Jornal dos Desportos

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Entrevistas

O Progresso no tem nada a ver com Juba

Augusto Fernandes/Joo Francisco - 17 de Outubro, 2012

Quando a conversa for sobre o Progresso Associao do Sambizanga (PAS), obrigatrio falar de Jos Maria da Costa

Fotografia: Augusto Fernandes

Quando a conversa for sobre o Progresso Associação do Sambizanga (PAS), é obrigatório falar de José Maria da Costa, mais conhecido por Bunducho no mundo do futebol. Bunducho é uma espécie de “guardião” do Progresso que está ligado ao clube desde a altura da sua concepção, ainda no tempo de Kiferro, um dos seus contemporâneos. Através de Boducho,  Pedro Mantorras é o homem que é. Foi jogador, treinador, formador, olheiro e realizador de todas as assembleias do PAS.

Devido à sua grande capacidade mobilizadora foi criador das velhas guardas do Sambizanga (Akwasambila) e  é coordenador do Grupo de Amigos de apoio do Progresso (GAPAS), responsável pelas assembleias do grémio Sambizanga. Embora tenha nascido no Bairro Operário (BO), foi no bairro Santo Rosa que Bunducho se tornou a personagem que é hoje. Inicialmente, por volta dos 9/10 anos, começou a jogar no BO no campo do Machado (hoje largo Deolinda Rodrigues) com o Rabda, Irmãos Narciso, Irmãos do Duia e Lola. Posteriormente, no Bairro Santo Rosa, quando tinha à volta de 13 anos, deu sequência à sua vida futebolística na companhia de Império, Cafumana, João Simão, Man Pó, Kapemba no Campo do Mundengo.

Aos 17 anos de idade, começou a jogar a sério nos Seniores do Santos Futebol Clube, equipa principal do Bairro Santo Rosa. Com o passar do tempo, devido à sua grande capacidade mobilizadora, Bunducho começou a ter grande protagonismo e a actuar como capitão de equipa, tendo a responsabilidade de escalonar a equipa principal. “Naquele tempo, as equipas alinhavam com sete jogadores porque os campos, na maior parte das vezes, eram pequenos. Sem nos darmos conta, este pormenor fazia com que a maior parte dos jogadores fosse polivalente, jogando em qualquer posição e a ter de ser bem dotado tecnicamente. Por isso, muitos jogadores como eu, que nos iniciámos a jogar como homens de ataque, acabámos por ser defesas de raiz. Era preciso ser muito bom para se ter lugar numa equipa”, assegura.

Obra no Santos FC
Pelo Santos FC, Bunducho participou na última edição do torneio Cuca em 1973, no qual participavam as melhores equipas de Luanda, como o Escola do Zangado com Lourenço Bento, Firmino Dias, os Perdidos na Bola, com Eduardo André, Maló, o Cazenga, com Charico, Maventa. Segundo Bunducho, de 1973 a 1974,  o Juba já estava em declínio em termos de grandeza no Sambizanga. “Num dos jogos que disputámos contra eles, empatámos  um e  ganhámos outro. Com a realização do torneio Bucavu, pelo kota Vadiago, a minha equipa mostrou ser a nova força no Sambizanga. Assimm ganhámos o primeiro torneio, recordou.

Na altura, Kiferro, que assistiu ao primeiro torneio, decidiu criar uma equipa para fazer frente ao Santos. Assim, Bunducho, como tinha certa influência no organizador do torneio, pediu sucessivas vezes que o mesmo fosse adiado para dar tempo a Kiferro montar a equipa. Quando foi chamado para fazer a inscrição da sua equipa, o homem só tinha três jogadores, entre eles o Praia. “Na altura da realização do torneio Bucavú, o Juba já não existia. Alguns ex-jogadores do Juba, como Augusto Pedro, passaram a jogar no Bom Sucesso e o Ginguma nos técnicos, enquanto os outros se espalharam pelas várias equipas pelos musseques de Luanda”, acrescentou. “Os primeiros ex-jogadores do Juba que ingressaram no Progresso foram os dois primeiros que mencionei. Portanto, não é verdade o que muitos dizem que o Progresso nasceu do Juba. Na verdade, o Progresso não tem nada a ver com o Juba”, clarificou.

Equipa de Kiferro deu origem ao PAS
Kiferro, conseguiu montar a sua equipa de sete, constituída pelos seguintes jogadores: Chiminha e Luis Cão (guarda redes), Salviano, Manuel, Nekita, Praia, Augusto Pedro, Kiferro, Abreu e Santinho. Este era o esqueleto base que viria a dar o PAS. “Conhecendo bem a minha capacidade mobilizadora, Kiferro convidou-me para fazer parte do seu projecto de construir uma equipa do bairro. Assim, fui ter com o resto do pessoal da minha equipa e coloquei-lhes a questão”, frisou Bunducho. “Passados alguns dias, mandaram-me aparecer em casa do Man-Pó para escolher os jogadores.

Fui lá todo satisfeito e convencido que tinha conseguido mobilizar os homens e acabei por ser considerado traidor. Amarraram-me numa borracheira e deram-me uma sova de grande categoria”, recorda-se ainda  o kota dando grandes gargalhadas. A Historia de Bunducho no Mundo do futebol é longa. Teve muita influência no desenvolvimento do futebol no bairro Sambizanga tendo, inclusive, sido treinador do Vitoria do Sambizanga. Pelas suas mãos passaram jogadores como Zico, Abílio Amaral e Janguelito. Buducho jogou futebol oficialmente até 1985, mas nunca passou pelo Girabola por motivos de força maior. Tem grande admiração por Pedro Garcia, Lourenço, Salviano e o Santo António, cuja forma de jogar é similar à dele.

POR DENTRO
Nome completo:
José Maria da Costa
Filiação: Espanho Diogo da Costa e Maria José António Manetti
Naturalidade e data de nascimento: Luanda, a 29.02. 1954
Estado civil: Separado
Filhos: 4
Altura:1,75m
Peso: 68 kg
Calçado: Nº 43
Cor: Amarelo e preto
Hoobyes:Ouvir música e ler
Filmes:Policiais
Música: Angolana
Prato preferido: Fungi com bagre e feijão com óleo de Palma
Bebida: Um bom vinho
O que mais teme: Nada
Tem recorrido à mentira: Às vezes
Acredita no que a Bíblia diz: Claro que sim
Religião: Católico

PERGUNTAS E RESPOSTAS
Jornal dos Desportos: Actualmente que função exerce no Progresso?

Bunducho: Não exerço nenhuma função, embora ainda sinta que posso fazer muito pelo meu clube do coração. Mas, mesmo assim, recebo alguma remuneração.

JD: Já pensou em vir a ser presidente do PAS?
BU: Acho que já. Talvez mais tarde. Por enquanto, o clube está em boas mãos. Vamos torcer para que o Paixão Júnior fique por mais tempo aqui no PAS.

JD: Considera-se um dos Pilares do Progresso?

BU: Com certeza. Sem medo de errar, posso dizer que sou tipo um guardião do Progresso.

JD: Se tivesse que fazer uma convocatória para os Palancas Negras quem levava?
BU: Vou citar apenas alguns nomes: o guarda redes Lando e  toda a defesa do Libolo. Ainda,  Job, Mingo Bile, Luís, Yano, Djalma e Geraldo.