Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Queremos evitar o sobe e desce"

Morais Cnamua| no Lubango - 15 de Janeiro, 2013

Militares da Regio Sul esto optimistas no regresso ao campionato nacional

Fotografia: Jornal dos Desportos

O Clube Desportivo da Huíla (CDH), único representante da província da Huíla no Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, Girabola, necessita, no mínimo, de quatro milhões de dólares para fazer face aos custos da próxima época. Com esse valor, no dizer do director-geral do grémio da Região Militar Sul, Carlos Manuel de Oliveira, em entrevista exclusiva ao Jornal dos Desportos, a equipa terá condições para a manutenção na competição e, deste modo, evitar o constante “sobe e desce” que tem caracterizado a agremiação nos últimos anos. Carlos de Oliveira avançou que a agremiação militar está preparada para as encomendas e que necessita do apoio de toda sociedade huilana para se manter na fina-flor do futebol nacional, realçando igualmente que tem garantia de apoios do governo da província para que a região seja muito bem representada na 35ª edição do Campeonato Nacional da Primeira Divisão.A problemática da arbitragem foi também referenciada pelo entrevistado do JD. Carlos de Oliveira defende um trabalho de melhor qualidade dos homens do apito e espera melhorias na presente época.

Jornal dos Desportos - Que projecção faz da época futebolística que se avizinha?
Carlos Manuel de Oliveira - Em primeiro lugar quero agradecer mais uma vez ao Jornal dos Desportos pela oportunidade que nos dão para falar sobre a nossa colectividade desportiva. Devo dizer que o clube abriu já as suas oficinas. Começámos com a inspecção médica para depois entrarmos nas questões específicas. Estamos em crer que, por tudo o que projectámos, tudo vai correr a contento. Nesta altura, como deve calcular, desenvolvemos acções que visam a viabilização do processo de inscrições dos atletas na secretaria da FAF. De um modo geral, podemos afirmar que estamos prontos para realizar uma prova equilibrada, dentro das nossas possibilidades.

JD – Quais os objectivos que norteiam a vossa participação no Girabola 2013?
CMO – Queremos fazer uma boa prova. Temos consciência que o Girabola é uma prova difícil, mas temos a plena convicção de que cumpriremos os nossos objectivos, que passam, em primeira instância, em evitar o chamado sobe e desce e mantermos a equipa na fina-flor do futebol nacional.Vamos tentar quebrar a rotina, segundo a qual, as equipas que sobem, descem. Queremos preparar-nos muito bem para uma prestação acima da média.

JD – Quando fala em boa preparação o que quer dizer?
CMO – Significa ter os atletas física, técnica e psicologicamente bem, com o objectivo de aproveitarmos o que a nossa província tem de mais-valia, que é a altitude. Quero igualmente ressaltar as contratações que o clube fez, que nos dão um alento muito grande.

JD - Acha que este aspecto é tão relevante a ponto de vos proporcionar alguma vantagem sobre os adversários?
CMO
– Temos consciência que não, mas tendo em conta o leque de atletas que entraram e os que já estavam no clube, acreditamos que com uma boa preparação, faremos igualmente uma boa figura na prova. Mas vamos continuar a tirar proveito das potencialidades da região.

APOIOS
“Temos várias promessas”


JD – A boa figura que pretendem fazer na prova passa por vários aspectos. Pode esclarecer?
CMO – Sabe que o aspecto financeiro é sempre um calcanhar de Aquiles. O nosso clube neste momento tem algumas promessas que, a serem cumpridas, podem nos conferir alguma estabilidade no processo de gestão. Mas temos consciência de que são promessas e, como sabemos, promessas não pagam dívidas.

JD – Que promessas são essas?

CMO – São promessas de vários patrocinadores que, como deve calcular, não posso revelar agora, enquanto não tivermos recebido esses patrocínios. De todo o modo, o nosso apoiante já assegurou que não nos deixa ficar mal, pelo que acreditamos e temos fé que faremos uma boa época para não descermos de divisão.

JD – Quem é o patrocinador do clube?
CMO –
Não é segredo para ninguém que o principal patrocinador do nosso clube é Estado-Maior das Forças Armadas Angolanas e o 1º de Agosto que, por via disso, é o primeiro sustentáculo do nosso clube.

