Jornal dos Desportos

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Entrevistas

O bravo de Benguela que foi feliz no Maquis

Augusto Fernandes - 20 de Dezembro, 2012

Fernando Loureno Caquinta, mais conhecido no mundo do futebol por Nando, foi defesa central, lanado pelo Sagrada Esperana da Lunda-Norte

Fotografia: Jornal dos Desportos

Fernando Lourenço Caquinta, mais conhecido no mundo do futebol por Nando, foi defesa central, lançado pelo Sagrada Esperança da Lunda-Norte. Representou também o Desportivo e Benfica da Huila antes de chegar ao clube da sua vida: 11 Bravos do Maquis.  Com 1.82m de altura, foi muito forte no jogo aéreo, onde dificilmente era batido. Venceu uma Taça de Angola e foi vice campeão nacional pelo Sagrada Esperança. Nando foi “capitão” das equipas que representou e é contemporâneo de Gito, Zola, Flávio Amado, Bena, Sena, Kivota, Massano, Frank, Jaburú, só para citar jogadores de referêcia do seu tempo. É filho de Lourenço, antigo” capitão” do 1º de Agosto.

Nando antes ede fazer um ano de vida já tinha uma bola de futebol, oferecida pelo seu pai. Por volta dos três anos o “puto” já dava alguns toques na bola no campo do Parque em Benguela, sua terra natal. Nando sempre teve queda para defesa. Por volta dos cinco anos já fazia cortes de carrinho e tinha algumas “moedas” (feridas nas coxas, causadas por cortes de carrinho). Cresceu muito forte e duro, por isso não tinha problemas em jogar com jogadores como o Beto Mucua, Yavo, Zezito Kifute, Teixe, Heldinho, Nany ou outros que eram mais velhos,  quatro anos ou mais.

O Sagrada Esperança
Num destes jogos de bairro, quando já tinha 20 anos, um dos “ olheiros” do Sagrada Esperança, viu-o jogar no campo junto à cadeia de São Paulo, onde se realizavam grandes trumunos. Ficou impressionado com a sua actuação e convidou-o para jogar pela equipa do Dundo, que na época tinha o seu “quartel-general” em Luanda mais fazia os seus jogos na condição de visitada no pelado do Estádio do Dundo. “Não foi fácil conseguir a titularidade naquela equipa, pois na minha posição estavam jogadores experientes como o Gito e o Joni. O mais importante parta mim era estar entre os convocados”, disse.  “Cheguei a titular graças ao apoio do Gito e do Joni, que me deram muita força. Naquela época o treinador era João Machado e faziam parte da equipa jogadores como o Frank, Senna Jaburú, Cubano, Natércio, Merodak”.

Nando representou o Sagrada Esperança cinco épocas e ganhou uma Taça de Angola, ao bater na final o ASA, na altura ainda treinado pelo técnico Bernardino Pedroto, com Love, Malamba, Asha, Simão, Jamba. Foi uma vez vice campeão Nacional, pela mesma equipa. Nando Caquinta, em 2001, com a chegada do treinador Mário Calado ao Sagrada Esperança “vivi o momento mais triste da minha vida como jogador. Mister Calado tirou-me da equipa de forma silenciosa. Até hoje, não entendi o porquê, pois eu era titular indiscutível. Foi numa altura que eu tinha acabado de me casar e tinha um filho para sustentar, fiquei seis meses desempregado, porque quando ficou claro que eu já não faria parte da equipa, as inscrições tinham terminado”, lamentou.

Depois de passar a tempestade, Nando foi convidado pelo general Francisco Pereira Furtado para representar o Desportivo da Huila, já na segunda volta do Girabola, onde encontrou o treinador João Machado e os jogadores Tião, Gildo, Agostinho, Mucua. Em 2002, representou o Benfica do Lubango, mais uma vez treinado por João Machado, tendo sido colega de Zé Bula, Caró, Nandinho, Juca. Em 2003, regressou ao Desportivo da Huila, tendo ficado até 2006, com Humberto Chaves como treinador principal e o seu oai, Lourenço, como adjunto. Ainda em  2003, o Desportivo já contava com jogadores mais fortes entre eles Bena, Mingo Billie, Manucho Dinis, Dany Massunguna Riquinho e Anastácio. Nesta época o Desportivo alcançou o sétimo lugar da tabela classificativa no Girabola.  “O público da Huila é maravilhoso.

