Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

"O clube foi uma marca na histria da natao"

05 de Novembro, 2009

Presidente do CNIL promete novas braadas em 2010

Fotografia: Jornal dos Desportos

Passadas oito décadas desde a fundação do Clube Náutico da Ilha de Luanda. Que avaliação se lhe oferece fazer?
O clube actual não tem nada a ver com o do passado. A agremiação está vocacionada à prática de desportos náuticos mormente a prática do Remo, Canoagem, Natação, Vela, Pesca desportiva e outras modalidades que possam vir a ser lançadas durante o nosso mandato. Assim sendo, é de aferir que, no passado, o clube foi uma marca da história da natação e da vela. Depois da independência nacional, o clube cresceu com a introdução de outras modalidades. É de realçar que o clube vivia do orçamento da Corimba, enquanto, actualmente, consegue auto-sobreviver, através do parqueamento de embarcações e desenvolve actividades náuticas vocacionadas para lazer, cujas receitas são aplicadas na vertente desportiva.

Dos grandes passos dados pelo clube, qual deles marcou a vossa agremiação?
Aquando do Campeonato do Mundo que organizou, em 1979, na Baía de Luanda, cujas verbas foram canalizadas para as infra-estruturas do clube. Portanto, a partir do ano 2000, o clube apanhou uma nova dinâmica que corre até aos nossos dias.

O que se pode depreender da “nova dinâmica”? O que há de novo?
O clube conseguiu uma marina para cerca de cento e sessenta embarcações de recreio, isso é, tem uma placa superior (a anterior absorvia cerca de cento e quarenta embarcações de recreio de menor porte); tem outros bens, como a aquisição de novas embarcações para a prática de vela que já estão em funcionamento. No ano corrente (2009), adquirimos mais quinze embarcações, dos quais dez, na classe de 420, para lançar, em Angola, em conjunto com o clube naval, e os cinco, na classe de 470, também para lançar a modalidade olímpica.
Essas especialidades nunca foram praticadas em Angola…
É a primeira vez que vamos praticá-las no país.

Há outros trabalhos que merecem realce?
Recuperámos a piscina e optimizámo-la, criando dois tanques. Um de aprendizagem, que comporta seis metros por dezoito, e outro para competição com 25 metros por dezoito, com oito pistas e caleiras finlandesas. Também acabámos por desenvolver o ginásio no 1º andar do edifício principal e alguns espaços comerciais para apoio das actividades náuticas e desportivas no interior do clube, o que, ao nosso ver, foi um passo que diferencia do passado.    
   
O restauro das piscinas, a quem se destina?
Aos atletas do nosso clube de alta e pré-competição; vai servir também às crianças que aqui se inscrevam, começando pela prática de aprendizagem de natação. É um programa nosso que visa investir no desenvolvimento da criança da Ilha de Luanda, anualmente, em números definidos, com objectivos traçados e suportados pelo clube.

Em que se consubstanciou o restauro da piscina?
Foi feito um trabalho de fundo a começar pela retirada das águas nos dois tanques; fizemos a reconstituição de revestimento e a pintura apropriada para ter uma durabilidade no mínimo de seis anos. Nesse capítulo, fizemos também a reabilitação dos balneários e instalámos uma nova iluminação para que possamos treinar depois das horas do pôr-do-sol e uma nova vedação para as crianças não brincarem na piscina, por uma questão de segurança. 

Em quanto ficou orçada a empreitada?
Não é possível falar em termos de números nesse momento, porque a nossa área financeira ainda não fechou as contas. Acredito que não atingiu os 100 mil dólares (cerca de 8,5 milhões de kwanzas).

Qual das disciplinas tem conhecido a maior notoriedade, ou seja, a de bandeira no clube?
Sem sombra de dúvida, tem sido a natação e a pesca desportiva. Na natação, somos campeões nacionais absolutos, desde 2004, e temos vencido também a Taça de Angola nesse período. Temos também no que tange aos campeonatos por categorias, fundamentalmente, nos juniores e seniores. Na pesca desportiva, o clube é o único detentor do troféu do campeonato por clubes. O troféu é instituído e atribuído ao clube que vence três anos consecutivos ou cinco anos alternados. O clube ganhou três anos consecutivos e o primeiro troféu está no museu do nosso clube. Se as coisas correrem conforme o previsto, estamos a lutar pelo segundo troféu, pois fomos campeões no ano passado.

Como está a situação das marinas e das rampas?
Tivemos um projecto muito ambicioso nesse aspecto. Foi graça aos sócios que embolsaram dez marinas. A construção das mesmas foi totalmente financiada pelos associados e os lucros desses lugares permitiram ao clube arranjar os fundos necessários para reconstrução da piscina. Portanto, o projecto das marinas foi muito importante, porquanto treinávamos na piscina do Alvalade, onde os custos eram elevados. Hoje, temos uma piscina reconstruída que nos permite o aumento de horas de treino dos atletas de alta competição e ser o principal fornecedor de atletas para a Selecção Nacional. Em suma, a construção das marinas permitiu reconstruir a piscina.

"Pretendemos relançar
o remo no próximo ano"

Candidatou-se ao cargo por vontade própria ou liderou uma lista de consenso?
No final do último mês de Outubro, o nosso elenco completou um ano desde que assumimos a direcção, no sentido de dar continuidade dos destinos da agremiação, numa altura em que a direcção cessante achou por bem pôr fim ao seu mandato. Até porque já tinha completado dois poderes, em 2008. É assim que fomos convidados a concorrer para os devidos efeitos e aqui estamos, a trabalhar para o bem da associação.

