamos. Temos uma direcção ambiciosa e, um presidente cuidadoso. Ele está sempre presente.

Isso não acontecia antes?
Não acontecia nas épocas anteriores. Este presidente até assumiu o departamento de futebol. É neste prisma que queremos ver o Atlético a funcionar na primeira divisão. A equipa técnica faz o que lhe cabe e a direcção a sua parte.

A equipa técnica, que mostrou competência este ano, levando a equipa à I divisão, vai mostrar a mesma postura?
Tudo depende daquilo que a direcção nos puser à disposição. O nosso treinador principal, Ernesto Castanheira, é uma pessoa educada. Pediu encarecidamente que, de acordo com o programa que apresentámos à direcção do clube, ela visse as condições de trabalho logo de início. Nós não subimos para voltar a descer de divisão.

Na falta de apoios significa que a equipa técnica vai justiçar os eventuais maus resultados? 
Temos as experiências da Académica do Lobito, FC de Cabinda e 1ºde Maio de Benguela que não criaram sustentáculos físicos, técnicos, psicológicos e financeiros. Não seguraram jogadores para aguentarem as exigências da própria competição. É isto que o Atlético quer evitar. A direcção está atenta a estes pormenores e acreditamos que o presidente do clube, com o seu dinamismo, vai dar conta do recado.

Quais são os jogadores conhecidos no mercado nacional, externo ou das escolas que vão reforçar a equipa?
Entregámos alguns nomes de jogadores para poderem reforçar a equipa. Queremos ter um Atlético firme e à altura das exigências da prova. E também jogadores capazes de suportarem as cargas do Girabola.

Há acompanhamento e reforço da equipa técnica em relação aos escalões de formação?
Estamos a trabalhar nesse sentido, porque quando se trabalha comseniores tem de se pensar em juniores ou juvenis. Este ano, fruto da harmonia entre todos os escalões, o Atlético é campeão nos três escalões. Há um trabalho conjunto.

Sabemos que o Adolfo é um reforço. Há outros?
Estão no segredo dos deuses. A direcção está a fazer contactos
e nós também. Nesta altura não é conveniente avançarmos nomes por uma questão ética e também porque o segredo é a alma do negócio.

Que sectores vão ser reforçados?
 As estatísticas dizem que nós trabalhamos com base em dados. Somos treinadores formados, não funcionamos de forma empírica. É natural que haja a necessidade de se reforçar este ou aquele sector para ter mais acutilância, tendo em conta as exigência da prova, mas como disse, só com os apoios necessários podemos trazer muitas alegrias aos namibenses.

“Confiamos nos
jogadores”


Jornal dos Desportos - Quais são as orientações dadas aos jogadores que estão de férias, mas ainda com eventuais contratos e promessas válidas para a próxima época?
HJ - Transmitimos aos nossos atletas folhetos de preparação física que vão de 40 a 45 minutos de treino, de acordo a disposição deles. Cada um vai cumprir o que a equipa técnica orientou, corridinhas, abdominais, dorsais, no fundo um pouco daquilo que eles fizeram durante a época. Do nosso mapa consta também um período de transição para a recuperação de lesões e treinos ligeiros.

Confia que eles vão cumprir esse programa?
Se não confiarmos neles estamos a ser um pouco incoerentes. Temos testes no princípio da época nos quais vamos poder detectar quem falhou. Mas confiamos nos jogadores

Como técnico-adjunto, que proveito espera tirar da formação que vai fazer no exterior?
Vou pela segunda vez ao Rio de Janeiro fazer uma formação específica. Está ligada ao tratamento de questões de fisiologia, exercícios e esforço, de modo a prestar um trabalho aceitável no Atlético do Namibe na I divisão.
 
 A direcção deu-lhe tarefas específicas nesta formação?
Quando um filho vai formar-se é para aprender um pouco mais. Por isso, vou para dar ao Atlético o que apreender.

“A minha vida
é o futebol”


 Como é que entrou no mundo do futebol?
Já vivo neste mundo há muitos anos. Praticamente, desde 1987, quando comecei no Sporting de Benguela como coordenador das camadas jovens. Acredito que a minha vida é o futebol. Quando estou de férias sinto-me mal.

