Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Queremos no mínimo uma medalha de bronze

Manuel Neto - 21 de Agosto, 2010

César Ribeiro, seleccionador de natação

Fotografia: Domingos Cadência

Em que pé está a preparação das selecções seniores masculina e feminina?
Estamos no primeiro ciclo, no qual faremos um trabalho de recuperação, visto que acabamos recentemente a época desportiva. O mesmo acontece com os atletas que evoluem no exterior do país, concretamente em Portugal e na Inglaterra. Tivemos apenas uma semana de repouso e vamos iniciar com cargas mínimas. Posteriormente, faremos treinos bi-diários e físicos, quer em terra quer na água, e por fim treinos de resistência.

Têm algum estágio em vista?
Em princípio, ficaremos duas semanas a trabalhar em Luanda, aguardando que a Federação consiga um estágio, provavelmente em Portugal. Lá, faremos uma preparação mais específica, uma vez que estamos muito próximo da competição. A 11 de Setembro, dois dias entes da prova, embarcamos para Marrocos, aproveitando para reconhecer as piscinas, ambientarmo-nos ao clima e às refeições.

Existe uma razão para preferirem, nesta primeira fase, treinar no Clube Náutico da Ilha de Luanda ao invés da Piscina de Alvalade?
Sim, porque nestes três dias, faremos apenas trabalho de recuperação e, logo, não nos interessa trabalhar numa piscina de 50 metros, como é a de Alvalade. Essa é a razão que nos levou a optar primeiro pela piscina do Clube Náutico da Ilha de Luanda, que tem 25 metros. A partir da segunda semana, vamos, obrigatoriamente, no período da tarde, trabalhar na Piscina de Alvalade, visto que a competição de Marrocos será em piscina de 50 metros. Ainda assim, durante as manhãs, trabalharemos no Clube Náutico da Ilha de Luanda.

Nesta fase, quais são os aspectos que mais o preocupam?
O aspecto que preocupa qualquer treinador de uma selecção é ver se existe algum atleta doente. Felizmente, até ao momento, tudo corre bem. Aliás, a natação não é propensa a grandes problemas durante a preparação física e a fase de treinos. As doenças mais frequentes são gripes, otites e paludismo.

Que objectivos as selecções perseguem na prova?
Almejamos, no mínimo, conquistar uma medalha de bronze, dado que, na última edição, em Joanesburgo, conseguimos uma na estafeta. Por isso, vamos procurar mantê-la. Aliás, sempre em competições do género, classificamo-nos nos quatro melhores lugares e acredito que, desta vez, não vamos fugir à regra.

O leque de nadadores garante essa pretensão?
São os melhores do mercado. Basta ver o ranking deles. É nossa norma seleccionamos os melhores nadadores, cada um com a sua característica de nado e distância. Esta selecção foi feita com muito cuidado de modo a preservamos o nosso estatuto.

Reforços chegam para a se juntarem ao grupo

Acompanha os atletas que evoluem no estrangeiro, como o Nuno Rola (Belenenses de Portugal), o Pedro Pinote (Sporting) e o João Matias, que está na Inglaterra?
Pessoalmente não, mas o director técnico, o senhor Pestana, tem acompanhado. Ainda assim, há dias, através do meu e-mail, vi os resultados do Pedro Pinote e do Nuno Rola. Temos ainda o site da federação portuguesa, no qual podemos constatar os resultados deles.

O João Matias ainda não integrou a grupo. O pouco tempo que resta será suficiente para o observar convenientemente?
Nesta altura, o atleta encontra-se a competir em Inglaterra, na companhia do seu técnico e tão logo cheguemos a Portugal, vamos inseri-los no nosso grupo de trabalho para um melhor acompanhamento e limarmos algumas arestas, caso seja necessário.

Como estão em termos de apoio?
De momento, estamos no bom caminho, uma vez que a federação tudo tem feito no sentido de nos dar todo o apoio de que necessitamos, concretamente em transporte e alimentação (lanche e jantar). Não fazem o almoço, porque os atletas frequentar aulas no período da tarde.

