Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

O lugar da Hula na I Diviso

Morais Cnamua| no Lubango - 04 de Setembro, 2012

Joo do Nascimento Gonalves presidente da APF

Fotografia: Arimatia Baptista

Jornal dos Desportos (JD) – Cem dias depois de ser eleito, como está a instituição que dirige?
João Gonçalves (JG)
– Todos quantos acompanham o desporto na província, sabem como encontramos esta associação. É escusado entrar em detalhes. O que interessa, nesta altura, é que estamos a trabalhar de forma árdua para pôr as coisas nos carris. Como deve calcular, temos estado a unir sinergias para que a revitalização do futebol huilano.

JD – Por onde começaram?
JG
– Começamos por arrumar a casa, como se diz. Criar as condições necessárias para trabalhar. Considerando o que fizemos ao longo desse período de graça, estamos satisfeitos, porque temos estado a contar com a família do futebol.
 
JD – Independentemente das dificuldades, o vosso projecto é exequível?
JG –
Como dissemos na altura da campanha e agora que assumimos a liderança da Associação, queremos reafirmar que o nosso programa é exequível. Temos consciência que vamos obter os resultados de uma forma paulatina. Acredito que, dia após dia, o nosso elenco vai dar passos maiores na prossecução dos objectivos traçados.

JD – Além daquilo que chama “arrumar a casa”, que outras tarefas são prioritárias?
JG
– Temos trabalhado também na organização geral da própria Associação porque não encontrámos quaisquer instrumentos de trabalho. Outra questão é a dos regulamentos e estatutos. Já temos esse assunto quase arrumado. Depois de terminado e compilado, vamos chamar os clubes para uma assembleia e discutirmos cada ponto que vai regular a nossa acção. Eles é que vão aprovar esses documentos.

JD – Para quando a realização dessa assembleia?
 JG –
Provavelmente, na segunda quinzena de Setembro.

JD – Com que apoios financeiros e materiais pensam contar para fazer funcionar a máquina?
JG –
Contamos, obviamente, com o apoio da sociedade civil e do governo da província, dentro das suas possibilidades. Primeiro, queremos organizar-nos internamente para depois começarmos a angariar os apoios para sustentar a nossa acção. Penso que vamos conseguir.

JD – Os clubes huilanos pensam da mesma forma?
JG –
Sim. Achamos que, nesse aspecto, não temos problemas, porque temos certeza que todos os clubes huilanos estão em sintonia connosco, ou seja, manifestam o interesse de contribuir para o desenvolvimento do nosso futebol.

TRABALHO
Associação aspira melhor organização


JD – Foi difícil vencer as eleições?
JG –
  Na vida, tudo é difícil. Não se consegue uma vitória sem passar por grandes dificuldades.

JD – Depois de organizar a Associação, qual o caminho a seguir?
JG –
Arregimentar os clubes e incitá-los a uma maior organização. Depois, pretendemos estender a nossa acção aos municípios do interior, onde pensamos continuar a estimular o crescimento da modalidade. Vamos sensibilizar os administradores municipais, os empresários, etc, para aumentarmos o número de equipas e de praticantes. Vamos nos dar as mãos, porque essa é a nossa grande luta.

JD – Qual o vosso principal objectivo?
JG –
Pretendemos colocar uma ou duas equipas no Girabola. Vamos lutar para isso. Essa foi a mensagem de bandeira da nossa campanha durante as eleições e queremos cumpri-la. Sabemos que vamos enfrentar vários obstáculos, mas, imbuídos de um espírito de conquista, creio que vamos conseguir. Temos de colocar o futebol huilano no lugar que ele merece.

