Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Presidente da federao Portuguesa enaltece organizao do Mundial

Mrio Eugnio - 13 de Agosto, 2013

Fernando Elias Claro, presidente da Federao Portuguesa de Patinagem

Fotografia: Kindala Manuel

Qual é o significado que tem para si a realização, pela primeira vez em África e em particular em Angola, do Campeonato do Mundo de hóquei em patins?
Em primeiro lugar gostava de dizer que é um motivo de grande satisfação. Aliás, a Federação Angolana sabe que Portugal foi o único país que, por escrito e junto dos organismos internacionais, disse, há dois anos, quando o campeonato foi na Argentina, que o próximo Mundial devia ser em Angola. Temos de elogiar o esforço que a Federação Angolana faz em prol do hóquei em patins. Nós éramos candidatos e abdicámos a favor de Angola, porque era bom para o desenvolvimento do hóquei em patins no país, em primeiro lugar, e no continente africano, em segundo. Por outro lado, temos de enaltecer também o grande trabalho das pessoas que estão à frente da Federação Angolana e do Governo de Angola para tornar possível um evento de dimensão mundial, do qual não temos dúvidas de que vão criar todas as situações e todas as condições para que as selecções se sintam bem e para que o hóquei em patins e o Campeonato do Mundo, em particular, sejam um êxito.

Por aquilo que está a ser feito pelo Comité Organizador e pelas informações que tem recebido e acompanhado, como perspectiva a organização deste Mundial?
Creio que devemos partir de perspectivas. Estive no último Torneio Internacional José Eduardo dos Santos (Taça Zé Du) e pude ver que aquele povo gosta de hóquei em patins. Aliás, num passado relativamente recente, tivemos atletas oriundos de Angola e de Moçambique, o que mostra que esta modalidade está incrementada nesses países e esses eventos servem fundamentalmente para massificá-la e desenvolvê-la ainda mais. Portanto, não tenho dúvidas que é assim que vai acontecer em Angola; há um grande esforço e um grande trabalho para que este mundial seja um êxito total e penso que se está a trabalhar para isso. O país está a fazer grandes investimentos em infra-estruturas e por aquilo que conheço dos membros da Federação Angolana, a perspectiva é, claramente, de termos em África e em Angola um Campeonato do Mundo de muito sucesso, ao qual Portugal augura muito e está disposto a dar todo o seu contributo e passar a sua experiência.

Que benefícios Angola pode tirar com a realização deste evento de dimensão mundial?
Penso que em termos desportivos e de hóquei são de uma grande dimensão, com o surgimento de novas infra-estruturas, mais aderentes para modalidade e o crescimento do próprio hóquei em patins. Mas também é um evento que vai projectar ainda mais Angola a nível internacional e dar a conhecer os grandes investimentos e avanços que tem registado nos últimos anos, desde o alcance da paz definitiva.

Para o êxito da organização deste Mundial Angola está a construir três novos pavilhões e a reabilitar várias infra-estruturas, além de várias outras acções para o mesmo fim. É um investimento que tem retorno?
Os investimentos quando bem-feitos têm sempre retornos. Isso depende muito daquilo que vai ser feito depois da realização deste Campeonato do Mundo, mas acredito que o hóquei em patins sai a ganhar e o povo de Angola também vai ter vários benefícios com tudo o que estás ser feito agora. Os benefícios são vários desde que se saiba tirar proveito do impacto de uma organização mundial como a que Angola tem a oportunidade de realizar.

O facto de Angola disputar o Campeonato Mundial em duas cidades pode ajudar a tornar esta organização histórica?
É uma inovação que tem como propósito descentralizar ou desconcentrar o Campeonato e penso que é uma experiência nova vai também ser algo marcante para essa organização que Angola está a preparar para o primeiro Campeonato do Mundo no continente africano.

RANKING MUNDIAL
Portugal e Espanha disputam hegemonia


Portugal nas edições 2009 em Vigo e 2011 em San Juan, subiu ao pódio em terceiro lugar. O facto de jogar num país que conhece pode ajudar a resgatar o título? Espero muito sinceramente que isso possa ajudar-nos. Aliás, creio que vamos contar também com o apoio do público angolano. Por outro lado, para nós a disputa deste Campeonato do Mundo tem um sabor muito especial, porque vamos disputar com a Espanha a hegemonia dos títulos. Como sabe, Portugal e Espanha partilham o ranking com o mesmo número de títulos.

Oxalá Portugal possa concretizar este objectivo em terras angolanas, pois acredito que era uma alegria muito grande tanto para Portugal como também para Angola. Angola definiu como meta neste 41º Campeonato do Mundo ficar entre os quatro primeiros classificados. Sabe -se que por tradição Espanha, Portugal, Itália e Argentina são os potenciais candidatos ao título. É possível concretizar esta ambiciosa pretensão?

Como sabe, não podemos fazer futurologias antes da competição. Nos jogos ganha-se, perde-se ou empata-se. Angola tem todo o direito de ter as suas ambições e oxalá isso se concretizem independentemente de haver ou não as tradicionais selecções que lutam pelo título e que por essa via ocupam geralmente as primeiras posições. Mas desejo muitas felicidades à selecção angolana, que corra tudo bem para ela. Vamos a Angola para competir seriamente.                                  

DOMÍNIO
"O objectivo  é o título"

Os “Ursos” viajam a Angola para disputar o Campeonato do Mundo com um único objectivo: conquistar o título que lhes escapa há duas edições. Em Vigo (Espanha), em 2009, e em San Juan (Argentina), em 2001, Portugal quedou-se na terceira posição. Para inverter o quadro e regressar às conquistas mundiais voltou a chamar o experiente treinador Luís Sénica, que já comandou os “tuga” em várias empreitadas. Apresentado formalmente a 4 de Julho passado, o novo seleccionador sabe das dificuldades a enfrentar mas está confiante na conquista do título. O regresso ao comando dos “Ursos” é encarado por Sénica com um misto de felicidade e tranqüilidade. “É um sentimento de felicidade e um regresso tranquilo”, começou por dizer na entrevista exclusiva que concedeu ao Jornal dos Desportos, em Lisboa.

“É um mundial com uma série de condicionalismos novos pelo facto de ser disputado pela primeira vez no continente africano e em Angola, um país com uma relação profunda de bilateralidade com Portugal. Portanto, há aqui muitas sinergias positivas para um bom regresso à selecção portuguesa”, acrescentou. Quantro aos objectivos de Portugal na prova, Luís Sénica não precisou dar voltas à cabeça pois sabe bem o quer. “O objectivo da selecção portuguesa é claramente o título. Estamos a preparar muito bem este campeonato.

Estamos confiantes, sabemos das dificuldades mas também temos consciência de que a nossa motivação, por vezes, ajuda a superar vários obstáculos e estamos confiantes que isso vai ajudar-nos muito na concretização dos nossos objectivos”. A selecção já foi convocada e é composta por uma mescla de veterania e juventude. Há quem defenda a renovação do grupo mas o novo seleccionador contraria essa ideia diz que os atletas convocados são os melhores para representar Portugal.