Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Nzuzi Andr lana desafio

Hermnio Fontes - 02 de Março, 2015

Pelo contrrio, o momento de dobrarmos os esforos

Fotografia: Jos Soares

Nzuzi André apelou a quem de direito para duplicar a atenção aos treinadores nacionais, com destaque para aqueles que trabalham com os escalões de formação de forma a garantirem um futuro airoso às selecções nacionais. "Reunimos recentemente para traçarmos o plano das actividades das selecções inferiores, um desafio que merece de todos nós muita responsabilidade, já que são estes escalões que garantem o futuro das honras", recordou.

Salientou que em termos administrativos as actividades devem manter a mesma dinâmica. "Este ano as selecções não terão oficialmente competições, mas isso não quer dizer que teremos pouco trabalho. Pelo contrário, é o momento de dobrarmos os esforços", avaliou.

"Vamos fazer chegar ao Departamento das Selecções Nacionais o nosso plano de trabalho e enquanto aguardamos pela aprovação de quem de direito, para que possamos então ter o aval e as condições criadas para trabalharmos, pretendemos nos ocupar em outras actividades ligadas ao estes escalões", precisou.

Nzuzi André explicou que está confiante em que tão-logo o director técnico tenha contacto com a documentação relacionada com a programação elaborada, "Raúl Chipenda vai chamar-nos para, juntos, discutirmos este e outros assuntos relacionados com o plano apresentado", garantiu Nzuzi André.

Apesar da crise, o técnico assegurou estar confiante numa alternativa para se levar por diante o projecto que traçou. "Esperamos que dentro das possibilidades que nos chegarem às mãos, vamos começar os trabalhos. Isto é, a realização de torneios locais para que possamos manter a juventude a jogar," avançou Nzuzi André.Tenho dito que temos pelo país inteiro bons talentos, ou melhor, "diamantes" que precisam ser lapidados.

Existem muitos bons talentos que só precisam de uma oportunidade na vida, para aprenderem de forma pedagógica o ABC do futebol", comentou.Recordando que a união faz a força, Nzuzi André pede a colaboração de todos os clubes e academias para trabalharem em conjunto."Esperamos pela colaboração das equipas, escolas e academias, precisamos do esforço de todos, porque o assunto que está em causa é as selecções jovens", sublinhou.

ESCALÕES ETÁRIOS
Seleccionador solidário com colegas


Nzuzi André voltou a clamar por mais apoio aos seus colegas com destaque para aqueles que trabalham nas camadas de formação, pois muitos deles enfrentam imensas dificuldades para sobreviverem, e ainda assim continuam a honrar os seus compromissos. "Custa dizer isto, mas não tenho outra alternativa, existem hoje técnicos que ganham apenas cem dólares norte-americano, um valor que para a nossa realidade de vida  acaba sempre por comprometer os nossos compromissos."

A inquietação manifestada pelo Ministério da Juventude e Desportos em relação ao nível de alguns treinadores que trabalham nas camadas jovens deixou o técnico Nzuzi André feliz e espera por uma intervenção urgente para a inversão do quadro.  "Ouvir dizer que o director nacional para a Política Desportiva, António Gomes, está preocupado com a qualidade de formação dos técnicos de futebol que trabalham neste escalões, quer a nível das equipas de bairro quer em algumas agremiações oficiais. Sei que prometeu dar formação de base aos técnicos. Isto vai fazer com que os treinadores possam melhorar o seu trabalho", disse Nzuzi André.



RESGATE DO PRESTÍGIO
“É preciso seguir os bons exemplos”


Preocupado com o estado actual da modalidade, o treinador alertou para necessidade de seguirmos os bons exemplos de forma a relançarmos o futebol e voltarmos a dar alegria aos adeptos angolano como nos anos idos, em que a  bandeira de Angola era constantemente içada ao lado das melhores do continente. Apontou como modelo algumas selecções que disputaram o CAN2015, disputado na Guiné Equatorial, e que consagrou a Costa do Marfim como novo campeão africano, onde foi visível o surgimento de muitos atletas jovens. 

"Precisamos de aprender com os outros, por exemplo no CAN recentemente realizado na Guiné Equatorial a maioria das selecções apresentaram um número considerável de jogadores jovens. A selecção da Costa do Marfim, actual campeã continental, foi um exemplo", destacou.

Sublinhou que é importante aprender com os outros porque tudo já está inventado. "Vamos aproveitar esta experiência para que a partir de 2016 o país possa estar melhor representado em todas competições em que estiver comprometido e alcançar os resultados que todos almejamos", augurou."Quando falo em apostarmos nos escalões jovens, não estou a dizer que é necessário mudarmos todo o plantel da selecção de honras.

Apenas digo que precisamos de trabalhar duro para que no próximo ano possamos ter boas referências no nosso futebol." Defendeu que o facto do Ministro da Juventude e Desporto anunciar para breve, o encontro nacional para abordarem o estado actual do nosso futebol é a demonstração de que o Executivo está preocupado com os resultados das nossas selecções.

"Sabemos que o Executo está preocupado com os resultados do futebol, pois o ano passado as coisas não correram nada bem para as nossas equipas e selecções. O país tem profissionais dispostos a tudo fazerem para mudarmos o quadro e com isto elevar a bandeira nacional além-fronteiras", avaliou.

SOCIEDADE CIVIL
Apoio é imprescindível 


A máxima de que a união faz a força, mereceu o destaque do seleccionador nacional de sub-17. Nzuzi André alertou para necessidade de estarmos todos unidos em prol do futebol nacional para que tudo volte a ser como antes. Nzuzi André disse que não se deve apenas esperar ou exigir tudo ao presidente da FAF. Salientou que  devemos todos estar solidários em prol do mesmo objectivo.

