Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Picas critica derrube do estádio das Cacilhas

Justino Vitorino no Huambo - 23 de Junho, 2017

Picas responsabiliza Ministério da Juventude e Desportos pela transformação do campo do Mambrôa em covil de delinquentes

Fotografia: Lopes dos Santos | Edições Novembro

Falando ao Jornal dos Desportos, Picas disse que o Petro do Huambo e o “rival” Mambrôa, do bairro das Cacilhas, são os grandes prejudicados com a falta de infra-estruturas condignas, já que o seu clube do coração, desde a sua fundação, nos anos 80, nunca chegou a ter um estádio de futebol, apesar das promessas feitas, ainda nos tempos áureos do clube petrolífero, por alguns dirigentes que lideraram o desporto no país.
Relativamente ao Mambrôa Huambo e Benfica, António Pacheco “Picas”, afirma que houve irresponsabilidade da parte do Ministério da Juventude e Desportos, quando derrubou a estrutura antiga do estádio das Cacilhas com a promessa de construção de um novo estádio, que entretanto até hoje não se consumou.

“Se a condição do meu Petro é da lamentar, a situação do nosso rival das Cacilhas é bem pior, porque eles, desde o tempo colonial, sempre tiveram o seu estádio e acabaram por ficar sem ele. É vergonhoso ver o mítico estádio das Cacilhas transformado em local de pasto para cabritos ou de acoito para delinquentes”, lamenta.

No seu entender, qualquer dos três “grandes” clubes do Huambo, nomeadamente Petro, Mambrôa e Recreativo da Caála, devem ter o mesmo carinho da parte do governo, já que para ele, o clube da Caála foi até 2014, o que mais beneficiou do apoio.

“Sorte deles ou não, o CRC viu o seu estádio, o Mártires da Kanhala, completamente remodelado fruto de um apoio do estado. Ao Mambrôa foi feito a promessa de construção de um novo estádio que ainda não se concretizou. Quando ao Petro, não teve a mesma sorte de lhe ser construído um estádio”, aponta.

Nascido na província do Cunene há 53 anos, Picas, que por sinal começou a sua carreira futebolística no Recreativo da Caála, pede mais atenção do governo aos outros dois clubes emblemáticos do Huambo - Petro e Mambrôa - apontando o apoio na recuperação das suas infra-estruturas, como prioridade, já que, segundo ele, “só assim estes dois clubes poderão massificar fortemente o futebol nos escalões de formação”.


 CARREIRA
Percurso glorioso
começou no Caála


O percurso futebolístico da antiga estrela do planalto central, António Manuel Pacheco “Picas”, nascido na província do Cunene, em Janeiro de 1964, iniciou em 1975 no Clube Recreativo da Caála (CRC), onde actuou nos escalões de juvenis e de juniores.

Em 1981 transferiu-se para o Petro do Huambo, onde foi treinado por nomes consagrados da época, nomeadamente Nina Serrano, Arlindo Leitão, João Machado, Waldemar Serdeira, Mbuisso António e Ruben Garcia.

Com a camisola alvi-negra do planalto central, Picas esteve nos grandes momentos do clube, quer a nível dos jogos do Girabola (Primeira Divisão), como do Campeonato Nacional da Segunda Divisão e da Taça de Angola. 

Recentemente viu o seu talento futebolístico reconhecido pelas autoridades desportivas angolanas, quando foi agraciado com um diploma de mérito e uma medalha de ouro devido as qualidades e aptidões, enquanto jogador de topo em Angola, na década de 80/90 do século passado, atribuída pelo Movimento Nacional Espontâneo (MNE).


TRISTEZA
Picas lamenta fraco apoio aos talentos


Os tempos áureos do futebol no planalto central, só voltará a ser uma realidade se existir vontade política, porque técnicos com qualidade existem. A constatação é de António Manuel Pacheco “Picas”, antigo futebolista do Petro Atlético do Huambo, que lamenta o estado em que se encontra a modalidade na região. 

“A província do Huambo sempre possuiu potencialidades para o desporto e estas qualidades continuam intactas. Temos formadores à altura não só para potenciar a massificação do futebol nos grandes centros populacionais, assim como também impulsionar o desenvolvimento de outras modalidades que muitos títulos deram a província, nomeadamente o atletismo, o basquetebol, andebol e nos últimos tempos o desporto adaptado”, disse.

Todavia, aponta, que a massificação do futebol e das demais modalidades, só será possível se o governo provincial criar políticas públicas para o efeito, uma vez que, segundo ele, o desporto é factor de união, sociabilização e estabilidade em qualquer nação.

“Se o nosso governo apostar na criação de programas para a massificação e o desenvolvimento do desporto, com realce para o futebol como modalidade rainha, seguramente nós treinadores conseguiremos, além de desenvolvermos as habilidades dos nossos jovens, vamos ajudar a tirar muitos deles da vida pouco digna porque optam, já que o desporto sempre foi, é e será factor de união, sociabilização e estabilidade de qualquer nação. E o Huambo não está à margem desta realidade”, avança em jeito de conselho.

António l Pacheco, o Picas do Petro do Huambo, assume actualmente as funções de treinador da equipa de juvenis do clube, grupo este que dirige com carinho, empenho e dedicação.

“Há talentos no nosso seio. Precisamos é de apoio em material desportivo e infra-estrutura. Se isso nos for concedido a curto ou médio prazo, acredito que o Huambo pode crescer futebolisticamente”, avança a antiga glória do clube “alvi-negro”. 
  JV