Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Presidente da FATM traça estratégias

20 de Janeiro, 2017

Antónia Ribeiro promete trabalhar em prol do desenvolvimento da modalidade no país

Fotografia: Paulo Mulaza

Antónia Ribeiro é a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente de direcção da Federação Angolana de Ténis de Mesa, depois de em 2008 ter sido indicada para as funções de vogal e no mandato posterior ter ascendido para a vice presidência durante o consulado de Filomeno Fortes. A médica de profissão, inserida no Programa de luta Contra a Malária, envolveu-se no mundo desportivo de forma espontânea, mas a sua determinação lhe confere hoje o estatuto de uma das personalidades mais influentes no dirigismo desportivo, tendo a massificação do ténis de mesa com a sua principal linha de actuação na senda da projecção do país na arena internacional.

Pode fazer uma breve abordagem sobre a sua trajectória até atingir o cadeirão máximo da federação Angolana de Ténis de Mesa?

Falar da minha transição até a presidência é algo muito peculiar, tendo em conta o facto da minha inserção no dirigismo desportivo acontecer quando o doutor Filomeno Fortes me endereçou o convite para integrar a sua lista de candidatura para dirigir os destinos do ténis de mesa, isto é, em 2008. Tomei posse na qualidade de vogal de direcção, cargo que exerci de forma zelosa , de modo que no mandato seguinte fui promovida para a vice-presidência. Daí em diante sempre procurei dar o melhor de mim em benefício do ténis, até que os colegas de todas as províncias chegaram ao consenso de que eu estava pronta para assumir o cargo mais alto ao nível do dirigismo que é a presidência. O voto de confiança em mim depositado nas eleições de 2016 representa o reconhecimento por tudo quanto temos feito e devemos trabalhar com esmero no sentido de irmos ao encontro de todas as expectativas da classe.  

Sendo uma personalidade que já fez parte da hierarquia nos dois últimos mandatos, domina o dossier da modalidade. Pode apresentar o actual quadro do ténis de mesa?
Em termos globais, o ténis tem dado passos significativos e que podem nos ilustrar o quão longe podemos ir caso sejam cumpridos todos os pressupostos para implementação dos nossos programas, o que, como é óbvio, deve estar em consonância com a disponibilização de alguns recursos por parte de quem de direito, o empenho de todos os parceiros. No entanto, estamos seguros de que herdamos um terreno fértil para darmos seguimento ao processo de desenvolvimento do ténis angolano.

Com que parceiros contam?
O nosso principal parceiro é o Ministério da Juventude e Desportos, uma instituição que tem nos facultado todo o apoio institucional e material. Graças a isso tem sido possível marcarmos presença nos grandes eventos desportivos que o continente vem realizando, com destaque para os campeonatos africanos e torneios da zona V. No ano transacto contamos com o apoio da empresa chinesa, SITIC, que além de disponibilizar algum material desportivo, também proporcionou uma bolsa a três atletas nacionais que puderam, desta forma, desenvolver as sua habilidades durante um refrescamento com duração de três meses. Este ano vamos renovar a parceria e, por via disso, outros jovens vão, de certeza, beneficiar de formação na China. Temos outros projectos em carteira que, na devida altura serão divulgados.

Na qualidade de mulher e dona de casa, como tem sido possível conciliar o dirigismo com a vida privada. E qual a empatia com os funcionários?

Não existe qualquer inconveniência quanto a isso, mesmo porque todo o trabalho deve ter como base um planeamento, para que as coisas sejam feitas de forma ordenada. Como todo ser humano, não posso resolver tudo sozinha, pois temos um elenco constituído por personalidades dotadas de conhecimentos sólidos nas respectivas especialidade. Existe uma boa empatia entre todas as estruturas orgânicas, desde os funcionários de base até ao topo da hierarquia. Só por isso é que tivemos o voto de confiança.

Perante a actual conjuntura económica, existe algum problema em relação ao pagamento de salários?

