Jornal dos Desportos

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Entrevistas

O "terror" dos guarda-redes no escalo jnior prepara o ataque

Augusto Fernandes e Joo Francisco - 20 de Janeiro, 2013

Joo Gomes de Oliveira ou simplesmente Filho, 17 anos, ponta de lana titular dos juniores do Petro de Luanda.

Fotografia: Jornal dos Desportos

João Gomes de Oliveira ou simplesmente Filhão, 17 anos, é  ponta de lança titular dos juniores do Petro de Luanda. Na grande área é um autêntico “terror” para os guarda-redes. Filhão tem grande controlo de bola, chuta forte, tem dribles e um grande sentido de desmarcação que torna quase impossível marcá-lo. O jovem, duas vezes melhor marcador do Provincial de Juvenis, com 25 e 30 golos, respectivamente, em 2008 e 2009, é filho de Paulão, que se notabilizou no EKA do Dondo e Progresso do Sambizanga, e dá azo ao velho adágio: “filho de peixe sabe nadar”.

O jovem Filhão começou a dar nas vistas muito cedo, por volta dos seis anos de idade, quando jogava futebol de bairro no Cazenga e depois em Viana, com Tovia, Ery e Silva. Filhão foi sempre muito habilidoso, gostava de jogar do meio campo para a frente e fazia muito bem o papel de distribuidor de jogo. Quando estudava na escola Norberto de Castro em Viana, em 2007, aos 12 anos de idade, o proprietário da escola “detectou” imediatamente o jovem, pois dificilmente passava despercebida tamanha habilidade.

O jovem conta: “Jogávamos no campo de futebol de salão da escola e o senhor Norberto de Castro convidou-me para testar nos iniciados da sua equipa que tinha como treinador mister Baba. Nesta equipa encontrei o Das Fa, Paizo, Edson, Da Fanta e outros e joguei uma época no provincial da modalidade”. Em 2008, rumou para o Catetão, com Paizinho, Lumeca e Adilson, onde foi recebido por mister Sorte. “Não foi fácil impor-me nos iniciados do Petro porque havia muito bons jogadores, como Mila e Wilson. Mas com muito trabalho e dedicação conquistei a confiança do técnico e ganhei a titularidade”, disse.

CARREIRA
Primeiros campeonatos como goleador


Logo no primeiro ano que disputou o Provincial de iniciados em 2008, Filhão não brincou em serviço e facturou 25 vezes, tornando-se o melhor marcador da prova e campeão provincial. Em 2009, nos juvenis, e para não dar margem para dúvidas sobre o seu potencial como ponta de lança nato, o rapaz voltou a encostar a “menina” ao barbante por 30 vezes. Daí em diante passou a ser um autêntico “terror” para os guarda-redes. Filhão foi  campeão provincial em juvenis em 2009, com o professor Sorte. Em 2010, sagrou-se vice-campeão provincial, marcou 20 golos e mais uma vez foi o artilheiro da prova.

O jovem disputou dois Campeonatos Nacionais em juvenis em Malange, tendo conquistado o segundo lugar nas duas ocasiões. Num destes campeonatos aconteceu algo que o marcou profundamente até agora. “Havia problemas com os cartões de alguns colegas. Tudo foi feito para que se resolvesse o problema, mas não foi possível. Tivemos de jogar todo o Campeonato só com 11 jogadores. Não havia suplentes. Tínhamos cerca de oito jogadores impedidos de jogar. Foi uma autêntica maratona. Mesmo assim conseguimos o segundo lugar”, sublinhou. Filhão disse que os campeonatos dos escalões mais jovens em Luanda foram sempre bem disputados, com equipas como o 1º de Agosto, Rodoviário, ASA, Interclube, Santos, Progresso a valorizarem a prova, além do Petro de Luanda, evidentemente.

“Quase todas as equipas têm bons executantes e as provas são longas, permitindo uma verdadeira competição. Quem ganha em campeonato jovem em Luanda mereceu ganhar”, confirmou. Sobre os jogadores que fazem a diferença no Provincial de juniores, Filhão aponta  vários: “Foé do ASA e Cláudio do 1º de Agosto. São jogadores impressionantes e dá prazer jogar contra eles porque este tipo de adversários também nos valoriza”. “Quando se defronta jogadores tecnicamente inferiores, no fundo nós mesmos saímos prejudicados, porque não nos vemos obrigados a aplicar-nos a fundo. É diferente quando se defronta jogadores do nosso quilate”, adiantou.