"Só  Pedro Neto não basta, o futebol precisa de todos. Unidos podemos fazer do futebol um grande sucesso. Aliás, o presidente da federação precisa de condições financeiras para concretizar alguns projectos e colocar as selecções nacionais no patamar que todos desejamos", avançou.

O  grito de solidariedade de Nzuzi André estendeu-se a todos os empresários nacionais e não só. "Aproveito  o momento para apelar aos empresários para continuarem a apoiar a FAF, as selecções e os desportistas para se levar  por diante os projectos credíveis de carácter nacional", completou Nzuzi André.

Técnico clama por mais apoios

Rendido à capacidade e qualidade de alguns técnicos nacionais, Nzuzi André é apologista de que deve se dar maior atenção e mais oportunidades aos treinadores angolanos, pois muitos já demonstraram que têm condições para materializarem os projectos que visam desenvolver o futebol nacional.
"É preciso apostar-se mais na prata da casa, já que existem entre nós bons técnicos, que têm mostrado todo o seu profissionalismo, mas aguardam por uma oportunidade e bons contratos", especificou.

Nzuzi André descartou qualquer sentimento de xenofobia e afirmou que já passaram pelo país muito bons treinadores estrangeiros  e ainda existem alguns, mas defende que "os angolanos merecem mais oportunidades", porque muitos deles "não ficam a dever nada" a alguns estrangeiros

"Isto não quer dizer que os estrangeiros não têm qualidade, por exemplo tivemos entre nós o actual seleccionador da Costa de Marfim, Hervé Renard, como seleccionador nacional, mas por motivos que desconheço perdemos um grande conhecedor de futebol e prova disso é a  recente conquista do CAN, depois de ter triunfado também com a Zâmbia", destacou.

Nzuzi André disse que o futebol é uma modalidade que exige investimentos avultados e muita paciência para colher os frutos. "O futebol exige gastos financeiros e muita paciência para vermos o rendimento. Agora, é preciso acreditarmos na capacidade e os ensinamentos de determinados técnicos que já provaram serem bons."

Em relação ao projecto de descoberta e massificação que está a realizar, sublinhou que o mesmo vai  abranger todas as províncias e espera o apoio de todos. "Este projecto é de âmbito nacional e não apenas para Luanda", esclareceu. "Tenho feito vários contactos com as equipas e clubes das províncias, bem como alguns antigos futebolistas para que possam fazer parte deste projecto, pois precisamos da colaboração de todos e dar emprego àqueles que não o têm", realçou.

Nzuzi André disse  esta iniciativa não é apenas para dar emprego às pessoas, mas acima de tudo atingir os níveis de muitos países do topo de África. "Estamos a preparar a juventude para um futuro melhor e quiçá atingirmos o nível da Costa de Marfim, Gana, Tunísia, Nigéria e Egipto. É tudo uma questão de aposta, tempo e dedicação ao trabalho", sugeriu Nzuzi André.

NACIONAL DE sub-20
“Fiquei impressionado com alguns atletas”


Depois de se consagrar como uma das referências do futebol angolano como atleta na década oitenta, Nzuzi André explicou que trabalhar nas camadas jovens sempre foi o seu desejo e sente-se bem neste escalão.

"Há um ditado que diz "quem está à chuva deve estar preparado para se molhar". A minha vida profissional é o futebol e neste desafio a minha grande paixão sempre foi trabalhar com os escalões jovens. É disso que gosto e sei fazer, isto é, descobrir, lapidar e formar talentos", revelou. Nzuzi André referiu que acompanhou o campeonato nacional de juniores e considerou que a prova foi um sucesso. "Não apenas pelo nível competitivo e o equilíbrio entre as equipas participantes", mas acima de tudo pela "qualidade dos jogadores" que despontaram.

"Durante o acompanhamento que fiz do campeonato nacional em Benguela, fiquei admirado com a quantidade de potenciais talentos que aquele província apresentou na competição, mas precisamos de dar o devido tratamento a estes rapazes para que não se percam em actividades nada dignas", aconselhou. Nzuzi André confessou que ficou impressionado com o potencial demonstrado pelos jogadores das equipas de Luanda, nomeadamente Real Sambila, Brilhantes FC,

Escola de Futebol do Zangado, Benfica de Luanda, 1.º de Agosto, Interclube, Academia de Futebol de Angola e Petro de Luanda. "Com todas estas escolas a funcionarem em grande, acreditamos que daqui a dois anos temos um futebol mais competitivo e profissional, devido à qualidade de formação apresentada por estas escolas", reconheceu Nzuzi André.

ESCALÕES ETÁRIOS
Seleccionador
solidário com colegas


Nzuzi André voltou a clamar por mais apoio aos seus colegas com destaque para aqueles que trabalham nas camadas de formação, pois muitos deles enfrentam imensas dificuldades para sobreviverem, e ainda assim continuam a honrar os seus compromissos. "Custa dizer isto, mas não tenho outra alternativa, existem hoje técnicos que ganham apenas cem dólares norte-americano, um valor que para a nossa realidade de vida  acaba sempre por comprometer os nossos compromissos."

A inquietação manifestada pelo Ministério da Juventude e Desportos em relação ao nível de alguns treinadores que trabalham nas camadas jovens deixou o técnico Nzuzi André feliz e espera por uma intervenção urgente para a inversão do quadro. 

"Ouvir dizer que o director nacional para a Política Desportiva, António Gomes, está preocupado com a qualidade de formação dos técnicos de futebol que trabalham neste escalões, quer a nível das equipas de bairro quer em algumas agremiações oficiais. Sei que prometeu dar formação de base aos técnicos. Isto vai fazer com que os treinadores possam melhorar o seu trabalho", disse Nzuzi André.