Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

"Precisamos de um patrocinador"

30 de Novembro, 2012

Joo Arajo Bernardo, em entrevista ao Jornal dos Desportos.

Fotografia: Jornal dos Desportos

Conseguir um patrocinador oficial, fazer um brilharete no Campeonato Nacional, que a província da Huíla organiza no próximo mês, fornecer o maior número de jogadores à Selecção Nacional e formar “estrelas” para sustentar o futebol de salão são, entre outras, as grandes metas da direcção do BO United, equipa que, ano após ano, tem conquistado o seu espaço na modalidade. Fundada em Julho de 2007 por um grupo de jovens do Bairro Operário, Distrito do Sambizanga, o BO United protagonizou, na época que na última quarta-feira terminou em Luanda, a grande surpresa no “Provincial”, ao garantir, de forma antecipada, uma das três vagas ao Campeonato Nacional de Futebol de Salão, que acontece de 8 a 16 de Dezembro próximo, na Huíla.

A direcção do grémio do Bairro Operário, que sobrevive grandemente do apoio de um empresário que se identificou com o trabalho dos jovens, bem como da quotização dos seus membros, busca apoios para que a equipa participe no sem sobressaltos “Nacional”, pois atravessa inúmeras dificuldades financeiras e de material, de acordo com o director-geral do clube, João Araújo Bernardo, em entrevista ao Jornal dos Desportos.

Jornal dos Desportos - Sete anos após a fundação da equipa, o BO United conseguiu um feito inédito no concorrido “Provincial” de Luanda em futebol de salão, ao se apurar para o Campeonato Nacional. O que representa essa qualificação para o vosso grupo de trabalho?
João Araújo Bernardo - O nosso apuramento representa um prémio pela dedicação e empenho do grupo de trabalho e representa o alcance de uma das metas destes sete anos de existência da equipa, mas precisamos de continuar a erguer a nossa bandeira na maior competição do país, além da participação da equipa em torneios internacionais, como o da Zona VI.


JD - Existem condições materiais e financeiras para materializar esses objectivos?
JAB - Tudo não, mas, a cada dia que passa, vamos ajustar melhor o programa da equipa. Quanto ao Nacional, continuamos firmes de que, para uma determinada equipa participar no campeonato deve estar muito bem preparada. Precisamos de levantar os ânimos dos atletas para alancarmos os três primeiros lugares, mas tudo isso passa pela possibilidade de termos um patrocinador oficial.


JD - Quer com isso dizer que existem dificuldades financeiras para que possam competir no “Nacional” de futebol de salão?
JAB - Por falta de patrocínio, as dificuldades financeiras são inúmeras, desde o uso adequado de equipamentos, deslocação da equipa, campo para treinos, enfim, um leque de situações que nos preocupam. Ainda assim, continuamos firmes no nosso propósito, que é mostrar que, apesar das várias dificuldades neste capítulo, nós existimos e vamos estar entre as melhores equipas de futsal do país.


JD - As dificuldades que acaba de enumerar não têm atrapalhado os vossos objectivos?
JAB - Infelizmente, mas temos sabido lutar contra essas dificuldades. Estamos num campeonato em que defrontaremos, entre outras, a equipa da ENE que, além dos seus jogadores serem bem pagos em comparação com os nossos, os mesmos recebem prémios de jogo em valores monetários aliciantes. É duro falar disso quando a nossa realidade é outra, mas, por amor ao desporto, temos conseguido fazer os nossos atletas acreditarem no amanhã.


JD - Como assim?
JAB - A união na nossa equipa serve de mola impulsionadora para continuarmos no futsal, é por isso que temos recebido alguma ajuda de uma pessoa de boa-fé, que é o senhor Carlos Sousa, despachante oficial, que muito tem feito para a nossa equipa. Esta entidade tem sido tão gentil connosco, ao ponto de ter dado emprego a alguns atletas do BO United na sua empresa, no sentido de nos unir cada vez mais. Mas só isso não basta, até porque estamos a falar de uma formação que se estreia no Campeonato Nacional, é por esta razão que pedimos aos empresários que nos dêem uma oportunidade para continuarmos com este projecto para o bem do desporto. Precisamos de entender que as equipas amadoras dificilmente chegam a qualificar-se para o Campeonato Nacional.


