Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Presidente pretende mudar o rumo dos acontecimentos

Joo Constantino - 30 de Junho, 2014

Direco presidida por Horcio Mosquito promove Fernando Pereira a tcnico principal da equipa de futebol do Recreativo da Cala

Fotografia: MIQUEIAS MAXANGONGO

A direcção do Clube Recreativo da Caála (CRC) pretende, depois de uma primeira volta menos conseguida no Girabola 2014, mudar o rumo dos acontecimentos. A mudança da equipa técnica visa garantir  o cumprimento dos objectivos da equipa no Campeonato Nacional, ficar entre os cinco primeiros lugares na tabela de classificação, de acordo com o presidente da agremiação do Huambo, Horácio Mosquito, em entrevista ao Jornal dos Desportos.Horácio Mosquito revelou em entrevista a este diário, que pretende voltar a ver a equipa na final da Taça de Angola, anunciou novos projectos para o futuro da equipa da antiga vila Robert William, que já trabalha na preparação da época futebolística do próximo ano e que os "danos" provocados devidos à demissão da anterior equipa técnica, comandada por Luís Aires, foram rapidamente superados.
 
 Presidente Horácio Mosquito. Quais são os objectivos do Recreativo da Caála para a segunda volta do Girabola 2014, depois de uma primeira volta menos conseguida?
 - Nesta segunda volta o grande objectivo passa por ser mais consistente em termos de resultados, em casa e fora, pois temos plantel para fazer muito mais durante esta fase decisiva do campeonato.

 O que terá falhado para que a equipa não conseguisse atingir as metas preconizadas para a primeira volta do campeonato?
 Acredito que faltou mais ambição, por parte da equipa técnica e alguma assertividade por parte dos nossos avançados, pois falhámos muitos golos quase certos em momentos cruciais nos vários jogos realizados, quando assim é não conseguimos os resultados desejados.

 A demissão da equipa técnica, nas últimas jornadas da primeira volta, não abalou o conjunto?
  Claro que qualquer mudança tem sempre os seus efeitos e neste caso tivemos uma pré-época sofrida e feita totalmente em Angola. O  facto de termos convivido em estágio por cerca de um mês, aproximou muito os jogadores da equipa técnica e vice-versa. Mas a mudança foi rapidamente superada e estamos num novo rumo, com objectivo específico e tudo muito bem delineado.

 Alguns atletas considerados reforços no início da época foram dispensados. Na sua opinião porque não conseguiram  impor-se  na equipa?
 Os reforços não podem pensar que o seu passado vale só por si, há que trabalhar e jogar com alma, mas quando não temos esse espírito, nunca conseguimos vencer. Ora sem o rendimento esperado só um caminho era possível: rescindir e outros até pediram com humildade para saírem.

 A direcção do Caála vai manter a comissão técnica ou procura por um novo técnico?

 A comissão técnica foi transformada em equipa técnica desde o jogo com o campeão sábado último. Confio nestes homens e este ano ainda vamos surpreender. Por isso, o Fernando Pereira assume como técnico principal , Hélder Gomes como adjunto e o Luís Aires como adjunto e com funções de scouting, sem esquecer o Jorge Vidigal que é o nosso "capitão na reserva" e director desportivo.

PROJECTOS
Caála projecta escola no Brasil


 Que análise faz da primeira volta do Girabola 2014?
 O Girabola está com mais qualidade. Tivemos grandes jogos e também tivemos boas e más arbitragens, espero que a segunda volta seja melhor para o CRC (Clube Recreativo da Caála). Por outro lado, acredito que temos que melhorar em relação às paragens do campeonato, porque quebra o ritmo das equipas, mas acredito, que não é por má vontade, precisamos de beber das experiências de outros países e ser mais humildes, pois só assim, podemos ajudar o futebol angolano.

  Quais foram as principais dificuldades encontradas pela vossa equipa?
 A falta de consistência e as más arbitragens que nos prejudicaram. Contudo, quero acreditar que vamos melhorar  e cuidar do que podemos mudar, que somos nós mesmos.

 O CRC tem outros projectos para além da participação no Girabola. Quais os objectivos da Escola Geração Caála?
 O objectivo fundamental da Escola Geração Caála é a formação social e humana dos jovens praticantes, a formação desportiva , ensino teórico e prático do futebol, desenvolvimento das capacidades físicas, mediante a utilização da metodologia apropriada ao escalão etário do praticante.

 Acha que a criação da Escola Geração Caála surge para reduzir a "importação" de talentos, atendendo que quase não têm na vossa equipa jogadores formado no clube?
 A Escola de Futebol Geração Caála vai permitir desenvolver  qualidades motoras e cognitivas de todos aqueles que querem aprender o jogo de uma forma descontraída, alegre, mas dirigida  a uma forma profissional. A escola  que vamos  abrir em toda a província do Huambo  tem por objectivo reduzir a importação de talentos.

 A introdução de jovens talentos na equipa sénior vai continuar a ser uma realidade?

 A história do Recreativo da Caála mostra-nos a preocupação permanente  a ter com o aspecto social. Desde a  fundação, o caalense orgulha-se do seu clube pelo pioneirismo em várias áreas. O CRC, mais do que um celeiro de craques formados nos seus escalões de formação, deseja ser na realidade uma fábrica de "cidadãos" com espaços na sua equipa sénior.

 Que outros projecto relacionados com o futebol, e não só, estão na forja?
  Outros projectos estão na forja, como por exemplo, o cinema, a escola de futebol no Brasil, a milionário Sport, etc. A seu tempo vamos dar conhecimento aos sócios, adeptos, simpatizantes e a comunicação social.

GIRABOLA
“Vamos lutar
 pelos objectivos”


 Acaba de informar que a promovida equipa técnica mantém-se até o final do Girabola 2014. Caso não continuar não vai atrapalhar a preparação da próxima época futebolística ?
 Não. Como já respondi, temos um compromisso que passa por terminar bem esta época, com esta equipa formada. E já estamos a preparar a próxima época com cuidado e sabedoria.
 
 E quanto aos reforços para a segunda volta?
 Chegam dois  avançados António Tavares "Fufuco", cabo-verdiano, e Yanick  Landu que é angolano. Um lateral esquerdo, que é o Rossano Rodera, o Frederico Navango, que é meio campista e um guarda-redes, o Fredson Graça "Fock", que  tem a nacionalidade angolana  e cabo-verdiana.

Como avalia a adesão dos adeptos já que a equipa agora joga em casa, no município da Caála?

 Fantástica! para mim são parte da alma da equipa e acredito que são dos factores chave para o nosso  sucesso e prometemos dar mais alegrias ainda este ano. Levar o Girabola à Caála tem servido de grande emoção e alegria  aos nosso adeptos.

 O objectivo inicial era terminar o Girabola entre os cinco primeiros lugares. Acredita que ainda é possível atingir essa meta?

 Claro que sim. Temos equipa para atingir este propósito traçado desde o início da época, sem esquecer o sonho e objectivo de voltar à final da Taça de Angola.