A situação é difícil para todos, mas nós temos sabido gerir os parcos recursos que temos obtidos através do orçamento e outros projectos de forma que possamos manter os subsídios dos nossos funcionários. Aproveito para dizer que não se trata propriamente de um salário, mas sim de um subsídio para que os nossos funcionários possam ter o básico. Estamos em crer que doravante as coisas tendem a melhorar e que em 2017 existam recursos suficientes para levarmos a cabo todos os projectos.

Quais são as assimetrias entre Luanda e as demais províncias no que toca a massificação?
 Temos um total de seis províncias com maior índice de massificação do ténis, incluindo Luanda que representa o maior pólo de desenvolvimento, à semelhança da maioria das modalidades desportivas. A nossa pretensão é reduzir cada vez mais a diferença entre umas províncias e outras. No passado procuramos implementar os núcleos provinciais, mas esta questão ficou em "banho Maria". na vigência do nosso mandato vamos dar prioridade no relançamento destes núcleos provinciais, através dos quais serão forjados atletas de grande nível de formas a termos competições internas de grande vulto e, consequentemente, melhorar a nossa representatividade além fronteiras.

Poderia descrever as seis províncias com maior índice de massificação

A província da Huila, o Namibe, Cabinda, Huambo e o Moxico se têm destacado no capitulo da massificação, desta forma será mais fácil implementarmos novos projectos, mas pretendemos fazer uma auscultação pelo país adentro no sentido de fomentar o surgimento dos núcleos que acima referi.

Estão melhor servidos em termos de infra-estruturas,  ao contrário do ténis de campo, que precisa de espaços maiores para a sua prática?
Apesar do ténis de mesa ser praticado em espaços mais reduzidos, torna-se indispensável que os atletas e equipas disponham de um ambiente mais favorável, tanto é que o programa de massificação está intrínseco à melhoria de condições de trabalho, o que , por outras palavras, quer dizer que temos boas instalações administrativas, mas ainda não estamos bem servidos em termos de recintos para trabalhar.

Como está o vinculo entre a Federação Angolana de Ténis de Mesa e a Federação Internacional?
Temos uma relação salutar, porquanto podemos cumprir com todos os pressupostos e regulamentos, o que nos permite fazer parte dos respectivos projectos sem grandes obstáculos. Existe apenas uma quota por pagar, algo que estamos a tratar já para que em breve trecho seja materializado. Em suma, estamos muito bem vinculados com o organismo reitor da modalidade à escala mundial, o qual nos faz chegar todas as directivas e somos convidados a participar das diversas actividades. Temos um representante que neste momento está de férias em Portugal, mas ele está sempre pronto a nos representar.

Como antevê a época desportiva 2017?
Quanto as competições nacionais, espero ter provas de alto nível, a começar pelos campeonatos nacionais que a Huila vai acolher agora. Está todo o aparato criado para que as melhores equipas estejam representadas. A qualidade do campeonato permitirá perspectivar as condições dos nosso potenciais atletas que estarão presentes nos campeonatos africanos e torneios da zona V.

A sua presidência poderá influenciar no número de atletas do género?
Tenho a certeza que com uma mulher a dirigir o desporto muitas jovens passarão a acreditar mais nas capacidades que nós temos para realizar qualquer actividade que anteriormente era exclusivamente reservada aos homens. Neste prisma, o desporto poderá ser utilizado para uma vertente social da luta contra os casos de violações que de um tempo a esta parte têm estado a aparecer no nosso país.

Que recado deixa para a família do Ténis?
Gostaria de apelar aos encarregados de educação a incutirem o espírito desportivo no seus filhos, de forma a conciliarem a actividade desportiva com os estudos. O ténis de mesa é uma modalidade com grandes vantagens no desenvolvimento psico-motor do indivíduo. As autoridades devem continuar a dar todo o apoio aos projectos que serão implementados pelo país adentro.


POR DENTRO
Nome: Antónia Ribeiro
Naturalidade: Luanda
Data de Nascimento: 10 de Julho de 1969
Signo: gémeos
Religião: católica não praticante
Música: angolana
Cidade preferida: Luanda
País onde passa férias: Portugal
Prato preferido : peixe grelhado
Música: Angolana
Modo de vestir: rigor de segunda a quinta-feira
Escritor preferido: Pepetela
Sonho: conhecer Cuba