PATROCÍNIOS
Empresários saem a ganhar


JD - Mesmo com as dificuldades que atravessa, a equipa do BO United tem conseguido alguns brilharetes nas provas em que participa. O que se pode esperar da assinatura de um acordo com um ou vários patrocinadores?
JAB - Levando em conta que o desporto, em particular o futsal, está cada vez mais a crescer no país, podemos também melhorar a equipa com o apoio financeiro de empresários dispostos a investir nesta modalidade, através do BO United. Se fizermos uma análise a estes sete anos, podemos perceber de onde viemos e onde estamos, mesmo com as dificuldades financeiras que atravessamos, em comparação com as equipas adversárias. A maioria das equipas consagradas do futsal nacional pertencem a uma entidade empresarial, privada ou estatal, e dessas faço referência ao Grupo Desportivo da ENE (campeã em masculinos de 2011), patrocinada pela Empresa Nacional de Energia, a Marinha de Guerra, Grupo Desportivo da RNA, enfim, são várias as formações com fortes patrocinadores.


JD - Quais os ganhos do patrocinador, caso aposte na equipa do BO United?

JAB - Existem várias razões para que um empresário ganhe ao investir na nossa equipa, porque o futebol é marketing, então, esta mesma entidade pode promover o seu produto através do nosso clube, neste caso, ao publicar a sua marca nos nossos equipamentos, e até mesmo ganhar clientes através dos sócios, adeptos e amigos do futsal. Por outro lado, o empresário estará a ajudar socialmente os jovens com a prática do desporto.


“Temos um técnico competente”

JD - Nesta altura, qual é a fonte de rendimento da equipa?
JAB - Além do apoio do despachante Carlos Sousa, do Marcos Pierre Roberto (responsável máximo e técnico principal da equipa), do director-geral João Araújo Bernardo e do técnico-adjunto, Aníbal da Rocha Dias, sócios e atletas, directa ou indirectamente, todos temos dado o melhor de nós para que o BO United continue a erguer a sua bandeira nos campeonatos provinciais e agora no “Nacional” da Huíla.

JD - O Campeonato Nacional é muito mais exigente que o “Provincial”. Como pensam contrariar os “colossos” do futsal na competição da Huíla?
JAB - Primeiro, precisamos de fazer entender aos nossos atletas que os jogos são sempre os mesmos, embora a dimensão do campeonato seja diferente. E é através dessa ideia que lhes incutimos que, quando se está em campo, o pensamento deve centrar-se na vitória.

JD - O técnico dá garantias de uma boa participação no “Nacional”?
JAB - O nosso técnico principal, Marcos Pierre, é formado nesta área, inclusive, recentemente, terminou uma formação no Brasil, junto com alguns treinadores nacionais. Isso faz dele um profissional à altura para dirigir a equipa do BO United. O comportamento da nossa equipa no recém terminado Campeonato Provincial, em que nos classificamos em terceiro lugar, à frente de grandes equipas do futsal local, como o GD da RNA, diz tudo.

JD - A direcção e equipa técnica do BO United tem alguma informação dos adversários que vão defrontar no Campeonato Nacional?
JAB - Estamos no futsal há mais de cinco anos, apesar de esta ser a nossa primeira participação no Campeonato Nacional, sabemos que, a par de Luanda, a província do Namibe tem equipas muito competitivas e até mesmo campeãs nacionais. Esta informação leva-nos a jogar com o máximo cuidado para não sermos surpreendidos.


JD - A falta de apoio financeiro é ainda um dos problemas a resolver. Como a equipa está a tratar da viagem e outras questões?
JAB - Essa é de facto uma questão que nos leva a reflectir e muito. A direcção da nossa equipa está a estudar a viagem, desde o meio de transporte, tempo de hospedagem, campo para treinos, segurança da comitiva, alimentação, enfim. Esperamos que entidades de direito se venham pronunciar nestes últimos dias, no sentido de ajudarem nas despesas das equipas participantes.