DÓLARES
CD Huíla necessita
de quatro milhões


JD – Qual o orçamento do CDH para a temporada que se avizinha?
CMO –
Nós, Desportivo da Huíla, traçámos alguns patamares. Fizemos cálculos do máximo, médio e do mínimo. Vimos que, no mínimo, vamos gastar quatro milhões de dólares. Isto em relação ao cumprimento efectivo das obrigações da direcção do clube para com os atletas e outros. Retirando prémios e pagamento de atletas, necessitamos de pelo menos dois milhões, mas era exíguo e enfrentávamos muitas dificuldades.

JD – Certamente o dinheiro não é o factor fundamental?
CMO – Claro que não. O dinheiro não é o factor fundamental, mas temos que reconhecer que é primordial. Por isso, temos sempre que agradecer a todas as entidades que comparticiparam no esforço que desenvolvemos para colocar a equipa na Primeira Divisão. Queremos continuar a contar com elas, já que a união faz a força, pois precisamos o pouco de cada um para fazermos o muito. O muito será, de certeza, uma equipa forte e bastante competitiva. Só assim será possível a nossa manutenção no Girabola.

JD – Como único representante huilano no Girabola esperam algum apoio do governo provincial?
CMO – Sim. O presidente do clube já teve um encontro com Sua Excelência o governador provincial, que se manifestou bastante receptivo. Entendemos que o governo local tem uma demanda muito grande noutras áreas de suma importância mas, ainda assim, temos já garantias que vai apoiar o Clube Desportivo da Huíla na luta pela permanência no Girabola.

DECISÃO
Militares jogam na “Tundavala


JD – Como está a questão dos campos para treinos e que servem de vossa casa quando actuarem na condição de visitados?
CMO –  Neste aspecto temos a felicidade de contar com um parceiro privilegiado, que é o Benfica do Lubango. Julgamos que o início da nossa preparação será no estádio do Benfica, porque acreditamos que haverá consenso entre as duas partes para que possamos ter o recinto disponível, até porque a prova em que o Benfica está inserido, que é o campeonato de apuramento, começa muito mais tarde. Então, achamos que teremos porta aberta para podermos desenvolver o nosso trabalho. O Estádio de Tundavala deverá ser o campo para jogos.

JD – Toda a preparação é feita aqui no Lubango?
CMO – Não. Pensamos que poderemos efectuar uma parte da preparação em Benguela ou Luanda, da mesma forma que, se houver disponibilidade financeira, iremos à Namíbia.

GIRABOLA 2013
“Prevejo uma prova competitiva”


JD – O que espera a direcção do Clube Desportivo da Huíla em relação à arbitragem na próxima época?
CMO –  É como tudo, no desporto quase sempre reclamam os perdedores. Eu acredito nas pessoas. Acredito nos homens. Os árbitros são humanos e falham. O que tem que se relevar é que já deram provas de competência, logo, são capazes. É normal os deslizes a que por vezes se assiste.Esperemos, então, que para o Girabola que se avizinha eles continuem a dar provas do seu valor. Deverão cumprir e fazer cumprir as leis do jogo. Achamos que só desta maneira o nosso futebol sairá a ganhar. Esperamos que façam melhor numa prova que se antevê muito competitiva.

JD –  O que se pode esperar do nível competitivo do próximo Girabola?
CMO – Espero uma qualidade boa, até porque o nosso futebol está muito valorizado. Nos últimos anos, muitos atletas estrangeiros actuam no nosso futebol, o que acaba por conferir um valor acrescentado à nossa competição. Temos consciência de que a discrepância financeira entre os clubes é enorme. Há uma diferença grande entre aqueles que têm muito e os que têm pouco. Entretanto, nós vamos continuar a fazer sempre o nosso melhor e procurar superar as nossas dificuldades. Por isso, acreditamos que iremos dar um contributo para que o campeonato seja bastante competitivo.

JD – Qual é o modelo de organização de jogos a adoptar quando jogarem na condição de visitados?

CMO – Devido ao facto de há alguns anos a Huíla não ter tido futebol de primeira água, digamos assim, e porque sabemos que há sede de futebol no seio dos aficionados, adoptámos o Estádio Nacional da Tundavala como a nossa casa. Cremos que as condições do estádio favorecem todo o modelo que pensamos implementar para que não aconteçam situações anómalas. Por outro lado, continuaremos a contar com a colaboração da Polícia Nacional e também dos elementos da Cruz Vermelha.

JD – Que recado deixa às equipas que vão jogar ao Lubango frente ao CDH?
CMO – Os nossos adversários têm que ter consciência que vão encontrar imensas dificuldades aqui no Lubango. Sabemos que os aficionados locaisestão sedentos de bom futebol. Por isso, temos a certeza que irão acorrer em massa aos jogos para, claro, torcerem a favor do Desportivo da Huíla. Assim, os outros clubes que se preparem bem, porque vão encontrar aqui uma agremiação disposta a demonstrar que subiu para ficar no Girabola.

