Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"O mundo tinha de vir a Angola algum dia"

Silva Cacuti - 25 de Junho, 2013

Clementino Assis, director tcnico da Federao Angolana de Patinagem

Fotografia: Nuno Flash

DIRECTOR TÉCNICO DA FEDERAÇÃO ANGOLANA DE PATINAGEM

A euforia que se vive agora é semelhante à que se viveu na véspera do mundial que Angola acolheu em 1974?
Não. Primeiro é que Luanda não é a cidade que era no passado. Nem todos tinham acesso à prática desportiva, não tinhamos grandes momentos; hoje, estamos numa outra era; a envolvência é maior.

Já esteve nas vestes de seleccionador nacional e membro da delegação angolana em vários campeonatos. Qual é a sensação de ter o campeonato no país?
Sempre foi um sonho e, como praticante, treinador, ex-praticante, tive sempre a sensação de que o mundo tinha de vir parar a Angola algum dia. Não foi em 2011, porque Moçambique desistiu e houve logo um forte concorrente, o que fez com que não viesse para Angola. Nesse momento, acontece que já estamos no mundial e a ganhar em todas as vertentes. Este facto aparece num momento propício para que o país apareça em todo o mundo, não só economicamente, mas também desportivamente. É um ganho generalizado.

Sente que a família do hóquei em patins está engajada para o sucesso desta prova?
Esta família já tem estado a alargar de dia para dia, porque uma pessoa que faça parte da família do hóquei está a levar todos os membros da sua família à modalidade. De um passamos para 15 e para 30. Estamos num momento em que o número de amantes, ex-praticantes e praticantes está a aumentar circunstancialmente; em qualquer lado, falamos de hóquei em patins.

Para além de Infra-estruturas e imagem do país, que ganhos pode vislumbrar do ponto de vista técnico desportivo? 
Hoje, em Luanda, Bié, Lubango, Namibe, Benguela e Huambo já há um grande ganho que se regista de um tempo à esta parte. A Federação criou as condições para a massificação. Hoje, notamos que o número de patinadores cresceu. É só olharmos para as ruas, nos nossos eventos aparecem muitos jovens e crianças com patins em linha a executarem a patinagem não como gostavamos, mas já nos deixam satisfeitos.
“Factor casa tem um grande peso”

A selecção nacional tem cumprido um plano de preparação de realce. Acredita que tem argumentos para que o factor casa seja apenas um elemento adicional?

Acredito que o factor casa tem um grande peso. Ao longo da preparação da selecção nacional, que decorre desde o início do ano, temo-nos deparado com muitas dificuldades devido ao factor casa, nos locais onde temos ido trabalhar. O que vai acontecer é que chegamos a um patamar que nos permite equacionar os lugares cimeiros e acredito que o factor casa vai ajudar-nos a consolidar este objectivo.

Como caracteriza a nossa equipa nacional?

Termos bons jogadores, individualmente tecnicistas; temos valores, mas o principal é que se  vive do conjunto. Temo-nos saído bem com o conjunto, não tem nada a ver com o hóquei de há cinco ou 10 anos. Tacticamente evoluímos e muito; temos de conter a bola e sair para o contra-ataque; vencemos e concretizados vários jogos. Portanto, são indicadores iniciais e o treinador está a trabalhar para melhorar. Acredito que, com este tipo de jogos, vai dar-nos grandes resultados.

Quer arriscar um lugar na tabela classificativa final do mundial?
Tivemos uma antecâmara. Agora, com a Taça das Nações, tivemos um terceiro lugar. Acredito que um quarto lugar não era mau para nós, mas se fosse mais para cima melhor.

DADOS PESSOAIS
Clementino Assis era um dos pretendentes à prática de patinagem, quando a cidade de Luanda, capital da província ultramarina de Angola, acolhia o primeiro campeonato mundial de hóquei em patins, em 1974. Hoje, adepto da modalidade, Clementino Assis afirma que foi influenciado por amigos, sempre que se deslocava aos campos espalhados pelo Nelito Soares e Cidadela Desportiva.

A proximidade da sua casa dos campos permitiu-lhe assistir aos jogos e fez que nascesse nele o interesse pelo hóquei em patins. Assis decide praticar a patinagem e integrou vários clubes. Participou de várias provas como atleta e no final foi treinador com passagem pela selecção nacional. Passados mais de 20 anos, Clementino Assis acumula hoje as funções de Director Técnico da Federação Angolana de Patinagem.