Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

O projecto de formao est a ser cumprido na ntegra

Jos Chaves - 27 de Setembro, 2010

Prncipe Eduardo, coordenador e treinador das Escolas de basquetebolistas do Sporting do Bi

Fotografia: Jos Chaves

Como decorrer o processo de massificação do basquetebol no Sporting Clube do Bié?
Satisfatoriamente. O programa foi elaborado pela direcção do clube e está a ser cumprido na íntegra. Os atletas estão a corresponder com as expectativas.

Um ano depois, em gesto de balanço, como o caracteriza?
O balanço é positivo. Em apenas um ano de trabalho e conseguimos formar vários jovens, em iniciados e juvenis, em ambos os sexos. No cômputo geral, estamos a caminhar bem. O objectivo é formar equipas fortes para voltamos à alta-roda do basquetebol nacional.

Quantos atletas estão inseridos no mesmo?
O clube possui 80 atletas, sendo 40 rapazes e igual número de raparigas, com idades compreendidas entre 10 e 15 anos. Temos apenas este número porque não possuímos capacidade para receber mais. Trabalhamos apenas com o número estipulado pela direcção do clube.

As condições garantem trabalhar sem dificuldades?
As condições de trabalho postas à nossa disposição são aceitáveis. Temos, em primeiro lugar, o magnifico Pavilhão do Sporting que possui condições apropriadas para a prática do basquetebol. Em termos de material desportivo estamos bem servidos: temos bolas, camisolas, calções e sapatilhas. Portanto, neste aspecto, nada temos a nos queixar.

Não se fala em dificuldades…
A principal dificuldade é a falta de competição. O  basquetebol no Bié está em fase de reorganização, existindo poucas equipas a praticarem a modalidade. É de louvar o trabalho que associação realiza, pois foram já revitalizados alguns clubes, incluindo do interior da província.

Já agora, como avalia o actual quadro do basquetebol por estas paragens?
Em anos passados, a província viveu uma fase muito boa. Sabemos que o Bié foi um dos maiores celeiros do país, mas, nos últimos anos, devido ao factor guerra, ficamos sem infra-estruturas. O parque desportivo da província ficou praticamente destruído. Com o advento da paz, felizmente, o Governo Angolano conseguiu alterar o quadro. Nos dias que correm, o Bié tem boas infra-estruturas desportivas para a prática de modalidades de salão.

Como é trabalhar com adolescentes?
Adoro. Desde que entrei para o mundo do basquetebol trabalho com as camadas de formação. É difícil, mas não impossível. Com dedicação e sacrifício, tenho dado conta do recado.

É um prazer lançar jovens à alta competição…
O importante é os jovens terem espaço para evoluir. Nesta fase, passo a mensagem aos jovens para trabalharem muito. Esta é uma fase de transição e o segredo é, obviamente, o trabalho.

Quais são as razões que levam os clubes a não apostar noutras disciplinas?
A insuficiência de verbas constitui o grande entrave para a dinamização de outras modalidades, principalmente do basquetebol, no seio dos clubes locais.

"Quero transmitir a minha
experiência aos jovens"


Quando entrou para a modalidade?
Descobri o basquetebol aos 13 anos. Na altura, o Bié não possuía quadras em condições, mas nós, os jovens do Kuito, abrimos uma equipa denominada Amigos do Sporting. Praticamos o basquetebol na rua e em outros recintos improvisados. Estou na função de treinador desde 2006.

Alguém o incentivou?
Não. Depois de descobrir a modalidade, dediquei-me a ela.

Onde se formou como treinador?
No Huambo, na Escola Nacional de  Basquetebol. Fiz vários cursos de superação e participei num clinic, na Espanha, em 2008. Sou membro da associação dos treinadores de basquetebol daquele país.

Passou pela Selecção Nacional Juniores Masculina, na qual exerceu o cargo de técnico-adjunto. Fale da sua experiência?
Foi uma experiência gratificante. Aproveito para agradecer os membros da Federação Angolana de Basquetebol e ao professor Carlos Diniz, que era o seleccionador de Sub-19. Participamos no campeonato africano da categoria, em 2007. Em 2009, participamos no Mundial que decorreu na Novazelandia. Ganhei mais conhecimento e, portanto, estou preparado para os transmitir aos mais jovens.

