Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Queremos fazer melhor no Girabola do prximo ano

Morais Canmua - 03 de Dezembro, 2014

Carlos Manuel tem discurso de esperana apesar dos parcos recursos financeiros

Fotografia: Arimatia Baptista

O director-geral do Clube Desportivo da Huíla (CDH), Carlos Manuel, almeja uma   temporada  muito auspiciosa em 2015 e com boa prestação da equipa militar da Região Sul. O Desportivo da Huíla, de acordo com os objectivos da direcção, definiu a melhoria da classificação obtida no último campeonato e assim assegurar a manutenção entre os grandes do futebol nacional.

“Acreditamos que a próxima época futebolística vai ser melhor. Temos estado a trabalhar para que isso seja uma realidade”, disse Carlos Manuel, em entrevista ao Jornal dos Desportos na cidade do Lubango. O facto de os militares da Região Sul terem alcançado uma classificação menos conseguida no Girabola passado, correu inclusive riscos despromoção, constitui para o director -geral do grémio huílano “boa lição”, já que  como considerou, “na vida temos sempre de aprender com os erros”.

“As nossas ambições são comedidas por sermos ainda um clube da mediana. Queremos continuar a crescer”, disse. Para o dirigente do CDH, a má preparação inicial e a participação “inesperada” nas competições africanas de futebol (Taça da Confederação), “acabaram por estar na base da campanha ruim que fizemos”, principalmente na primeira volta, cujos resultados negativos custaram a cabeça de Mário Soares, que teve de ser despedido na 11ª jornada do Girabola. 

Carlos Manuel assegurou, “tivemos de accionar o plano B, conseguir a todo custo  a manutenção entre os grandes do futebol nacional”. Na visão da direcção do clube, o objectivo primordial “era a melhoria do sexto lugar conseguido no campeonato de 2013, mas devido a vários factores não conseguimos”. Neste contexto, aflorou “tivemos de substituir o técnico Mário Soares e apostar em Lacerda Chipongue, um quadro da casa, que julgamos fez um óptimo trabalho”.

Com base nisso, como forma de a equipa não correr os mesmos riscos na próxima época, a direcção do CDH optou por trabalhar na antecipação, segundo o director-geral, que confirmou Ivo Traça como técnico da equipa na próxima época. “Temos já tudo alinhavado. Ivo Traça será o nosso treinador na próxima temporada. Estamos satisfeitos e acreditamos que ele será uma mais-valia para que a equipa atinja os seus objectivos”, assegurou.

Questionado sobre as razões da contratação em todas as épocas de técnicos provenientes dos quadros do Clube Desportivo 1º de Agosto, Carlos Manuel sustentou que a agremiação huilana não tem muito (dinheiro) para enfrentar o exigente mercado nacional e estrangeiro. “Somos um clube pobre e não temos muito para  ir às compras num mercado inflacionado.

Temos acordos com o 1º de Agosto que não passam apenas por cedência de atletas”, referiu Carlos Manuel que assegurou Edgar Gerónimo “Stopirra” como adjunto de Ivo Traça.  Quanto ao técnico Lacerda Chipongue, que manteve a equipa na Primeira Divisão, o director-geral do CDH disse que o mesmo vai beneficiar de uma formação e vai igualmente integrar a equipa técnica.

NAS AFROTAÇAS
Huílanos falam em falta de experiência 

A falta de experiência (sobretudo competitiva) foi apontada pelo director-geral do Clube Desportivo da Huíla (CDH), Carlos Manuel,  como uma das causas dos insucessos dos militares da Região Sul na sua primeira participação nas competições africanas, mais concretamente na Taça da Confederação, em que foi eliminado na segunda eliminatória da prova.  

Por isso, Carlos Manuel recorda com mágoa a estreia do CDH nas Afrotaças, alerta os futuros “embaixadores” angolanos nas competições (Liga dos Campeões e Taça da Confederação) para  terem atenção ao jogo de bastidores. “Não tivemos sorte nas competições africanas, por falta de experiência. sobretudo com os países francófonos, onde infelizmente utilizam muito o extra - jogo”, referiu.

Revelou ainda na primeira experiência do CDH neste tipo de competições,  no ano passado, “tivemos muitos dissabores”, com particular destaque no confronto com o Monana FC do Gabão, em que o árbitro do jogo da primeira mão, um bissau-guineense teve a coragem de “inventar” inclusive um penálti para ver consumado um suposto compromisso moral que demonstrou  ter com a equipa da casa.

 Para além disso, revelou que os angolanos têm vários outros exemplos a nível das competições africanas, em que os nossos clubes em bastas ocasiões, foram severamente prejudicados por falta de uma preparação condigna, em função dos desenquadramentos do calendário competitivo e igualmente por falta de experiência nos chamados jogos de bastidores.

Carlos Manuel disse acreditar no potencial dos representantes angolanos na próxima edição das competições africanas - Recreativo do Libolo, Kabuscorp do Palanca (Liga dos Campeões), Benfica de Luanda e Petro Atlético de Luanda (Taça da Confederação). “Auguramos que os nossos representantes nas Afrotaças do próximo ano (Libolo, Kabuscorp, Benfica de Luanda e Petro de Luanda) cheguem o mais longe possível, para dignificar cada vez mais o futebol angolano. Para isso, torna-se imperioso uma preparação adequada”, alertou.
MC

Plantel pode sofrer sangria

O plantel do Clube Desportivo da Huíla (CDH), que terminou a época futebolística transacta, pode registar uma sangria, soube o Jornal dos Desportos do director-geral do grémio militar da Região Sul, Carlos Manuel. O director-geral do CDH assegurou que existem “clubes ricos” da praça nacional que estão a “aliciar” jogadores do plantel huílano e que a direcção militar da Região Sul está sem meios para se defender. 