TUNDAVALA E SENHORA DO MONTE
Gestão dos estádios preocupa associação

JD – Quais as vossas políticas em relação às infra-estruturas?
JG
– Estamos preocupados com os estádios de Nossa Senhora do Monte e da Tundavala. A Direcção Provincial Juventude e Desportos está a fazer alguns estudos sobre a forma como serão geridos. Temos estado em contacto com os nossos parceiros e colaboramos na questão das sementes para a manutenção da relva. Temos estado mais virados ao primeiro estádio (Senhora do Monte), porque achamos que é o que merece, nesta altura, maior atenção, pelo avançado estado de degradação da relva.
 
JD – O estádio degrada-se a olhos vistos…
JG
– Temos agendado um encontro com a Administração Municipal do Lubango para abordarmos esta questão com profundidade. Tendo em conta o dinamismo que reconhecemos do actual administrador, até porque também foi desportista, acreditamos que iremos encontrar a sensibilidade necessária e as soluções para o estádio de Nossa Senhora do Monte.

JD – E quanto aos outros campos? A APF tem o seu controlo?
JG
–A associação tem o controlo de todos os campos de futebol existentes na província. Tanto os campos oficiais, como aqueles que foram surgindo com o objectivo de estimular a massificação da modalidade no interior da província e nos bairros. Vamos contactar as administrações municipais e comunais, porque o governo também deve fazer a sua parte.

CLUBES HUILANOS EM CRISE 
“Vamos revitalizar a prova interna”


JD – Quando pensam arrancar com a competição interna e com quantos clubes nas mais variadas provas?
JG –
Nós já iniciámos o campeonato de juvenis e estamos a fazer disputar alguns torneios nos escalões de base. Em breve, teremos o Campeonato Provincial de juniores. Julgamos que, para este ano, já não é possível fazermos o campeonato de seniores, porque estamos muito atrasados. Naturalmente que outras razões concorreram para que isso acontecesse, mas garantimos que, no próximo ano, todas as equipas vão participar na competição.

JD – É possível realizar um campeonato provincial de seniores? Com que equipas?
JG
– Acho sim. Com as equipas do Benfica do Lubango, Clube Desportivo de Huíla e outras.

JD – Os tradicionais clubes da província já não possuem os escalões seniores, devido às inúmeras dificuldades. Como será feito isso?
JG –
Vamos contactar esses clubes, o Inter Clube da Huíla, o Ferroviário, o Sporting do Lubango, enfim, vamo-nos reunir com as suas direcções para encontrar soluções.

JD – O futebol local vive uma situação difícil. Os clubes estão descapitalizados e sem fontes de rendimento. Como pensam revitalizar a competição interna?
JG
– Temos de admitir que esse é um problema. Vamos continuar a desenvolver esforços conjuntos para ultrapassar esta situação. Parar é morrer. Temos consciência de que a luta vai ser dura, mas vamos vencer. Tudo faremos para, no nosso mandato, termos mais equipas a disputarem as provas oficiais em todos os escalões.
 
JD – Como potenciar os clubes e ajudá-los a ressurgir do ponto de vista competitivo?
JG
– Os clubes são federados e, como tal, devem organizar-se, terem uma direcção, enfim, os seus corpos sociais bem organizados, e terem iniciativas próprias para sobreviverem, estimularem fontes de rendimento, etc. Temos estado a incentivar os presidentes dos clubes a pensarem em soluções cada vez mais expeditas para conseguirem a estabilidade.

JD – Não teme que, por causa dessas situações, os clubes desapareçam?
JG –
Não. Sei que os nossos clubes têm direcções suficientemente competentes para aguentar as adversidades do momento. Acreditamos também que bons tempos virão. Por outro lado, estou convencido que as instâncias superiores na província farão sempre alguma coisa para evitar isso. Sabe que o futebol é um bem para todos e a sua prática contribui para construirmos uma sociedade sã, evitando que a juventude se vicie no álcool e nas drogas.

