Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Novo tcnico espera ganhar confiana

Armando Sapalo-Dundo - 05 de Maio, 2015

Tcnico augura futuro promissor dos lundas

Fotografia: Jos Soares

O novo treinador da equipa principal do Sagrada Esperança, Zoran Maki, que assumiu o comando técnico há duas semanas, em substituição do agora adjunto Francisco Moniz “Frank”, prometeu em entrevista ao Jornal dos Desportos, dar o máximo em prol dos diamantíferos para ganhar a confiança da direcção liderada por Ganga Júnior, a fim de continuar a dirigir os lundas na Primeira Divisão. 
Zoran Maki, que iniciou com vitória as suas funções à frente do comando técnico dos diamantíferos, elogiou as condições de trabalho colocadas à disposição do plantel e disse que aceitou o desafio de treinar o Sagrada Esperança, pelo facto da equipa da Lunda Norte, nos últimos dois anos, ser a que melhor futebol apresenta no Campeonato Nacional.
 Com um contrato válido por oito meses, fica até final do Girabola 2015, o treinador diamantífero assegurou que o Sagrada Esperança vai sair da “zona cinzenta” em que se encontra no campeonato.


 
 Jornal dos Desportos- O que o motivou a aceitar o desafio para orientar o Sagrada Esperança?
Zoran Maki- Aceitei este desafio pelo facto do Sagrada Esperança ser uma equipa que joga um futebol com muita qualidade e tem sempre a bola no chão. Nos últimos dois anos, o Sagrada Esperança foi a equipa, que apresentou o melhor futebol do Girabola, além também de ter boas condições de trabalho. Portanto, foram essas as razões que levaram-me a abraçar o desafio de vir ao Dundo para treinar a formação.


JD -  Quer com isso dizer, que encontrou boas condições de trabalho no clube?

ZM- Sem dúvidas que são excelentes condições, bem aproveitadas e com vontade, é possível alcançar resultados positivos.


JD- Durante o seu primeiro contacto com o plantel disse que as negociações com a direcção do clube estavam ainda em curso, em função de alguns detalhes do contrato. A situação já está resolvida? Qual a duração do vínculo contratual com  o Sagrada Esperança?
ZM- Assinei um contrato válido por oito meses, ou seja, o vínculo vai até o final do Girabola 2015, com um ano de opção, de acordo com os resultados que conseguirmos durante esta época.


JD- Certamente, que está motivado para desenvolver um trabalho, que permita conquistar a confiança da direcção do Sagrada Esperança para continuar à frente do comando técnico da equipa?
ZM- Claro que sim. Este é o meu grande objectivo aqui no Dundo, procurar ganhar a confiança da direcção, jogadores e dos adeptos, no sentido de continuar como treinador principal, porque estou nuito fascinado e com vontade em dar os meus préstimos para a construção de um conjunto forte e de respeito em Angola. Temos pela frente um longo caminho a percorrer, mas tenho a máxima certeza, que com muito trabalho, espírito de sacrifício, união, humildade e força de vontade, vamos conseguir alcançar os principais objectivos do Sagrada Esperança, que é uma agremiação com imensas responsabilidades sociais para a população da Lunda Norte.


ESTILO DE JOGO
"Queremos imprimir
mais agressividade"


JD- O técnico Zoran Maki, na estreia no comando do Sagrada Esperança, entrou a ganhar fora de casa. Qual  a estratégia que montou, uma vez que teve três dias para orientar a equipa antes do jogo?

ZM-  Foi difícil para mim, quando soube que a minha estreia como técnico principal do Sagrada Esperança, era frente ao Desportivo da Huíla, porque o seu treinador, o Ivo Traça é meu grande amigo, um irmão que ganhei desde que estou em Angola. Mas para responder à questão que me coloca, digo que a grande estratégia foi o trabalho de grupo, recebi muito apoio dos meus colaboradores directos na equipa técnica e os próprios jogadores, que muito rapidamente conseguiram absorver toda a estratégia que  preparamos para o referido jogo. Foi um jogo muito táctico e difícil, contudo, conseguimos sair do Lubango com três preciosos pontos, que aumentaram muito a confiança da equipa.
 

