Jornal dos Desportos

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Entrevistas

O balano das actividades realizadas este ano positivo

Gaudncio Hamelay, no Lubango - 16 de Dezembro, 2010

Juca Fernandes, coordenador tcnico do Tnis de Mesa na Hula

Fotografia: Jornal dos Desportos

Que avaliação faz do ténis de mesa da província, na época desportiva que caminha para o fim?
Continuo a dizer que, depois de Luanda, vem a Huíla. Trabalhamos seriamente para ver se, em 2011, consigamos colocar um ou dois atletas na selecção de juvenis, de cadetes e de juniores femininos. Gostaríamos também de ver a integrar a selecção nacional os nossos atletas masculinos. Para o efeito, temos trabalhado muito para superar algumas equipas de Luanda. Lamentamos o facto de este ano não termos conseguido fazer todos os torneios programados pela federação e pela associação provincial. Apesar disso, estamos no bom caminho e o balanço das actividades realizadas durante este ano é positivo.

A modalidade na província continua a ser desenvolvida apenas pelo Sporting Clube do Lubango, Desportivo da Huíla e Clube de Ténis. Para quando o seu alargamento a outras colectividades?
Vamos esperar pelo aumento do material. Se a Federação de Ténis de Mesa, no próximo ano, nos apoiar com mais raquetes e bolas, expandiremos a modalidade. Enquanto tivermos pouco material, continuaremos com estes três clubes. Além destas três agremiações, temos dois atletas, um masculino e outro feminino, a representar a Universidade Privada de Angola (UPRA), instituição que desenvolve a modalidade sem ter ainda as coisas legalizadas.

Que perspectivas tem para o próximo ano?
Pensamos trabalhar muito mais para aumentar o número de praticantes e técnicos e, em seguida, expandir a modalidade. Se concretizarmos esse objectivo, teremos atletas fortes e capazes de jogar em pé de igualdade com os de outras províncias.

Como estão os escalões de formação?
Contamos com infantis, juvenis e cadetes. Temos dois atletas que, no próximo ano, podem atingir a categoria de juniores. Em seniores, temos uma atleta na UPRA, a Andreia Ndungula.

Quantos atletas estão registados na associação?
Estamos com dificuldades de algum material e o número tem estado a diminuir. Vamos tentar sensibilizar a federação para retomarmos o nível de 100 praticantes que havíamos atingido. Neste momento, temos 59 atletas, em ambos os sexos, e nas categorias acima referenciadas. É bom salientar que já temos o ténis em dois colégios, na categoria de infantis. Trata-se do Colégio Pirilampo e a Escola Portuguesa.

Adesão feminina é grande

Como avalia a adesão da classe feminina?
A classe feminina, tal como a masculina, tem boa adesão. O que dificulta é o material desportivo. Como sabe, as bolas, nas classes de formação, partem-se constantemente. Para quem está a aprender o “ABC”, sabe que é um trabalho no qual se parte muito material. Vamos solicitar material para vermos se conseguimos preparar os atletas para o campeonato nacional. Temos algumas raquetes de qualidade e vamos procurar conseguir mais bolas.

Que agremiação agrega o maior número de praticantes?
É o Sporting Clube do Lubango. Depois vem o Clube Desportivo da Huíla, embora este seja o que mais competições internas vence. Em suma, tem havido equilíbrio competitivo.

Quantos técnicos asseguram a modalidade na província?
Este é um dos grandes problemas que vamos levar a discussão na próxima assembleia-geral da federação. Os dinamizadores de ténis de mesa da Huíla e do Namibe carecem de formação. Neste momento, na Huíla há um treinador formado (com o nível 1), que sou eu. Os outros três monitores são antigos praticantes, que prestam a sua colaboração à modalidade. Os dois colégios que possuem ténis de mesa, na categoria de infantis, precisam de treinadores com formação.

Compare a realidade da Huíla com a de outras províncias por onde passa?
É regular. Vamos aguardar o campeonato nacional do próximo ano para tirar algumas ilações. Digo regular, por ser de um nível equiparado ao de Luanda, não ignorando as outras províncias. Todavia, consideramos que a tendência é de cada vez mais alcançarmos outros patamares. Estamos no bom caminho.

“Há empenho e interesse
dos praticantes”

O único recinto utilizado para treinos dos mesa-tenistas é o Pavilhão do Sporting Clube do Lubango, apesar de o mesmo se encontrar degradado. Isso afecta a integridade física dos atletas…
Não só constitui perigo como tira a auto-estima, o nível de crescimento e outras capacidades. O piso é escorregadio e ocasiona lesões aos utentes. Vamos apelar, mais uma vez, às autoridades que superintendem o desporto na província e no país, no sentido de apoiarem o Sporting do Lubango. Através dos órgãos de comunicação social, gostaríamos que este assunto tivesse ênfase, para ver se os responsáveis do desporto em Angola dão uma mãozinha, em termos financeiros, ao Sporting Clube Lubango, clube onde se desenvolvem quase todas as modalidades na província.

Além do Pavilhão do Sporting do Lubango, não existe outro em condições para a prática?
O ténis de mesa na Huíla treina-se apenas no Pavilhão do Sporting Clube do Lubango. Como disse, abrimos dois colégios mas não é ainda aquele ténis desejado. Carece de muito empenho, pois os homens que estão à frente deste projecto precisam de alguma formação. São antigos atletas, curiosos. Por isso, vamos solicitar à federação para dar o apoio devido às províncias da Huíla e do Namibe.

Como avalia a modalidade no Namibe?
Há empenho e interesse dos praticantes. Mas há um senão que é a formação de técnicos. Como sabe, é necessário ter-se uma formação científica na área em que trabalhamos. Por exemplo, quem assiste a uma partida de ténis de mesa pensa que é só bater a raquete na bola. Mas não é nada disso. Há muita coisa susceptível de explicação. Vamos trabalhar junto da federação, para ver se conseguimos promover acções formativas para os praticantes e dirigentes do Namibe, para termos uma modalidade mais nacional e competitiva, aliás o lema do presidente da federação.

Pavilhão do Sporting sem data para reabilitação

Aquando da campanha eleitoral para a presidência da Federação Angolana de Ténis de Mesa, o candidato Filomeno Fortes, actual presidente, prometera apoiar a Huíla, mormente na reabilitação do Pavilhão do Sporting Clube do Lubango. A promessa foi cumprida?
Ainda não. Sei que o senhor Filomeno Fortes é um homem de palavra, pelo que o que prometeu ainda está de pé. Houve algumas contrariedades em termos do espaço da federação, que ainda não está a ser gerido na totalidade pelo actual elenco. Em 2011, voltaremos a tocar no mesmo assunto para conseguirmos sensibilizar o presidente da federação a cumprir a promessa feita. Promessa é dívida e a associação vai cobrá-la.

Até que ponto a indicação de duas atletas femininas (uma para frequentar um estágio no Brasil e outra para uma bolsa de estudos na China) servirá de incentivo para os outros praticantes?
Esta é uma questão que motiva cada vez mais os demais atletas. Segundo orientações da federação, abriram-se algumas portas a nível internacional para futuras formações de técnicos e atletas, o que motiva os atletas da Huíla a empenharem-se cada vez mais nos treinos. Temos sensibilizado os praticantes a engajarem-se, na medida em que o futuro é promissor. Daí termos estado a procurar conciliar os estudos com os treinos, uma mensagem que passo aos atletas.