Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Olhemos para o campeonato como produto rentvel"

Paulo Caculo - 19 de Fevereiro, 2016

O secretrio-geral da FAF, garantiu estar tudo preparado para a bola rolar no Girabola Zap

Fotografia: Jos Soares

O principal campeonato de futebol do país começa hoje. A trigésima oitava edição da mediática competição é antevista pelo secretário-geral da Federação Angolana de Futebol (FAF), José Cardoso de Lima, como o ano zero da implementação de uma nova política de gestão.

A atribuição da denominação Girabola Zap, de acordo com o principal executivo da federação, mais do que significar a abertura de uma nova era para o campeonato, em termos competitivos, representa também o começo de uma era em que se deverá passar a olhar para a competição não apenas como um fenómeno social, mas sobretudo como um fenómeno rentável.

O secretário-geral da FAF, garantiu  estar tudo preparado para a bola rolar no Girabola Zap. Atente à conversa:

Jornal dos Desportos: Tudo pronto para o arranque do campeonato?
José Cardoso Lima: Como já viram a azafama na federação é muito grande. mas infelizmente continuamos a habituados a deixar tudo para ultima hora e é uma corrida contra relógio para que possamos disponibilizar toda a documentação a todos os clubes a tempo e hora, mas acredito que nos diz respeito foi feito e tudo quanto tem a ver com os clubes está a ser resolvido. Portanto, está tudo pronto para o campeonato começar amanhã (hoje) às 18 horas, com o jogo entre o Benfica de Luanda e o 1º de Agosto.

JD: Os estádios apresentados pelas equipas envolvidas reúnem todas as condições exigidas para a competição?
JCL: Todos os estádios em que os clubes indicaram foram vistos e há a recomendação que tenha tudo pronto, mas há sempre uma outra questão de última hora para resolver, mas os campos das equipas que subiram este ano também foram todos vistoriados. Temos este ano mais um estádio para as competições africanas, que é o da Lunda Norte, que já foi aprovado pela Confederação Africana de Futebol.

JD: Voltaremos a ter muitas paragens ou nem tanto?
JCL: As paragem são as normais que estão contidas no calendário geral de provas, que são as datas FIFA, em que somos obrigados a parar o campeonato. Há jogadores que estão a aqui a jogar e que pertencem a outros países, provavelmente podem ser chamados também para representar as respectivas selecções e o mesmo acontece com os nossos cuja selecção estará envolvida na preparação para o CAN.

JD: E em relação aos jogos das Afrotaças?
JCL: As equipas que estão envolvidas nas Afrotaças não vão parar o campeonato, porque vão antecipar os seus jogos. O Conselho Técnico Desportivo reuniu com os clubes envolvidos nas Afrotaças, nomeadamente o Libolo e o Sagrada Esperança, dando-lhes a possibilidade deles poderem resolver estes problemas desta forma, jogando antes ou depois.

JD: Uma das grandes novidades é o facto do campeonato contar com o patrocínio da empresa de televisão ZAP. O que é que ganha a competição com esta parceria?
JCL:
Há dois aspectos que são visíveis e fruto de uma experiencia que adquirimos no ano passado: Primeiro, a qualidade da transmissão dos jogos. Sem desprimor para quem antes transmitia os jogos, mas agora foram introduzidos outros meios técnicos que melhoraram a qualidade de transmissão do jogo e de outros aspectos. Segundo: a possibilidade da federação arrecadar alguma receita, mas não aquilo que as pessoas pensam que é, e que vai resolver os problemas da federação, mas uma parte que vai reforçar o pouco orçamento que a federação recebe do Estado. E os clubes também terão uma parte, fruto do retorno das transmissão. Portanto, este é o ano zero, pois queremos trazer para o desporto outros acordos, que permitam traduzir, num futuro muito breve, uma mais-valia para o campeonato em termos financeiros.

