Jornal dos Desportos

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Entrevistas

O pra-quedista que joga bem xadrez

Joo Francisco - 28 de Setembro, 2013

O pra-quedista Adelino Jacinto Correia, de 39 anos, ou simplesmente Nito

Fotografia: Jornal dos Desportos

O pára-quedista Adelino Jacinto Correia, de 39 anos, ou simplesmente Nito, além de militar da Força Aérea procura sempre estar activo no tabuleiro das 64 casas

A motivação de Adelino Correia para o desporto teve lugar nos Segundos Jogos da África Central em 1981, que tinha como slogan: “Angola no progresso do desporto africano”.

“Na altura, dei o meu contributo e participei na modalidade de Ginástica, onde apesar de ter uma idade que impedia, consegui a admissão graças às influências do meu tio que estava a dirigir os “quadros humanos” - animação com cartolina em que os executantes exibem mensagens sobre os eventos, muito usual em Angola nos anos 80. Fui tão persistente que a minha mãe também falou com a professora de Ginástica e fui enquadrado mas sob controlo dos mais adultos”, começou por contar assim o início da sua carreira desportiva na disciplina que considera “mãe” de todos os desportos.

“Aprendi com
as minhas
 derrotas”

Como todos os jovens angolanos que nasceram um pouco antes da Independência, Adelino Correia começou “de facto” a sua prática desportiva na escola.

“Nunca levei muito a sério a actividade desportiva escolar, porque sempre atrapalhou o meus estudos e tive sempre que parar ou escolher devido ao controlo cerrado de minha mãe, mas em 1987 aprendi a jogar Xadrez através de um amigo proveniente de Malange que era meu colega e no mesmo dia em que ele me ensinou começámos a jogar. Apesar de muitas debilidades fui aprendendo a jogar com as minhas próprias derrotas”, contou.

Para Adelino Correia, o Manuel Bartolomeu de Barros, que agora é empreiteiro na área da construção civil, foi uma das pessoas que o influenciaram com um “estilo de jogo táctico e agressivo”. “Mas evoluí mais na minha carreira de xadrezista quando comecei a tomar contacto com jogadores como o Especialista Nacional Domingos Fernandes “Debilha”, o Mestre Internacional (MI), Adérito Pedro e com a revista periódica com os melhores jogos, editada pela Federação Internacional de Xadrez (FIDE) e que me foi fornecida pelo Mestre Internacional Manuel Mateus.

Naquela época também beneficiei muito com os jogos que efectuei com o Especialista Nacional Edson Santos, uma vez que vivíamos todos no mesmo Bairro Neves Bendinha ou Popular, onde as pessoas estavam sempre dispostas a transmitir o seu conhecimento da modalidade aos outros”, acrescentou. 


EXPERIÊNCIA

“Passagens pela África
do Sul moldaram o meu estilo”


As passagens pela África do Sul, onde Adelino Correia completou a sua formação profissional, não o desligaram do Xadrez, pelo contrário, aprimoraram ainda mais o seu nível.

“Um dos momentos mais altos da minha carreira como xadrezista deu-se quando fiquei em quinto lugar e como primeiro classificado dos jogadores estrangeiros a jogarem no “Open Western Province (África do Sul)” em 2003, prova ganha pelo Mestre Internacional Kenny Solomon.

Não tive oportunidade de comunicar estes resultados aos órgãos reitores da modalidade do meu País, por falta de contacto com a media em Angola, mas o torneio, assim como os resultados, estão registados no website da Federação Sul-Africana de Xadrez”, referiu.

Adelino Correia disse que outro dos momentos marcantes “foi na altura em que não consegui jogar no Mundial Universitário de Xadrez para que estava habilitado, devido às outras opções de regresso a Angola e também por haver vários sul-africanos qualificados para aquela competição aos quais se deu preferência. Mas foram momentos de muita experiência”, disse.


MUNDIAL DE HÓQUEI
“Angola encontrou sérias
dificuldades para se impor”


Angola realiza o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins. Qual é o seu contributo?

Apoio total da nossa selecção, para a qual peço a Deus lhe dê sabedoria e determinação para fazermos um resultado que alegre o povo.

Qual é a importância deste evento para Angola?
 
A realização de um Mundial em Angola é um grande acontecimento. Não é apenas um torneio, devemos ter em conta os ganhos colaterais e o reconhecimento internacional. Por isso, peço aos jovens que mantenham a fé.

O que achou do desempenho de Angola neste Mundial? 
  
Honestamente falando, Angola encontrou sérias dificuldades para impor o seu jogo porque enfrentou os papões do Hóquei Mundial.

Acha que o País responde de forma positiva à organização do Campeonato do Mundo? 

Angola tem capacidade para organizar até os Jogos Olímpicos, basta acreditarmos em nós.

Quais os verdadeiros ganhos para o País com a realização do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins?

Nós já estamos a ver ganhos nas ruas de todo o País. Hoje quem não quer aprender a patinar? Isto além das infra-estruturas e os muitos clubes que vão surgir. Isto é bom para o País e para a nossa auto-estima.


MELHORIA

Projecto do Grande
Mestre Garry Kasparov


Para Adelino Correia, a melhoria do xadrez angolano passa pela adesão ao projecto que o Grande Mestre Garry Kasparov está a desenvolver a nível de África, que é o da introdução do Xadrez nas escolas, denominado “Move for Life” - Movimento para a Vida - e o projecto dos argentinos.

“Conheço muitos professores cubanos que estão em Angola e são grandes professores e orientadores de Xadrez. Deviam ser aproveitados para capacitar os nossos professores e jogadores no sentido de melhorarem o nosso nível porque Angola tem talentos no Xadrez e com boa organização chegamos facilmente ao nível dos egípcios e muito mais”, sustentou.

Adelino Correia disputou recentemente o torneio da Commonwealth e South Africa Open 2013, em Port Elizabeth, de 5 a 14 de Julho, onde num universo de 567 atletas obteve o 12º lugar e quarto lugar por equipas.

“Uma das minhas actividades mais recentes foi na África do Sul, onde além de termos feito um curso de árbitro da FIDE, pelas Forças Armadas Angolanas, nos nossos tempos livres, decidimos participar naquele torneio internacional, onde mostrei que ainda posso jogar. Até porque também dei o meu contributo na vitória por equipas da Força Aérea Angolana, no campeonato nacional por equipas, nos VII Jogos Desportivos Militares do Huambo 2013”, adicionou.

Adelino Jacinto Correia tem outras valências, como a de árbitro nacional e organizador de eventos internacionais da FIDE. É técnico da selecção de xadrez das Forças Armadas Angolanas, preparador físico e gestor de ginásio.


DADOS PESSOAIS


Nome completo:
Adelino Jacinto Correia (NITO)
Filiação: Sebastião Manuel Pedro de Oliveira e Herondina Gaspar Correia
Data e local de Nascimento: 23 de Janeiro de 1974, Luanda - Bairro Popular
Estado Civil: Casado
Filhos: Dois, Liliana e Daniel
Peso: 83 kg
Altura: 1,82 m
Prato Preferido:
Mufete
Bebida: Sumo Natural
O que faz nos tempos livres: Prática de Xadrez, leitura e pesquisa na Internet
Número de Calçado: 42,5
Clube Preferido: 1º de Agosto
Cidade: Cape Town
País: Angola
Perfume: Cristian Dior
Religião: Cristão Tocoísta
Ídolo: Jesus Cristo
Alguma vez mentiu: Sim
Sonho/desejo: Empresário de sucesso