Jornal dos Desportos

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Entrevistas

O 1 de Agosto uma grande equipa

Manuel Neto - 11 de Outubro, 2011

Pam est satisfeito com o contrato assinado com o 1 de Agosto

Fotografia: Jos Soares M.Machangongo

JD - Como ingressou no 1º de Agosto?
FP
- No ano passado, através de uma pessoa amiga, fui contactado pelos dirigentes do 1º de Agosto e recebi o convite com agrado, porque tinha informações que o 1º de Agosto é uma grande equipa, que persegue grandes objectivos no futebol angolano e africano, objectivos perseguidos por qualquer jogador jovem.

JD - Está satisfeito com o contrato ?
FP - Gostei muito. É um contrato que satisfez as duas partes e, em função disso, sempre pensei dar o meu melhor em prol do clube. Acredito que esse momento vai chegar.

JD - Veio para jogar no 1º de Agosto, mas, mal começou, foi logo emprestado ao Benfica de Luanda…
FP - É claro que vim com essa disposição, mas infelizmente, numa altura em que me preparava para mostrar as minhas qualidades, tive alguns problemas com o treinador, assunto que todo o mundo já domina e depois a direcção preferiu emprestar-me ao Benfica. Penso que foi um mal entendido, devo respeitar a decisão dele, porque cada treinador tem a sua opção e agora que tudo passou, desejo boa sorte para ele e ao 1º de Agosto, que é o meu clube.

JD - Qual foi a reacção da direcção?
FP - Na altura, o presidente era o senhor Raul Hendrick. Como eu estava na iminência de ir embora do clube, depois de um pé de conversa, mandou-me acalmar e a solução encontrada foi o meu empréstimo ao Benfica. Por isso, não tive outra hipótese que não fosse o cumprimento da ordem de empréstimo. Paciência, sou funcionário do clube e devo apenas obedecer às ordens.

JD - Sente-se bem ao receber todas as condições do 1º de Agosto sem  jogar  pela equipa?
FP - É claro que não. Dizia a minha mãe que antes não ter nada e conseguir-se fazer aquilo de que gostamos. Não gostaria de receber o que recebi e não ter a oportunidade de fazer o que mais gosto, que é jogar futebol. Para isso, seria melhor jogar sem nenhuma compensação.

JD - Nas cláusulas do contrato consta a cedência de transporte pessoal?
FP - Sim constou, não vivia cá no país e é claro que tinha de ter uma residência e uma viatura para me deslocar. Não tenho razões de queixas.

JD - Como foi recebido no Benfica?
PF - Encontrei um bom grupo de trabalho no Benfica de Luanda, onde pontificam jovens promissores, só lamento por ter me lesionado num dos jogos da Taça de Angola. Mas, neste momento, encontro-me em recuperação para na próxima época aparecer em grande no 1º de Agosto, uma vez que terminou o meu tempo no Benfica.

JD - Fale um pouco sobre o futebol angolano?
PF - Penso que o futebol angolano está evoluir muito. Já se nota muito investimento nos clubes, com realce para os atletas e, fruto disso, tem resultado na competitividade do Girabola. Pode-se ver hoje que não são apenas o Petro e o 1º de Agosto que lutam pelo título, até as equipas consideradas do ‘outro campeonato’ pensam estar nos lugares cimeiros da prova. Espero que tudo isso resulte em benefício da Selecção.

“Tenho muitas e boas recordações do Chelsea”

JD - Quando começou a sua carreira?
FP
- Desde cedo, tinha 7 anos, e comecei a praticar futebol na rua como toda a criança. Devido à destreza como tratava a bola, algum tempo depois, alguns amigos aconselharam-me a ingressar numa equipa federada e logo a minha escolha recaiu para o Sporting de Portugal, clube onde fiz a minha formação básica até atingir a categoria sénior, tendo ficado no grupo durante uma época e depois fui emprestado a uma equipa da segunda liga.

