Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Queremos estar no Girabola2011

Avelino Umba - 04 de Setembro, 2010

Jos Joo Rafael, presidente do Clube Baixa de Cassange

Fotografia: Eduardo Cunha

A Baixa de Cassange está no Zonal de Apuramento ao Girabola’2011. Qual o historial da equipa?
Ela foi fundada a 4 de Janeiro de 1999. É uma equipa de bairro que, depois de se afirmar no futebol provincial, compete para um lugar no próximo Girabola.

O que melhorou ao longo desses anos?
As melhorias registam-se a partir da direcção do clube, na contratação de uma nova equipa técnica, assim como na vinda de jogadores talentosos, o que resultou na ascensão ao Zonal de Apuramento ao Campeonato Nacional de Futebol do próximo ano. Esse é o nosso grande objectivo.

Só vos resta pensar no Girabola do próximo ano...
Só nos importa trabalhar para atingir a Primeira Divisão, competição em que Malange nunca mais esteve representada.

Conseguido tal desiderato, o que projectam para os anos seguintes?
Temos em carteira a construção de um campo de futebol, cujo espaço se localiza no desvio de Cambaxe, a 17 km da cidade de Malange, já autorizado pelas autoridades locais. O referido projecto, além de outros serviços, contempla a construção de uma escola de futebol, até porque o clube tem equipas de juniores e de juvenis, que estão a ser preparadas para o futuro.

A vossa condição financeira permite ter essas pretensões?
Não estamos bem, pois dependemos dos nossos esforços. Não temos quem nos ajude, nem qualquer patrocinador oficial. Não é fácil aguentar uma equipa na Segunda e na Primeira Divisão. Ainda assim, de uma ou de outra forma, temos sabido gerir a crise.

Como?
Na qualidade de presidente do clube, faço das tripas coração. Os associados e alguns dirigentes nem sequer aparecem para dar o seu contributo em prol da agremiação, fazem-no apenas em campo, como meros espectadores.

Falta de verbas provoca desistência
de algumas equipas malanginas

Que apoios recebem do Governo Provincial de Malange?
Em 2008, fomos apoiados com 60 mil dólares, na pessoa do anterior governador, o senhor Cristóvão da Cunha. Desde aquela data, nunca mais recebemos apoio da governação local nem central. No ano passado, pedimos ajuda ao Governo da província e responderam-nos que não havia verbas para ajudar as equipas. Recebemos a mesma resposta este ano, situação que provocou a desistência de duas equipas, o Pekandek e o Ritondo.

Qual foi o segredo para que o mesmo não acontecesse com a equipa que encabeça?
Achei por bem utilizar todas as “armas”, no sentido de continuar na competição. Quem sabe, um dia, alguém pensa melhor e apoia o futebol da província.

Gastos anuais da agremiação
superam os trezentos mil dólares

Qual é o orçamento anual do clube?

Fizemos um levantamento e ficamos a saber que ronda entre os 320 e os 330 mil dólares . Foram subtraídas algumas despesas consideradas menos importantes, pois, se as incluíssemos, as despesas seriam maiores. Depois do levantamento, contactamos o Governo local, no sentido de nos apoiar com 105 mil dólares e o resto seria da inteira responsabilidade do clube. Foi-nos negado, alegadamente por falta de verbas.

Diz que o clube tem muitas despesas...
Além de inscrever os jogadores, assumimos tratar dos seus documentos, a manutenção do Estádio 1º de Maio (por sinal o único na província que alberga grandes competições), no que tange à recolocação das portas, pintura, etc. Tudo isso a partir dos cofres do clube. Assim sendo, uma vez que o recinto se encontra sob gestão da Direcção Provincial da Juventude e Desporto, acredito que deveriam compensar-nos de alguma forma.

Quais são as vossas fontes receitas?
As receitas dependem de mim, na qualidade de presidente do clube, a partir dos trabalhos que faço como comerciante.

Não há como arranjar um patrocinador?
Na nossa província, as entidades preocupam-se mais com concursos de miss do que com actividades desportivas. Nesta altura, a eleição da mulher mais bela da província já está a ser divulgada pela rádio e com o patrocínio do Governo local.

Como encara essa atitude?
Lamento bastante, porquanto algumas pessoas ainda têm pensamento atrasado. Às vezes, escuto que se estou engajado no desporto, sobretudo no futebol, é porque o clube é meu. Isso não condiz com a verdade, pois o senhor Almeida (entenda-se o entrevistado) não fundou qualquer clube, mas sim foi eleito como o presidente do mesmo, para valorizar os Heróis da Baixa de Cassange.

Clube quer mais apoio
do Governo Provincial

Como o clube se aguenta sem patrocinador?
Nada há para inventar. O que procuro é evitar o desaparecimento prematuro da equipa por se tratar do nome de um povo que sofreu na pele e na carne a colonização.

Fale da relação com o Governo provincial.
Não é muito saudável. O governo cessante propôs que as três equipas que estavam na Segundona se fundissem numa, como se de um misto de Malange se tratasse.

Qual foi a sua reacção?
Tive de bater o pé, pois não concordei com essa intenção. Na minha recente ida à China, sentados num restaurante, um dos membros do Governo da Província de Malange disse-me que o senhor governador havia dito que apenas eu não concordava com a ideia de se criar uma só equipa na província, o que para eles acarretaria menores custos.

Qual foi a sua reacção?
Comparei com a nossa selecção, cuja renovação defendo. Sou apologista de que a selecção deve seleccionar futebolistas de várias equipas. Quanto mais equipas tivermos, melhor para o desenvolvimento do futebol nacional e as competições tornam-se mais fortes.
Defendo que os talentos não saiam apenas de um clube, a exemplo do que se faz hoje, chamando a maior parte do Petro de Luanda e do 1º de Agosto, o que, no meu ver, torna-a numa Selecção de Luanda e não do país.

Vocês trocam experiência com clubes de outras províncias?
Nessas andanças do campeonato da II Divisão, tentamos contactos com as equipas que estavam inseridas na Série B, da qual faziam parte o Recreativo da Caála e o Benfica do Huambo, entre outras, que vinham sempre a Malange. Assim, fomos trocando experiências, o que foi muito útil.

Que opinião tem sobre a Selecção de Futebol de Angola?
Acompanho o trabalho do técnico Hervé Renard, seleccionador nacional, que chama futebolistas de várias equipas. A continuar assim, acredito que podemos ter uma grande selecção. É disso que o país precisa, pois está na hora de a renovar. É necessário surgirem mais equipas para se ter uma maior margem de escolha.

Por dentro
Nome: José João Rafael (Almeida)
Naturalidade: Quela (Malange)
Nacionalidade: Angolana
Data de Nascimento: 24 de Outubro de 1948
Estado civil: Solteiro
Filhos: 10
Peso: 80Kg 
Altura: 1,69 m
Número do calçado: 41
Desporto ideal: Futebol
Prato preferido: Funge com  jinguinga
Bebidas: Água e sumos
Tabaco:  Contra
Droga: Um mal a combater 
Princesa encantada: A esposa
Perfume: Qualquer, desde que seja bom
Cor preferida: Branco
Religião: Católica
Segue à moda? Moderadamente
Calor ou cacimbo? Calor
Esplanada ou discoteca? Esplanada
Boleia ou volante: Volante