Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

O goleador-mor do Girabola-79

Gaudncio Hamelay, no Lubango - 08 de Dezembro, 2011

Joo Machado, que lembranas lhe vem a alma quando se debrua sobre a primeira edio do Girabola realizada em 1979

Fotografia: Jornal dos Desportos

João Machado, que lembranças lhe vem a alma quando se debruça sobre a primeira edição do Girabola realizada em 1979 em que saiu como melhor artilheiro?
Já foi há muito tempo. De facto, um Girabola com moldes diferentes. Salvo erro, competiam por ali 12 equipas. Já não me lembro. Na altura fui melhor marcador com 19 golos. Contudo, nessa era havia jogadores que eram ídolos e os campos enchiam. Lembro-me ter jogado no estádio da cidadela perante uma moldura humana de cerca de setenta e cinco mil pessoas. E quando se jogava nos Coqueiros, o estádio enchia ainda mais. São boas recordações. Já lá vão 32 anos.
 
Quais eram os seus colegas da equipa na época?
Se ainda me lembro bem, tinha como colegas o Gino, Madaleno, Gaspar, Joka, Abreu, Lote, Varela, Santo António, entre outros que já não me vêm agora à mente porque depois passei a jogar para outros clubes onde conheci muita gente.

Quem lhe fazia mais concorrência na artilharia?
Nessa altura salvo erro o Maluca ainda não jogava, o Vicy que estava nos Construtores do Úige e depois transferiu-se para a equipa do 1º de Maio, o Alves e Neto. São esses atletas que nessa altura me faziam frente em marcar golos.“Cheguei a receber dois anos depois um troféu, uma botazita de ouro”

Como melhor goleador chegou a receber o respectivo troféu?
Cheguei a receber dois anos depois um troféu, uma botazita, recompensa de melhor marcador.

Houve grande disputa e competitividade na primeira edição do Girabola?
Salvo erro havia equipas no provincial. Não estou bem certo. E se eu estiver enganado que me corrijam. Depois disputava-se o nacional.

Porque não conseguiu revalidar na edição seguinte o título de melhor goleador?
Não consegui revalidar porque sai do Sporting ou Diabos Verdes depois fui para o Petro de Luanda. E depois acabei a minha carreira praticamente ali.

Qual era a média de golos?
Em dez jogos marquei 19 golos. Depois o Jesus com 14 equipas, já chegou a marcar 28, o Alves chegou perto. Mas houve muitos jogadores a marcar somente 13 a 15 golos. Penso que um bom goleador que se preze a marcar em média um golo por jogo, é bom.

Actualmente o melhor artilheiro terminou com 20 golos. Há uma receita especial para se ultrapassar esta cifra?
Com 16 equipas quantos golos o melhor goleador marcou no recém terminado Girabola, a não ser o Love que apontou 20 golos, os demais ficaram abaixo dele.

Que comparação faz da primeira edição em relação as subsequentes?
São outros tempos. Por isso, não vale a apenas fazer aqui comparações nenhumas porque foram outros tempos.

Outros tempos! Para o lado negativo ou positivo?
Não sei se será para o positivo ou negativo. Antigamente jogávamos com os campos cheios. E as pessoas iam aos campos para ver jogadores. Para ver ídolos e um bom futebol. Hoje em dia, no nosso Girabola não há craques dentro de qualquer equipa nem escolas de formação de talentos. Depois tem outra coisa, o futebol já incluía um pouco o nível académico das pessoas. Coisa que não está a acontecer com os nossos jogadores na actualidade.

Tecnicamente os jogadores eram dotados de bons níveis?
Eram dotados pois treinávamos desde o tempo de escolas, porque havia o desporto escolar. Ninguém ia para clube nenhum. Não havia escolas de futebol. Aprendíamos primeiro dentro da escola primária. Tínhamos ginástica educativa, recreativa e depois tínhamos um professor de educação física que nos seguia onde via qual era a nossa inclinação. Se era o futebol, basquetebol, atletismo, andebol ou voleibol e, depois inclinávamos para isso e só assim éramos encaminhados para os clubes.