Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

O futebol vtima do imediatismo

*Augusto Fernandes - 22 de Março, 2013

Divua Jorge Manuel - Jornalista desportivo na Rdio Cinco

Fotografia: Jornal dos Desportos

Mais conhecido por Divua Manuel na Rádio 5, o canal de informação desportiva do Grupo Rádio Nacional de Angola, o jornalista que abraçou a carreira, apesar de ter sonhado um dia ser arquitecto, vive naquela casa “há mais de 15 anos”, depois de ter feito o curso médio de jornalismo no IMEL, em que teve como companheiros outros colegas de profissão, como Rossana Miranda, Alexandre Cose, Estanislau Garcia e outros. Divua especializou-se em assuntos desportivos através do contacto que manteve com um dos “dinossauros” daquela casa e do jornalismo desportivo angolano, Arlindo Macedo.

Numa altura em que a Rádio 5 estava a emergir, Divua Manuel e mais cinco companheiros fizeram os testes e foram considerados aptos. Na época, Manuel Rabelais, considerado por muitos o “pai” da Rádio 5, era o director daquela estação emissora. “Quando entrei para a Rádio 5 encontrei muitos profissionais com os quais aprendi muito. Entre eles estava o Paulino Fernandes, Jacinto Júnior, Assunção dos Santos, muito forte em termos de redacção, além do já mencionado Arlindo Macedo”, disse. Divua Manuel começou como redactor e repórter e normalmente cobria três a quatro modalidades, especialmente o futebol. A primeira equipa que acompanhou foi o ASA, logo depois da Direcção da agremiação do Aeroporto contratar o treinador português Bernardino Pedroto, que depois passou para o Petro de Luanda. A par disso, o jornalista acompanhou igualmente o 1º de Agosto e Benfica de Luanda no Girabola. Em 2001, Divua Manuel, com cinco anos de casa, foi convidado a fazer parte da direcção, tendo sido inicialmente promovido a sub-editor e três anos mais tarde a editor, função que exerce até hoje.
 
“Jornalista
é um cozinheiro
de notícias”

Para Divua Manuel, um editor é uma “espécie de cozinheiro-chefe” que recebe os ingredientes (notícias) dos outros “cozinheiros” (repórteres) para produzir conteúdos relevantes que depois são postos no ar. “Com o material na mão, o editor, que é um jornalista sénior, selecciona o que mais interessa, que depois é ‘servido’ aos ouvintes através da leitura feita pelo locutor ou apresentador.” “Além disso, prepara a pauta para a actividade dos repórteres. Enfim, um editor tem uma série de tarefas. A Rádio 5 está repartida em quatro edições: matinal, vespertina, nocturna e da madrugada. Eu sou o editor da edição da tarde”, disse.  
*COM JOÃO FRANCISCO


PING PONG
“CAN faz parte do passado e agora
há que arregaçarmos as mangas”


Jornal dos Desportos: Acompanhou o CAN de 2013. Em sua opinião, qual foi o principal motivo da má prestação dos Palancas Negras?

Divua Manuel: Falar do que aconteceu no CAN tem muito a ver com as políticas desportivas. Não sou apologista do que muitos dizem, que Angola não tem jogadores com qualidade para fazer uma boa representação, mas acho que precisamos de nos organizar melhor. Houve muitas tentativas para o efeito, mas tais projectos não são concluídos, ficam a meio e os resultados são estas campanhas fracassadas. Não temos paciência. Gostamos muito de aparecer e por isso somos imediatistas. O nosso futebol é vítima do imediatismo.

Acha que vale a pena Angola participar nas eliminatórias para o Mundial do Brasil em 2014?

Acho que sim, porque é com os erros que se aprende. Alguns levam mais tempo a reparar os erros do que outros. Temos sete presenças em CAN e não podemos romper tudo para começar do zero.

Algumas pessoas entendidas do futebol angolano acham que a renovação também deve começar na mentalidade de quem dirige o futebol nacional. Partilha desta opinião?
Concordo plenamente. Hoje são poucos os dirigentes que nós podemos dizer que são dirigentes de facto e isto tem muito a ver com os níveis de cada um e creio que o Ministério da Juventude e Desportos deve valorizar muito este lado, pois é o Ministério que coordena a política desportiva do país. Não basta ter capacidade material para criar um clube e colocá-lo na alta competição. O dirigismo desportivo tem detalhes que implicam uma formação apropriada, direccionada para o exercício daquela actividade.


MOMENTOS
Reportagens de pista
foram as mais difíceis


Divua Manuel disse que um dos momentos mais difíceis na sua carreira aconteceu quando foi escalado para efectuar reportagem de pista, no calor de um jogo de futebol, muito perto das quatro linhas, na área reservada aos profissionais de informação e fazer entrevistas aos espectadores. “Na altura estava mais habituado à redacção (jornalismo de banca) e não foi fácil enfrentar o público, jogadores e outros intervenientes do espectáculo futebolístico. Fiquei nervoso, mas depois consegui controlar a situação e fui-me habituando a esta vivência com o público”, afirmou.

Na opinião de Divua Manuel, o repórter de pista funciona mais ou menos como “olho” do relator. Clarifica os lances duvidosos, acompanha os movimentos dos bancos, entrevista os intervenientes a quente e assim por diante. “Fazer relatos não é tão fácil como parece. As pessoas têm de ter dom, exige-se muita aptidão física, muito querer, muita entrega. Os que fazem relatos de futebol, principalmente os de dimensão internacional, são abençoados(...)”, opinou.


PROFISSIONALISMO

Jornalista não tem clube do coração


Para Divua Manuel, um profissional de informação deve estar preparado para saber separar as situações. “Por exemplo, o nosso clube do coração passa a ser a nossa instituição.”  “Na nossa profissão temos de fazer tudo para haver a maior percentagem possível de imparcialidade. Os ouvintes ou leitores não podem ficar com a impressão de que favorecemos A ou B, pois isto tira credibilidade à instituição que representamos”, acrescentou.

Divua Manuel disse que “os ‘penetras’ (indivíduos que falam como sendo jornalistas) não respeitam as regras do jornalismo, aliás, não conhecem as regras do jornalismo. Por isso, às vezes ouvimos pessoas que dizem coisas ou fazem afirmações bombásticas, rompendo a ética e deontologia profissional, dando a impressão que os jornalistas são irresponsáveis”. “Felizmente, o Executivo tem estado a trabalhar na formação de quadros e na valorização da nossa profissão e, assim, a classe jornalística vai ocupando o seu verdadeiro lugar na sociedade”, concluiu.


POR DENTRO


Nome completo:
Divua Jorge Manuel
Filiação: Pedro Adão Manuel e Filomena Domingos Mateus Jorge
Estado civil: Vive em união de facto
Naturalidade e data de nascimento: Luanda, 5 de Maio de 1976
Filhos: Três
Altura: 1,86 m
Peso: 86 kg
Calçado: 43
Desporto preferido: Futebol e Xadrez
Tempos livres: Ver TV, ouvir música…
Perfume: Não tenho preferência desde que seja bom
Filme: Acção
Música: Kizomba e Reggae
Prato: Mufete
Bebida: Um bom vinho
O que mais teme na vida: Perder um ente querido
É ciumento: Sim
Recorre à mentira: Quando se justifica
Defeitos: Acho que sou um pouco teimoso
Virtude: Procuro ser sincero
País de sonho: França
Religião: Amigo da Verdade Bíblica
Sonho: Ser um jornalista de renome internacional