Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Os jovens tm poucas vagas quando sobem de categoria"

Augusto Fernandes - 17 de Maio, 2013

Jimy comeou a fazer o gosto ao p no campo da Malhas, no bairro da Madeira

Fotografia: Jornal dos Desportos

Jimy começou a fazer o gosto ao pé no campo da Malhas, no bairro da Madeira, por volta  dos seus 10 anos de idade em companhia de Clemente, Man Veva Fissy (actualmente a jogar no 1º de Agosto) e outros. Os seus dotes futebolísticos fizeram-se notar muito cedo por todos os amantes do futebol por aquelas paragens e muitos acreditavam no seu sucesso e ascensão a médio prazo.

“Em 2008,  um dirigente do Kabuscorp chamado Natali apareceu em minha casa e disse que gostava de contar com os meus préstimos para a sua equipa de juvenis que estava para ser montada. Aceitei sem hesitar e fui recebido pelo mister Roy que era o treinador principal da equipa e encontrei o Benzema, o Man Veva, Pik  e outros. Inicialmente não foi fácil impor-me na equipa porque havia jogadores muito bons na minha posição”, começou assim a contar a sua história no futebol.

No seu primeiro ano no provincial de juvenis, Jimy e a sua equipa conquistaram o terceiro lugar e só não atingiu a fase nacional porque perdeu contra a Escola Norberto de Castro no jogo decisivo que os qualificaria para o nacional.  “A Escola Norberto de Castro é das melhores equipas em termos de escalão jovem no País, equiparando-se a equipas como o Petro, 1º de Agosto, Progresso e outras equipas bem organizadas de Luanda”, reconheceu.

Para Jimy a qualidade do futebol praticado em Luanda nas camadas jovens é a melhor no País. “Temos muito bons jogadores em várias equipas. Tecnicamente falando, muitos de nós juniores superamos alguns que estão no escalão maior (sénior), pena é que os jovens que ascendem aos seniores têm poucas hipóteses de se manterem nas equipas principais, porque  normalmente as equipas optam por reforços, entre os  já consagrados. Por isso acho que a ideia de se ter criado o campeonato provincial para as equipas B de Luanda foi oportuna”, alertou ainda.


MOMENTOS
Impossibilidade de jogar no ASA


Para Jimy, um dos momentos mais alegres até agora na sua  curta carreira  aconteceu num jogo contra o Rodoviário. “Naquele dia fiz um grande jogo. Fui considerado o melhor jogador em campo, tendo inclusive, ajudado a minha equipa a ganhar o jogo por 3-1”, recorda-se. Em 2010, aconteceu algo que até agora  Jimy considera como tendo sido o momento mais triste.

“Naquele ano fiz um excelente campeonato e o treinador do ASA, na altura o Paulão, convidou-me a ir jogar para o seu clube. Mas como o ASA não tinha disponibilidade financeira para pagar a minha transferência, a mesma não se efectivou. Fiquei triste porque na minha idade é muito bom quando somos contratados para um outro clube porque isto aumenta a nossa auto-estima.

À concluir, Jimy exteriorizou a sua crença em relação ao facto do Kabuscorp se sagrar campeão Nacional no Girabola 2013. “Acredito na força da nossa equipa, porque temos plantel para isso. Aliás, nestes últimos anos, só não ganhamos nenhum campeonato porque tiveram pouca sorte, especialmente em 2011.


POLIVALÊNCIA

Dupla categoria juvenis/juniores


À medida que o tempo foi passando, Jimy começou a fazer dupla categoria ao meio da sua  segunda época como juvenis,   porque o treinador dos juniores, o mister Baba elege-o.Em 2009, ficou definitivamente nos juniores, onde já estavam jogadores como o Jemba, Pikloy e o Yanga.

 “A maior parte dos jogadores era muito experiente e mais velha em relação a nós. Tivemos de trabalhar muito para conseguir a titularidade”, frisou.
Jimy está há quatro épocas nos juniores do Kabuscorp, nunca ganhou nenhum campeonato provincial e muito menos um nacional, contentando-se apenas com um segundo lugar em 2009, atrás do Petro.

“As equipas mais fortes no campeonato de juniores em Luanda são:  o 1º de Agosto, Petro de Luanda, o ASA e o próprio Kabuscorp,  porque estas são as que têm um leque de jogadores muito talentosos(...)Jimy tem em Jorge Alba do Barcelona a sua fonte de inspiração. “Fico muito atento à forma como o Alba joga. É um jogador extraordinário e faço tudo para imitá-lo”, disse.


PING PONG

“Quero atingir a selecção nacional de honras”


Jornal dos Desportos:  Na qualidade de estudante o que pensa ser quando terminar os estudos?
Sempre sonhei em ser advogado e como estudo ciências jurídicas tenho o caminho aberto para a concretização do meu sonho.

Como jogador qual é o seu maior sonho?
Ajudar o Kabuscorp a ganhar campeonatos, atingir a selecção nacional e jogar na Europa.


POR DENTRO


Nome completo: João Marcelo
Filiação: Muanga Marcelo e Melinda Nzozelo
Naturalidade e data de nascimento: Luanda, aos 30 de Novembro de 1992
Estado civil: Solteiro
Altura: 1,59m
Peso: 60 kg
Calçado: 40
Camisola com que joga habitualmente: 31
Cor preferida: Preta e branca
Música: Kuduro
Filme: Filmes angolanos
Prato: Arroz com feijão
Bebida: Sumo
O que mais teme na vida: Morrer
Tem namorada: Não
Acredita em Deus: Sim, porque  Ele é o nosso Criador
Religião: Yeba
Clube do coração: Kabuscorp do Palanca
Jogadores que mais admira: Jorge Alba; em Angola, o Fissy do 1º de Agosto
Pais de sonho: Estados Unidos
Sonho: Ser um homem capaz de ajudar a minha família.

Augusto Fernandes e João Francisco