JD- Uma sequência que a equipa pretende manter...
ZM- Sem dúvidas. Agora estamos a preparar o jogo de sábado (amanhã) em que teremos pela frente no Dundo, o Domant FC de Bula Atumba. Este vai ser um jogo muito difícil. Na minha opinião, esse jogo vai ser mais difícil ainda do que  em relação ao do Lubango.


JD- Uma das estratégias, que possibilitam atingir os objectivos preconizados, passam pela escolha de uma equipa modelo, talvez diferente em relação aos dois treinadores que o antecederam (António Caldas e Francisco Moniz “Frank”). Foi isso, que fez no Lubango apostar em Papi, no centro da defesa, em detrimento de Hernâni?
ZM- Talvez sim, porque no plantel, no Sagrada Esperança estão jogadores que eu conheço perfeitamente, além dos demais, cujas qualidades vão ajudar muito a fazer a diferença em cada jogo, que a gente efectuar. A nossa aposta é encarar todos os jogos como se de uma final se tratasse. Só com essa filosofia é que teremos bases para lutarmos pelos nossos objectivos. Procuro alterar um pouco o sistema de jogo, aproveitar as qualidades individuais e colectivas do plantel à minha disposição. Noto que os atletas estão a interpretar  bem o meu estilo de jogo, que não foge ao futebol que o Sagrada Esperança pratica há dois anos. Queremos imprimir mais agressividade defensiva, muita velocidade, à semelhança daquilo vimos em 2013, em que o Sagrada Esperança espalhou muita qualidade nos estádios por onde passou.


CLASSIFICAÇÃO
Direcção quer equipa bem posicionada


JD- O que a direcção do Sagrada Esperança lhe pediu em termos de objectivos?

ZM- A direcção pediu-me para tirar o Sagrada Esperança, da zona de despromoção, em que se encontrava. A equipa estava numa posição preocupante a nível da tabela de classificação, pois figurava entre o grupo das formações em risco de descer de divisão. Felizmente, começámos bem a empreitada, pois domingo, fomos ao sempre difícil estádio da Tundavala, no Lubango, buscar um resultado motivador.

JD- Está a dizer que a vitória no Lubango serviu de alento para novas conquistas?

ZM- Com certeza. A vitória que conseguimos diante do Desportivo da Huíla por 2-0, dá-nos um grande alento e confiança para olharmos o futuro com motivação e optimismo. É a nossa missão à frente do comando técnico do Sagrada Esperança, colocar a equipa numa posição, que corresponda com a verdadeira dimensão enquanto instituição forte e de grande referência na história do futebol angolano.


JD- Quer com isso dizer, que existem condições quer materiais como humanas  para colocar o Sagrada Esperança numa posição cómoda no campeonato?
ZM- Estou certo, que vamos alcançar as conquistas necessárias e próprias para este clube, dando o máximo que for preciso. Vamos tirar o Sagrada Esperança dessa posição, com um futebol vistoso, atractivo, convincente e capaz de arrastar muito público aos estádios.
 

DJ- Tinha alguma informação sobre a organização e funcionamento do Sagrada Esperança?
ZM- Sim. Sempre tive óptimas informações da estrutura do Sagrada Esperança, não obstante uma ou outra dificuldade, aliás, de longe sempre tive o interesse de acompanhar esta instituição, tendo em conta a sua história. Os jogadores têm óptimas condições de trabalho. O Sagrada Esperança tem um estádio próprio, embora a relva não esteja em perfeitas condições, mas temos garantias da direcção que vai ser melhorada. É um clube com excelentes condições de trabalho, onde os jogadores só devem pensar no trabalho, desde os treinos até à realização de jogos oficiais.
Tenho a experiência de ter passado por dois grandes clubes em Angola, no caso o 1º de Agosto e o Kabuscorp do Palanca, mas o Sagrada Esperança não fica atrás de qualquer um deles, uma vez que tem tudo para se afirmar como uma grande equipa.