Para ele, as defesas mais difíceis são do 1º de Agosto e do Santos Futebol Clube. “Nos iniciados e juvenis, marquei alguns golos a estas equipas. Mas agora, nos juniores, em duas épocas não consegui marcar nenhum golo ao 1º de Agosto. Eles têm uma excelente defesa e um grande guarda-redes, o Matchbi”, frisou. Filhão atingiu os juniores quando ainda tinha idade de juvenis, aos 16, tendo sido recebido por mister Nejó e entre outros encontrou Razão, Paulucho e Goutché. No Petro de Luanda, o futebol jovem está razoavelmente bem, como nos confirma a nossa promessa. “Temos direito a um banho depois dos treinos e a um leitezinho com pão.”

“Nos dias de jogo temos uma refeição muito bem preparada e somos muito bem acompanhados pelos responsáveis do clube, que se preocupam muito com o nosso nível de escolaridade. Eles fazem muita questão que os jovens estudem.” Filhão, além do pai, o jogador que mais o inspira é Iguaín, do Real Madrid. “Admiro o jogador espanhol. O meu pai já não joga oficialmente. Iguaín passou a ser a minha fonte de inspiração.” “Gosto de ver o Iguaín a jogar e procuro imitá-lo o máximo. Naturalmente, existem muito bons pontas-de-lança, com os quais também posso aprender algo. Mas o Iguaín é o meu preferido”, concluiu. Em 2012, Filhão foi campeão Provincial de Luanda e só não foi disputar o Nacional em Benguela por estar na lista dos que foram com a equipa sénior para estágio em Portugal.


A PALAVRA DO PAI
“Sou suspeito para falar do meu filho”


Paulo João de Oliveira, depois de agradecer a oportunidade que o Jornal dos Desportos lhe concedeu para expressar a sua opinião sobre o filho, disse: “Não é muito bom sermos nós a falar dos nossos parentes, mas as circunstâncias obrigam. Tenho acompanhado a vida do meu filho a par e passo. Levo-o à escola e aos treinos e vou buscá-lo. Estou constantemente com ele e procuro ajudá-lo nos dois campos da vida em que ele está envolvido, os estudos e o futebol”. O pai diz que Filhão se comporta muito bem em casa. “Eu cresci num ambiente de muita disciplina, digamos que fui educado por um sargento de ferro. O meu pai era assim. Sabia dosear carinho com muita disciplina. É assim que eu trato os meus filhos. Não há lugar para fífias em minha casa”, referiu.

Perguntas e respostas

JD: Jornal dos Desportos: O que pensas ser quando terminares os estudos?
Filhão: Penso ser médico.

JD: Sentes-te apto para representar a equipa sénior no Girabola?
FI: Sim. Não tenho medo de enfrentar o Girabola. Sinto-me em condições físicas para o efeito. Hoje, a maior parte dos jogadores da casa dos 18 aos 25 anos está em condições de jogar neste meio

JD:  O que esperas dos Palancas Negras no CAN da África do Sul?
JD: E na Académica de Luanda já fez obra?
FI: Espero que Angola faça uma boa exibição e se possível que traga o título

JD: Qual é o teu maior sonho como jogador?
FI: Representar condignamente o Petro de Luanda  e atingir os Palancas Negras


POR DENTRO

Nome Completo: João Gomes de Oliveira
Filiação: Paulo João de Oliveira e Catarina Manuel Pedro António
Naturalidade e data de nascimento: Cazenga (Luanda) aos 14 de Junho de 1995
Irmãos: Quatro
Altura: 1,77 m
Peso: 72 kg
Calçado: 42
Camisola com que habitualmente joga: Nove Hobbies: Ler sobre desporto e descansar
Prato preferido: Feijoada
Bebida: Sumo
Tem namorada: Não
Quantos filhos gostava de ter: Quatro
O que mais teme na vida: A morte
País de sonho: Espanha
Clube do coração : Petro de Luanda
Sonho: Ser bem sucedido na vida