MATERIAL DESPORTIVO
Projecto tem apoio de agentes privados


JD – Os clubes também se queixam de dificuldades em equipamentos e material desportivo. A associação tem algum plano para ajudar os filiados nesse aspecto?
JG
– Vamos contribuir ao máximo. Vamos dar as nossas sugestões para que os clubes sejam expeditos. Sabemos que há clubes que precisam de maior apoio, casos do Sporting do Lubango, Desportivo da Chia, Águias do Calumbiro e outros. Há outros que, nesse aspecto, estão folgados. Vamos aproximar as empresas dos clubes para que, no âmbito dos patrocínios, consigam encontrar as parcerias que se impõem. Quero realçar que gizamos este plano para apoiar mais o futebol de formação.

JD – O apoio aos escalões de formação é a vossa principal aposta?
JG –
Sim. Essa é a nossa aposta principal e vamos fazer vingar. Já temos uma empresa de grande referência, a Kerrigold, que nos prometeu equipamentos, então, podemos, em breve, satisfazer o desejo de alguns clubes.

JD – E em relação à formação de técnicos e árbitros?
JG – 
Já contactámos os órgãos afins, a nível nacional, para a promoção de cursos para técnicos de futebol. O nosso objectivo é o fomento. Vamos formar técnicos de nível 3, numa primeira fase, e distribuí-los aos municípios, bairros e às pequenas equipas, para que o desenvolvimento e crescimento do futebol local seja sustentável.

JD – E em relação à arbitragem?
JG –
Já formámos alguns. Vamos continuar a formar para servirem as mais variadas competições, incluindo o torneio Girabairro.

CONFIANÇA
APF apoia Pedro Neto


JD – Como analisa o estado do futebol nacional, tendo em conta as mudanças que se registam nos últimos tempos, principalmente a aposta nos jovens?
JG –
  Temos conhecimento que, a nível da FAF, há uma grande preocupação na aposta nos jovens. A aposta nos escalões de formação também tem sido efectiva. Acho que isso é bastante salutar para a revitalização do nosso futebol. A direcção da FAF completa agora um ano em funções e nós saudamos tudo o que tem feito.

JD – A APF da Huíla é ou não pela continuidade do elenco de Pedro Neto à frente dos destinos do futebol nacional?
JG -
Somos pela continuidade do general Pedro de Morais Neto e seu elenco na direcção da FAF, por aquilo que já fizeram e têm feito. Até agora, têm cumprido o que prometeram.

CORRUPÇÃO
“Árbitros têm falhado muito”


JD – Como antigo árbitro de futebol, que opinião tem sobre o estado actual da arbitragem nacional?
JG –
Nestes últimos jogos, a nossa arbitragem não tem estado boa. Mas, penso que temos pessoas à altura para melhorar isso.

JD – Qual a razão desse estado menos bom da nossa arbitragem?
JG
– Acho que ninguém se pode queixar de falta de conhecimentos. Pelo menos duas vezes por ano, o Conselho Central de Árbitros de Futebol brinda os seus filiados com uma formação de actualização.

JD – Fala-se muito que a primeira volta do Girabola é para os jogadores e a segunda dos dirigentes. É isso que se está a passar?
JG –
  Não estou em condições de afirmar se é isso ou não, mas, uma coisa é certa: acho que os dirigentes de clubes que pensam assim devem tirar isso da cabeça, devem mudar de mentalidade. A primeira e a segunda volta não são de dirigentes, nem de jogador algum. O campeonato é nosso. Há que se primar pela verdade desportiva. Isso é que deve prevalecer. Que ganhe o melhor e outros que criem condições para conseguirem resultados desportivos em campo e não arranjem meios ilícitos para o conseguirem.

JD – Há corrupção na arbitragem?
JG
– Não posso afirmar categoricamente que haja corrupção na arbitragem, mas a verdade é que, pelo que nos têm dado a ver, assim como pela forma como determinados árbitros falham, não deixam muitas dúvidas.

JD – Como era no seu tempo?
JG
– No meu tempo, isso quase não existia. Haviam casos de muito baixa intensidade, mas agora, francamente, é demais.