"Vamos ultrapassar as limitações"
JD-Colocar o Sagrada Esperança numa melhor posição no campeonato é o que lhe pediu a direcção do clube. E em termos pessoais quais são os objectivos preconizados?
ZM-
Espero recuperar o bom futebol, que a equipa sempre apresentou, ganhar muitos jogos, galvanizar o grupo para todos os jogos, conquistarmos a confiança da direcção e dos adeptos e mostrar,  que com trabalho e ambição é possível resgatar a mística do Grupo Desportivo do Sagrada Esperança. Queremos conquistar não só os jovens, mas também os mais velhos que testemunharam o surgimento da equipa, que há muito deixaram de se deslocar ao estádio para assistir aos jogos, para que possam voltar a ver o Sagrada Esperança a brilhar. O mais importante é recuperar a  “marca” do Sagrada Esperança, conhecida no Girabola como uma equipa que joga um futebol invejável, que cria dificuldades há qualquer adversário e colocar a equipa na posição confortável na classificação. Pretendo um Sagrada Esperança com mais profundidade, com muitos golos, o que se obtém com o tempo.


JD- O plantel à disposição oferece garantias de conseguir o que pretende?
ZM-
O plantel do Sagrada Esperança tem um grande potencial, mas sabe que normalmente quando os resultados dentro do campo não são positivos, perde-se muito da confiança. Quando os jogadores perdem a confiança, as coisas não saem conforme o perspectivado. Estou certo que com trabalho e funcionamento de toda a estrutura, como a direcção, equipa técnica, jogadores e todos os nossos colaboradores, vamos ultrapassar todas as limitações.


JD- Tem perspectivas de reforçar a equipa na reabertura do mercado da presente época?
ZM-
Sim. Tão logo termine a primeira volta, faltam-nos mais quatro jogos, para fazermos as avaliações necessárias, porque nós temos um plantel muito largo, com 29 jogadores,  não estou habituado a trabalhar com muitos atletas, o que dificulta desenvolver de forma eficaz um trabalho profundo. Vamos tentar fazer as correcções, definir as prioridades encontrando as zonas da equipa a reforçar, para entramos na segunda volta mais fortes.


JD- Está a dizer que opta por trabalhar com grupo reduzido, mas com qualidade?
ZM-
Sim, gosto de trabalhar com uma equipa reduzida, em ter mos de quantidade, mas com qualidade e com várias opções. Porque uma equipa com 29 jogadores é complicado gerir, muitos deles ficam sem jogar, além também de complicar os processos de treino.


JD- Isso vai implicar certamente a dispensa de alguns jogadores, em número maior, pois vai propor também  contratação de outros?
ZM-
Como já referi, temos muito tempo para fazermos as avaliações que são necessárias, avançarmos para uma decisão mais acertada. Nessa altura, os jogadores sabem que pretendemos operar uma revolução no plantel, cada um deles vai, nessa fase, procurar mostrar o seu valor, o que pode ser também determinante na nossa decisão.


JD- Com quantos jogadores pensa trabalhar?
ZM-
Pretendemos ter um plantel com 22 jogadores de campo e mais três guarda-redes. Isso, é suficiente para termos uma equipa com possibilidade para realizar um trabalho mais aberto e facilitado.
 

JD- Qual é o estilo de jogo que está a implementar no Sagrada Esperança?
ZM-
Eu gosto muito do estilo de jogo com bola nos pés, no chão, com acções muito  rápidas entre dois a três toques no esférico. Ritmo acelerado. Espero construir um conjunto capaz de ganhar jogos com mais golos possíveis. Admito, que uma equipa muito ofensiva sofra muito, mas estou convencido que com a entrega da maior parte de jogadores, vamos ter uma boa equipa. Precisamos ainda de ter um fio único de jogo, daí que cada jogador é chamado a dar o melhor. Todos os jogadores vão ter as suas oportunidades para revelar qualidade. Quem agarrar, que agarre mesmo e aquele que não souber tirar proveito, paciência.