JOGOS
Calendário equilibrado


JD – Que apreciação faz do calendário da competição em relação aos vossos jogos?
CMO – Como sabe, querendo nós ou não, temos que jogar com todos os intervenientes. Mas devo dizer que as primeiras jornadas, para além de difíceis, têm trazido igualmente uma certa dose de surpresas. Primeiro, porque os chamados “grandes” na altura dos primeiros jogos não estarão aquecidos, digamos, e eventualmente, se nós, os chamados pequenos, estivermos quentes, podemos provocar surpresas. O calendário em si obriga-nos a que joguemos fora do Lubango na primeira jornada e desde já será uma boa oportunidade para procurarmos mostrar, diante do Kabuscorp, o nosso valor, antevendo já aquilo que será a perspectiva da nossa campanha na prova.

JD – Como é que a equipa se reforçou?
CMO – Na verdade, a equipa recebeu muitos reforços do 1º de Agosto e contratámos alguns da nossa praça que no momento oportuno a imprensa saberá quem são.

JD – Como é que o clube está organizado em termos do departamento de futebol?
CMO – Neste aspecto, temos estado a providenciar no sentido de que os ex-atletas do clube que terminaram a sua carreira, façam cursos de especialização e administração para no futuro podermos contar com eles para ajudar na gestão da agremiação. Enquanto isso, mantemos os quadros que trabalham no departamento. Vamos reforçar com um e outro membro e criarmos maior interacção e dinâmica laboral. Sabe que hoje as exigências da FAF são outras, por exemplo, as inscrições dos atletas serão feitas on-line. Deste modo, teremos que num futuro breve profissionalizar este departamento devido ao volume de trabalho e as exigências que se impõem.

CONFIANÇA
“Acredito nos Palancas”


JD - Que dizer da participação dos Palancas Negras no CAN da África do Sul?
CMO – Sou muito optimista por natureza. Este optimismo tem aumentado à medida que os resultados nesta fase derradeira da preparação se manifestam satisfatórios. Quero para já encorajar a equipa técnica, os atletas e também a direcção da FAF. Que conversem mais com os atletas, nós somos capazes. As nossas estrelas são cintilantes e se tiverem calma, poderão dar-nos muitas alegrias. Se por ventura não conseguirmos passar, esperamos que a nossa dignidade esteja acima de tudo. Ainda assim, acredito que iremos muito longe.

JD – Que apelo faz aos adeptos do futebol e aos desportistas huilanos?
CMO – O meu apelo vai para os amantes do futebol e para o público em geral para dizer que as portas do CDH estão abertas para o angariamento de sócios, porque entendemos que só assim o clube terá a possibilidade de arrecadar mais alguns trocos para suportar as mais distintas despesas. Vamos comercializar material de promoção com o objectivo de aumentarmos as receitas. Outro apelo vai para a classe empresarial para que, no âmbito da sua responsabilidade social, possa ajudar o nosso clube, em troca de publicidade, pois aí haverá reciprocidade de vantagens.

REFORÇOS
Carlos de Oliveira augura boa época


JD –  O que se pode esperar do balneário do Desportivo com a inclusão de novos atletas?
CMO – Esperamos ter um balneário saudável. Temos a certeza que sim, até porque a maior parte dos atletas que compõe o plantel já milita no clube há algum tempo. Os reforços que integram agora o plantel, naturalmente, terão que se enquadrar dentro daquilo que são os regulamentos e normas que nós estabelecemos. É um desafio grande que temos e que, de acordo com aquilo que tem sido o processo de gestão e organização do clube, temos a certeza que iremos conseguir.

JD – Como pensa que são geridas as questões relativas à acomodação de atletas e outras condições básicas?
CMO - Não teremos muitos problemas neste aspecto. O clube, como sabe, tem casa de passagem e será lá, onde já estão criadas as condições sociais mínimas, que iremos colocar os reforços.

JD – O CDH tem um plantel reforçado com atletas bastante experientes. Será que se pode esperar uma campanha auspiciosa da equipa no próximo Girabola?
CMO - É claro que sim. Faremos tudo, desde a preparação da pré-temporada, para dotar a equipa de pressupostos e argumentos suficientes para atingir um nível equilibrado e ombrear com qualquer equipa da prova.