Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Nuno lamenta ter sido abandonado

Hermnio Fontes - 17 de Janeiro, 2014

O guarda-redes Gerson Agostinho Sebastio Cadete

Fotografia: Jornal dos Desportos

A decisão de custear as despesas da cirurgia, de acordo com o internacional angolano, deveu-se ao facto de constatar atrasos da parte da direcção do clube presidido por Bento dos Santos "Kangamba".

"Naquela altura, na condição de atleta do Kabuscorp, fiz vários pedidos à direcção do clube e nada se decidia. Como havia demora por parte do clube, achei que tinha de solucionar o meu problema e tive de correr contra o tempo pois a minha condição física estava cada vez mais debilitada.”

Com contrato assinado para uma época, transferiu-se do Atlético Sport Aviação (ASA) para o Kabuscorp, o antigo guardião da equipa do bairro do Palanca manifesta muita tristeza quando fala da situação por que passou. "Na qualidade de atleta (na altura) do Kabuscorp, esperava que naquele momento difícil da minha carreira tivesse direito a um acompanhamento digno."

Nuno disse que era obrigação do clube do Palanca assumir os encargos com a lesão, contraída na fase da pré-época para o Girabola de 2013, quando o grupo se encontrava em estágio na capital portuguesa.

"Lembro-me como se fosse hoje. A equipa estava em estágio em Lisboa para a pré-época do Girabola de 2013 e numa sessão de treino lesionei-me. Dias depois fiz a cirurgia e voltei ao país, quando o grupo já se encontrava em Angola. Acontece que mesmo com o êxito da cirurgia, segundo a equipa médica portuguesa, nunca mais consegui treinar com a equipa de forma regular, razão pela qual durante os 30 jogos do Girabola, para além da Taça de Angola, não consegui realizar nenhum jogo oficial com as cores do Kabuscorp.”

O internacional angolano confessa que gostava imenso de ter contribuído para a conquista do inédito título do Girabola. "A cirurgia foi um sucesso, mas quando me juntava à equipa não conseguia entender a dor, por isso e de forma regular, tinha de voltar a Portugal, para tratamento.”


OPTIMISMO
"Estou apto
para trabalhar"


O internacional angolano Nuno, que regressou ao país no passado dia 12 de Dezembro, disse gozar de boa saúde e que está em condições de dar continuidade à sua carreira profissional.

"Até à data presente, quando já passa um mês desde que regressei ao país, tenho realizado sessões de treino no ginásio e sinto-me bem, por isso gostava de chamar atenção aos clubes interessados nos meus préstimos", apelou.

Nuno, apesar de se encontrar no desemprego, uma vez que o arranque do Girabola de 2014 está marcado para Fevereiro próximo, mantém optimismo quanto ao seu futuro. A experiência ao serviço dos Palancas Negras, Atlético Sport Aviação e Kabuscorp do Palanca fazem o guardião acreditar em dias melhores.

"Sou jovem e com experiência profissional e quero ajudar na reconstrução do país. Sei que nas equipas do Girabola ainda há lugar para mim, por isso espero encontrar um clube e com isso dar continuidade à minha carreira profissional.”

A época conturbada que passou no Kabuscorp, ao lesionar-se antes do arranque do Girabola, razão pela qual o guarda-redes ficou impossibilitado de realizar qualquer jogo oficial, faz parte do passado de Nuno. "O meu dia-a-dia tem sido conquistar a simpatia das pessoas próximas de mim.

Aliás, sempre fui assim, desde na minha escola de formação, o ASA, depois passei pelas diversas selecções e também no Kabuscorp. Estou certo de que com humildade e muita dedicação ao trabalho bons dias virão. Enquanto fico à espera, realizo com regularidade sessões de treino no ginásio, seguindo o manual de fisioterapia que a clínica portuguesa me entregou, porque o futuro espera-me", finalizou o guarda-redes Nuno.
HF


ATLETA QUER UNIÃO
Crise no ASA entristece Nuno


A falta de entendimento  que se verifica há mais de um ano entre dirigentes afectos ao  Atlético Sport Aviação (ASA), razão pela qual este emblema desportivo tem atravessado dificuldades nas mais variadas vertentes, tem afectado igualmente o guarda-redes Nuno, formado naquela instituição desportiva.

"Tendo em conta o tempo de litígio entre as partes no caso ASA, penso que tudo já devia estar resolvido. É triste a situação que o clube atravessa. Até quando essa situação se vai arrastar?  Quem sai a perder é o clube, estamos a falar de funcionários e atletas que orgulhosamente trabalham para engrandecer o ASA nas mais variadas modalidades", rematou. Apesar de distante do ASA, em função da carreira profissional, Nuno vive e acompanha ao pormenor tudo o que acontece no clube.

Sem medo de errar, disse que "o clube precisa continuar com o seu percurso histórico, principalmente no campo de formação de atletas, pois o ASA faz parte das melhores escolas do país". O guarda-redes angolano fundamentou a sua preocupação em relação ao "caso ASA" citando alguns nomes de colegas de profissão formados no clube aviador e que têm dado glórias ao futebol, tanto no Girabola, como na Selecção Nacional.

"Tal como fui formado no ASA, o Love Cabungula, Nuno, Asha, Milex, Fofaná, Matias, Anastácio, Debel e tantos outros atletas tornaram-se profissionais no futebol e com isto têm dado o seu contributo na reconstrução do país.

 Portanto, peço aos dirigentes do clube, que também são chefes de família, por favor, não destruam o sonho das crianças que todos os dias vão ao clube receber formação", clamou.
HF


RECONHECIMENTO
"Tive apoio moral do clube
quando da lesão no estágio"


O guarda-redes Nuno, ex-Kabuscorp do Palanca, reconheceu, não obstante ter sido ele a custear a cirurgia a que foi submetido em Portugal, a preocupação manifestada pela direcção do clube, por altura da lesão durante o estágio realizado em Lisboa.

O atleta que se notabilizou ao serviço do Atlético Sport Aviação (ASA) referiu que o apoio moral que recebeu dos responsáveis do clube presidido por Bento dos Santos "Kangamba" ajudou na sua recuperação.

"Agradeço, primeiramente, o apoio moral que a direcção do Kabuscorp sempre me deu. A atitude demonstrada ajudou muito na recuperação da lesão", disse.

Nuno realçou que apesar da situação em que se encontrava em termos físicos, que o impossibilitou de ajudar a equipa durante o Girabola e da Taça de Angola, chegou a recebeu prémios de jogo na primeira volta do campeonato.

"Os dirigentes do Kabuscorp, compadecidos com a minha situação, deram-me durante a primeira volta todos os prémios de jogo, mas o que na verdade eu esperava era  que a direcção dissesse, na qualidade de atleta do clube, e por ter-me lesionado em trabalho pelo clube, que iam pagar todo o tratamento médico, o que não aconteceu. Tive de ser eu a pagar sempre que me deslocava à clínica em Portugal", lamentou.
HF