Sempre me deram força e muito carinho no tempo em que representei os dois principais emblemas da província. Tenho a certeza de que sempre que for ao Lubango serei bem recebido pelos adeptos e dirigentes desportivos locais. Foi uma experiência muito positiva ter vivido cinco anos na Huila”, reconhece o jogador.Em 2006, o Sagrada Esperança voltou a contratar Nando e ele voltou ao clube que o lançou no mundo do futebol, tendo jogado mais duas épocas, até 2008. Os Bravos do Maquis Em 2009, foi convidado por Manuel Quitadica “Docas”, actual presidente de direcção do 11 Bravos do Maquis, para representar o clube do Moxico.

Mais uma vez, Nando encontrou o treinador João Machado a orientar a equipa que tinha no seu plantel jogadores como, Breco, Massano, Chora, Edson, Mukota, Quinzinho. Nas três temporadas que defendeu as cores da equipa maquisarde, duas teve a braçadeira de “capitão “. Nando foi ainda”capitão” no Sagrada Esperança, Desportivo e Benfica da Huila. Durante os 15 anos no Girabola, viu apenas “cartões vermelhos”, um dos quais por acumulação de “amarelos”, o que indica que era muito disciplinado e responsável. Em 2010, os Bravos do Maquis fezeram a sua melhor campanha de sempre no Girabola. A equipa foi campeã da primeira volta e liderou parte da segunda volta, relegando para posições inferiores equipas como 1º de Agosto e Petro de Luanda.

Nessa altura, Nando travou muitos duelos com grandes pontas de lança do Girabola como Flávio Amado, Love Cabungula e Manucho Gonçalves. “o ponta de lança que mais trabalho me deu foi o Flávio, ele tem grande poder de desmarcação. É quase impossível marcá-lo homem a homem em livre de bola parada, especialmente quando era servido pelo Gilberto. Mas dos vários confrontos que tive com ele passou por mim poucas vezes e marcou apenas três golos. Mas todos eles sabiam que eu não brincava em serviço e tinha muitas cautelas”. Apesar de ser defesa, Nando também marcava alguns golos e num jogo contra oo ASA marcou dois golos. Em 2012, por opção técnica teve de pendurar as chuteiras aos 36 anos.
Com JOÃO FRANCISCO

Traquinices
e influência do pai

Em 1981, com cinco anos, Nando protagonizou uma cena inesquecível. Num jogo entre o Nacional de Benguela e o 1º de Agosto, no Estádio de São Filipe, quando as equipas tomavam as suas posições em campo, o puto entrou em campo, de fato e gravata e foi saudar o pai, para o espanto da assistência que enchia por completo o estádio. Algumas pessoas mal intencionadas disseram que ele foi entregar o “pemba” ao jogador “rubro-negro”.Por volta dos oito anos treinou nos Caçulinhas do Nacional de Benguela, mas teve de mudar-se para Luanda em 1984 . Na capital jogou nos Caçulinhas da ELF que eram orientados tecnicamente pelo seu pai, Lourenço. Na equipa jogou com Muaba, Vani, Paulo Futre e Guduma. O pai tirou-o do mundo do futebol porque queria que ele se dedicasse somente aos estudos. Assim, Nando não jogou oficialmente nos juvenis e juniores, limitando-se apenas a jogos de bairro, nos seus tempos livres.

Perguntas e respostas

Jornal dos Desportos: Já alguma vez pensou ser técnico principal do Maquis?
Nando: Ainda é muito cedo. Ser treinador principal é um assunto de grande responsabilidade e requer muita madureza.

Está satisfeito com a posição que ocupa actualmente no seu clube?
Sim. Quero aproveitar esta ocasião para agradecer publicamente à direcção do Maquis, especialmente ao seu presidente, Manuel Quitadica “Docas”, pela estabilidade que tenho na vida. Sinto-me como se fosse um filho do Maquis e a única forma que tenho para compensar o bem que me fizeram é trabalhar com todas as minhas energias para o bem do clube.

Se lhe pedissem para fazer o onze ideal dos Palancas Negras qual era?
Lamá, Lunguinha, Dany Massunguna, Bastos, Pirolito, Manucho Dinis, Djalma, Gilberto, Manucho Gonçalves e Mateus Galiano.

O que vespera dos Palancas Negras no CAN de 2013?
Como angolano quero acreditar que vamos fazer uma figura melhor que a do ano passado.