JD - Como encarou a segunda liga?
FP -
Foi bom. Joguei pelo Olivais e, pela experiência que fui ganhando, mereci convites de outras equipas dessa mesma Liga, como o Torsense e o Paços de Ferreira, equipa com a qual ascendi à Liga Portuguesa depois de ter feito uma brilhante época.

JD - Há algum colega seu de formação no Sporting que esteja a brilhar a nível mundial?
FP
- Sim, recordo-me com muitas saudades daqueles bons momentos que partilhei os mesmos balneários com alguns colegas, como Cristiano Ronaldo, Quaresma, entre outros, que ainda hoje continuam a fazer história pelo mundo fora.

JD - Jogou apenas em Portugal ou também noutros clubes europeus? 
FP - Não fiquei apenas em Portugal, vivi outras experiências em alguns clubes europeus com destaque para o Chelsea de Inglaterra. Ou seja, depois de ter feito uma grande época no Paços, seis meses depois, recebi um convite do Luís Filipe Scolari, na altura treinador do Chelsea, para fazer parte da sua equipa e acedi ao convite com muito agrado.

JD - Foi um contrato milionário?
FP
- Não tanto assim, porque estive lá apenas por empréstimo, mas devo dizer que foi um dos melhores que já pude fazer ao longo da minha carreira. Aliás, tive um empresário muito forte, que me valeu muito nesse contrato e fiquei muito satisfeito pelo que foi acertado e ainda por ter passado por um dos grandes clubes do mundo, embora tenha sido contratado apenas para uma época.

JD - Quem foi seu empresário na altura?
FP - Foi Jorge Mendes, um grande empresário, que também cuidava  dos contratos do Cristiano Ronaldo, José Mourinho e outros jogadores famosos.

JD - Que benefícios retirou do contrato?
FP -
Entre algumas coisas boas, destaco uma residência que comprei em Portugal e duas viaturas, Este ano, estou pronto a comprar mais uma residência em Portugal para acrescer à quantidade dos meus imóveis.

JD - Tem boas recordações do Chelsea?
FP - Sim, tenho muitas e boas recordações do Chelsea. É um grande clube, onde qualquer jogador gostaria de estar, mas não é tão fácil como as pessoas pensam. Apesar de não ter jogado oficialmente na equipa principal, congratulo-me por ter treinado com ela e jogar constantemente na equipa de reserva. Valeu muito a grande experiência que adquiri, só que, infelizmente, um ano depois, terminou o contrato.

“Cada um tem
a sua sorte”


JD - Quais as razões que o levaram a não atingir o mesmo nível que Cristiano Ronaldo, Quaresma e outros com quem iniciou a carreira?
FP
- O futebol é como tudo o que se tenta seguir na vida. Todos podem seguir, mas, ao longo do tempo, cada um tem sua sorte. No grupo deles, fui o primeiro a dar nas vistas, mas alguns constrangimentos que influenciaram na minha vida fizeram com que deixasse de trabalhar como tinha iniciado e penso ser também uma das razões.

JD - Que rumo seguiu depois do Chelsea?
FP - Regressei ao Sporting, mas, infelizmente, o treinador da equipa, na altura o Paulo Bento, ordenou que treinasse separado da equipa, um grupo de três jogadores, de que constava eu, o Varela, actualmente no Porto, e o outro não me lembro. Perante esse quadro, fiquei desmoralizado e no ano seguinte preferi rescindir com a equipa e ingressei numa outra da segunda liga portuguesa.
        
Perfil

Nascimento: Portugal (Cascais)

Prato preferido: Funge de peito alto, kizaca e feijão

Religião: Católica

Bebida: Vinho

Filme: Acção

Música: Semba

Cidade mais bonita: Tóquio

Ídolo: Joãozinho Vala

Calçado: 43

Volante ou Boleia : volante

Hobby :  Estar com  a famili
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