TREINADOR APELA
AO BOM SENSO



JD- Falou da importância de haver esforços conjugados entre todas as forças vivas do Sagrada Esperança. Está informado do divórcio que há entre a claque e o clube? Ou seja, sabe que desde à quinta jornada que a claque não se desloca ao estádio para apoiar a equipa devido aos maus resultados?
ZM-
Sim estou informado, porque o Sagrada Esperança tem uma claque muito exigente, porque eu já joguei cinco vezes aqui no Dundo, contra a equipa local, que hoje estou a orientar, onde notei que a população gosta muito de futebol e espera que seja compensada com vitórias. Não é suficiente ganhar, é preciso jogar bom futebol e nesse capítulo os adeptos são muito exigentes em qualquer parte do Mundo.
Os adeptos vivem intensamente os jogos e sofrem muito, quando as suas equipas atravessam momentos  difíceis. Agora, eu defendo, que aliadas as exigências, a claque deve apoiar, não pode virar costas à equipa, porque só com ela se conseguem vitórias. Por isso, apelo à necessidade de os responsáveis da claque reconsiderarem isso, para o bem da equipa do Sagrada Esperança.
É preciso muita paciência, porque o Sagrada Esperança tem uma equipa nova esta época, pois perdeu todo o esqueleto de base, com a saída de oito jogadores que constituíam o “onze” inicial e não é  fácil gerir isso. Estou certo que depois da vitória no Lubango os ânimos dos nossos adeptos estão mais calmos.


JD- Que avaliação faz dos projectos de formação do futebol infanto-juvenil no Sagrada Esperança?
ZM-
A direcção do Sagrada Esperança está a desenvolver um projecto ambicioso, para a descoberta de novos valores, que vão assegurar a equipa no futuro. Nesse plantel, contamos com excelentes jogadores que saíram da formação do clube. Temos o caso do jovem Lulas, que é titular no Sagrada Esperança, como defesa central. É um jogador muito jovem e que tem tudo para se afirmar no futebol. Agora tudo depende dele próprio, da sua cabeça em saber gerir as coisas, assim como encarar a pressão do Girabola. A receita é continuar a ser humilde e trabalhador conforme se está até agora.


JD-  Acredita que como o Lulas vão surgir outros rebentos nesse projecto?
ZM
- Evidentemente, como Lulas vão surgir muitos outros grandes jogadores que vão encher de glórias a equipa. É um projecto importante que eu pessoalmente gostaria de apoiar para que possamos colher frutos esperados.


LUNDA NORTE
Maki lamenta falta de equipas

JD- O técnico, Zoran Maki, teve passagens pelo 1º de Agosto e Kabuscorp do Palanca. Sente alguma diferente em trabalhar em Luanda e ou no interior do país?

ZM- Sim. Mas também é completamente normal que existam diferenças, que não são tão abismais. A diferença que existe, talvez, é o facto de equipas como o 1º de Agosto e Kabuscorp do Palanca, onde trabalhei, a exigência é maior, porque a prioridade tem a ver com a conquista de títulos, o que deixa o treinador numa posição de muita pressão. Há muita gente a exercer pressão sobre o treinador. Acredito, que isso acontece com todas as equipas de Luanda, porque entram todas com a ambição de vencer o Girabola, o que é diferente  de outras formações localizadas fora de Luanda, que procuraram apresentar-se bem  jogo após jogo, à procura de alguma estabilidade desportiva.


JD- Quer com isso dizer que existe pouca exigência nos clubes do interior?
ZM- Sim. Nessas equipas a evolução é mais calma, paciente e não muito exigente como jogar para ser campeão do Girabola. É impossível construir uma equipa forte em dois ou três meses. Uma equipa para ser construída demora o seu tempo, o que é importante dar o “ braço a torcer” ao treinador a quem é incumbida essa tarefa. Os automatismos para serem melhorados carecem de tempo, a adaptação dos próprios jogadores ao estilo de jogo do treinador, também é uma questão que se deve ter em conta, porque são processos que levam tempo.  A grande verdade mesmo é que os treinadores devem evitar trabalhar apenas em Luanda, considerando que é só lá onde existem condições. Claro que estão lá as grandes equipas do país, mas também trabalhar no interior, abre os horizontes do treinador, proporciona mais segurança e uma realidade mais abrangente do futebol nacional.
 

JD- O facto de a província da Lunda Norte, além do Sagrada Esperança, não ter mais equipas fortes que auxiliam, quer no capítulo de preparação, como na vertente de observação de jogadores, dificulta o trabalho do treinador?

ZM- É difícil para nós, durante uma ou duas semanas não termos adversários à altura para fazer jogos amistosos, o que é importante no crescimento competitivo dos jogadores e da própria equipa. Os jogadores menos utilizados, por exemplo, precisam de ganhar ritmo competitivo, fazer  jogos de controlo com equipas competitivas. Os atletas da camada jovem, que são promovidos para a equipa sénior, em princípio, são avaliados nesse tipo de jogos.