Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Pedro de Vasco trouxe o boxe profissional a Angola

Simo Kibondo - 20 de Agosto, 2012

DVasco est vivo. No se trata de nenhuma afirmao graciosa, mas porque, num momento em que o boxe angolano est em crise organizativa (por exemplo, a desqualificao de Tumba Silva nos Jogos Olmpicos de Londres

Fotografia: Santos Pedro

D´Vasco está vivo. Não se trata de nenhuma afirmação graciosa, mas  porque, num momento em que o boxe angolano está em “crise” organizativa (por exemplo, a desqualificação de Tumba Silva nos Jogos Olímpicos de Londres, por não ter comparecido à pesagem) o antigo pugilista pretender reavivar o boxe profissional,  sendo isso uma forma de atirar  a Federação Angolana de Boxe, em particular, do marasmo em que se encontram. Pedro Florentino, fora do activo nos tempos que correm quer voltar aos ringues para actividades de benificiência. Um dos seus projectos em carteira é ensinar o “ABC” do boxe aos escalões de formação. A par disso, quer voltar a subir aos ringues para efectuar combates de exibição com alguns antigos pugilistas que com ele iniciaram o Boxe profissional em Angola.

PROMOTORES
DE D´VASCO


Os primeiros promotores de D´Vasco em combates profissionais em Angola surgiram    da mesma forma como os promotores de Mohamed Ali, entre outros pugilistas. Indivíduos como Dom King devem ter surgido em bares de Las Vegas, Los Angeles, entre outras cidades importantes dos Estados Unidos, para promoverem os pugilistas que fizeram história no mundo do boxe profissional. Além do apoio que teve de muitos jornalistas da nossa praça, a começar por muitos que labutam, inclusive nas Edições Novembro, Rádio Nacional, teve ainda o apoio do antigo Secretário Geral da Federação Angolana de Boxe(FABOXE), Carlos Luis, que recentemente promoveu a Gala internacional de defesa do Título de Tony Kikanga.

 Assim começou a longa relação do pioneiro do boxe profissional em Angola, com muito boa gente que o apoiou no inicio do seu projecto e que agora o deixaram à sua sorte. Pedro Florentino D´Vasco clama agora pelo deserto para que as mesmas pessoas que o apoiaram no (re)inicio da sua carreira profissional em Angola, e a sociadade angolana, em geral, o deiam de novo a mão para os projectos que tem em carteira . 

PERGUNTAS E RESPOSTAS
“Devíamos investir mais cá dentro
 em vez de mandar vir pugilistas do exterior”


JD - O que pode dizer sobre a sua carreira em Angola?
D´Vasco - “Fui pugilista de alta competição e quando pensava deixar o boxe, decidi dedicar-me ao seu desenvolvimento no meu país. O meu desejo era nesta altura realizarmos um campeonato em Angola de boxe profissional. Este é o meu sonho de sempre. Infelizmente em Angola o boxe profissional ainda está mais fora do que dentro do país. Para haver combates de verdadeiros profissionais em Luanda temos que mandar vir de fora o Tony Kikanga. Deste modo gasta-se mais dinheiro a promover um combate de Kikanga do que a promover a juventude que está a treinar para melhorar o boxe em Angola. Acho que é mais viável ajudar estes jovens pugilistas amadores que estão a despontar no país do que mandar vir sempre atletas de fora. Só o bilhete de passagem de ida e volta de um pugilista estrangeiro para Angola equivale a um cachet de quatro pugilistas profissionais nacionais. 

JD - Na sua opinião como está o boxe em Angola? 

DV - O boxe em Angola está muito mal, porque não se está a realizar galas com a regularidade que os pugilistas querem para mostrarem o que realmente valem. Não tem havido patrocínios para os atletas do país. Existem províncias que praticam o boxe, como Cabinda, Benguela, Luanda ou Uíge, que não são consideradas pelo órgão reitor.

JD - Nas galas tem havido muito público para ver as lutas?
DV - No último encontro da AIBA (em que Tony Kikanga defendeu o título), verificou-se um aumento da assistência. Mas nas galas de boxe amador, o público não tem correspondido e isto devia ser uma preocupação para o órgão reitor da modalidade. Até o boxe feminino tem que ser mais promovido para completar o desenvolvimento do momento.

RESSURGIMENTO
 DO CLUBE D´VASCO


JD - Está a preparar a abertura de uma academia de boxe?
DV - Nós ainda estamos em contacto com algumas equipas, cujo potencial na modalidade os coloca na liderança, como são os casos do Interclube e Académica do Soyo, para ser apresentada uma proposta no sentido de se abrir Academias que podem ser supervisionadas por antigos pugilistas como eu. Nós esperamos que o Interclube, por ter escolhido o boxe como modalidade de eleição, seja o primeiro a dar um aval positivo às nossas propostas.
Aproveito esta oportunidade para apelar às pessoas de boa fé, incluindo os empresários, para apoiarem a modalidade, principalmente na compra de equipamentos e ringues um pouco por todo o país”.

RECONHECIMENTO
Jornal francês “L´Union”
destacou combates de D´Vasco


Antes de regressar a Angola,  D´Vasco foi manchete em vários jornais da Europa. Por exemplo, o jornal francês “L´Union”, de 17 de Outubro de 1988, destacava o combate entre o angolano com o francês Zidoun, com o sugestivo título “De Vasco no topo”. O jornal escreveu que “Georges Ringo, manager e treinador do angolano Pedro Filomeno De Vasco,  nunca previu  uma assistência estimada de 2.000 espectadores, como aconteceu no combate entre um estrangeiro e um pugilista francês”. “O meu pupilo comandou todas as investidas diante de Zidoun, que era de longe fisicamente superior a De Vasco, mais possante. Mas foi o triunfo de um pugilista que domina as técnicas do boxe com perfeição contra a força bruta, num ko inevitável”, concluiu.

O mesmo jornal informou que naquela altura o manager francês Georges Ringo já pretendia fazer com que De Vasco atingisse outros patamares, mas o pugilista angolano, que já se sentia um pouco cansado com as constantes viagens pela Europa, pensava regressar ao seu país (Angola). Antes de regressar a Angola, descreve o matutino, De Vasco passou também a ser treinado pelo manager italiano Renjo Frisarde e o luxemburguês Pierre Babo. Ao chegar a Luanda manteve contactos prolongados com o então Secretário-Geral da Faboxe, Carlos Luís, e o empresário Osvaldo Lobo do Nascimento, que na altura liderava a empresa Cafima.

De Vasco recordou aquele combate com Zidoun como um dos mais marcantes da sua carreira no exterior. Quando regressou a Angola, os combates que mais o marcaram foi com Kalenga e com Gomes N´gombe, ambos derrotados nos primeiros assaltos por ko. “Gomes N’gombe, meu conterrâneo de M´Banza Congo levou um ko no 1º asssalto, 45 segundos depois do combate ter começado, um recorde que até agora a Federação Angolana de Boxe não recompensou nem reconheceu.

PERFIL
Nome: Pedro Filomeno de Vasco
Idade: 61 anos
Naturalidade: M´banza Congo
Desporto favorito: Boxe, Futebol
Nacionalidade: Angolana
Estado civil: Divorciado
Peso: 67 kg
Melhor Combate: Ko ao 1º assalto (45 segundos depois do combate ter iniciado) a Gomes N´Gombe
Outros adversários da sua geração: Kalenga, derrotado ao 1º assalto, Pedro Domingos Kinda, Daniel Kabango