Qual é o objectivo do projecto de massificação do Sporting?
O Sporting Clube Petróleos do Bié pretende resgatar a mística do passado. Vamos apostar seriamente na classe feminina, na qual o clube era uma das grandes referências do país. Só para dar um exemplo, em 1984, o Sporting foi campeão nacional em iniciados e marcava regularmente presença em iniciados, juvenis, juniores e seniores. A classe masculina também vai merecer o mesmo tratamento.

De onde são os atletas que estão no programa?
São de escolas públicas, do I e II ciclo, do município do Kuito. A política do clube é receber apenas atletas inserido no sistema do ensino público. Muitos deles estavam enquadrados no Programa de Desporto Escolar e, por conseguinte, vêm para o clube já com alguma noção da modalidade.

Além do resgate da mística, o que mais procuram?
O projecto visa também ocupar os tempos livres dos jovens do Kuito. No futuro, pretende-se apostar na rentabilidade das acções de formação do basquetebol de alta competição e, num espaço de curto ou médio prazo, redinamizar as intervenções nas camadas de formação e conferir maior dinamismo ao escalão de seniores, em ambas as classes.

Como avalia a evolução da garotada?
Penso que é fruto de um árduo trabalho, que passa por diversas áreas, desde a comissão técnica à direcção administrativa. Acredito que vamos continuar a evoluir para o bem da modalidade na província, em particular, e no país.

O desporto angolano enfrenta problemas de adulteração de idades. Como vê este fenómeno?
Aqui, no Sporting, não temos problemas de adulteração de idades, porquanto trabalhamos em parceria com os encarregados de educação e com as direcções de escola onde os atletas estudam.

Agremiação pretende dar maior atenção à classe feminina

O clube já foi referência na classe feminina. Têm algum projecto que visa recuperar esse estatuto?
Um dos grandes objectivos traçado pela direcção do Sporting é recuperar o estatuto que o clube possuía na década de 80, na classe feminina. Penso que, dentro de cinco anos, a agremiação poderá ser a principal referência da classe no país.

Apesar das dificuldades que enfrentam, principalmente a falta de competição interna, acredita num futuro risonho...
Sou optimista. Trabalhei em condições péssimas, mas agora temos tudo para sermos uma potência no basquetebol nacional. Posso dizer, sem medo de errar, que as condições que o Sporting possui, vários clubes nacionais não têm. Temos tudo para recuperar o tempo perdido. O Bié vai voltar aos tempos áureos, principalmente na classe feminina.

Que conselho deixa à juventude desportista?
Não se consegue fazer nada, absolutamente nada, no desporto sem disciplina, dedicação e assiduidade. Temos de ir aos treinos todos os dias. As drogas e o álcool não combinam com o desporto, nem as saídas à noite, pois são prejudiciais à sua prática. Se um jovem quiser ser um bom desportista, tem que se submeter a sacrifícios.

Intercâmbio
com o Huambo

Têm intercâmbio com clubes locais ou de outras províncias?
Claro! Temos realizado jogos amistosos com equipas do interior da província, mormente do município do Andulo, e com outros da vizinha província do Huambo. Vamos continuar na mesma senda.

Qual é a próxima competição que vão participar?
Vamos participar no campeonato provincial de juvenis, em masculino e feminino, agendado para Outubro.

Que saída para o desenvolvimento da modalidade na província?
Passa pela solidificação da mesma. Os clubes locais devem apostar seriamente na massificação. É preciso discipliná-los e criar condições para apostarem nas camadas jovens.

Acha que hoje os jovens têm a mesma facilidade para se iniciarem na prática do basquetebol?
Acredito que sim. É preciso que os departamentos dos clubes se organizem para, no momento certo, os atletas terem documentos, o que evitará a adulteração de idades e facilitará a sua inscrição junto da associação provincial. É preciso pensar seriamente sê os clubes têm bolas e campo onde treinar. Devemos investir nas pessoas que formam atletas.


>> Perfil

Nome: Príncipe Paulo Eduardo
Data de Nascimento: 18/06/78
Naturalidade: Chinguar (Bié)
Nacionalidade: Angolana
Altura: 1,80
Peso: 69 quilogramas
Cor: Azul
Clube Favorito: 1º de Agosto
Prato preferido: Pirão
com cabidela
Bebida: Quissangua