Quer fazer um breve historial da sua trajectória?
Terminei o meu curso médio no Instituto Normal de Educação Física, INEF, em 1988, e foi para Benguela colocado na então delegação provincial da educação, como chefe de departamento dos desportosescolares. Dois anos depois, assumi o cargo de coordenador das camadas jovens do Sporting de Benguela e, então, acho que me afirmei aí como profissional, naturalmente com a ajuda de bons colegas, como o professorArnaldo Ferreira, o senhor Victor Saculanda, que hoje é o presidente do
Sporting de Benguela, e Jorge Bolota. Em 1999, tive a felicidade do senhor Gilberto dos Santos me convidar para adjunto do Benfica do Lubango e daí projectei-me. Agora já me considero um profissional da bola.

Para além do INEF teve outra formação em treino desportivo?
Primeiro terminei o INEF como técnico médio e sempre apostei naquilo que é a profissão. Tenho o segundo ano dos INSCED em psicologia e assim vou indo.

Tem experiência enquanto jogador de futebol?
 Joguei nas escolas de formação do Nacional de Benguela como iniciado e, depois, subi a juvenil, num outro clube, que era de um senhor amigo. Foi no Eremista, onde permaneci quase um ano. Como o meu pai era benfiquista, na criação do Benfica de Benguela vou para o 1º de Maio, na categoria de júnior, em nome do qual fui capa de
revistas desportivas. Era o substituto de Josephe Maluka, em 1984. Estive numa selecção escolar que foi a Cuba. No regresso é que ingressei no INEF. Joguei pouco tempo nos seniores.

“Dei os primeiros passos
no Sporting de Benguela”


Em que clubes já trabalhou como preparador físico?
Dei os primeiro passos no Sporting de Benguela e, depois, no Benfica do Lubango e agora no Atlético do Namibe. Aqui, dada a minha versatilidade, também já fui chefe de departamento de futebol.

Já trabalhou com alguns técnicos nacionais e estrangeiros de referência?
O Gilberto dos Santos, que é a pessoa que me tirou de Benguela para o Benfica do Lubango. Posteriormente, trabalhei com o técnico Albano César, isto em 2000. Seis meses depois, recebi o Manata Nsunsi no Benfica do Lubango e fomos campeões provinciais. Na altura, viemos cá ao Namibe buscar alguns jogadores. E essa vinda foi como um cartão de visita, porque já tinha aqui campeões que hoje são algumas figuras da província. Souberam receber-me com muito afecto e carinho.

E depois disso?
 Depois trabalhei com os técnicos Carlos Queirós, Romeu Filemon, o carismático técnico Zé do Pau e o João Machado. Passei a técnico principal e ascendemos à primeira divisão. E agora estou aqui no Atlético com o Ernesto Castanheiras.

“Só recebo elogios
pelo trabalho realizado”


 Soubemos que teve algumas desavenças com o técnico Kenzo, no ano passado. Quer falar um pouco sobre isso?
 Penso que aí funcionou a questão da falta de competência do colega que trabalhou comigo, porque em nenhum momento nós, profissionais,pensamos que os nossos colegas devem ser aquilo que eles pensam. Portanto, fui obrigado, por conveniência do próprio técnico, a ir para o departamento de futebol. Acredito que é um caso passado, não levámos o caso a peito. Um profissional da bola e de qualquer área social não deve ser reservista. Se Kenzo vier um dia para o Atlético do Namibe ou outro clube vou trabalhar com ele sem qualquer problema.

Quais foram os momentos mais especiais que viveu como treinador?
 Já vivi momentos bons no Sporting de Benguela, porque lá fui o treinador do Jamba, que jogou no ASA e na Selecção Nacional, do Serginho, do Benchimol e de muitos outros jogadores. Portanto, isso orgulha-me, pois formei-os e hoje, quando ando pelas ruas, ninguém me aponta o dedo. Só recebo elogios pelo trabalho realizado.

Jornal dos Desportos - E à parte esses jogadores, o que mais o orgulha?
Também me deixa feliz a ascensão, pela quarta vez, da nossa equipa à I divisão. São factos marcantes e que nunca sairão da minha memória. Para mim é uma honra. Também para a minha família e todos aqueles que muito me têm ajudado moralmente.