Além do que foi feito, o que têm em carteira, em termos de projectos, para os próximos anos do vosso mandato?
Nesse momento, estamos a finalizar uma das prioridades de 2009, que cinge na aquisição de embarcações, na Itália, para as classes 420 e 470. É um programa que faz parte do orçamento de 2009, cujo objectivo foi atingido. Para 2010, estamos a preparar o orçamento, no qual prevemos o relançamento do remo em Angola. Vamos proceder à aquisição de embarcações no início do ano e garanto que teremos o remo. É uma modalidade olímpica, cujo objectivo é alargar o leque de atletas olímpicos ao nível do clube e quiçá do país. Em relação à natação, pretendemos ter competições externas como clube e não como selecção para melhorar as performances dos nossos atletas. Até, porque têm vindo a fazer (muitas) competições internas e já estão habituados com os atletas com quem competem diariamente. Assim sendo, seria muito bom e gostaríamos que tivéssemos competições fora do país com outros clubes, de forma a melhorar substancialmente os tempos dos nossos atletas e da Selecção Nacional. 

Quantas disciplinas controlam?
Temos a natação, pesca desportiva (que começa pelos juvenis e acaba nos seniores), é uma modalidade que pode ser praticada por elementos com mais de cinquenta anos. Temos ainda a vela, canoagem e pretendemos relançar o remo, aumentando o leque de modalidades.

Quantos sócios têm actualmente?
Na última reunião de direcção, foram admitidos mais alguns sócios, o que perfaz um total de 640 sócios. Durante o período vigente, há mais sócios por admitir. 

Muitos clubes queixam-se do cofre vazio. Como estão financeiramente?
Relativamente à questão financeira, temos uma gestão muito rígida, na qual fazemos um orçamento no início de cada ano. O clube apresentou contas, em Maio de 2009, assim como o exercício de 2008, cujo balanço foi positivo. No exercício de 2009, quase que já se gastou tudo quanto tínhamos do nosso orçamento; temos alguns valores de reserva para suportar os custos das embarcações para a modalidade de vela que importamos da Itália. Desta forma, encerramos o orçamento de 2009, onde também podemos dizer que o clube não vive grandes problemas em termos financeiros.

Que apoios recebe do Ministério da Juventude e Desportos?
Não recebemos apoio nenhum da parte do Ministério de tutela. Uma das solicitações que fizemos ao senhor Ministro, aquando da sua visita ao nosso clube, era a constituição das Federações ligadas ao desporto náutico, porquanto nos sentimos muito mal protegidos em termos de Federações.

Por que razão pretende a constituição de Federações ligadas ao desporto náutico, quando há possibilidade de as unir numa só?
Por exemplo, ao nosso ver, a Federação Angolana de Natação funciona bastante bem; organiza anualmente as competições programadas sem grandes sobressaltos, os campeonatos nacionais, a Taça de Angola, assim como outros eventos. A Federação Angolana de Vela não funciona tão bem como deveria e, nesse momento, são os clubes náuticos que a substituem na realização de actividades desportivas. O mesmo quase acontece com a Federação de Canoagem e Remo. A Federação de Pesca Desportiva também está em constituição, razão pela qual os clubes têm vindo a substituir os órgãos reitores dessas modalidades. Uma das necessidades urgentes é que se constituam as Federações e que façam parte da existência no sentido de haver melhor orgânica e que os meios financeiros, que tiverem sido cabimentados às diversas modalidades, sejam atribuídos pelo Ministério da Juventude e Desportos. Creio que seria o caminho correcto e nunca directamente ao clube.
    
Qual é o orçamento anual que o Clube movimenta?
O clube movimenta cerca de 600 mil dólares (cerca de 34,8 milhões de kwanzas) por ano.

Como estão em termos de recursos humanos?
O nosso clube está bem servido; temos 41 trabalhadores, dos quais pessoal de apoio às embarcações e trabalhadores ligados às secções desportivas e de administração; têm um salário aceitável e possuem seguro de saúde. Em termos de formação dos mesmos também estamos bem servidos.

Existe algum convénio de intercâmbio (para troca de experiências) entre o vosso clube e alguns países estrangeiros?
Estamos a organizar-nos para que no início de 2010, isso é, em Fevereiro, tenhamos acções de formação através de agremiações de outros países. Muitos antigos atletas do nosso clube estão ligados a diferentes clubes fora do país, como Portugal e outros países do Mundo. Nesse momento, estamos a trabalhar no sentido de mandar o nosso pessoal para estágio de treinador de natação no Sporting de Portugal. Também estamos a organizar a vinda, em Fevereiro de 2010, de antigos atletas que estão ligados agora ao sector náutico, como natação, canoagem, vela, entre outras disciplinas para darem formação ao nosso pessoal e, ao mesmo tempo, aproveitar as suas experiências.

Perfil

Nome: Horácio Ramiro Pina
Naturalidade: Ingombota /Luanda
Nacionalidade: Angolana
Data de Nascimento: 16.12.61
Estado civil: Casado
Filhos: 4
Peso: 95 Kgs
Altura: 1.80 metros
Desporto ideal para si: Natação
Prato preferido: Mufete com batata-doce
Bebida: Águas e um pouco de vinho aos fins-de-semana
Tabaco: Contra, sobretudo para os desportistas
Princesa: Minha filha
Cor preferida: Amarelo e Verde
Religião: Católica
Segue moda? Não
Calor ou cacimbo? Calor
Esplanada ou discoteca? Esplanada (farras de quintal)
Boleia ou volante: Volante
Droga. Não devia ser consumida
Quem levaria para uma Ilha desabitada? Minha esposa