JD: O objectivo é tornar a prova rentável. Certo?
JCL: A ideia é começarmos a olhar para o futebol de forma diferente, como um fenómeno social, mas também económico e rentável. Esta é a ideia do que se pretende. Em Angola é uma experiencia pioneira, mas provavelmente vamos ter ao longo deste percurso algumas dificuldades, mas o pior seria não fazer nada.  Temos ouvido opiniões de outras entidades e temos trabalhado em conjunto com os clubes para ver também a melhor solução para eles próprios, porque não é uma solução isolada da federação, mas tomada em conjunto com os clubes. A nossa esperança é que a gente tenha conseguido arranjar um caminho rentável para o futebol.

JD: Quanto é que a FAF arrecadou desta parceria com a Zap?
JCL: Como já tive a oportunidade de dizer a outros colegas seus, o nosso parceiro, por norma, não divulga os valores do investimento que faz, e como não é uma opinião unilateral da FAF, mas tripartida, temos de respeitar o contrato que assinamos e provavelmente daqui pra um tempo possamos falar disso, mas longe de pensar-se que este acordo resolveu o problema dos clubes e da federação. É um contributo de um investidor que achou por bem investir no futebol e acho que isso é, em certa medida, importante. Acredito que com o seu tempo temos de reconhecer num curto prazo, mudaremos o conceito que existe. Os leitores do jornal que não me levem a mal, mas é uma questão contratual e estamos amarrados a isso e não podemos violar.

JD: Mas não está colocada de parte a possibilidade do campeão do Girabola Zap encaixar um prémio monetário?
JCL: Não estou a cometer nenhuma inconfidência, porque aquando da apresentação do projecto, o próprio PCA da Zap fez questão de informar que a Zap, além daquilo que acordou com a federação, o clube campeão também receberá uma quantia monetária. No fundo, o que se pretende é valorizar o campeonato e trazer outros acordos. Esta é uma experiencia, andamos todos tímidos, porque estamos a aprender e, se as coisas correrem bem, quem sairá a ganhar são todas as pessoas que estão envolvidas no futebol, particularmente os clubes e os jogadores, que vão ter uma visibilidade diferente. No fundo, este é o objectivo importante, não há duvidas de que o dinheiro é importante, mas o país não está ainda economicamente naquela fase de fundos e mundos. Este é um projecto que já estava a ser arquitectado e achamos ter chegado altura certa para ser implementado.

JD: O que é que ganha o campeonato com esta parceria em termos competitivos?
JCL: Se quisermos, de facto, estar no futebol temos de estruturar para o futebol de forma correcta, temos de ter campos de futebol bons, boas condições clínicas, bons estádios e campos, boas condições para a comunicação social, porque quando quisermos fazer um trabalho no treino, este trabalho vai complementar-se no jogo. Portanto, a comunicação social deve estar incluída. Temos de a partir de hoje criar condições para as pessoas irem aos estádios, atraí-las aos jogos.

JD: Acha imperioso criar métodos de atracção para o campeonato?

JCL: Sim e outra componente social que é importante e não depende da FAF e nem dos clubes, mas depende da sociedade comercial, prende-se com o facto de ser preciso que os operadores de transporte públicos e privados vejam no futebol uma oportunidade de ganhar dinheiro, porque não faz sentido andar quilómetros a pé porque não há transporte. Quando digo oportunidade de ganhar dinheiro, não é de usurpar o cidadão, porque quem vai ver um jogo do 1º de Agosto ou do Petro que joga no 11 de Novembro e sai de Cacuaco, Benfica ou Ramiros tem de voltar a casa, Quer para ir ao estádio ou voltar para casa as nossas operadoras de transporte devem organizar-se para criarem pontos de recolha e distribuição. Os empresários devem conversar com os proprietários dos recintos de jogos.

JD: A parceria com a Zap trouxe também outras exigências.

JCL: Com certeza. Vai se acabar com aquela história das pessoas andarem na pista do estádio. Os clubes têm obrigação e só os fotógrafos podem estar na pista e a recolha de imagens televisivas em principio são restritas.