"Teremos um futuro
cada vez melhor na natação"

Como avalia o estado da modalidade no país?
Está bem servida, uma vez que, no ano passado, foi criada uma Mini Liga de Clubes, que deu grande competitividade às provas, pois fazem parte dela equipas muito fortes, como o Clube Náutico da Ilha de Lunada, o 1º de Agosto, o Clube Naval, e algumas escolas que estão viradas para o lançamento de novos talentos. Acredito que teremos um futuro cada vez melhor para a modalidade. Perspectiva-se para o próximo ano uma época ainda melhor do que esta, na mediada em que existem objectivos muito importantes a cumprir com os clubes que possuem a modalidade.

Como está a natação ao nível das províncias?
Em Luanda, Kwanza-Norte e Benguela, a modalidade está bem. A Federação tudo faz para a lançar no Namibe, no Lobito e em Cabinda, sendo que nesta última província foram já formados dois técnicos. De realçar que em Cambanbe (Kwanza-Norte), há três clubes e espero que, com as piscinas que tem, este ano a província consiga competir na Mini Liga de clubes.

Advinha-se o surgimento de bons nadadores?
Pode ser, mas tem de haver primeiro muitos praticantes, dirigentes, treinadores e infra-estruturas para tal. Acredito que, caso haja as condições atrás enumeradas, podemos atingir a breve trecho o pódio no continente, na mediada em que não somos diferentes de outros países que chagam lá. Pisamos o mesmo chão, estamos no mesmo planeta e, por isso, devemos acreditar.

Como estão servidos em termos de infra-estruturas?
Estamos bem, mas é necessário que se dê um maior apoio e haja continuidade no trabalho de infra-estruturas que está a ser feita actualmente pelas pessoas de direito para podermos, daqui a algum tempo, colher bons frutos. Gostaria que houvesse mais recintos para treinos, sobretudo nas províncias que reúnem as mínimas condições para a prática da natação.

Mini Liga e escolas
são viveiros da modalidade

Que trabalhão se está a fazer ao nível dos escalões de formação?
Os clubes andam muito preocupados com isso. Por isso mesmo, formou-se a Mini Liga que, tal como as escolas, será um viveiro da modalidade. Desse modo, gostaria de apelar aos amantes da modalidade a darem o seu melhor em prol do desenvolvimento da mesma.

O número de praticantes satisfaz?
Pelo que sei, há grande adesão de pessoas interessadas em praticar a modalidade, sobretudo encarregados de educação, que solicitam os nossos serviços para o enquadramento dos seus educandos. Sentimo-nos satisfeitos e essa adesão é motivo para colocarmos todo o nosso saber em prol da natação. Estamos há muitos anos nesta vida, desde o tempo de atleta, e continuamos a servir a modalidade e o país. Gostaria de apelar à sociedade angolana que abrace a natação, não só para fins desportivos, mas também para recrear e manter a forma física, uma vez que as nossas instituições estão prontas para receber toda a gente que necessite dos serviços aí oferecidos.

Relação com a
Confederação Africana é boa

Como caracteriza a modalidade em África?
A África do Sul é uma potência na modalidade e a maior parte dos países luta para seguir o mesmo caminho, razão pela qual, no último campeonato realizado naquele país, vimos a Tunísia a dominar, apesar de competir apenas com um atleta.

Além da África do Sul, que outros países têm protagonismo no continente?
A maior parte dos países do Norte, sobretudo o Egipto, a Tunísia e a Argélia. Outros são o Zimbabué, a Namíbia, o Quénia e as Ilhas Maurícias. Estes são os melhores exemplos de que a Africa dispõe.

Fale da relação que temos com a Confederação Africana de Natação Amadora?
É a melhor, uma vez que temos três representantes angolanos a ocuparem cargos de destaque. Ela realiza competições importantes como os Campeonatos das Zonas 4 e 6, em seniores e juniores, com a intenção de procura de novos talentos para o desenvolvimento da modalidade, o que espelha bem o contributo que aquele órgão dá a este desporto.

Por Dentro
 
Nome                        César Ribeiro
Cidade preferida         Lobito
Princesa                    Filhas
Calçado                       42
Prato preferido          Funge
Bebida                       Vinho
Filme                         Acção
Hobby                       Ver filmes
Leitura                      Romances
Religião                    Católica