“É uma pena que nós, como clube pobre, as agremiações com maior poder financeiro, aliciam os nossos atletas sem nos podermos defender”, disse em jeito de desabafo e argumentou, “conseguimos construir um grupo coeso e sólido, mas corre sérios riscos de se desfazer, por aliciamento de outros emblemas. Corremos o risco de começar tudo do zero (...)”.

Perante essa dura realidade, o director-geral do CDH pensa recorrer aos mercados menos atractivos e concorridos “para colmatarmos as possíveis e inevitáveis saídas de atletas do nosso plantel”. Por essa razão, Carlos Manuel tem consciência que disso resulta uma fraca qualidade e riposta, “temos de  saber viver com o pouco que temos (...)”.

Consta-se que podem estar de saída o médio-trinco Sargento, o atacante Jiresse e provavelmente Bena, este último com quem a equipa ainda tem alguns pendentes, que pode ter veredicto nos próximos dias. Carlos Manuel informou que a direcção do CDH pode garantir a permanência dos congoleses democratas Aly e Ruffin. Conforme disse, faltam apenas pequenos detalhes para que tudo seja acertado.

 Carlos Manuel não confirmou a recepção de atletas do Clube Desportivo 1º de Agosto, como é hábito nos últimos anos e argumentou “até agora nada temos de concreto em relação a essa matéria”. 

ÉPOCA 2015
Clube prevê gastar
quatrocentos milhões

A previsão de gastos, do Clube Desportivo da Huíla (CDH) para a  próxima época futebolística, pode atingir os quatrocentos milhões de kwanzas (equivalente a quatro milhões de dólares). A informação foi avançada em entrevista ao Jornal dos Desportos pelo director-geral daquela agremiação desportiva, Carlos Manuel.

Embora seja apenas uma cifra nominal, de acordo com Carlos Manuel, “pode muito bem ser real”.  Para o director-geral do CDH, o mercado futebolístico está inflacionado, devido a muitos factores de ordem objectiva e subjectiva, por isso, os números avançados podem ser verdadeiros.
“Sabe que a prestação positiva de alguns atletas, fez que eles se valorizassem mais, e nisto, os contratos terão de ser melhorados, os salários também, enfim as mentalidades serão outras, juntando a isso o aliciamento que muitos deles sofrem, acabam por causar a inflação no mercado”, realçou.

Estas questões, de acordo com a opinião do dirigente do clube huilano, “acabam por determinar a relação procura-oferta e sendo nós um parente pobre, acabamos por não conseguir entrar nesta corrida desenfreada”. Ainda assim, Carlos Manuel aponta a cifra (quatro milhões de dólares) devido a necessidade de se cobrir aquilo que considerou “custos adicionais”, que surgem no âmbito do processo de gestão,  por um lado, e por outro, “para sustentarmos de forma folgada, as despesas que a época futebolística impõe”.
MC

ARBITRAGEM
Carlos Manuel pede mais isenção

A problemática da arbitragem nacional, principalmente na última época futebolística, mereceu igualmente o ponto de vista do director-geral do Clube Desportivo da Huíla, Carlos Manuel. De acordo com ele, os árbitros devem acompanhar a dinâmica de desenvolvimento da própria modalidade.
“A arbitragem do nosso futebol deve acompanhar a dinâmica de desenvolvimento do futebol para que tenha um desempenho notável”, assegurou.

  Ainda assim, embora se tenha  mostrado reservado em abordar o assunto,  referiu “mesmo não gostando muito de falar da arbitragem, temos de admitir que já estamos muito melhores do que antes”. O director-geral do CDH admitiu que os agentes desportivos por vezes exigem dos árbitros o céu e a terra, produzindo mais pressão ao seu trabalho. Para ele, torna-se necessário reforçar as penalizações aos árbitros “cujos erros se provem serem premeditados”.

AVALIAÇÃO
“Selecção está no bom caminho”

A Selecção Nacional de futebol está no bom caminho. Quem o diz é o director-geral do Clube Desportivo da Huíla, Carlos Manuel, em entrevista ao Jornal dos Desportos. O dirigente do grémio huilano aponta o facto de os Palancas Negras terem feito dois bons jogos (com o Gabão e com o Burkina Faso) nas derradeiras jornadas da fase de qualificação ao CAN de 2015.

“Embora não tenhamos conseguido a almejada qualificação, temos de admitir que fizemos bons jogos, indiciando que, com mais trabalho, calma e pouca pressão,  podemos ir mais longe no próximo turno”, disse Carlos Manuel, que sustentou  mais adiante, “devemos congregar esforços e apoiar a FAF, o técnico e os atletas, muitos deles muito jovens e que devem igualmente ser acarinhados”.

Carlos Manuel mostrou-se cauteloso ao abordar a questão relativa a pressão ao grupo de trabalho. Para ele, “o combinado nacional, principalmente no jogo com o Burkina Faso, em que jogou sem pressão e com níveis de ansiedade baixos, demonstrou que tem automatismos, vontade, patriotismo e grande capacidade de sacrifício”, por isso, continuou, “devemos continuar a apoiar e a acreditar no trabalho que Romeu Filemon e seus adjuntos levam a cabo”.

Em relação a não qualificação de Angola ao CAN da Guiné Equatorial, Carlos Manuel mostrou-se conformado. “No futebol há três resultados possíveis (vitória, empate e derrota) e temos de admitir, que se não vencemos é porque os nossos adversários estavam melhor do que nós, porque não tivemos competência em campo de os ultrapassar. Ainda assim, acredito na minha selecção porque acho que está no bom caminho”, assegurou.
MC