Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Pilola almeja Bota de Prata

Manuel Neto - 02 de Fevereiro, 2014

Jogador espera realizar uma temporada melhor do que a do ano passado

Fotografia: Jos Soares

O avançado Pilola, um dos reforços do Progresso Associação Sambizanga para a nova época, prometeu ontem, em entrevista ao Jornal dos Desportos, afinar a pontaria para superar os oito golos que marcou na temporada passada ao serviço do Recreativo da Caála, pois traçou como meta a conquista da Bota de Prata.

“A minha missão é fazer golos. Infelizmente, no ano passado, ao serviço da Caála, fiz apenas oito por ter sido pouco utilizado, o que me deixou bastante preocupado. Mas este ano, vou lutar até à exaustão para a conquista do troféu, mas alerto que isso não significa que sou individualista. Aliás, um ponta de lança quando não consegue marcar deve dar a marcar, fazendo boas assistências para o golo. É também uma das formas de contribuir para o engrandecimento do grupo”, disse.

Pilola, que regressou ao Campeonato Nacional no ano passado, depois da experiência no futebol chinês e sul-africano, sublinhou que a época passada foi de readaptação ao Girabola e que este ano pretende que seja o de afirmação.

 “Vou fazer dois anos no Girabola, desde que regressei ao país, e acho que já é momento de me firmar no futebol angolano. Por isso, acho que a entrega ao trabalho é o melhor caminho a seguir para o alcance dos objectivos pretendidos, sem descurar a humildade e o espírito de união”, referiu.

O avançado sambila prevê um Girabola muito competitivo em relação à época passada, a julgar pela preocupação das equipas na aquisição de reforços de qualidade.

“Acredito que este ano temos um Girabola muito mais competitivo que o passado, porque a cada dia que passa, nota-se uma grande preocupação das equipas na selecção de atletas de qualidade. Isso demonstra que as equipas apostam seriamente na competitividade, por isso perspectivo uma grande competição”, sustentou.

O jovem lamentou a despromoção do Porcelana FC, Santos FC e do Atlético do Namibe pela grandeza e competitividade que estavam a proporcionar ao futebol, mas acredita que os novos inquilinos - União do Uíge, Sporting de Cabinda e Benfica do Lubango - vão cobrir bem a saída daquelas agremiações. 

“O Sporting é uma equipa experiente, que dispensa comentários, e as outras, apesar de fraca experiência no Girabola, ainda assim tenho a certeza de que vão proporcionar muitas alegrias aos amantes deste desporto, dando um contributo valioso ao Girabola”, referiu.


CONCORRÊNCIA
Avançado
está seguro


A concorrência no ataque do Progresso Sambizanga não assusta Pilola. Pelo contrário. O avançado que na época passada representou o Recreativo da Caála enaltece a qualidade do plantel sambila para a nova época, que começa no dia 4, com a disputa da Supertaça, entre o Kabuscorp do Palanca (campeão nacional) e o Petro de Luanda (vencedor da Taça de Angola), por estar recheado de jovens talentosos e que podem emprestar maior qualidade ao grupo.

“O Progresso é uma equipa ambiciosa. Por isso, nos últimos anos, esforça-se ao pormenor para a formação de um plantel consistente nos seus mais variados sectores, de forma a dar garantias para os objectivos que persegue, que passam por ficar nos lugares cimeiros do campeonato”, disse.

Apesar do ataque possuir jogadores experientes, que podem criar embaraços a Pilola, o jovem reforço sambila diz reunir igualmente arcaboiço para ombrear com os seus colegas de posição, o que vai criar muitas “boas dores de cabeça” ao técnico Lúcio Antunes, que sexta-feira recebeu mais um reforço, Duba, cabo-verdiano que na última época jogou no futebol norueguês.

“Na linha de ataque do Progresso militam jogadores experientes como o Manucho Barros e o Yano, só para citar estes, que já são jogadores rotulados. O Yano já foi melhor marcador do Girabola.Tenho grande respeito por eles, mas não temo a concorrência, uma vez que creio no trabalho que faço”, disse. 
MN


PREPARAÇÃO
“Houve muita entrega
no estágio em Benguela”


Pilola diz ter gostado bastante da primeira fase do estágio que a equipa realizou na semana passada na província de Benguela. Para ele, os jogos disputados foram mais importantes que os resultados.  

“Os resultados não estavam em causa, mas sim a rodagem competitiva. Todos queriam dar nas vistas para agradar ao técnico. Por isso, houve muita luta. Agora, vamos esperar a segunda fase no Brasil (começa hoje) para concluirmos com êxito a preparação para as provas que se avizinham (Girabola e Taça de Angola)”, disse.

O atleta sublinhou que o grupo está bastante animado, sobretudo pela presença do novo técnico, que ele acredita que veio emprestar maior qualidade ao grupo de trabalho, dado o rico palmarés que vem adquirindo no mundo desportivo.

“Queremos estar na nossa melhor forma desportiva para enfrentarmos bem o nosso primeiro jogo, com o 1º de Agosto, um crónico candidato ao título. Acredito que vamos fazer um bom jogo. Temos um grande técnico, que nos está a moldar à sua maneira vencedora”, disse.

Pilola diz nutrir uma grande admiração pelos atletas Gilberto, Zico e Mantorras. Os dois últimos já terminaram as respectivas carreiras, mas advoga que a sua inspiração recai para o brasileiro Ronaldo Fenómeno e para o francês Benzema.

“Quer os angolanos, como os estrangeiros, são bons jogadores, sobretudo o Fenómeno. Ele conduzia bem a bola e tinha grande sentido pela baliza, imprescindível para um ponta de lança”, disse.      
MN


LAMENTAÇÃO
“Últimos dias no Caála
foram para esquecer”


Pilola recorda com tristeza a sua passagem pelo Recreativo da Caála. O jogador justifica pelo facto de ter tido poucas oportunidades ao longo da época passada.

“Com a saída do professor Formosinho não me senti feliz, pois mudou muita coisa no seio do grupo. Eu já não era muito utilizado como antes. Por isso, já não encontrei razões para continuar, porque não tinha o sucesso que almejo na carreira. Foram dias para esquecer”, disse.

O atleta referiu que apesar de ter vivido maus momentos nos últimos dias ao serviço do Recreativo da Caála, acredita ter saído pela porta grande.

“Saí de cabeça erguida. Fiz muito boas amizades no clube, que me ajudaram bastante, quer nos bons, como nos maus momentos, e sempre que pude cumpri escrupulosamente o meu dever. Penso ter deixado uma porta aberta para os que estão interessados em entrar”, referiu.

O atacante felicita o presidente do clube, Horácio Mosquito, pela sua humildade e grande espírito de ajuda.

“Nunca tive problemas com ele, foi sempre uma pessoa respeitadora de quem quer que seja. Gostava que ele mantivesse esta postura para o bem da equipa”, disse.

O jovem pode nos próximos dias esfregar as mãos de alegria com o pagamento da rescisão do seu contrato por parte da direcção da Caála.
“A minha saída impõe o pagamento da rescisão do contrato. Por isso, aguardo ansioso pelo pagamento, para melhor servir os meus interesses”, sublinhou.
MN