Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

O P Canho do Escola do Zangado

11 de Setembro, 2012

No Rangel, o destaque vai para o Belenenses, e no Maral, para o Bang, com Quim Machado, Dinis, Moura, Moniz.

Fotografia: Augusto Fernandes

Em 1951, Firmino Dias, com apenas 7 anos, já dava nas vistas como jogador de futebol devido ao seu poder de remate. Aos 13 anos,  em companhia de Lourenço Bento, Paizinho da Mamã Lala, Ferreira Pinto, Oliveira Santos, Baganha, Nené Ferreira , faziam apenas jogos inter-bairros. No Rangel, o destaque vai para o Belenenses, e no Marçal, para o  Bangú, com Quim Machado, Dinis, Moura, Moniz. Em 1962, foi para os juniores do ASA, na altura treinados por Cerqueira,  com jogadores como Nando Caçador, Isaías Capindiça, Gaspar Fortunato e Viriato Cardoso.

Ainda em 1962, a antiga vedeta do futebol angolano, na companhia de jogadores como Gaspar Fortunato, Zé Augusto, Lourenço Bento, Joel Manuelito, Quim Machado, João da Piedade, Cardoso Vicente, Artur da Cunha e  Dinis, fundou o então famoso o Académica Social Escola do Zangado, que fazia os seus jogos no domingo de tarde em diversos campos dos subúrbios da capital. Além de ter jogado pelo Académica do Zangado, Firmino Dias actuou em clubes dos musseques, ao lado de outras grandes glórias do futebol luandense, como Zé Mulato, Maló, Joel, Jinguma e Carlitos Vasconcelos.

MUDANÇAS DE ARES
Além das agremiações dos musseques e da Académica do Zangado, Firmino Dias jogou, em 1963, no Vila Clotilde, liderado pelo técnico Jorge Alexandre, grande figura do nosso futebol, que representou o Ferroviário de Angola nos anos 1950. Com o Vila Clotilde, Firmino Dias, sagrou-se campeão distrital (o correspondente aos actuais campeonatos provinciais), com jogadores como Abreu, Xavier, Morna, Manuel Charuto, Carlitos Vasconcelos e César. Em 1965, o Pé Canhão foi jogar para o Futebol Clube do Uíge, sempre acompanhado por Lourenço Bento, sagrou-se campeão Distrital no mesmo ano e vice-campeão no ano seguinte.

De regresso a Luanda, participou do campeonato para trabalhadores,  denominado “Corporativo”, jogando pelo Sindicato dos Motoristas, sagrando-se campeão, em companhia de Lourenço Bento, Ginguma, Simony Bola, Walter, Zé Mulato, Malheiro, Carvalheira e outros. No mesmo ano, de regresso  ao seu Académica Social Escola do Zangado, Firmino Dias jogou no torneio organizado pela Nocal. Na final, o Escola venceu por 3-1 os Perdidos da Bola, que na epoca contavam com jogadores como Jacinto João, o famoso “JJ “.

Os golos do  Escola foram todos rubricados por Firmino Dias, que converteu os três penáltis contra um de Jacinto João. A antiga estrela do Escola do Zangado, ainda participou no primeiro  torneio Cuca, em 1968, sagrando-se campeão e melhor marcador. O nosso ídolo teve ainda opurtunidades para ingressar em muitos outros clubes da então província ultramarina de Angola, como os Dinizes de Salazar (actualmente N’dalatando), mas não foi possível porque a equipa que detinha o seu passe não o cedia.

No tempo da “bainha”
e do famoso “bloco”

“No meu tempo no Escola, estando a aganhar ou não, quando chegasse a hora da ‘bainha’, o adversário passava mal. A ‘bainha’ é o que hoje se  chama de baile ao adversário com os ‘Olé’… ‘Olé’ … ‘Olé’, contra Firmino Dias. Na maior parte das vezes, o públlico acabava por entrar em campo e os jogos terminavam. Os remates de Fimino Dias fizeram história no seu tempo. Conta-se, por exemplo, que, num jogo contra o Cazenga, o guarda redes Charico ousou defender um disparo de ‘bloco’ e fracturou a clavícula.

Firmino Dias dava-se ao luxo de calibarar os remates em função da necessidade. O famoso “bloco” era o equivalente a um disparo de morteiro, ao passo que  a “telha” e o “tijolo” eram “armas mais leves”. Em certa ocasião, o Escola do Zangado precidsava de vencer aos Perdidos da Bola pelo menos por uma bola a zero.  Firmino Dias conta que o jogo foi disputado no Catetão, tendo assim surgido uma opurtunidade de mais uma vez resolver o jogo. “Num livre, aí a 45 metros da baliza de Maló, a equipa pediu que executasse o ‘bloco’. Mandei uma ‘dibaia’, a bola bateu na trave com tanta violência e resvalou no corpo de Maló, que ficou estático e foi parar no fundo das malhas.

Estava feito o um a zero (1-0), que foi o sufiiciente para os nossos objectivos”, recordou. Mas Firmino Dias teve adversários à altura. O antigo craque conta que o defesa que mais temia na altrura era Maventa do Cazenga. “O homem era viril. Entrava com tudo. Era preciso ter muito cuidado e habilidade para passar por ele. Era um defesa raçudo”, conta. Firmino Dias pendurou as chuteiras em 1975. Hoje na condição de aposentado, vive na rua C7 de cima, no Nelito Soares (Rangel).

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Jornal dos Desportso: Gustavo Ferrín é o homem certo para a renovação que se pretende nos Palancas Negras?

Firmino Dias: O problema do nosso futebol não está no treinador. Podemos trazer para cá o melhor treinador do Mundo, que não fará absolutamente nada. O grande problema está na qualidade dos jogadores e isso admira-me muito. No tempo colonial, não tínhamos jogos em directo na TV, jogavamos no pelado, não ganhávamos nada como os jogadores de hoje, que até compram casas com o que ganham. Só de ouvirmos o relato, nós conseguiamos visualizar os jogadores e imitavamo-los muito bem. Não entendo como é  que o nosso futebol está no estado em que está.

JD: Qual é o jogador que mais confiança lhe dá a nivel do Girabola?
F.D: Existem alguns que despertam interesse. Por exemplo, o Love, Amaro, Bastos, Mingo Billie, Mabululu. O Job - coitado, está praticamente desaparecido - era um jogador que fazia vibrar as multidões como nos nossos tempos. O futerbol perde muito quando não existem homens que dão show.

POR DENRTO

Nome completo: Firmino Inácio Dias
Filiação: Inácio Dias Sobrinho e Ana Alexandre
Naturalidade:  Luanda
Nascimento: 14 de Dezembro de 1944
Estado civil:  Divorciado
Filhos: 14
Altura: 1,75
Peso: 75kgs
Calçado: Nº 42
Camisola com que joga nº 9
Hoby: Ver TV e ler sobre
Desporto: Futebol
Música: Semba
Filmes: Acção
prato: Fungi com calulú
Cor: Verde
O que mais detesta: Confusão
Já recorreu à mentira? Muitas vezes
Defeito: Teimoso
Virtude: Acho que sou boa pessoa.
Tem casa própria?: Sim.
Carro: Sim.
O que mais teme na vida? A morte.
Religião: Católica
Se dependesse de si, que mal iliminaria? A dilinquência e a morte.
Sonho: Envelhecer sossegado e a cuidar dos meus netos.